quinta-feira, 19 de outubro de 2017

a Espiritualidade do CRISTIANISMO, no Cinema: LUTERO.

Há exatos 500 anos atrás um monge da Igreja Católica ficou mais preocupado com o espírito do homem do que com a instituição religiosa dos homens. Assim que suas propostas de renovação foram rejeitadas, um grupo de fiéis "protestou" - evento que deu nome à Reforma Protestante do Cristianismo, no século 16. O filme LUTERO (Luther, 2003: Alemanha/Estados Unidos) condensa de forma objetiva tanto o drama espiritual do homem Lutero, quanto os debates doutrinários e suas consequências sociais, políticas e religiosas ocorridas à época. Pois o Cristianismo se organizou em Três movimentos religiosos espirituais através da História desde a vinda de Jesus Cristo ao mundo: a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Ortodoxa Oriental (1054), e a Igreja Protestante - que surgiu em outubro de 1517, sob a liderança de um monge agostiniano e professor de teologia, o alemão Martinho Lutero. O filme tem uma produção qualificada conforme requer a realização de um bom drama histórico, apoiado em interpretações consistentes e uma eficiente direção junto da marcante presença de Peter Ustinov em seu último filme. Já o protagonista Lutero surge de forma autêntica na atuação de Joseph Fiennes, que representa de forma impactante a personalidade do líder da reforma do Cristianismo. Uma presença personalista que comprova que até mesmo contextos históricos "prontos" para serem transformados, requerem lideranças humanas enquanto agentes de renovação da situação vigente. Afinal, as visões de mundo da Idade Média somente foram sobrepujadas pelo Renascimento assim que alguns homens assumiram o encargo de conduzir as mudanças necessárias que o novo horizonte lhes apontava. E como acontece muitas vezes na história, as transformações culturais da Reforma Protestante iniciaram em razão de um despertamento interior lá no espírito do homem, assim que ele enxerga na própria alma os vazios e angústias que ali residem. Pois foi vivenciando reais incertezas existenciais que Lutero atemorizou-se diante de Deus assim que um raio caiu bem perto dele, na exata época em que iniciava seus estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Situação que o fez meditar na realidade da morte e da condenação ao inferno do juízo de Deus, numa experiência tão grave que resultou num voto religioso pela decisão de tornar-se um monge. Pois cada homem age espiritualmente dentro de seu conhecimento e segundo a cultura de seu tempo. Daí a importância de buscarmos um melhor entendimento das verdades espirituais da humanidade para oferecer respostas benditas à nossa alma em ocasiões oportunas. E pode-se dizer que foi esta busca existencial que transformou a vida de Martinho Lutero dali em diante, pois "viver" como um monge tornou-se a primeira opção para fugir da condenação espiritual, tá entendendo? Isto porque a mais piedosa espiritualidade alemã cristã da época ensinava que somente depois de praticar boas atitudes morais é que o homem receberia um retorno favorável de Deus - sendo este, então, um dos tantos projetos religiosos que prometiam livrar os homens do juízo divino para bem salvar as suas vidas, na eternidade. E foi assim que Lutero se tornou um dos mais disciplinados monges de seu tempo. Só que a alma, essa desgraçada, bem, continuava amargurada; e bastante assustada diante de Deus e da morte que continuava levando consigo a humanidade. Foi em meio a tais aflições e ansiedades espirituais que Lutero decidiu por dedicar-se mais profundamente aos estudos teológicos na Universidade de Wittenberg a partir de 1512. Buscava acalmar e dar direção a seus dilemas espirituais, o que o fez tornar-se primeiro um aprendiz de Agostinho de Hipona - e o resultado foi que a Bíblia se transformou na sua primeira e principal fonte de conhecimento acerca de Deus. E "dentro" da Bíblia, Lutero fez-se discípulo de São Paulo - algo que o levou diretamente para um encontro com a própria Pessoa Espiritual do Deus do Universo, a partir dos ensinos da "justificação pela fé" da Carta aos Romanos 3.21-22: "Agora, porém, conforme prometido na lei de Moisés e nos profetas, Deus nos mostrou como somos declarados justos diante