terça-feira, 15 de agosto de 2017

a Espiritualidade da AUTORIDADE, no Cinema: PLANETA DOS MACACOS, A GUERRA

Se "cada um é eternamente responsável por aquilo que cativa", imagina, então, a responsabilidade que temos com aqueles que criamos? Eis o desafio espiritual que surge no cotidiano assim que lideramos alguém, que já chega aguardando aprender conosco o que fazer nesta vida pra nela dar certo. É isso! Falamos aqui da Espiritualidade da Autoridade - uma responsabilidade existencial daquelas pra nós que somos os seres racionais mais amadurecidos da região. Nem que seja da região lá de casa, afinal. Eis o tema maior pelo que o instigante filme PLANETA DOS MACACOS, A GUERRA mobiliza sentimentos e reflexões acerca da nossa real capacidade e pretensa condição de sermos boas autoridades "de vida" neste planeta. Pois, como já dizia meu professor de docência, "é preciso dar conta!"; pois agir com responsabilidade é a essência da personalidade daquele que assume ser autoridade de alguma coisa perante o outro. Enfim, eis que o terceiro (e melhor) filme da série Planeta dos MACACOS bem nos apresenta como a GUERRA e a opressão se tornam - de novo e quase sempre, a mais rápida escolha e decisão daquele que "precisa" governar o próximo. Pois é por aí que se move a superioridade humana na hora de decidir dar conta da "igual" presença existencial em nosso planeta de macacos inteligentes, que agora são. Uma análise crítica que indico é a de Mario Bastos: "Um épico de nosso tempo. Um trabalho que discute a natureza humana, temas políticos e profundas relações entre os seres, e desses seres com o mundo" (pocilga). E destaco alguns bons pensamentos da análise de Natalia Bridi: "Ironicamente, Planeta dos Macacos é uma das franquias mais humanas da cultura pop. Sua discussão sensível sobre evolução, intelecto e dominação toca fundo nas falhas da humanidade. A ascensão dos símios e a decadência dos homens leva à reflexão sobre esses erros e a uma torcida sincera contra a própria espécie.(...) A influência de filmes como Apocalipse Now, A Ponte do Rio Kwai e Os Dez Mandamentos é explícita. Nessa amálgama de gêneros, Reeves, que assina o roteiro com Mark Bomback, conta uma história épica sem cair em maniqueísmos e vai muito além da promessa de guerra do título. O Coronel não é mero vilão na sua oposição a César, assim como o herói não é perfeito ou infalível. O encontro dos dois expõe a natureza complexa que determina a “humanidade” na busca pela sobrevivência.(...) Planeta dos Macacos: A Guerra é uma experiência cinematográfica de qualidade técnica e alcance dramático. É o retorno do cinema clássico em embalagem tecnológica, feito para entreter, mas sem menosprezar seu público. A história de César não vai embora com o rolar dos créditos."(omelete) Mas afinal, e finalmente, de que maneira nossa racional espiritualidade coerente e nossa espiritual racionalidade razoável irão nos dar a condição de, enquanto autoridades sapiens, praticar uma responsabilidade bendita sobre aqueles que dominamos por aí? Tá entendendo? Pois a humana raça racional permanece sendo a única espécie "cabeça" deste mundo e criação - pelo menos aqui embaixo, na terra. O que faz da nossa convivência social uma relação cheia de autoridades, aqui, lá e em todo lugar; seja como pais e professores, chefes e policiais, juizes e governantes. Pois são eles (nós) que carregam o bastão de "autoridade" uns dos outros planeta adentro, só pra conduzir a humanidade até a maioridade. Que coisa, hein! Bem melhor que a anarquia, penso eu. Mas, será que o espírito nosso de cada dia tá pronto, pra tanto? Ou as vaidades da ira física e emocional seguirão, ainda e adiante da humanidade, esmagando os espíritos de nossos "filhos"? Tanto os naturais como os relacionais, não importa quais. Bem, é a partir daqui que os Espirituais se movem pra frente com uma melhor amplitude existencial, se é que me entende. Pois o reconhecimento de que somos todos, pessoas espirituais, é o que possibilita saber que nossa razão não é um mero "instinto" animal desenvolvido, mas sim, a essência da nossa personalidade físico-espiritual, humanoide. Portanto, sempre dá pra melhorar - de autoridade. Buscando princípios e experiências que nos tornem maiores que o "meio" em que vivemos, e melhores que os ídolos que temos. E na história dos aprendizados da Espiritualidade destaca-se o Profeta Jesus, que ensinou que a boa Autoridade tambem se constrói como se fora um serviço disponibilizado ao outro. Em um relacionamento de maior presença e sinceridade que se contrapõe ao governo das ordens sempre dadas à distância, tanto a física, quanto também a da pior das distâncias, que é a relacional. Pois responsavelmente escuta e absorve pra então orientar e exemplificar, "servindo" assim aos outros enquanto junto se vive. Eis como se cria uma relação de autoridade através de conselhos e abraços, afirmações e atitudes, fazendo às vezes de um garçom, sim, só que de alimentos existenciais, pra vida. Tudo construído com bastante afinidade e interesse, que é o que torna real entre nós a tal da boa Autoridade. Uma postura ética de ensino existencial prático que Jesus abraçava com tal honestidade que o tornou reconhecido entre os homens como um homem de autoridade, enquanto ensinava vida! Não é fácil, nem simples; mas já existe, de verdade, no meio da humanidade. Cuide-se, melhor, então, pois é possível dar conta. Sim!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

