sexta-feira, 21 de julho de 2017

a Espiritualidade LUZ e TREVAS, no Cinema: Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles

A cegueira básica da humanidade acerca da espiritualidade é a própria negação da existência do espírito no homem. O cidadão nega sua espiritualidade tanto ao afirmar que não acredita na alma humana, ou então, quando decide deixar pra lá qualquer análise pessoal sobre o que ocorre em seu interior enquanto vai vivendo a vida. Um resultado possível da negação é a preferência por fazer desta vida uma grande experimentação de tudo que existe e acontece, como se não houvesse amanhã. Ou então, a escolha por viver só naturalmente sem parar pra pensar que tudo que existe influencia bastante nosso ser interior, o próprio espírito que pulsa no homem. O ótimo e pesadíssimo filme do melhor cineasta brasileiro deste século, Fernando Meirelles - brilhante ao sempre unir a sutileza e profundidade técnica européia com a eficaz dinâmica hollywoodiana, apresenta através de cores fortes até onde pode chegar o ser humano quando decide viver somente para o aqui e o agora. BLINDNESS, "Ensaio sobre a cegueira", 2008, com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Alice Braga, é cinema da melhor qualidade, em filme assim descrito por Marcos Guterman, no Estadão, seção cultura: "A cegueira pode funcionar como uma forma de enxergar a natureza humana muito além das aparências civilizadas... Bastante fiel ao livro homônimo de José Saramago, Ensaio se passa em nenhum lugar, com pessoas sem nome. Não se trata, portanto, de uma história, mas de uma reflexão a respeito do que realmente somos, em essência, e não do que pensamos que somos - e isso inclui um nome e um endereço, espécie de rótulos com os quais nos reconhecemos e somos reconhecidos. No mundo da cegueira coletiva, esses rótulos são irrelevantes. No entanto, não são apenas as referências mínimas que estão ausentes. O desmoronamento moral, de um dia para o outro e em ritmo irresistível, traduz a confusão dos conceitos em um tempo no qual todas as informações têm o mesmo peso. A cegueira de Ensaio é branca - é o brilho da luz que cega, é o excesso de informações desordenadas que confunde, em vez de esclarecer, e não deixa ver como o mundo, de fato, é. O resultado disso é o caos." A ilusão do progresso moral da humanidade que o modernismo visualizou cai por terra quando diante das necessidades mais primárias, e protegido pela obscuridade, o homem escolhe o arrojo do completo egoísmo como princípio de vida a fim de satisfazer as paixões mais primitivas da raça. A escuridão torna-se, de repente, a orientação básica de vida para os que se percebem cegos num instante, o que lhes dá o direito de praticar, enfim, tudo que desejam e sonham ser sua necessidade. E quando já não enxergam mais quem são, pois dominados pela paixão; acreditam que mais ninguém poderá vê-los assim, também, vivendo em plena devassidão. A palavra do profeta que afirma estar o coração do homem em grandes trevas, assim que seus olhos enxergam tão somente a escuridão; poucas vezes foi tão eficaz pra descrever como a humanidade distante da verdade (realidade), entrega-se rapidamente ao que se torna, então, sua única existência; a ruína do sentimento. A liberação total para a prática das paixões humanas que a escuridão de si mesmo oferece, é sempre um convite em conflito com a boa prática da espiritualidade. É muitas vezes por aí que os olhos humanos se fazem grandes vilões de atitudes de respeito e pura sensibilidade, pois quando o terror das necessidades se avizinha junto de nós, é cada um por si, mesmo - e salve-se quem puder. Eis como a crueza das lutas da vida pode, grandemente, apagar qualquer traço de uma personalidade bendita que nossa consciência (espírito) almeja trazer pra realidade física, de todo mundo. É preciso vigiar, e orar, já dizia o profeta. Pois quando o espírito está pronto, a carne se revela fraca, quase sempre. Pois o espírito do homem anseia, de verdade, alguma experiência existencial de maior profundidade. Uma busca por certa amplitude de valores e mais dignas sensações pra vida. Foi o Apóstolo São João quem melhor escreveu sobre situações da vida e ensinos de sabedoria do Profeta Jesus, acerca da escuridão da espiritualidade da humanidade. João relata que um cego de nascença fora curado por Jesus - em uma demonstração milagrosa que somente um "homem de Deus" poderia realizar. Mas os "donos" de Deus não aceitavam que um Mestre distinto deles mesmos, viesse lhes revelar ensinos do próprio Deus que diziam tanto conhecer. Não importava que milagres infinitos se realizassem diante de seus próprios olhos. O orgulho humano que nos torna amantes de nós mesmos, os impedia de serem humildes pra receber um novo ensino a fim de que sua caminhada pra conhecer Deus na terra, pudesse, ainda e sempre, amadurecer. Jamais seria assim com eles. Pois, afinal, já nasceram sabendo tudo, mesmo. Foi quando Jesus ensinou aos homens que aquele que antes fora um cego de nascença - agora enxergava, sim, os reais caminhos da espiritualidade. Não só porque bem visualizava o mundo, mas porque acreditava no Profeta. Quanto aos outros, ainda enxergavam o mundo, mas não mais a vida - e cada vez menos, o espírito. Pois face a face com o Profeta, nada viam além de si mesmos. Bem-aventurados os humildes, pois deles é o Reino dos céus - já que podem ser conduzidos pelos caminhos do espírito, de Deus! E bem-aventurados são também, os que não viram, mas creram. Porque mesmo sem ter olhos físicos na ocasião, tem olhos espirituais pra reconhecer hoje, a voz daquele que, sim, conhece muito bem a espiritualidade de quase todo mundo. Bom filme!