dele sem as exigências da lei: somos declarados justos diante de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, e isso se aplica a todos que creem...". É por aí mesmo, meu amigo! Lutero foi desafiado a parar de procurar um contato com Deus baseado nas suas melhores obediências religiosas, para - bem ao contrário disso, ir logo direto encontrar Deus Pai em Pessoa pela fé através de Jesus Cristo! As boas obras viriam somente depois, como uma consequência dele ter experimentado aquele encontro inicial com Deus - o que lhe permitiria renovar toda a maneira de viver a partir dali. Eis a razão porque este projeto de religião (religação de relacionamento) com o próprio Deus através da Pessoa de Jesus Cristo, chama-se, então: Cristianismo! Veja que no Cristianismo o medo do julgamento de Deus sobre a alma humana por causa dos pecados dos homens é superado pela promessa do amor de Deus que perdoa - e acolhe os homens pecadores, conforme ensinado pelo Evangelho (Boas Novas) de Jesus. Uma das mensagens espirituais mais transformadoras da história da humanidade, pois ao invés de prometer bênçãos divinas como um resultado do esforço humano, oferece uma vida junto de Deus como uma graça a partir da fé do fiel. Bem, a partir daí, o resto é história... Mas a espiritualidade da humanidade e a organização da religiosidade de quase todo mundo seguem adiante através de boas cenas da produção, sim. Martinho Lutero vai praticar o importante princípio espiritual de que se deve adorar a Deus "em espírito e em verdade", pois irá negar-se a afirmar qualquer doutrina que sua espiritualidade racional o oriente a discordar. Também irá promover a tradução dos livros da Bíblia do latim para o alemão no bom objetivo espiritual de que o povo germânico mais comum consiga aprender por si próprio o caminho, a verdade e a vida de Deus conforme os ensinos e as palavras do próprio Jesus Cristo. E um bom número de situações sociais e políticas iniciadas à época da Reforma Protestante de Outubro de 1517 igualmente estão no filme, revelando as boas e más atitudes que movem os homens em tempos de renovação da sociedade a partir dos anseios do espirito. Pois uma espiritualidade saudável requer ser assim mesmo, sempre renovando a realidade de todos nós. E quando vier, que venha com Amor a Deus, e Amor ao próximo - pois destes dois mandamentos depende toda a Lei de Deus. Bom filme.

domingo, 15 de outubro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: dos SONHOS à Realidade: PASSAGEIROS

Como bem definiu minha esposa, PASSAGEIROS (Passengers, 2017) é um filme prazeroso de assistir porque além de ter um início interessante e um enredo envolvente, também tem um final de verdade pra chamar de seu. Algo importante de valorizar já que filmes com ideias criativas comumente acabam sem nunca terminar as suas histórias. Fazer o que, né... Enfim, eis outra boa razão pra assistir o filme. Segue uma breve sinopse (site: adorocinema) deste romance aventuresco com Jennifer Lawrence e Chris Pratt: "O ponto de partida desta ficção científica é interessantíssimo. A bordo de uma espaçonave transportando seres humanos para a vida em outro planeta, um homem e uma mulher acordam no meio do percurso, e ainda têm 90 anos para viverem – e morrerem – durante o trajeto...". Bem, ficamos por aqui na análise até porque o crítico Bruno Carmelo (site) entendeu que o potencial do enredo não foi bem aproveitado pelo diretor. Mas, enfim, isso já é uma outra história, pois o nosso tema é somente a espiritualidade do filme, certo? Neste sentido, o que rápido se remexe lá na alma assim que assistimos "Passageiros" é um denso drama existencial que rápido nos conduz para uma ansiosa reflexão espiritual, mais até do que seria da nossa vontade sentir e pensar. Pois "Passengers" traz de volta o antigo ideal adolescente de que um dia iriamos mudar (e ganhar) o mundo, à nossa maneira, lembra? Uma realidade que se revela bem complicada para a maioria da população, até porque muitas daquelas boas ambições nem sempre acontecem conforme o combinado assim que as conquistamos. E agora, José? O que fazer pra (bem) conviver com este drama interior de uma vida que às vezes parece não estar indo nada bem? O interessante é que