a Espiritualidade da ETERNIDADE na Humanidade

Será que a angústia do ser humano com a morte tem a ver somente com a questão do dia em que iremos falecer na Terra? Eis uma boa e interessante pergunta, até porque quando o Sábio Salomão analisou o vai e volta da natureza e da história humana, entendeu que o motivo de quase tudo ser praticamente "sem sentido" pra nós, era porque nada de novo parecia acontecer debaixo do céu por aqui. Mas não foi apenas isso que ele viu e anotou, não. Salomao percebeu que também havia tempo pra tudo debaixo do sol aqui na terra, como hora de viver e de morrer, hora de abraçar e afastar, e que Deus até colocou no homem um "senso de eternidade." É isso! Veja que esse tal "senso" de eternidade é, de verdade mesmo, uma sensação real que o nosso espírito carrega bem lá dentro de (todos) nós acerca da nossa existência que vai adiante do espaço e do tempo que vemos por aqui. Eis, então, uma verdade espiritual de quase todo mundo que expõe a razão de certa ansiedade constante e preocupação permanente que temos a respeito da morte humana (nossa) de cada dia. E agora, José? Bem, ponto para os Espirituais, pois quando acreditam que há um espírito no homem, também visualizam vida além do que se enxerga, ora bolas. E pra não ficar só na (interessante) idéia de que somos mais que um (bom) pedaço de carne entre ossos, importa logo descobrir a existência desse "senso" de eternidade enquanto ainda estamos por aqui. Nem que seja só pra aumentar nossa tranquilidade assim que pensamos (e vemos) a morte diária da humanidade. Penso nisso como algo fundamental, pois só descobrindo sinais da vida eterna hoje é que iremos bem nos preparar pra eternidade que será nossa um dia. Neste sentido, o que o Sábio Salomão chama de "senso de eternidade" é a mesma coisa que teólogos definem como "senso de religiosidade", sendo também, algo que o Apóstolo São Paulo declarou ser a "consciência moral" no homem. O que significa que tudo "isso" junto, e mais algumas coisas, são sensaçoes nossas que, sim, tem a ver com o espírito que respira no ser humano. Agora e sempre, até a eternidade. Portanto, alguns (razoáveis) bons primeiros passos pra você tratar essa sua ansiedade quase depressiva existencial, enquanto, ao mesmo tempo, desenvolve sua espiritualidade eterna natural, passa exatamente por dar uma boa olhada em si mesmo no que se refere à sua religiosidade e consciência moral. Ao investigar propostas e praticar experiências relacionadas a estas suas sensações e pensamentos, você irá se envolver de maneira coerente com seu "senso de eternidade". Inicie por aí, e boa viagem na sua espiritualidade.