a Espiritualidade do SACRIFÍCIO, no Cinema: SILÊNCIO, de Martin Scorsese

"Toda a minha vida foi cinema e religião", disse Martin Scorsese. O religioso e realista diretor ítalo americano M Scorsese não esconde suas angústias interiores e novamente surpreende os fãs de cinema com seu pragmatismo autoral. Aspectos de sua personalidade que o mantém vivo como um artista instigante e provocador de boas reflexões. E seu mais inquietante pensamento acerca da alma humana já está em cartaz nos cinemas brasileiros - SILÊNCIO, 2016, com Andrew Garfield e Liam Neeson. A primeira meia hora de filme nos faz viver uma interessante experiência de temor, pois partilhamos um pouco da fé religiosa humana mais pura assim que conduzidos ao interior da alma dos padres jesuítas. Tudo através de uma sutil atmosfera cultural que, vez ou outra, a boa sétima arte nos dá a chance de compartilhar. Enquanto nos acomodamos existencialmente no ambiente espiritual arquitetado pelo filme, logo iniciamos também uma jornada particular de silêncio interior. Uma experiência partilhada através da sonoridade sensível do filme, que nos fará perceber melhor tanto a majestade da natureza, quanto os sentimentos mais profundos dos seres humanos. Eis uma sessão de cinema que nos faz viver uma experiência essencial relacionada aos maiores dilemas da fé e espiritualidade humanas: a que trata do Silêncio de Deus diante das tragédias e injustiças que assolam a humanidade. Apenas para constar, ao menos quatro boas críticas e resenhas do filme merecem a leitura dos amigos: Hamilton Rosa Júnior escreve na Rolling Stone, e apresenta o filme de forma exemplar: "Martin Scorsese nunca trabalhou o efeito da ausência de sons de forma tão radical como fez aqui, neste que é talvez seu trabalho mais complexo. Sequer há uma trilha sonora em cena. Padre Rodriguez (Andrew Garfield), o protagonista, testemunha tantas atrocidades que passa o tempo inteiro perguntando a Deus por que Ele não cria algum tipo de intervenção para cessá-las." Gustavo Henrique, do site ovicio.com.br, que aborda cinema e literatura, artes e HQs, assim descreve a obra: "Silêncio é um filme que oferece uma experiência cinematográfica transcendental e reflexiva, que questiona percepções de vida, crenças e os limites da consciência humana. Uma das melhores obras de 2016, tendo sido completamente injustiçado no Oscar mas que deve perpetuar no futuro como um dos mais importantes filmes de um dos mais importantes cineastas da história." Outro texto diferenciado é o de João Lopes: Scorsese - o Silêncio e o Medo, que aprofunda o entendimento da fé no divino enquanto esclarece as virtudes cinematográficas do filme: "Da construção do espaço, primorosamente tratado pela fotografia de Rodrigo Prieto, até aos ritmos sensuais da narrativa, muito graças à montagem de Thelma Schoonmaker, "Silêncio" é um filme que se distingue por algo de primitivo — como se estivéssemos a descobrir a origem dos próprios poderes cinematográficos." Por fim, a sempre sagaz e comunicativa Isabela Boscov, da Revista Veja, supera-se em uma resenha quase espiritual de profundidade argumentativa eficaz, tanto existencial quanto técnica do filme: "Silêncio tem algum diálogo; quase não tem música. Sua eloquência está depositada nas imagens, compostas com imensa riqueza narrativa. Em parceria com o diretor de fotografia mexicano Rodrigo Prieto, o cineasta faz uma homenagem aos diretores que formaram o imaginário do Japão de sua geração. Sobretudo a Akira Kurosawa, de quem ele toma emprestadas algumas regras cardeais, como a da composição pictórica das cenas ou a movimentação de elementos da paisagem - o capim, a chuva, a neblina - contra o desenho dos personagens da tela (...) Por meio dessas pinturas em mutação, evocam-se a ligação estreita entre natureza e espiritualidade na cultura japonesa...". O filme é baseado na obra original do escritor japonês Shusaku Endo, publicada em 1966, e reflete acerca dos graves conflitos religiosos ocorridos entre os padres portugueses e as autoridades japonesas, no início do século 17. Trata da espiritualidade humana desenvolvida a partir de uma religião específica, e dos confrontos que seus princípios geram diante das orientações de uma outra religiosidade. Uma disputa doutrinária que vai além da teologia ou filosofia, pois o conflito que ocorre é existencialmente cultural. Para as autoridades japonesas trata-se de um projeto que pretende subjugar a vivência budista do povo japonês e toda sua história como nação aos ideais do cristianismo português. A resposta institucional do Japão são perseguições constantes aos líderes da evangelização cristã, seguidas de torturas que buscam a negação da fé pelos fiéis, para que sobrevivam, ou suas mortes, caso continuem cristãos - o martírio. Eis o drama em que se acumulam situações trágicas de tortura e assassinatos cruéis de inocentes a partir do confronto religioso que vira uma batalha espiritual entre cristãos e budistas na terra do sol nascente. Uma guerra dolorosa e aflitiva cuja decisão de seu término, e o consequente retorno da paz social, está depositada nas mãos e coração do Padre português Rodriguez. Cabe a ele decidir se a sua pretensão de cristianizar o Japão pra assim submeter sua cultura milenar aos valores religiosos europeus vale a pena. Pois será sempre uma missão levada adiante à custa da dor e sangue do mais humilde povo japonês convertido. Enquanto o Padre briga interiormente entre a decisão de manter seu ardor evangelístico, ou então, pela escolha de logo abandonar sua missão diante do terror aos fiéis japoneses, que já não aguenta enxergar; eis que surge, afinal, o "Silêncio". Que se torna, no filme, o próprio Silêncio de Deus! Já que o Ser divino parece não se manifestar mesmo diante de tão graves injustiças pessoais e sociais. E agora, Padre Rodriguez? Até quando o povo pobre japonês irá sofrer por seus projetos, que se tornam, cada