o filme responde esta questão de maneira bem satisfatória, pois o mais idealista dos protagonistas abraça com risos e satisfação, uma existência bem diferente daquela que um dia sonhara pra si próprio, de verdade. Por isso mesmo, assistir de boa paz a esta aventura romântica é oferecer uma bela oportunidade pra alma entender que nossa particular história tem valores e (boas) razões de ser exatamente o que se tornou, ainda que seja diferente do que um dia planejamos. Eis o primeiro bom motivo pra acompanhar satisfeito e feliz a este romance surpreendente envolto em um desenrolar bastante (in)comum, que não deixa também, de ser atraente. Mas, ainda tem mais. Pois foi o rei e poeta Davi quem melhor escreveu sobre aqueles que cuidam de suas vidas sem se deixar dominar por vaidades e sonhos (irreais) demais pra ser mentira: "Senhor, meu coração não é orgulhoso, e meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com questões grandiosas ou maravilhosas demais para minha compreensão. Pelo contrário, acalmei e aquietei a alma..." (Salmo 131). É isso! A satisfação interior da alma e a realização existencial do espírito tem mais a ver com a descoberta do valor que há nos projetos mais diários da vida - familiares e profissionais, de amizade e cidadania, do que com as outras grandes conquistas que o mundo sugere. Até porque estas conquistas somente serão verdadeiras em nossa história se acontecerem junto daquelas pessoas, não é mesmo? É por isso que o tema mor de "Passageiros" é uma velha máxima da boa espiritualidade: pense globalmente e viva localmente! Bom filme.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: SOU GENTE! Logo Existo. BLADE RUNNER 2049

BLADE RUNNER 2049 é um maravilhoso filme existencial! Pois saber-se vivo sempre foi uma inquietação filosófica permanente da humanidade. E foi pela importância da reflexão que o filósofo René Descartes afirmou no século 17 a sua mais expressiva declaração: Penso, logo existo! O que pouco se diz nestes dias em que se nega qualquer proximidade entre o conhecimento dos homens e a racional espiritualidade da alma humana é que tal declaração sempre teve (mais) a ver com a transcendência da experiência de estar vivo, do que com a simples percepção de que tudo vai bem se estivermos respirando no ano que vêm. Enfim, eis que a mais famosa defesa da existência humana legitimada pela realidade, acaba de ganhar um novo apelo poético de qualidade, daqueles que somente o melhor da Sétima Arte consegue produzir. Pois se o sensacional Blade Runner original (1982) questionava serem os replicantes apenas robôs em busca de uma alma pra chamar de sua. O filme atual, Blade Runner 2049 (Estados Unidos, 2017), analisa experiências de vida no objetivo de encontrar relacionamentos que realmente preencham os anseios existenciais da humanidade. Eis o enredo da aventura dramática que o diretor Denis VILLENEUVE transformou em paradigma cultural assim que bem relacionou ideias do filme original às reflexões de seu filme anterior, "A Chegada. Se tornar a segunda parte de um clássico em um filme próximo do primeiro já é uma façanha considerável, embora se diga que Francis Ford Coppola isso realizou em O Poderoso Chefão II. Imagine então, superar um filme Cult original em sua própria continuação, sendo que aqui falamos simplesmente de BLADE RUNNER! Dá pra imaginar? Nossos parabéns à Mr Villeneuve, pois BLADE RUNNER 2049 não apenas aprofunda o original, como ainda dá vida e enredo para alguns dos instigantes pensamentos de Ridley Scott, tornando-os situações humanas profundas dentro de um enredo dramático crível demais. E olhe que falamos aqui de um filme de ficção científica. Fala sério! Isto porque o mítico Blade Runner (1982) contou uma história de ficção científica narrada como filme Noir para argumentar de maneira urgente, mas velada, acerca da maior dúvida existencial da humanidade. Afinal, os seres humanos tem mesmo uma alma dentro de si, ou somos apenas o resultado de séculos de evolução celular? Pois se os próprios replicantes já sofriam com a razoável inutilidade de uma existência sem alma; e por isso mesmo, quase sem presente e certamente nenhum futuro, imagine eu e você? A questão é que os anseios do replicante ROY