sábado, 29 de julho de 2017

a Espiritualidade da DIGNIDADE do ser HUMANO, no Cinema: DUNKIRK

Chegou no final de julho aos cinemas brasileiros o mais novo filme do diretor que fez de BATMAN a melhor série de super heróis desde sempre. E o que Christopher NOLAN nos faz vivenciar é mais do que uma realista e seminal experiência de dramas humanos (o que já seria o bastante). Pois a essência espiritual da história de DUNKIRK (2017) resgata o melhor potencial e uma rara grandeza do caráter da nossa espécie, já que é a dignidade dos seres humanos que se agiganta enquanto valor da alma assim que cidadãos britânicos comuns (mulheres e idosos) assumem a tarefa de resgate mais espetacular da história das guerras dos homens. O enredo de Christopher Nolan deveria ser indicado para melhor roteiro da Academia pois bem condensa e finaliza em 1 hora e 47 minutos a completude de uma verdade histórica única, e NOLAN deveria logo levar pra casa o Oscar de melhor diretor pois brilhantemente nos conduz através do filme direto até as praias da França no início da segunda guerra mundial. E ainda que não seja fácil partilhar da tensão e ansiedade constantes que somente soldados dentro da batalha vivenciam, é exatamente essa a experiência de vida que o (muito bom) diretor vai nos proporcionar, de verdade. A história de DUNKIRK é a da Operação Dínamo que evacuou mais de 300 mil soldados ingleses e franceses assim que estes foram encurralados na praia pelo exército alemão em junho de 1940. E a Espiritualidade da DIGNIDADE da nossa (nem sempre) decente espécie humana acontece de novo na História assim que jovens e idosos, mulheres e adolescentes deixam a Inglaterra em seus barcos e lanchas só pra resgatar a vida de milhares de soldados militares - assumindo sobre sua cidadania de civis uma guerra real e sangrenta, custe o que custar. E o que se entrega em nome do próximo é simplesmente o cotidiano vivencial e até a vida total destas pessoas comuns que se revelam seres humanos excelentes enquanto praticam uma fraternidade sacrificial. Uma dignidade fraterna humana enquanto valor espiritual interior da nossa espécie que surge tanto na intransigente dedicação à missão do piloto Farrier Tom HARDY (Mad Max), como na determinação prudente e destemida do capitão de barco Dawson Mark RYLANCE (Ponte para Espiões). A produtora Emma Thomás esclarece o diferencial narrativo do roteiro: "Eu diria que uma das coisas diferentes desse filme é que é uma obra focada nas experiências pelas quais os personagens passam... É uma enorme operação militar, mas que teve papel fundamental de civis." (Revista Rolling Stone, julho/17) A alma humana se sobressai nesta história única de sacrifício da tranquilidade cotidiana em nome da fraternidade existencial da humanidade, e o diretor NOLAN é o principal responsável, sim, por nós permitir "viver" intensamente os bons sentimentos e as tensas sensações que aos homens de bem (ainda) é possível partilhar nesta vida físico-espiritual que se avizinha diante de nós. Foi o crítico Bruno Carmelo quem bem explicou as qualidades da direção do filme (adoro cinema): "Ao invés de captar as cenas com distância contemplativa, a câmera se posiciona no meio da ação, entre os soldados espremidos na areia ou no fundo do mar, quando um navio explode. A imersão é tão eficiente que relembra a capacidade do cinema em 2D de explorar sensações tão bem quanto qualquer 3D. Paralelamente, a trilha sonora de Hans Zimmer, com seus violinos tensos, consegue compor uma melodia convergente com as explosões e os motores de avião, a ponto de se tornar difícil separar música de ruídos. Cada enquadramento, cada movimento, cada som é muitíssimo bem pensado e executado." Enfim, amigos, se o bom Deus nos criou mesmo à sua imagem e semelhança no necessário propósito de bem governarmos o planeta e melhor cuidarmos uns dos outros; eis que foi em 1940 que os cidadãos britânicos mais simples resgataram e desenvolveram, também, esta célula espiritual que o próprio Criador plantou em nós todos desde o início dos tempos, espirituais: a Dignidade existencial dos homens! Ótimo filme pra você!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

a Espiritualidade dos ANJOS da GUARDA, no Cinema