vez mais, só particulares e egoístas? Eis, aí, a nossa questão! Que se torna, então, o dilema ético espiritual do filme. Situação ética que parece próxima da experiência do militar Lloyd Bucher, comandante norte-americano do navio USS Pueblo, que em 23 de janeiro de 1968 foi capturado pela marinha da Coreia do Norte, tendo sido acusado e toda sua tripulação de espionagem. Diante da ameaça do assassinato de todos os seus tripulantes, Bucher foi desafiado a assinar confissões falsas de espionagem, a fim de salvar seus comandados. O dilema de Bucher era básico: deveria afirmar sua honra e missão mantendo a verdade de que apenas navegava dignamente em águas internacionais? Ou, então, deveria abandonar sua autoridade e desprezar a integridade de sua liderança, mentindo e abandonando a realidade de que ele e seus marinheiros apenas navegavam nas águas livres da região? O fato é que Bucher assinou as confissões e assim salvou sua tripulação da morte, abandonando o USS Pueblo em mares norte-coreanos, onde se encontra o navio até hoje. E assim voltaram todos pra casa, sãos e salvos. Só que não! O dilema ético do comandante Bucher nada tem a ver com o conflito existencial espiritual do Padre Rodriguez. E olha que eu assinaria as confissões mentindo pra livrar os soldados junto com Lloyd Bucher, antes até que os norte-coreanos pudessem dizer "Tchau mesmo!", com apenas uma das mãos. E a razão da diferença está na descrição acima, já que Bucher enfrenta, sim, um dilema ético filosófico, humano. Enquanto Padre Rodriguez, diferentemente, vivencia um conflito espiritual existencial, eterno. É isso! Certamente que o filme parece afirmar, definindo simploriamente aqui, que o dilema do Padre Rodriguez é somente uma questão ética. Uma das mais dolorosas da história, sem dúvida. Porém, dentro do contexto cristão de fé e missão, se reconhece o conflito do Padre Rodriguez não como um dilema ético; mas sim, enquanto um confronto espiritual. Daí, a grave diferença situacional pela qual transitam o comandante e o Padre. E agora, José? Bem, o princípio teológico cristão que explica a diferença entre um dilema ético humanista e um desafio espiritual existencial surge, em nossa questão, a partir de uma determinação essencial do Profeta mor da fé cristã; Jesus, o Cristo. Pois foi Jesus que afirmou, pra eternidade ouvir, que aquele que viesse a confessar seu nome diante dos homens, seria assim reconhecido diante dos anjos de Deus. Igualmente, aquele que negasse a Jesus diante dos homens, teria seu nome negado também, diante de Deus. O contexto histórico da afirmação de Jesus trata da descrença e hipocrisia dos líderes de Roma e Israel, que desprezavam os desafios existenciais propostos pelo Profeta. Pois neles, Jesus reclamava uma fidelidade a Deus além dos limites terrenos, no propósito de religar os homens diretamente ao trono divino nos céus. De maneira que nada terreno, cultural e social, e somente temporal, pois limitado ao tempo de vida dado a cada geração, deve superar a convocação de Jesus para que a humanidade experimente um relacionamento místico a partir do espírito, junto da Pessoa de Deus. Uma convocação existencial para uma relação atemporal além da vida, pois adiante do espaço e tempo do planeta Terra. O cristianismo é isso, afinal. Daí que a confissão do Padre Rodriguez e dos fiéis japoneses gravita conceitualmente dentro deste contexto transcendente, e não, orientada por uma filosofia caridosa pragmática de proteção da vida, só para o tempo presente. Jesus ainda argumenta em favor de sua determinação, ao dizer que os homens não devem temer aqueles que matam o corpo, e depois, nada mais conseguirão fazer. Pois são incapazes de atacar a alma humana, e de atuar na eternidade. Enfim, o conhecimento da vida e da história humana que o cristianismo ensina, colocam o Padre Rodriguez e os cristãos japoneses diante de um dilema ainda maior do que aquele de apenas subverterem a cultura de uma nação. Ou até, de virem a perder suas vidas na presente época. Pois o conflito é eterno, não temporal. E se estabelece diante de Deus, não dos homens. Nesta situação, era imprescindível aos cristãos japoneses confessar sua Fé em Cristo, pois tal declaração nesta vida significava a afirmação da própria existência soberana de Deus. Uma confissão que afirmava a existência de Deus não somente aqui, em nosso mundo, mas também, na outra vida - algo que vai fazer toda a diferença quando os homens um dia lá estiverem, no Céu. Pois a descrença em Deus revela uma atitude de desprezo ao seu cuidado e presença, tanto para os dias atuais, quanto para a vida após a morte. A vida eterna. Eis o princípio doutrinário que dá significado à uma "comum" aceitação dos fiéis cristãos de que se percam os anéis (a vida hoje), para se manter os dedos (a vida eterna). Junto de Deus. Tá entendendo? Enfim, eis o contexto humanista cristão que dá consistência à tese de que o conflito do Padre Rodriguez não era ético filosófico, mas sim, existencial espiritual, de verdade. Uma experiência humana transcendente de sofrimento que encontra na vivência do homem mítico Jó, do Antigo Testamento bíblico, sua mais profunda e conceitual materialização. Pois ali, encontramos um homem que sofre em razão de manter-se fiel a Deus, e não o contrário. E para corroborar a ideia de que há um grave conflito espiritual acontecendo, mais do que ético, eis que vemos em momentos distintos do filme, tanto o Padre professor Ferreira, quanto o Padre aluno Rodriguez, balbuciando palavras ao vento como deprimidos existenciais. Pois, afinal, abandonaram sua fé transcendente de outrora. E assim, nada eterno reside ainda em suas almas. Tornaram-se zumbis do cotidiano cultural a que pertencem, e não vivem mais a partir daquela esperança inaudita que anima a humanidade. Projetos de vida que são espiritualmente verdadeiros e satisfatórios, pois falam, sim, ao interior eterno do homem. Bom filme!