expunham não somente a brevidade da vida humana desde sempre, mas bem mais do que isso, também gritavam a realidade de uma morte "espiritual" constante que já experimentamos hoje, e continuamente, mesmo quando (bem) vivos imaginamos estar. Que horror! Uma depressão existencial dos robôs de Blade Runner assim definida pelo "livro de cinema" (Globo Livros): "Batty e seus colegas replicantes estão fazendo uma revolução ao forçar seus criadores a vê-los como seres dotados de alma em busca de libertação." Agora, relacione estes temas do filme original às questões existenciais do último filme do diretor Denis Villeneuve, e somente a partir daí é que você vai começar a participar da magical mistery tour de Blade Runner 2049, pra valer. Pois no filme A CHEGADA, o diretor moveu seu enredo no objetivo de superar aquelas relações humanas que existem apenas pra realizar uma superficial troca objetiva de informações, burocráticas. Pois as conversas somente "humanas" do filme ocorrem sempre no propósito de rapidamente afirmar cada distinto interesse egoísta dos envolvidos. Em contraponto, os primitivos encontros da Dra Banks junto aos aliens Abott e Costelo tem poucas informações a oferecer, mas se revelam bem mais eficazes a partir da interação conjunta que realizam entre os seres. A visitação alien ao nosso planeta fortalece, então, aquelas idéias que valorizam relacionamentos mais sinceros e integrais entre as pessoas. Blade Runner 2049 vai elevar estas reflexões a um novo patamar artístico representativo das vivências humanas, pois os certeiros esclarecimentos que busca para as dúvidas existenciais da humanidade, atuam sempre no objetivo de que todos alcancemos maior satisfação dos nossos relacionamentos nesta vida. Pois afinal, é para ser "gente" de verdade que todos existimos, tá entendendo? A interessante investigação critica de Isabela Boscov (Revista VEJA), assim fotografa o filme para nós: "Nos filmes de Villeneuve, porém, tudo o que é tópico ou político converge de maneira inexorável para o pessoal. (...) Da mesma forma, as alusões de Blade Runner 2049 à escravização ou sub-humanização rapidamente adquirem outras cores. Os protagonistas de Villeneuve viajam sempre para dentro de si mesmos. E nenhum vai tão longe na jornada quanto K, para quem o mais confiável de todos os pontos de partida - a condição humana - nem sequer existe. Assim, enquanto a paisagem grandiosamente devastada de Blade Runner 2049 serve como metáfora da aridez existencial das relações cada vez mais mediadas pela tecnologia... (os replicantes) voltam-se para dentro de seu íntimo e buscam um senso de si mesmos." Blade Runner 2049 segue adiante na abordagem de valores vivenciais que guardam consigo, sempre, os anseios de vida mais íntimos da alma humana. Pois não basta apenas ser capaz de pensar, é preciso aprender a se relacionar, pra ser (boa) gente! Um projeto existencial que desafia a realidade interior da nossa alma a surgir concretamente e com sinceridade no exterior da personalidade da gente. Pois é necessário que logo nos tornemos a pessoa que realmente somos. Ou então, não dá nem pra começar a querer (aprender) a viver. Mas ainda tem mais, pois uma nova e grave questão espiritual acontece assim que começamos a igualar nosso ser exterior com a pessoa interior que quase ninguém conhece. Pois uma pessoa interior plena de dores e mágoas, iras e maldades, vai acabar nos tornando reféns de nós mesmos. Afinal, uma personalidade interior doente irá rapidamente deletar na vida cotidiana, todos os melhores sonhos que poderíamos almejar para a nossa existência neste mundo. Desgraça pouca é bobagem. Mas, não desanime, jamais! Pois ainda existe uma cura existencial da própria personalidade sempre à disposição, para os espirituais de plantão. "Se alguém quiser vir após mim, então negue-se a si mesmo.", disse Jesus. É isso! O maior Profeta da espiritualidade logo ensinou aos homens como tratar seu próprio interior confuso, desafiando-os continuamente à milenar prática piedosa da... confissão, ela mesma. Por que não? Ou seja, aquele que pretende colher flores de sua alma interior assim que a coloca pra existir na sua personalidade exterior, deverá primeiro arrancar de si próprio as sementes