"Ele ordenou a seus anjos que o guardem para onde quer que você vá." É isso. O salmo 91 da página que quase todo mundo deixa aberta em seus lares e comércio é um poema clamando pela ajuda de Deus diante da ameaça das guerras e pragas. E quem é que virá para socorrer os homens? Sim, eles mesmos, os anjos, de Deus! E já que vamos aproveitar histórias de cinema pra pensar a Espiritualidade dos Anjos (da Guarda) que nos protegem, lembremos aqui de dois bons filmes: "CIDADE DOS ANJOS", com Meg Ryan e Nicolas Cage, de Brad Silberling, 1998; e "UM CONTO DO DESTINO", com Colin Farrell e Russell Crowe, de Akiva Goldsman, 2014. Bruno Carmelo nos oferece boa sinopse e análise de "Um Conto...", no blog adorocinema: "Antes de entrar na sala de cinema, deixe o cinismo do lado de fora”. Essas foram as palavras dos atores Colin Farrell e Jessica Brown Findlay em uma das entrevistas sobre Um Conto do Destino. Os dois provavelmente já previam alguma dificuldade para o público aceitar a história (...) De fato, apesar de o livro original ser popular e respeitado nos Estados Unidos, a versão cinematográfica adota tão cegamente o tom fantástico que só pode ser aceita por um espectador profunda e sinceramente romântico... Os conceitos elaborados pelo diretor Akiva Goldsman e sua equipe não ficam nada claros, mas se existe um verdadeiro mérito nesta história atípica, é nadar contra a norma de Hollywood e acreditar no sucesso de um tipo de magia e ilusionismo que a indústria abandonou há muito tempo." E acerca do bacana e romântico "Cidade dos Anjos", vale lembrar que se trata de uma refilmagem do belo Asas do Desejo, filme alemão de Wim Wenders. O filme inicia e termina com interessantes cenas angelicais, e a primeira delas retrata a verdade espiritual de que nossa alma é acompanhada por anjos daqui para outra dimensão assim que morremos, momento no filme em que o anjo Seth NIcolas CAGE conhece e se apaixona pela médica Maggie Meg RYAN. Eis a história de amor que o Anjo tudo vai oferecer pra viver, até a sua eternidade, se possível. Em meio a tudo isso, acontecem alguns encontros espirituais interessantes entre homens e anjos, quase sempre de forma invisível. Há cenas diversas em que os Anjos de "Cidade..." atuam pra proteger os seres humanos, algo bastante real e verdadeiro conforme ensina a Espiritualidade Judaico-Cristã, pois desde sempre Deus envia seus Anjos dos Céus até a Terra a fim de cuidar das pessoas e também pra promover certas atividades que são do interesse de Deus por aqui. Eis a razão pela qual a crença de que há Anjos da GUARDA agindo por aí é uma boa ideia espiritual, sim, sendo inclusive, algo acessível a todos nós; pois o Profeta Jesus nos ensina na oração do Pai Nosso o que deve-se fazer para espiritualmente se proteger, hoje em dia: simples. Ora, é preciso pedir a Deus para "Não nos deixar cair em tentação", e também para que "Ele nos livre do mal!" Eis o bom pedido. Uma necessidade nossa que Deus vai logo responder através de seus mensageiros celestiais, pois boa parte da nossa proteção cotidiana depende deles mesmos - dos Anjos da Guarda, de Deus, entre os homens. Já a atuação angelical na aventura fantástica "Um Conto do Destino" se desenvolve de uma forma mais mágica, pois os próprios seres humanos é que são enviados para proteger uns aos outros, certas vezes - fazendo às vezes de Anjos da Guarda de Deus sobre a humanidade. Um jeito interessante e perspicaz com que o enredo tenta dramaticamente nos envolver junto da real ação angelical protetora invisível de Deus que ocorre costumeiramente por aqui. Ao mesmo tempo, o filme apresenta alguns anjos do Mal movendo-se pelo nosso mundo; outra boa verdade espiritual da nossa existência por aqui - que no filme é um Anjo mesmo, ou demônio, como bem ensinam as Escrituras. Enfim, eis dois bons e interessantes filmes pra refletir algumas realidades espirituais de quase todo mundo. Pois certamente não estamos sozinhos neste mundo, como se fossemos a única espécie com personalidade consciente e moral por aqui - pois há Anjos entre nós, de verdade. Algo que vale muito a pena entender espiritualmente é que a Pessoa de Deus age de muitos jeitos e diversas maneiras para governar a vida humana e a própria natureza da Terra - eis o modo pelo qual entendemos que os Anjos são divinos mensageiros espirituais nesta criação. Não é nada, não é nada, já se sabe melhor o que um bom "Livra-nos do Mal" pode realizar, por aqui. Por que não? Bons filmes.