a Espiritualidade SOCIAL da HUMANIDADE, no Cinema: LOGAN

A Espiritualidade de "LOGAN" está na excelência e valor de sua... humanidade. Eis uma das razões que fazem de LOGAN o melhor filme do Mutante Wolverine, com Hugh Jackman! E para superar os filmes anteriores da série, o prodigioso roteirista e diretor James Mangold deve ter se inspirado em "Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller, 2015; e tomara, consiga iluminar "Blade Runner 2049", de Denis Villeneuve, que chega aos cinemas este ano. O importante é assistir LOGAN como o drama sério de gente grande que é, pra não perder nada de sua instigante narrativa relacional. Ao mesmo tempo em que deve-se estar preparado para presenciar uma aventura excepcional e vibrante, como a muito não se vê em filmes de heróis de ficção. Hugh JACKMAN sempre foi Wolverine, mas agora, dá um passo adiante em sua composição artística e consegue existir plenamente em seu personagem. Pois a jornada de LOGAN confunde-se com a história do ator na série, ao unir os sentimentos do mutante e do artista de maneira surpreendente. Se "XMEN" não fosse uma série marcada pela ação e aventura, poderia ter vencido o preconceito da Academia e teria seus atores e diretor indicados ao "Oscar", com reais chances na competição. LOGAN é um filme maduro em sua narrativa dramática e criativo tecnicamente nas cenas de ação. Vale a pena, mesmo, assistir! E voltando ao tema principal, o que a história final de Logan e seus companheiros Mutantes descreve é uma jornada existencial das mais relevantes para todos que almejam viver uma Espiritualidade saudável: a busca de tornar-se uma pessoa humana na amplitude e grandeza do nosso potencial como espécie. Os Mutantes de LOGAN perseguem, e conseguem tornar-se o avô e a filha, o amigo e o cidadão, e, finalmente, o filho e o pai, uns dos outros; e também, de (quase) toda a humanidade em geral. Uma proposta vivencial que, vindo de quem vêm: Mutantes quase só inimigos e menosprezados diante de nós outros, humanos "puros"; nos atinge sensivelmente no espírito, como se fora uma tesoura afiada ali plantada. Certamente que tal reflexão demora pra acontecer. Isso se vier a ocorrer. Mas a boa e primitiva satisfação de adrenalina adquirida ao assistir bons filmes de aventura é aqui substituída por uma sensação inquietante de que algo novo nos foi dito, sim, em alto e bom som. Mesmo que não saibamos precisar bem o que. A realidade é que o desafio aos Mutantes para que assumam sua humanidade tornando-se pessoas sociais em nosso mundo, revela-se um projeto Espiritual de inegável valor interior pra qualquer um. Daí a nossa inquietação, bem mais que só hormonal, com o filme. E mesmo que não dure muito, estou aqui para aproveitar a ideia e remexer tal sensação. Pois os Mutantes de LOGAN desenvolvem sua maturidade existencial espiritual ao mesmo tempo em que nos emocionam e motivam assim que os vemos correr atrás de suas personas humanas sociais. Sejam elas, as familiares e comunitárias, ou ainda, cidadãs e até as humanitárias. Em meio às lutas e dores que vivenciam nesta excelente aventura, os personagens buscam assumir novos sentimentos para suas antigas personalidades. Enquanto vão deixando de lado a força e a vaidade, abraçam por valor a bravura e a dignidade como um princípio de suas novas atitudes pessoais. O que observamos nos Mutantes de LOGAN são experiências de sacrifício e compaixão, generosidade e humildade; todas, sensações e valores normalmente relacionados a uma jornada heroica mais humana do que a de super heróis. A doação pessoal dos XMEN tanto para cuidar de vidas, quanto para com elas se relacionar; torna-se assim, o grande tema vivencial espiritual do filme. E quem muito escreveu sobre o valor e a necessidade de assumirmos, logo e de uma vez, nossas funções sociais mais próximas. Como a de sermos filhos e depois um pai, ser mãe e também vizinhos, colegas de trabalho e cidadãos, e assim por diante; foi o bom e sábio Apóstolo São Paulo. Ele mesmo. Pois o que acontece muitas vezes é que no objetivo de vivermos algo relevante e especial, enquanto experiência espiritual, o que se busca é algo que ocorra além da vida e das pessoas do nosso cotidiano. Ledo engano. Daí a simples e direta afirmação do Apóstolo para que sejamos, sempre, as melhores pessoas que pudermos - dentro do grupo social a que pertencemos. Ou, do que desejamos participar. Somente experimentando pra valer as nossas cotidianas relações sociais, iremos descobrir o real (e melhor) potencial da nossa personalidade, da espiritualidade. Pois o bom desafio espiritual é conseguir amadurecer nossa personalidade interior junto do outro e da sociedade, de quem e do que, somos parte, afinal. E só pra terminar bem, aproveito pra citar a crítica do maravilhoso filme de Frank Darabont, "Um Sonho de Liberdade", 1994, incluída em "O livro do Cinema", Globo Livros, que descreve o que eu gostaria de registrar acerca de LOGAN: "Um filme que trata da vitória do espírito humano sobre a adversidade lida com algo delicado... Frank Darabont consegue o perfeito equilíbrio na direção do filme. Ele enfatiza a humanidade acima da brutalidade...". E assim, igualmente ocorre com James Mangold na direção de LOGAN, 2017.