de erva venenosa que guarda (bem) escondidas, lá no coração. Enfim, mudar a visão de si mesmo removendo convicções (quase) solidificadas lá na alma da gente, é uma vivência espiritual incomum e bastante revolucionária, experiência bem próxima de uma situação que reinventa grandemente o enredo do filme, logo apontando ao seu final. Mas, fique atento ao filme todo, sim, pois em Blade Runner 2049 as relações existenciais mais verdadeiras acontecem tanto em razão de convívios virtuais, quanto pela descoberta de histórias conjuntas de vida. Nesta última, uma sensível sensação de pertencimento acaba por dominar o cinema, quando compartilhamos do encontro essencial de duas vidas, assim que apenas um "toque" tudo explica e faz acontecer, apenas num instante. Já um certo distanciamento da vaidade que o próprio ambiente tecnológico consegue gerar, acaba criando a mais pura manifestação de intimidade entre dois seres que no lar, finalmente, agora residem juntos. E eis que se tornam, então, uma só carne, de alma. Pois compartilham conversas plenas de detalhes pessoais e sinceros olhares afetivos como poucas vezes assistimos no cinema, e na vida, também. Mas que são reais, certamente, pois se tornam possíveis demais pra todo mundo, assim que dois seres que imaginavam apenas um espaço no planeta ocupar"; em verdade, agora também são (boa) gente. Logo, eles existem. Bom filme!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

a Espiritualidade da CRIAÇÃO da Humanidade: MÃE! com Jennifer LAWRENCE

"No princípio, Deus criou o céu e a terra (...) Deus disse: "Luz!". E a luz apareceu." O filme MÃE! (MOTHER! 2017) é a maior alegoria explicativa das origens existenciais espirituais da CRIAÇÃO do mundo e das razões da PAIXÃO de Cristo que já se viu neste planeta, cinematográfico. Pois afinal, se você nunca entendeu porque Jesus de Nazaré foi torturado até morrer na cruz como a maior consequência dos pecados praticados pela humanidade "com" este mundo; bem, agora, já dá pra começar a saber o tamanho do problema. O diretor Darren Aronofsky já está jogando no time dos autores cinematográficos Roman POLANSKI e Stanley KUBRICK, e com mais uns dois filmes deste naipe ele pode vestir a camisa de titular pra sempre. A técnica cinematográfica como um método autoral que desenvolve a história enquanto muito aprofunda seu drama sempre foi uma tensão narrativa em Polanski e uma inovação constante em Kubrick - e Aronofsky realizou um filme digno e de boa qualidade dentro desta perspectiva artística. Acerca da visão espiritual do enredo do filme, trago o título e um pouco do texto da crítica de cinema Isabela Boscov (Revista VEJA): "No Tumulto da Criação - Estranho, atormentado, extenuante e também formidável: em MÃE!, o diretor Darren Aronofsky ancora na estupenda atuação de Jennifer Lawrence uma alegoria de Gênesis (...) do paraíso que Mãe está moldando para Deus à chegada de Adão e Eva, à tentação do fruto proibido... e à queda do homem, avançando pelo nascimento de Cristo e pela literalidade com que seu sangue e sua carne são consumidos." E o filme segue mesmo por aí, gente. Pois antes e além das particulares visões existenciais do diretor, que são totalmente outras - o fato é que até noventa por cento de MÃE! apresenta a real história (inicial) do mundo segundo a verdade judaico-cristã espiritual da humanidade. Algo que o enredo realiza de uma maneira jamais antes contada, pois é com explosiva intensidade que aproxima temas cosmológicos profundos do mais simplório cotidiano habitual da vida de qualquer um de nós: nossos lares. E mesmo que os 10 minutos finais do filme logo adiante ao nascer do sol, pouco ou nada tenham a ver com o que se sabe de saudáveis espiritualidades - não dá para negar que a conclusão do diretor é digna da torrente de ideias e sensações que ele ousou pensar (filmar) neste estupendo drama que merece, sim, ser assistido. Mas só por adultos, e daqueles bem tranquilos. O negócio é que pra bem representar sua peculiar visão da mais universal história cosmológica dos homens, Aronofsky decidiu "encarnar" na vida cotidiana de um casal afastado das metrópoles sua "simplória" narração objetiva do Alfa e Ômega espiritual da eternidade. Pois na história de