terça-feira, 25 de julho de 2017

a Espiritualidade da INTIMIDADE dos Casais, no Cinema: Á BEIRA MAR

A atriz Angelina Jolie buscou um olhar europeu de contemplação da vida enquanto proposta narrativa de seu último filme como diretora: À BEIRA MAR, 2015, em que atuou, também, seu ex-marido Brad Pitt. O que realizou contando a história de amor interrompido do casal Vanessa e Roland, drama exposto assim que um novo casal aquecido de amores em lua de mel se hospeda junto deles num hotel litorâneo da França. Mas os anseios técnico-cinematográficos de Angelina ficaram pelo meio do caminho, como bem observou Caio Pimenta, da "cineset": "À Beira Mar, entretanto, não deixa espaços para desenvolver o drama de seus personagens. A opção por sempre fazer cenas curtas, quando a sequência pede paciência para trabalhar gestos ou reações, mata o filme. Cada corte representa o fim da possibilidade de tensão, dando uma pretensa fluidez desnecessária, justo em momentos que deveriam causar desconforto semelhante ao vivido pelo casal protagonista. É como se a ideia fosse para soar como Antonioni e a execução tivesse influência de Michael Bay.". Enfim, ainda que o filme apresente algumas dificuldades no seu desenvolvimento narrativo, nem tudo está perdido, afinal. Até porque o nosso interesse aqui é a Espiritualidade, e algumas reflexões relevantes surgem na história deste casal que perdeu três filhos logo no início da gravidez, em razão da esterilidade da protagonista... A partir daí, o tema primordial que o filme desenvolve é a percepção de que certos acontecimentos passados de nossa história tornam-se definidores dos dias futuros. Pois certas ocorrências da vida são como que sentenças condenatórias da maneira como iremos nos portar nas situações porvir da nossa existência. E o primeiro drama que vemos acontecer dentro deste contexto é o que surge a partir da vivência sexual do casal protagonista. Uma intimidade relacional que se tornou vazia e inexistente pra eles, posto que foi tragada pela tragédia dos filhos gerados e não nascidos. Não há dúvida de que a dor de um casal que não alcançou o sonho do filho próprio é uma sequela que vai provocar consequências sérias e duradouras, o que é muito compreensível. O que salta aos olhos é o quanto as experiências de morte relacionadas às relações sexuais do casal, acabam apagando, também, seus afetos íntimos. De alguma forma, estamos diante de mais um revés premeditado da supervalorização da sexualidade humana que observamos ocorrer nas últimas décadas. Pois o trauma conjugal se instala na própria relação sexual do casal, já que a intimidade que deveria gerar filhos - ao não fazê-lo, transformou-se no drama que impede a mulher agora, de ser esposa. A consequência é uma atitude de grave desprezo à relação sexual, pois tal experiência é castrada da vida comum do casal. Do mesmo modo que da alma se deseja retirar os traumas da perda dos filhos sequer nascidos. A ironia da situação é que uma decisão que aparenta originar de uma atitude de desprezo da sexualidade; é, na verdade, um fruto da sua supervalorização. Pois é necessário alguém valorizar demais o sexo, definindo-o como algo superior, para então, negar a si próprio sua experiência, a partir de desgraças e dores relacionadas à sua prática. Daí origina a decisão de negar a si mesmo tal experiência íntima, já que dela não se permite mais participar, pois incapaz de partilha-la no sentimento de doação que considera ideal à sua vivência. Eis um engano que não poderia ser maior. Pois a experiência sexual - conforme ensina a boa e saudável espiritualidade, é tão somente o momento, em ato final, de um encontro relacional afetivo construído através de olhares e toques, abraços e beijos, afetos e carícias, até que se alcance o contato íntimo total. Existe algo mais simples, e natural, do que isso, numa relação de afetividade entre um homem e uma mulher? Mas o contrário também ocorre, pois há aqueles que supervalorizam a sexualidade a ponto de buscar sua prática de mil jeitos, e caras e bocas. Só que o resultado que alcançam de suas variadas e criativas experiências, é que nisso muito se viciam. Ao mesmo tempo, também, que pouca satisfação disso obtém. Ficarão cheios de muita paixão, e com pouco amor, no final. E com uma só consequência para ambas as situações: a perda da intimidade sexual do casal, em razão do desconforto que agora os une. Uma boa indicação de saúde afetiva para ambos os casos é seguir o princípio espiritual da intimidade sexual; que constrói uma melhor relação conjugal através de uma natural progressão das carícias entre o casal. Mas o filme não é feito apenas de experiências traumáticas da humanidade, como se a desgraça fosse uma consequência certa da vida, sempre transformando perdas do passado em dores (eternas) do presente. Pois há um velho homem do vilarejo que não se deixou dominar pelos destinos traumáticos das perdas passadas. O bom coração do proprietário de restaurante quase bonachão sempre recorda de sua falecida esposa, mas isso é algo que experimenta de jeito e maneira saudáveis, demais. Ele nem deixa sua esposa cair no esquecimento, como igualmente não despreza seus relacionamentos atuais. A valorização habitual da antiga vida conjugal, não impede sua alma de permanecer sensível às novas situações e pessoas que a vida continua lhe trazendo pra conhecer, e conviver. A capacidade de seguir adiante com a vida mantendo na alma o que de bom já se viveu. E a condição de olhar com esperança o futuro, cheio de boas expectativas para o que um dia virá, torna-se, então, um bom princípio espiritual existencial da história. Pensamento que o próprio personagem escritor parece reconhecer ao findar do livro, e do filme. Algo que ele anota com certa poesia dramática visual, quando em simplória observação da natureza que rodeia o filme, enxerga nas idas e vindas das marés das águas, a boa continuidade do ciclo da vida. Não enquanto a repetição e mesmice de uma mesma história, mas sim, pra reconhecer a força e vigor de uma realidade que é a própria essência de algo que permanece vivo, pois sempre em relacionamento com tudo que o cerca. Tal condição de superar tragédias pra viver com equilíbrio a vida que segue, tem sua orientação espiritual correspondente na impactante e conhecida frase do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece!" Pois o princípio espiritual definido por São Paulo não se refere ao sucesso, mas trata, sim, da serenidade. Virtude da espiritualidade que mantém a pessoa vivendo continuamente dentro de uma só personalidade, esteja ela na abundância, ou com quase total falta de bens. O que se deseja não é que a pessoa sorria na desgraça, mas sim, que saiba chorar até seu limite saudável. O propósito é impedir que a perda vire desgraça, até que um dia nos arruíne por completo. O que muito fortalecia o Apóstolo era exatamente a presença de um outro espírito, e pessoa na vida dele. O próprio Espírito de Deus! Ser espiritual que se tornou uma presença sábia e serena atuando diretamente na sua alma. Alguém que foi capaz de transferir para a personalidade interior do Apóstolo, os sentimentos necessários para que ele seguisse em frente com sua história. Não é nada, não é nada, é uma boa pessoa pra se ter junto a fim de se manter equilibrado e esperançoso em tempos de aflição e dificuldades. Tempos iguais aos nossos, afinal. Cuide-se melhor, então! E uma boa espiritualidade pra todos nós.