a Espiritualidade da ALMA, no Cinema: BLADE RUNNER

Se a esperança da nossa fé vale apenas para esta vida, coitados de nós - já dizia o Apóstolo São Paulo. Eis a dúvida existencial que o policial Deckard do ator Harrison FORD sequer consegue imaginar de tão íntima e profunda que ela é, enquanto caça robôs replicantes (cópias fiéis de seres humanos com no máximo 4 anos de duração), e que são proibidos de viver no planeta Terra (Blade Runner, o caçador de androides, de Ridley Scott, 1982). Enfim, eis a questão: os seres humanos tem mesmo uma alma dentro de si pra chamar de sua? Ou somos apenas células (bem) crescidas geradas em meio à longa história do progresso da personalidade? Pois os diálogos primevos que o replicante "androide" Roy do ator Rutger HAUER fazem soar nos ouvidos de Deckard FORD logo lhe vão queimar os neurônios com essa que é a grande (maior) preocupação da humanidade, desde sempre. Como bem esclareceu o crítico de "o Livro do cinema" (Globo livros), "Se Roy Batty é capaz de sofrer e ter vontades, em que ele é diferente de seus criadores?"... Mas sua análise vai além ao replicar uma constatação fundamental do robô essencial - "É uma experiência e tanto viver com medo, não? Isso é que é ser escravo.". Escravo do que, afinal? Da morte total, pois sim. É isso! Se os próprios replicantes já estão percebendo (e sofrendo) com a razoável inutilidade de uma existência "humana" sem alma - e por isso mesmo, quase sem presente e certamente nenhum futuro; ora, por que caçá-los como se "somente" robôs racionais eles fossem? Tem algo a mais nesta história que merece nossa atenção, certo? Eis o que (quase) também começa a entender o policial Deckard FORD. E nada melhor que analisar tudo isso e mais um pouco acerca da espiritualidade assistindo a um dos melhores filmes de ficção científica noir policial que se conhece da história do cinema. Pois a expressão "cult" assumiu aqui sua realidade mítica fundamental, acredite. Se o brilhante CHINATOW de Roman Polanski subverteu as regras clássicas NOIR, foi Blade Runner quem as trouxe ao século 21 (ainda nos anos 80) aprofundando as complexidades dramáticas de seus protagonistas até o espírito. Pois as palavras do replicante ROY anunciam não apenas seu medo cotidiano da morte humanoide que dele se aproxima, mas também sua agonia ao perceber que o esquecimento de tudo que ele já viveu é (quase) igual à negação existencial de si mesmo. Que loucura. O que ROY observa não é somente a possibilidade do fim de sua vida presente, mas bem mais que isso, a realidade constante de uma morte eterna que experimentamos desde agora, e sempre. Que horror! Estas afirmações absolutas e inegáveis acerca da vivência mortal da humanidade explicam a frase mais grave com que o crítico de "o Livro do cinema" resume a depressão existencial dos robôs de Blade Runner, ao concluir: "Batty e seus colegas replicantes estão fazendo uma revolução ao forçar seus criadores a vê-los como seres dotados de alma em busca de libertação." Pronto. Chegamos ao ponto essencial, que aliás, já foi esclarecido no início do texto: afinal, os seres humanos tem mesmo uma alma dentro de si pra chamar de sua? Ou somos apenas células (bem) crescidas geradas em meio à longa história do progresso da personalidade? Se até os replicantes de Blade Runner estão atentos a essa questão, quanto mais o policial Deckard FORD e igualmente, eu, você e a espiritualidade de quase todo mundo, não é mesmo? E essa não é uma constatação que vêm de fora, mas nasce lá de dentro da gente, entende? Bom, ao menos é assim que pensa o Apóstolo São Paulo quando afirma que existe uma consciência moral nos homens, sim. Ele se refere ao conhecimento interior de todos nós que, de um lado nos capacita a visualizar a própria existência do Criador a partir da constatação da exuberância da criação, do mundo. E de um outro lado age pra fazer o coração dos homens reconhecer, e até mesmo contrariar, que há um jeito certo e um outro errado acerca de como se deve viver a vida. Pois todos os homens seguem como que por instinto a lei interior que tanto os move para o que é correto, como os deixa preocupados com aquilo que fazem de ruim. O entendimento consciente que transforma nossa vida em um constante desafio moral, que é a tal da consciência humana, afinal. Uma compreensão ética existencial que surge lá do interior do homem, segundo o Apóstolo. E que portanto, não vêm de fora, mas ao contrário, faz parte da própria constituição (natureza) da humanidade. Uma sensação que não origina das nossas células, não; mas é então, a nossa própria alma e personalidade espiritual essencial, sim senhor. Tá entendendo? É isso mesmo, o replicante Rob HAUER estava certo! Algo com o qual nem o diretor Ridley Scott ou o autor Philip K Dick sonhavam refletir, a história de Blade Runner bem vislumbrou acerca da incerteza da existência humana. Mas o futuro é melhor que o passado, de verdade. Pois quem esclareceu os pensamentos do Apóstolo Paulo, confirmando assim a existência da alma hoje e uma vida humana espiritual pra sempre, foi o Profeta Jesus. A situação é bastante conhecida e a conversa de Jesus Cristo com o ladrão na cruz é memorável. "Lembre-se de mim quando vier no seu reino", pediu o ladrão. E Jesus simplesmente lhe garantiu tudo, ao logo responder: "Ainda hoje estarás comigo no paraíso." Tá aí uma boa pedida, então, tanto para o humano replicante Harrison FORD, quanto pra você e pra mim. E bom filme!