MÃE!, embora o Deus bíblico pareça surgir aqui e acolá na pessoa e atitudes da própria, tal perspectiva não se faz a única do filme, não. Isto porque o filme A CABANA, que tão bem resgatou a Trindade divina pra humanidade, torna possível (bem) perceber que a pretensa Mãe natureza do filme, em verdade mesmo, é o próprio Jesus. Ele que tão bem anunciado foi, pelo filósofo e evangelista João, logo no primeiro século: "Antes de tudo, havia a Palavra, a Palavra presente em Deus (...) A Luz da vida brilhou nas trevas; e as trevas nada puderam fazer contra a luz." E olhe que em MÃE!, Deus disse "Luz!", já criando vida no planeta, não apenas uma, mas por duas vezes. E em ambas as situações a luz surge, logo iluminando e se encarnando, assim como o Filho único de Deus na terra, Jesus de Nazaré. Mas se o Deus da Trindade está no filme, a humanidade também não poderia faltar, e esta toma vida em todos os seus tipos e caras no restante do elenco, como se fora uma torre de Babel arruaceira que aparece de todos os lados e buracos pra confundir até a alma dos (cada vez mais) atentos espectadores, no cinema. Em meio a tamanha confusão existencial, eis que a corrupção da vida da humanidade logo provoca, claro, uma urgente chegada do Apocalipse ao nosso mundo (lar da Mãe), posto que a Ira divina (bíblica) reage, sim, à toda corrupção (pecado) dos homens. Juízo eternal que fará todo mal recair exatamente sobre o Filho. Eis a Paixão, então, que significa sofrimento. Tudo no objetivo de que os seres humanos tenham, ainda e sempre, um salvador para eles! Pois quando seu próprio redentor morre, logo lhes oferecendo, assim, a sua própria carne e sangue - então eles próprios já não precisam mais morrer por si mesmos, tá entendendo? Eis a razão pela qual Mel GIBSON pode estar muito bravo (ou então, feliz demais) pela chegada ao cinema deste A Paixão de Cristo 2: MÃE!, que apresenta de novo, como nunca se viu antes, o texto espiritual mais famoso da história da eternidade: "Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna." Boa meditação!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: MÃE!, com JENNIFER LAWRENCE

O diretor Darren ARONOFSKY juntou seus dois últimos filmes, NOÉ e CISNE NEGRO pra realizar MÃE! (MOTHER! 2017), que é uma instigante pancada no estômago; por isso, cuidado! Isto porque MÃE! é a maior alegoria comunitária explicativa das origens espirituais da Criação da humanidade e da PAIXÃO de Cristo que já se viu neste planeta, cinematográfico. Pois afinal, se você nunca entendeu porque Jesus de Nazaré foi torturado até morrer na cruz "desgraçada" como consequência dos pecados praticados pela humanidade "com" este mundo; bem, agora, já dá pra começar a saber (sentir) o tamanho do problema. O diretor Aronofsky já está jogando técnica e criativamente no time dos diretores Roman POLANSKI e Stanley KUBRICK, e com mais uns dois filmes deste naipe ele pode vestir a camisa de titular pra sempre. A técnica cinematográfica como método autoral que desenvolve a história enquanto aprofunda sua dramaticidade sempre foi uma tensão narrativa em Polanski e uma inovação constante em Kubrick - e Aronofsky realizou um filme digno e de boa qualidade dentro desta perspectiva artística; e que lhe venha mesmo o Oscar, por isso. E pra você saber um pouco mais do aspecto "cinema" de MÃE!, indico as críticas de "Aline Pereira" e de Rodrigo Torres (www.adorocinema.com), e aproveito pra incluir aqui o título e parte do texto com que Isabela Boscov (Revista VEJA) tão gravemente expõe a visão espiritual do enredo do filme!: "No Tumulto da Criação - Estranho, atormentado, extenuante e também formidável: em MÃE!, o diretor Darren Aronofsky ancora na estupenda atuação de Jennifer Lawrence uma alegoria de Gênesis (...) do paraíso que Mãe está moldando para Deus à chegada de Adão e Eva, à tentação do fruto proibido... e à queda do homem, avançando pelo nascimento de Cristo e pela literalidade com que seu sangue e sua carne são consumidos." E o filme segue mesmo por aí, gente. Pois antes e além das particulares visões existenciais do diretor, que são totalmente outras - o fato é que até noventa por cento de MÃE! apresenta a real história do mundo segundo a verdade judaico-cristã