a Espiritualidade da DEPRESSÃO e do APOCALIPSE, no Cinema: MELANCOLIA

"Em caso de colisão entre o Melancolia e a Terra, é certo que nosso planeta não sobreviverá externamente, mas o que o cineasta dinamarquês busca mostrar é que internamente a situação já está à beira de uma catástrofe."(Lucas Salgado). Se a Nouvelle Vague (1960) de François Truffaut e Jean-Luc Godard arrancou a câmera do interior dos estúdios de cinema e a colocou nas ruas e praças dos exteriores sociais humanos, o Movimento Dogma 95 limpou os cenários cinematográficos das luzes e sons manipulados, pra levar o espectador direto aos sentimentos da alma dos personagens: "Em 1995 os dinamarqueses Lars von Trier e Thomas Vinterberg fazem "um voto de castidade" artístico com o Manifesto Dogma 95." (O Livro do Cinema, Globo) Daí que o definitivo filme apocalíptico de Lars von Trier, MELANCOLIA (2011), com Kirsten Dunst (melhor atriz em Cannes) e Charlotte Gainsboug, aplica nas telas - e projeta direto na veia, uma hecatombe familiar. E já que falamos de um cinema purista em seu propósito autoral de apresentar as sensações humanas mais íntimas, nada melhor que ler, logo de uma vez, a objetiva crítica de Lucas Salgado (AdoroCinema): "A maioria das cenas passadas durante o jantar é realizada com a câmera na mão, passando ao espectador a sensação que ele é mais uma daquelas figuras inquietas presentes no salão... A direção de arte e o figurino também chamam muito a atenção e deve surpreender aqueles que conhecem apenas o lado mais minimalista do cinema de von Trier, como Dogville... Não existem soluções simples em Melancolia ou qualquer tipo de redenção. É um longa único, como costumam ser os de von Trier, que deixa o espectador quase que num transe após a sessão. Você pode até não gostar, mas é difícil não se envolver." A primeira parte do filme expõe a amplitude da depressão existencial da protagonista, pois trata-se de uma sensação que a domina nos projetos mais comuns da vida, particularmente seu casamento e os necessários convívios comunitários que vêm junto da celebração. Uma depressão crescente que irá se transformar em serenidade assim que um desafio existencial maior, e definitivo, aponta no horizonte de todos os personagens - o fim do mundo e morte de toda a humanidade. De repente, eis que tudo muda! Pois enquanto a protagonista se ergue das cinzas pra bem conviver em família cada novo dia que têm, seus familiares e a vizinhança do mundo tentam sobreviver com os olhos gravados na dança de morte dos planetas. Já que estes orbitam agora, sempre próximos da colisão. A condenação do planeta Terra e o Juízo final da população do mundo estão perto demais, pra ser mentira. Eis o modo brilhante como o diretor von Trier torna perceptíveis alguns sentimentos contraditórios da humanidade, o que realiza através de uma metáfora tão grandiosa, que quase nega ao autor seus princípios autorais. Só que não. Fala, então, Thiago Siqueira: "Comumente, a depressão é explicada pelo desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Essa colocação fria e lógica não chega aos pés dos efeitos reais dessa condição em uma pessoa e aqueles que a cercam. Nisso, o diretor Lars von Trier se livrou das amarras da sutileza e colocou brilhantemente neste seu novo trabalho uma metáfora clara da depressão: é um planeta atingindo nosso mundo. (...) Melancolia absorve parte do ar da Terra, tornando difícil a respiração. Seu empuxo gravitacional atrai tudo o que estiver próximo e seu impacto em outros corpos não apenas os destrói, mas como parece também absorvê-los." (Cinema Rapadura) Enquanto a história permanece desenrolando direto do projetor de cinema, a sensação da "depressão" também se torna cada vez mais conhecida dos espectadores. Algo que ocorre através de uma proximidade que perturba não por compartilharmos a opressão do outro, mas sim, pela familiaridade que há com a nossa pessoal dor existencial. Pois a angústia particular da protagonista tornou-se uma ansiedade comunitária da humanidade, assim que certa futilidade da vida se fez aparente por meio da chegada do fim, de todos nós. Chegou o Apocalipse!! Uma expressão outrora preocupante que virou marketing temático do fim do