a Espiritualidade da SEXUALIDADE, no Cinema: Terapia do Sexo

Depois do AA (Alcoólicos Anônimos) e AE (Amor Exigente), ainda aguardamos a chegada do mais necessário grupo de apoio do século 21: o VV - Viciados Virtuais, pra libertar o povo do "face" e whats. Mas, enquanto isso, já temos os 12 passos de ajuda ao sexo do filme "Thanks for Sharing" - TERAPIA do SEXO, 2012, de Stuart Blumberg. Contando com os atores Mark Ruffalo, Tim Robbins e Gwyneth Paltrow em excelentes atuações, este drama - comédia, sensível e bom demais, trata de mostrar as paixões desenfreadas que costumam assassinar a alma humana que já não consegue mais controlar os olhos, e tampouco as mãos. Rodrigo Gomes no blog AdoroCinema, assim definiu a obra: "Sensacional. Um dos filmes mais coerentes sobre esse tema, sem pudor ou sensacionalismos, apenas a realidade do que as pessoas passam. Cenas inteligentes e magnificamente desenvolvidas, com certeza foi realizado um grande trabalho de estudo para desenvolver brilhantemente esse roteiro que retrata um tema delicado sem se tornar vulgar. Apenas vi algo semelhante em “Shame”. Verdade. Vale (muito) a pena assistir o filme. Pois as fragilidades humanas que aparecem a partir das múltiplas experiências sensuais de nossos dias são reveladas em tom cuidadoso e eficaz pelos olhares e suspiros dos corajosos atores. Algo que vai nos ajudar a perceber um pouco mais de nós mesmos - e do perigo que já passamos, ou perto estamos de viver. Pois qualquer necessidade ou oportunidade pode virar só paixão - que sem satisfação, se torna vício e opressão. Ao invés de tratamento, da carência. Atenção. Algo importante demais pra não dizer é o quanto este filme apresenta situações possíveis a quase todo mundo, e quão dolorosas são elas - pois descrevem tanto a fome de amar, quanto a força de destruir que o coração humano carrega consigo. Uma experiência de paixão que muitas vezes consome, é a própria fome de amar - abandonada (de)pois, e que assim deixamos ir, pois cremos que jamais será satisfeita. Como também, a experiência vivenciada que arruína, sim, pois celebrada em grau e números além da conta, sem sequer nos darmos conta; que é o coração que então se foi, poi este ficou lá atrás, quase morreu. Sobrou apenas, o vício e a dependência. Não mais a busca do amor, e nem sequer a esperança da prazerosa convivência. Ficamos só, animais. Difícil, isso. Mas é assim, enfim, que chega pra ficar, o vício do sexo. Cuidado. Já houve tempo em que a espiritualidade acreditou que iria livrar a alma pela liberação da paixão humana. Toda ela. Já houve época em que a espiritualidade decidiu cuidar da alma pela negação do coração, sensual. Todo ele. Já se falou, bastante na filosofia, do equilíbrio, a raiz de todos os acertos. Mas, qual é o equilíbrio da emoção, hein? Penso, enfim, que este filme "Terapia do Sexo" nos faz enxergar, quase, uma caminhada espiritual de tratamento das carências humanas, sim. Pois os doze passos do grupo, praticados (pra valer) em comunidade; conseguem apresentar um pouco da obediência e sensibilidade, da disciplina e solidariedade - tão necessárias que são, pra nos fazer melhor viver os interiores dramas do coração. Daí que revelam tanto a fraqueza individual humana, quanto a carência social de todos nós - que são, então, somente bem tratadas, em conjunto. Até para mostrar que as nossas necessidades do coração, são de gente, principalmente. A caminhada espiritual do homem aprende do grupo de apoio o grande valor da boa interação entre dedicação individual e coleguismo fraternal. E o homem aprende da espiritualidade que, sim, vamos precisar de mais "alguém" pra nos conduzir com sabedoria emocional nesta vida tão cheia de sensações; pois, que maravilha é sentir, e se querer (bem), não é mesmo? A humanidade vai ter que descobrir - e levar em conta, que é muito mais do que um pedaço de carne pensante. Pra, finalmente, quem sabe um dia, viver bem suas sensações. Somos espirituais, sim! Não aguentamos, e nem controlamos, viver da vida tudo que se vê, e que se pode pegar. Você vai ter que orar um Pai Nosso, por isso. Pense nisso! Pra saber um pouco mais do assunto, leia neste mesmo blog, os textos: a Espiritualidade da Sabedoria, Mística (1), e a Espiritualidade no Cinema: À Beira Mar, de Angelina Jolie. E abençoadas emoções pra você.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