espiritual da humanidade. Algo que o enredo realiza de uma maneira jamais antes contada, pois é com explosiva intensidade que aproxima temas cosmológicos profundos do mais simplório cotidiano habitual da vida de qualquer um de nós: nossos próprios lares. E mesmo que os 10 minutos finais do filme logo adiante ao nascer do sol, pouco ou nada tenham a ver com o que se sabe de saudáveis espiritualidades - não dá para negar que a conclusão do diretor é digna da torrente de ideias e sensações que ele ousou pensar (filmar) neste estupendo drama que merece, sim, ser assistido. Mas só por adultos, e bem tranquilos. O negócio é que pra bem representar sua peculiar visão da mais universal história cosmológica dos homens, Aronofsky decidiu "encarnar" na vida cotidiana de um casal afastado das metrópoles; mas jamais da realidade, sua "simplória" narração objetiva do Alfa e Ômega espiritual da eternidade. Pois na história de MÃE!, embora o Deus bíblico pareça surgir aqui e acolá na pessoa e atitudes da própria, tal perspectiva não se faz a única do filme, não. Isto porque o filme A CABANA, que tão bem resgatou a Trindade divina pra humanidade, torna possível (bem) perceber que a pretensa Mãe natureza do filme, em verdade mesmo, é o próprio Jesus. Enquanto isso a humanidade igualmente toma vida em todos os seus tipos e caras no restante do elenco, como se fora uma torre de Babel arruaceira que aparece de todos os lados e buracos pra confundir até a alma dos (cada vez mais) atentos espectadores, no cinema. Após a chegada do Apocalipse ao nosso mundo (lar da Mãe), que ocorre no filme em meio a uma criatividade cotidiana inteligentíssima, eis que a Ira divina (bíblica) em reação à corrupção (pecado) dos homens, acaba por recair exatamente sobre o Filho. Tudo no objetivo de que os seres humanos tenham, ainda e sempre, um salvador para eles! Pois quando o próprio redentor deles morre, logo lhes oferecendo, assim, a sua carne e sangue - então eles próprios já não precisam mais morrer por si mesmos, tá entendendo? E até uma ideia bem próxima desta acontece no filme, mais instigante e surpreendente do que só imaginativa e blasfema, entendo eu. De qualquer maneira, a visão mais bíblica existe somente até pouco antes dos 10 minutos finais, lembra? Eis a razão pela qual Mel GIBSON pode estar muito bravo (ou então, feliz demais) pela chegada ao cinema deste A Paixão de Cristo 2: MÃE!, que apresenta de novo, como nunca se viu antes, o texto espiritual mais famoso da história da eternidade: "Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna." Bom filme! Mas, tenha cuidado, hein.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

a Espiritualidade das DOENÇAS da ALMA

"As pessoas saudáveis não precisam de médico, mas sim os doentes.", disse o Profeta Jesus. "Enquanto recusei a confessar o meu pecado, meu corpo definhou, e eu gemia o dia inteiro.", logo explicou o Rei Davi. É isso! Veja que a espiritualidade judaico-cristã entende que alguns dos maiores dramas da nossa alma são, na verdade, enfermidades que nascem assim que entramos em confronto com a própria Pessoa de Deus. Afinal, Jesus deu esta famosa declaração exatamente ao ser questionado da razão de andar perto e ao lado de seres humanos tão... pecadores; ou seja, gente que vivia brigando com Deus. Pessoas que Ele descreveu como sendo aquelas que permanecem em conflito com Deus pelo fato de guardarem consigo algumas enfermidades que surgem primeiro lá no coração (alma) do homem: "... Mas as palavras vêm do coração, e é isso que contamina o homem. Pois do coração vêm maus pensamentos, homicídio, adultério, imoralidade sexual, roubo, mentiras e calúnias. São essas coisas que os contaminam. Comer sem lavar as mãos não os contaminará." Esta declaração surgiu durante uma discussão com alguns líderes religiosos da época que ensinavam que as "mãos sujas" é que eram a principal causa das doenças dos homens e de brigas com Deus; mas Jesus não pensava desse jeito, não. Para ele, a maior das enfermidades espirituais era aquela que vêm direto da alma da gente, e que depois avança pela nossa vida de tal forma que até os nossos ossos faz gemer. Interessante demais é o complemento de Davi pra tudo isso: "Dia e noite, tua mão