milênio, de tal forma que hoje poucos com ela se surpreendem, ou atemorizam. Isso até que "MELANCOLIA", nos traz de volta para uma realidade, sim, inescapável da humanidade. Nossa data final! Mas, afinal, o que ensina mesmo a boa Espiritualidade sobre o fim dos tempos - da humanidade? Bem, o que já dá pra dizer, sem estragar a surpresa, é que a cena final de MELANCOLIA tem muito a ver com a cena inicial do mais conhecido Apocalipse de todos - o bíblico! Mas, se ambas as cenas são parecidas, algo fundamental pra saber do fim dos tempos judaico-cristão da humanidade é que... o anunciado Reino de Deus vai um dia chegar inteiro por aqui. Bem definitivo e de uma vez por todas! A primeira revelação essencial é que trata-se de um final, sim! Mas apenas daquilo que chamamos, "a presente época". Não é o fim dos tempos ou da vida, não. Pois está mais pra uma transformação do que para extinção. Isto porque o Apocalipse vai promover uma mudança definitiva da autoridade que domina o modo como a vida humana deve acontecer, e ser neste mundo. Pra melhor entender: assim que Jesus andou pela Palestina curando doentes e livrando pessoas de espíritos malignos, foi quando descobrimos pela primeira vez que o Reino dos céus estava atuando no planeta Terra. Ou seja, havia um novo monarca na região. Um soberano poderoso cujo alcance de autoridade era comprovado através das boas ações de Jesus pela humanidade. Portanto, os "céus" que no fim dos tempos vão chegar inteiramente pra cá, são exatamente aqueles do Reino dos "céus" que um dia Jesus já inaugurou por aqui, quando na Terra andou pela primeira vez. O que vai acabar de uma vez por todas no final dos tempos, então, é exatamente esta "presente época" de uma vida meio distante de Deus. Haverá uma renovação existencial da história da humanidade que a esperança cristã visualiza como uma realidade futura ocorrendo através da presença transformadora de Deus. Algo diferente das ideias seculares de esperança e bonança social consignadas por meio do Iluminismo ou Marxismo. Eis porque o ensino do Apocalipse bíblico tem mais a ver com a ideia de um "Céu" que "encontra" o nosso mundo, do que com a visão de que faremos uma viagem até um céu onde Deus nos espera, lá chegar. Eu sei que todos aqueles que morrem na Terra antes disso acontecer, vão aguardar nos "céus" até a hora do Apocalipse chegar, sim. Mas, se trata mais de uma dimensão da existência humana, do que de um lugar pra morar, e nele depois existir. Portanto, a grande mudança existencial que vai ocorrer assim que o Apocalipse acontecer, não é a de que alguns vão para o "céu". Mas sim, que os "Céus de Deus" vão definitivamente chegar em nosso planeta Terra. Aproveite quem puder! Pois o capítulo 21 do Apocalipse afirma que vai acontecer uma restauração total da condição vivencial da humanidade, pra tornar a vida na Terra algo próximo do que um dia já existiu lá no jardim do Éden. Lugar que já foi a morada conjunta de Deus e dos homens neste mundo. "Vi o céu e a terra criados de novo! (...) Ouvi uma voz: "Olhe! Olhe! Deus está de mudança: vai morar entre os homens e mulheres. Eles são seu povo, ele é o Deus deles. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles... A primeira ordem das coisas não existe mais." Não é nada, não é nada, eis que o fim dos tempos do Apocalipse bíblico assume - com vantagem, a condição de melhor solução pra qualquer comunitária depressão que surgir, por aí, buscando em nós se encostar. Dentro deste propósito, MELANCOLIA é um filme necessário, pois a profundidade vivencial de sua cena final aponta, sim, para uma real transformação que irá ocorrer da história humana no planeta. Novidade existencial angustiante que seu enredo dramático descreve de jeito brilhante, ao apresentar nossa constante ansiedade habitual de modo sutil e trágico, eterno e diário, aparente e íntimo, tudo pra explicar melhor o que significa existir como "ser" humano nesta presente época inquieta da humanidade. Que o mágico encontro de Melancolia com a Terra nos sirva de visão pra logo enxergar o anunciado e possível encontro final de Deus com a humanidade. E que a boa espiritualidade nos ajude a estar prontos pra tão definitiva ocasião. Bom filme.