a Espiritualidade das PAIXÕES da ALMA, no Cinema: PAIS e FILHAS

Os olhos são a lâmpada da alma! E por isso mesmo, se os teus olhos só enxergam experiências vazias de viver, em quão densas trevas tua alma vai estar depois de você vivenciar cada uma delas buscando ser! Eis o famoso conselho espiritual do Profeta Jesus, um pouco aumentado pra virar subtítulo do filme PAIS e FILHAS, com Russell Crowe, Amanda Syfried e Kylie Rogers, do diretor italiano Gabriele Muccino, 2016. Uma boa sinopse de Aysson Oliveira está na cineweb: "Crowe interpreta Jake Davis, um romancista ganhador do Pulitzer (...) Sozinho, ele tem de criar a filha pequena, Katie (Kylie Rogers), a quem trata carinhosamente como Batatinha. Anos mais tarde, já crescida, Katie é uma pós-graduanda em psicologia –interpretada por Seyfried– levemente ninfomaníca." Já Roberto Bueno, de observatoriodocinema, pontua algo a mais da direção e enredo do filme: "O diretor italiano (...) faz um tipo de trabalho que conjuga uma boa história com as novas tecnologias existentes que possibilitam conta-la de forma que prende mais ainda a atenção das pessoas... A história (...) mostra como o amor de um pai por sua filha não impede que ela tenha problemas na fase adulta. Por mais atenções, preocupações e lutas que ele tivesse por ela, os obstáculos que surgem ao longo da vida (...) alterarão como a jovem se relacionará com as outras pessoas." É isso. De forma interessante e envolvente, o filme PAIS e FILHAS apresenta como a história da nossa vida (alma) se constrói (destrói) devagar, e sempre, muitas vezes. Uma espécie de realidade pessoal da qual jamais se consegue fugir. O melhor, então, é encara-la logo de uma vez, espiritualmente também. E a primeira reflexão espiritual ao filme nos faz perceber como os dramas da vida (e infância) podem esvaziar nossa alma até nos fazer correr atrás do primeiro prazer passional que a vista enxerga. Eis aqui uma (grave) questão do espírito! Pois o maior drama interior que sempre temos não é tentar descobrir, logo, o que está certo ou errado conosco, seja lá por qual padrão e valor nos analisemos. A boa espiritualidade deseja perceber, sim, o quanto a vida que tivemos (e temos) nos torna alguém que não desejamos ser, hoje! Ou seja, será que há uma espécie de "vício" da alma e dependência do "espírito" que nos faz viver o que não queremos, em razão de tudo que já nos aconteceu? Uma (boa) cena pra exemplificar tal realidade abre o terço final do filme e sua conclusão, momento chave em que a protagonista jovem vivencia aos prantos seu hábito existencial sentimental que, ainda e sempre, enxerga somente a breve satisfação da paixão dos olhos enquanto único contato afetivo relacional possível pra si mesma. Uma experiência de vida e costume passional doloroso demais que sempre nos transforma em traíras de nós mesmos. Foi Cazuza quem maravilhosamente cantou acerca dessa experiência habitual que aniquila a alma e que faz brilhar os olhos dos apaixonados visuais ainda "cegos", enquanto rapidamente se tornam zumbis de si mesmos: "Mais uma dose? É claro que eu tô a fim. A noite nunca tem fim; Por que, a gente é assim? (...) Canibais de nós mesmos; Antes que a terra nos coma; Cem gramas, sem dramas; Por que a gente é assim? Yeahh." Yeah mesmo!, e difícil pra caramba, meu caro amigo espiritual. Mas, o que fazer, afinal, quando os olhos só alimentam a alma com "luzes" da escuridão, gerando um círculo (vicioso) desgraçado pra quem apenas vive a vida do único jeito que a própria sempre o fez existir? Bom, antes de conseguir olhar pra vida em busca de algo que realmente seja luz na nossa alma pra melhores experiências praticar; importa espiritualmente mover nossa personalidade rumo a um tratamento interior das nossas paixões, ainda canibais de nós mesmos. Por isso, vamos às soluções. Foi Jesus quem disse que antes de ser Profeta, era também mediador entre Deus e os homens. No caso, tanto pra oferecer alguns sentimentos de Deus pra nós, como também, pra levar algumas sensações nossas até Deus Pai, só pra ver o que com elas se pode fazer. O convite sacerdotal de Jesus pra promover o encontro do nosso espírito junto do Espírito de Deus está descrito numa frase singela, mas bastante forte: "Vinde a mim os cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei." O alivio prometido por Jesus tem pouco a ver com tratamentos psicológicos e doutrinais que apenas nos dizem o que fazer, ou até que tudo podemos fazer - pois Jesus deseja mesmo é nos dar a condição de, sim, escolher um sentimento ou desejo pra chamar de seu. O objetivo é que experimentemos uma relação (espiritual) que nos aceite como somos, a fim de que dela saíamos com a serenidade e a paz necessárias pra de alguma maneira sermos capazes de nos livrar do hábito de só fazer coisas que mais mal nos fazem, do que bem. Uma experiência relacional espiritual que ocorre mais ou menos assim: pense um pouco no profeta Jesus, e logo diga a oração (relação) espiritual ensinada por Ele; que é o "Pai Nosso". E já no primeiro pedido as coisas irão acontecer, pois ao dizer "Venha o teu reino e seja feita a tua vontade", também medite cuidadosamente nos sentimentos e paixões que considera complicados pra você viver, sozinho. Eis o jeito como você pede pra Deus vir governar esse negócio chamado tua alma, certo? Trata-se de um relacionamento místico teu junto do Espírito divino que fará Deus agir no seu coração pra começar a curar um pouco da sua história de vida. Ele vai livrar você de certos hábitos emocionais e desejos sentimentais, ruins demais. E siga assim, até que um dia, e logo, logo; você vai perceber seus olhos enxergando algo novo diante da sua vista pra você pegar. Acredite nisso! E boa espiritualidade pra você, também.