pesava sobre mim; minha força evaporou como água no calor do verão." Ora, o que o poeta bíblico está explicando é que a própria culpa que está na consciência dos homens e se torna um cansaço existencial no coração das pessoas não é nada mais, nada menos, que a própria voz de Deus avisando que estamos, de verdade mesmo, morrendo espiritualmente enquanto a vida escapa de nós a cada novo dia. Fique atento, então, aos avisos de Deus de que as doenças da alma estão crescendo dentro de você. Não menospreze a voz da sua consciência e jamais fuja de suas culpas, pois elas são como que remédios (divinos) que iniciam a cura das mais graves doenças físicas e espirituais de que se tem notícia: as suas! Pois as doenças da alma que só conseguimos enxergar quando se tornam visíveis pela nossa prática dos pecados do coração, também revelam um estado de vida desgraçado do homem. Isto porque o mesmo Jesus que disse:"procuro misericórdia, não religião"; ainda afirmou: "conhecereis a verdade, e a verdade libertará vocês": pois todo aquele que leva sua vida mantendo em seu corpo as enfermidades do coração, torna-se um escravo do espírito maligno. Logo ele, que é o maior inimigo das nossas almas. Cuidado!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

a Espiritualidade que faz TUDO dar CERTO!

A Espiritualidade que faz tudo dar certo pois não tenho tempo a perder, também é aquela que faz o Universo inteiro conspirar pra que tudo de bom aconteça comigo, certo? E até o Apóstolo São Paulo parece participar dessa conspiração de bons propósitos, pois ensinou que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus", tá entendendo? Bem, mais ou menos. O negócio é que a proposta essencial desta ideia espiritual indica que devemos deixar a vida nos levar pelo movimento "energetico" de um mundo inconsciente, entende? Algo que é praticamente uma negação da nossa natureza humana mais básica, gente. É vero perceber isso, sim. Afinal, o Universo não é consciente, como a gente é. O mundo não é um ser praticante de sensibilidades, como nós somos. E os ventos e tempestades não tem capacidades orientadas e controláveis, como nós temos, aqui, lá e em todo lugar. Pense nisso! Eis a razão pela qual assumir que movimentos irracionais do Universo e atos inconscientes da natureza ocorrem somente pra fazer algo de bom pra você e pra mim; bem, acaba por se tornar um projeto de vida que despreza o que de melhor você e eu temos neste mundo, uai. Que é exatamente a (bela) condição e a (linda) capacidade de gerenciar intelectualmente os passos da nossa alma neste corpo vivente que hoje respira no planeta Terra, sim. A situação é séria demais pra não ser motivo de uma boa reflexão, pois é a tua vida real que está em jogo, por aqui, de verdade. Será que você vai entregar assim de bandeja para o ocaso do acaso teus sentimentos e projeções - lutando para acreditar, por alguns minutos que sejam, que "tudo" vai dar mesmo certo, lá no final? E não esqueça que ainda tem o "durante"? Cuidado! Lembre que a promessa do Apóstolo Paulo é bem diferente do que confiar que o Universo vai se mover ao teu bel prazer, cara. Vamos refletir um pouco no que ele disse: "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" é uma convocação e desafio pra confiar no Deus Pai onisciente (sabe tudo), onipresente (de tudo participa) e onipotente (tudo pode). Isto significa, só pra começar, que Deus é uma Pessoa; bastante racional e consciente. Mas que vai muito além disso, pois Ele tem uma personalidade coerente e determinada por suas razões e planos, sentimentos e ações, todos inteligentes demais pra serem, irracionais. Eis um bom motivo pra você não negar desse jeito tua própria natureza humana racional, só pra deixar pra lá tua consciência espiritual inteligente, bem na hora (fundamental) de escolher os projetos e pessoas que irão construir tua história, meu rapaz... Melhor mesmo é logo encarar essa vida diária que urge bem diante de nós, buscando princípios e exemplos que revelam que até as longas decisões surpreendentes sempre realizam mais que rápidos abandonos inconscientes. Pois, afinal, o objetivo por aqui é fazer tua vida andar realmente pra frente, certo? Cuide bem da tua (humana) Espiritualidade, então!