a Espiritualidade da TRINDADE de DEUS, no Cinema: A CABANA

O Perdão é a atitude humana que Deus mais semeia a fim de escrever pra nós o Caminho da Verdade que dá novas oportunidades de Vida pra todos, hoje e daqui pra frente, até a eternidade. A CABANA, The Shack, 2017. C S Lewis criou o mito de Nárnia e J R R Tolkien o mito Senhor dos Anéis - histórias fantásticas acerca de Deus boas demais pra ser verdade. Só que são! Mas a história de A Cabana superou ambas, pois trouxe o Mito até a Vida humana - algo que Deus Pai faz todos os dias ao nos visitar através do Espírito Santo de Jesus Cristo. Eis o que torna o filme um dos melhores que já assisti com o objetivo de transpor ao cinema a transcendental experiência de vida da humanidade junto de Deus. Lewis escreveu "As Crônicas de Nárnia" e Tolkien "O Senhor dos Anéis" no propósito de invocar na alma das crianças da Inglaterra - e do mundo todo, algumas virtudes e valores espirituais eternos. Seus personagens mágicos viveram gloriosos temas cristãos fundamentais por meio de enredos fantásticos: fraternidade e humildade, sacrifício e coragem, além da eterna luta do bem e do mal. Mas, se os maravilhosos escritores britânicos deram boa vida a princípios essenciais, o escritor de A Cabana, William P Young nos oferece literatura espiritual da melhor qualidade ao introduzir não somente mandamentos, mas a própria Pessoa de Deus no coração das crianças e adultos do século 21. Eu até gostaria que Steven Spielberg ou Peter Jackson (Senhor dos Anéis) dirigissem o filme. Mas, então, o sentimentalismo e a mágica seriam de tal forma espetaculares, que quase se perderia o melhor - um encontro pessoal essencial que a obra deseja aprofundar. Neste propósito, Stuart Hazeldine acertou na direção. Embora tenha lá seus problemas: "O principal deles tem a ver com o ritmo da narrativa. Com 2h13 de duração, A Cabana em vários momentos assume um tom contemplativo de forma a construir em torno do personagem principal o conforto emocional tão procurado. Por mais que visualmente seja agradável, pelo uso de cores suaves e uma fotografia paisagística, há momentos em que a história empaca de forma impiedosa, provocando um certo cansaço." (Francisco Russo, AdoroCinema). De acordo, pois faltou criatividade técnica ao diretor para mais artística - e rapidamente apresentar a terça parte inicial do filme, o que faz com que bom número de cenas lembrem as antigas Sessões da Tarde da TV, ou algumas séries pueris de comédias familiares norte-americanas. O que nos obriga a presenciar certas situações de uma sensibilidade tão simplória que parecem tornar-se pieguice, vez ou outra - hora de perceber que o nosso coração é que anda endurecido, ou apressado, também. De qualquer forma, o filme segue adiante no seu objetivo de apresentar detalhadamente os dramas pessoais do protagonista. Só pra que depois consiga bem compartilhar conosco os desafios espirituais vivenciados por Mack junto das Pessoas do Deus único. Este, sim, o relacionamento existencial fundamental da história. Pois o melhor e mais inovador tema do filme é tornar crível um relacionamento sensível e real entre qualquer simples ser humano e o maravilhoso Deus Criador do mundo. Partilhar da atmosfera fílmica de A Cabana parece algo assim como assistir a um filme religioso. Mas, não se deixe enganar, o objetivo é proporcionar uma experiência mística, quase fantástica, só pra descobrir um pouco melhor como é conviver com Deus nos dias atuais da nossa existência. A própria Pessoa de Deus é bastante presente no filme, todas as três. E as conversas com Ele que tratam de questões importantes da humanidade sempre dão bom esclarecimento às dúvidas da alma e da vida da gente. As Pessoas da Trindade do Deus Bíblico, Pai, Filho e Espírito Santo; são bem definidas em suas personalidades sentimentais e na maneira como co-existem entre si, e junto conosco. Destaque para as cenas que nos fazem reconhecer, e surpreender com algumas das melhores revelações da individualidade pessoal e da unidade particular do Deus da Trindade; desde que alguém já resolveu afirmar essa doutrina bíblica na história dos homens. De muito bom gosto e quase a se tornar uma revelação cultural é o modo como o enredo apresenta, primeiro, Jesus - existencialmente próximo de nós, pois um ser humano se fez. Logo depois, o Espírito Santo - extremamente sensível, pois pleno de sensações acerca de quem realmente somos. E finalmente, Deus Pai, o sábio e amoroso Soberano que a tudo e a todos governa, sempre. A importância da Espiritualidade da humanidade salta aos olhos enquanto partilhamos das cenas místicas do filme, pois, afinal, algo místico é simplesmente alguma coisa que não é só física, ou que não pertence apenas a este mundo. Todas as pessoas tem um espírito, além do corpo físico, e desse modo existimos em nosso planeta. Somente quando descobrirmos o espírito que há em nós, iremos enxergar a realidade dos outros seres e dimensões que compõe a estrutura da vida dos seres humanos. Pois assim somos influenciados e nos relacionamos com boa parte do muito que nos cerca. Uma verdade mística essencial que se faz realidade de maneira bastante natural através do filme, tornando-a uma experiência cotidiana habitual para todos nós. Nota máxima para A Cabana, aqui. Pois o aspecto espiritual de nossa existência tem sido negligenciado há séculos, como se os tempos atuais fossem ainda a Idade das trevas, em que o medo do místico nos tornou reféns da ignorância, que, certamente, jamais será uma verdade que liberta. Neste sentido, o valor extra dado à transcendência da vida dos homens na "Cabana" é um grito que procura devolver ao Deus bíblico o que lhe é devido, conforme bem atestam seus profetas. Pois muito do mistério das dimensões espirituais da vida humana junto com Deus - esquecidos ou surrupiados no tempo por outras ideias e filosofias, são recuperados pelo filme como temas básicos do Evangelho bíblico de Jesus Cristo. Segue a indicação do filme do blog AdoroCinema: "A Cabana também ganha pontos consideráveis na comparação com outros filmes também feitos para louvar, no sentido de não ser ofensivo e maniqueísta perante o espectador. Se é nítido o objetivo de apresentar preceitos religiosos, estes são inseridos na narrativa de forma orgânica e sem a obrigação prévia de aceitá-los. Acima de tudo, trata-se de um filme sobre a fé, sem julgar descrentes nem manipular informações de forma a conquistar adeptos. Ou seja, trata-se de um filme honesto, dentro do que se propõe a ser." (Francisco Russo) Uma das mais belas cenas teológicas do filme apresenta em poucos segundos a maneira pela qual a Paixão de Cristo ocorrida na Páscoa - o sofrimento de Jesus pela humanidade, foi uma morte que não apenas separou o Filho do Pai. Mas, juntamente com isso, tornou-se uma enorme dor que foi por ambos compartilhada. E a pequena duração da situação aponta para o que realmente importa no simbolismo artístico - a dor que Pai e Filho juntos carregam em razão do pecado da humanidade. Acredite, não há interesses doutrinários maiores ou estranhos com que se preocupar. Segue do Apóstolo São Paulo uma das boas sensações que deveríamos guardar após participar de um contato pessoal com o Deus do Universo: "Se alguém pensa que sabe tudo sobre algo, ainda não aprendeu como deveria. Mas quem ama a Deus é conhecido por ele." Enquanto meditação extra acerca das tragédias humanas e Deus, indico a leitura neste mesmo blog, dos textos: - Espiritualidade 2017: Deus é mesmo bão, Sebastião?; e, - Espiritualidade no Cinema, SILÊNCIO, de Martin Scorsese. E bom(s) filme(s) pra você.