terça-feira, 27 de junho de 2017

a Espiritualidade da ALEGRIA, no Cinema: o NOME da ROSA

O magnífico livro de Umberto Eco, O NOME DA ROSA, tornou-se um bom filme em 1986, de Jean Jacques Annaud, com Sean 007 Connery e F Murray Abraham. A história se passa na Idade Média, com o enredo dramático acontecendo num mosteiro benedito no ano de 1327. O que nos dá uma boa ideia acerca de como se vivia na época, tanto ao retratar o dia a dia dos religiosos, quanto ao expor o controle da igreja sobre o conhecimento acadêmico e também do cotidiano do povo humilde do vilarejo. Sean Connery é o frade franciscano William de Baskerville, que chega ao mosteiro como membro da Ordem franciscana para debater acerca da riqueza da Igreja de Cristo junto aos representantes do Papa. Uma série de assassinatos entre os monges do mosteiro faz surgir da personalidade do protagonista uma interessante figura detetivesca a la Sherlock Holmes. O motivo aparente das mortes é uma obra de Aristóteles acerca da importância do riso e alegria para a humanidade, que apresenta um conflito entre o pensamento da igreja e as reflexões que a Renascença trará já preparando a Europa para o Iluminismo repensar a maneira como se compreende a experiência da vida humana no planeta. Kledson Bruno Camargo, em coladaweb.com, assim descreveu o confronto de ideias à época: "Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da antiguidade greco-romana os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja. No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista, que com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes cometidos no mosteiro." Sem dúvida, Kledson nos oferece um belo resumo repleto dos bons conteúdos que indicam a profundidade das questões pensadas na obra literária. Pena que o diretor francês Annaud não chega nem perto de tocar estes temas no cinema, magistralmente narrados em livro pelo italiano Umberto Eco. Assim, resta-nos aproveitar tanto o bom suspense quanto a atmosfera medieval do filme, junto de algumas indagações espirituais que a obra nos permite meditar - por aqui mesmo. A Espiritualidade da alegria é um tema bastante controverso junto aos filósofos espirituais e pensadores religiosos, seja lá qual for a razão; provavelmente por heranças doutrinais que só reconhecem uma boa profundidade interior quando há um excessivo controle do exterior. De qualquer forma, até Jesus sorriu - e bastante, e o próprio Rei Davi de Israel cantava e dançava alegremente como um cordeiro novo. E não precisa ir muito longe pra observar a alegria com que uma Festividade Judaica contagia todos que estão por perto - sem esquecer que qualquer festa judaica é sempre religiosa, né... Mas, enfim, a religiosidade humana tanto só doutrinal quanto filosófica tem lá suas dificuldades com a alegria das pessoas e, principalmente, com seus risos e grandes sorrisos. A origem do drama está na grave diferença que existe entre a vivência de uma real experiência espiritual do homem em confronto com as atividades somente religiosas e filosóficas humanoides que movimentam a interioridade do cidadão, por aí. Sim, isso mesmo, estamos falando da crucial questão do controle do sentimento e das sensações humanas de todos nós. Pois como nem sempre agimos de acordo com aquilo que se espera, ou então não agimos bem conforme requer a situação; melhor que aprender (a viver) errando, importa logo parar (de viver), pra não errar mais. Faz parte, às vezes, mas nem tanto. A decisão final acaba sendo por nem sorrir, mais, e gargalhar então, jamais! Ora, a maior dificuldade da doutrina que deseja logo regular toda demonstração exterior de sentimentos - como a vivência da alegria, por exemplo, sempre no objetivo de impedi-la de ocorrer de um jeito "errado". Surge exatamente do fato que a origem de tal sensação nasce exatamente lá do interior do ser do homem - seu espírito. Daí seu grave engano humanitário espiritual. O ponto é que a fim de não matar de vez o sentimento através do grave controle externo de sua exposição, só mesmo se houver uma genuína experiência espiritual interior que permita sua boa vivência - o que nem sempre é o forte das religiões ou filosofias interiores da humanidade. Fique bem atento, portanto, ao seu Profeta e Mestre de práticas espirituais. E leve isso bastante a sério. Ou então, você jamais irá sorrir, de verdade! A outra (excelente) reflexão que o filme "O Nome da Rosa" proporciona é a busca por saber um pouco mais acerca do tema espiritual mais abrangente da história! Uma ideia que analisa a maneira como adquirimos conhecimento para melhor desenvolver a vida dos homens. Que é a própria base do conflito entre a visão da Igreja Medieval e o pensamento da Renascença e Iluminismo sobre como deve-se viver esta existência humana no planeta. Algo que vai definir a importância de se experimentar o riso e a alegria na presente vida físico espiritual da humanidade. Neste sentido, há um tema para a Espiritualidade judaico-cristã que é praticamente a mãe de todas as questões, e guerras também. Trata-se do momento na História da humanidade em que o ser humano provou o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, que veio a se tornar uma experiência dupla para a nossa espécie. De um lado, saímos debaixo da proteção e orientação de Deus pra viver a vida sem Ele. E de outro, decidimos conhecer por nós mesmos tudo que existe nesta vida pra então irmos definindo como deve acontecer nossa história por aqui. Eis a experiência do "Conhecimento do Bem e do Mal", que todos os seres humanos têm. Algo que nem sempre nos ajuda a viver melhor, na maioria das vezes. Só pra exemplificar, utilizando o conhecimento e a experiência de vida tanto do Rei Davi como do Profeta Jesus. Veja as danças e risos, simpatia e alegria que existem na personalidade destes dois homens da história da (boa) Espiritualidade. Então, o fato é que as atitudes deles estão mais relacionadas à Verdade de Deus, do que, necessariamente, a um conhecimento "do bem" ou "do mal"; que normalmente todo ser humano já tem. No caso dos risos e sorrisos, alguns homens podem orientar essa experiência de alegria humana a partir do conhecimento "do mal"; e aí eles desejam controlar e oprimir o próximo. E outros, podem até decidir apoiar ou permitir essa experiência de risadas deixando tudo ocorrer como bem quer, o anfitrião. Algo que seria uma espécie de conhecimento "do bem", na situação. Só que nem sempre o resultado é uma alegria que gera harmonia, tanto pra quem ri quanto pra quem sorri; pois a ironia e o desprezo andam juntos da liberação da gargalhada só hormonal do homem, sim. Tá entendendo? O negócio é que a maneira como o ser humano adquire "Conhecimento" pra entender e saborear a vida é o que vai definir as experiências da sua existência neste mundo. Se serão, afinal, sorrisos alegres e harmoniosos, ou galhofas barulhentas e criadoras de conflitos; inclusive, interiores e espirituais. Portanto, a fim de bem orientar nossa vida neste planeta a partir de uma perspectiva espiritual, é preciso saber que existem - sempre, três opções de conhecimento disponíveis pra indicar o jeito como vamos experimentar a nossa existência. Pode ser pelo conhecimento "do bem", ou então, pelo conhecimento "do mal", e ainda, pode ser através do conhecimento da "verdade". O conhecimento do Bem e do Mal está "dentro" de todo homem. Já o conhecimento da Verdade, bem, aí vai depender, bastante de você refletir corretamente acerca de quem será o seu Profeta, amigo. Pois um cego não pode guiar outro. Se assim for, os dois irão gargalhar de si próprios e de quase todo mundo, caindo ambos no buraco da solidão ou da tolice. Pense nisso! E bom filme.