terça-feira, 16 de maio de 2017

a Sabedoria MÍSTICA do Apóstolo PAULO (Parte 3)

Para concluir os pensamentos acerca de como podemos adquirir uma sabedoria mística pra melhor viver a vida - que é uma sabedoria que recebemos através de um relacionamento espiritual. Chegamos enfim, ao terceiro e último texto desta série. Só relembrando: a Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante da situação. Agora, preencha este encontro aí de cima com um pouco de bom senso e alguma misericórdia, inclua uma personalidade equilibrada e vá com um interesse genuíno pela pessoa com quem vai se encontrar, e, pronto, é isso mesmo. Assim que você orientar tuas conversações com a pessoa mais importante da questão a partir destes princípios, bem, você já estará vivendo ali com sabedoria, certo? A partir disso, já dá pra perceber que sabedoria é muito mais uma postura ética que nos faz agir de uma determinada maneira diante das pessoas, do que os dados que conseguimos acessar de alguém quando com ele nos encontramos. Pois sabedoria tem mais a ver com relacionamento do que com informações. Agora, pra conseguir aprender isso espiritualmente é preciso participar de um relacionamento místico de formação de caráter, não apenas de um encontro místico informativo de dados, ainda que misterioso. Pois bem, esse tipo de relacionamento místico foi algo que o Apóstolo Paulo praticou bastante na sua caminhada espiritual. Primeiro o Apóstolo Paulo precisava escolher com quem ele iria se relacionar espiritualmente. E Paulo decidiu que seria com a própria pessoa de... Deus. A relação mística dele iria se desenvolver junto do Espírito Santo, de Deus, portanto. O segundo passo foi entender que o mais importante para iniciar esse encontro espiritual com a pessoa de Deus seria ter... fé. Isso mesmo. Não adiantava ser um bom religioso. Explico. Paulo foi um dos melhores praticantes de sua religião por diversos anos da sua vida. Pois havia entendido que ao obedecer o maior número de regras e mandamentos, toda essa dedicação o levaria a ficar diante de Deus. Mas, de repente, um Profeta apareceu na sua vida; que foi Jesus! E disse pra ele algo muito simples. Não havia nada que Paulo pudesse fazer por si mesmo pra chegar até a pessoa de Deus. Porém, se ele tivesse fé, estaria na presença de Deus em um piscar de olhos. Algo parecido com o que Jesus disse ao ladrão na cruz. Só que Paulo iria experimentar isso ainda vivo, de verdade. Mesmo não sendo fácil, Paulo decidiu acreditar. E foi assim que ele começou a experimentar um relacionamento místico com a pessoa de Deus junto da presença do Espírito Santo de Deus. Algo importante pra isso ocorrer foi que Paulo acreditou mais no Profeta Jesus, do que em si mesmo. Após saber que Deus estava junto dele em espírito, Paulo começou a desenvolver este relacionamento místico a fim de conseguir alcançar sabedoria pra vida. A primeira atitude relacional dele foi entregar os próprios olhos pra Deus. Paulo permitiu que o Espírito de Deus indicasse pra onde ele deveria direcionar seu olhar no dia a dia. Pois os olhos são a lâmpada da alma, e se não olharmos pra luz iremos encher nosso interior com a escuridão. Paulo começou a olhar mais para a vida que tinha à sua frente do que para tudo que já tinha acontecido com ele, e buscou viver pelo exemplo do Profeta Jesus. O jeito do profeta viver passou a iluminar a maneira como Paulo deveria existir. O apóstolo deveria seguir Jesus no objetivo de construir um novo caminho e novas atitudes existenciais, agora, mais espirituais. Após começar a olhar pra vida a partir do exemplo existencial de Jesus, Paulo teve que entregar um outro pedaço da sua pessoa no objetivo de ter um relacionamento místico cada vez mais real com Deus. Agora, o apóstolo teria que entregar o coração. Ou seja, era preciso compartilhar as vontades e interesses da sua vida com o Espírito Santo de Deus. Algo bem mais difícil do que entregar o bolso, se é que você me entende. Pois parece que já nascemos agarrados às angústias e ansiedades que vêm junto com os nossos interesses e vontades, certo? E pra escapar um pouco de tanta ansiedade emocional, adquirindo uma personalidade mais equilibrada que nos permita manter uma conversa com alguma serenidade, vai ser necessário aquietar o coração, sim. Algo possível através de um relacionamento espiritual com Deus em que oramos pra Ele os nossos cansaços e depressões existenciais. Enfim, logo após dar os olhos ao Profeta Jesus e o coração ao Espírito Santo, o Apóstolo São Paulo precisava entregar, ainda, a sua própria mente pra Deus Pai. Algo que ele fez lendo os ensinamentos e mandamentos bíblicos a fim de que pudesse pensar mais pela "cabeça" de Deus, do que pela sua própria. Não dá pra ser uma pessoa mais sábia se o conteúdo com o qual analisamos a vida e as pessoas permanece o mesmo, de antes, não é? Pronto, chegamos. A partir daqui já estamos mais sábios pra ir logo encontrar a pessoa com quem precisamos nos relacionar. Nossos olhos estão voltados para a vida que teremos daqui pra frente e o nosso coração está pacificado. Nossos pensamentos são os de Deus Pai e por isso mesmo a presença d´Ele em nós também é muito grande. Algo que o Apóstolo Paulo descreveu como se fora uma sensação de estar dentro da Paz da própria pessoa de Deus. Concluindo, foi após vivenciar esta experiência relacional mística na presença do Espírito de Deus - através dos exemplos de Jesus e dos mandamentos de Deus Pai, que Paulo deu uma de suas mais fortes declarações existenciais: "Tudo posso naquele que me fortalece". Ele descreveu a condição que tinha de continuar sendo a mesma pessoa em situações bem diferentes da vida. O que lhe permitia conversar com as pessoas de uma maneira agradável e verdadeira. Uma bênção e tanto, acredite. Haja sabedoria!

sábado, 6 de maio de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: A CHEGADA

O diretor Denis Villeneuve inicia o filme A CHEGADA sensibilizando a platéia com algumas lembranças maravilhosas da sétima arte: ele recria a cena favorita de Steven Spielberg em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, nos faz retornar ao ambiente do planeta Alien o 8 passageiro de Ridley Scott, e ainda nos dá insights de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick. Sensacional! Tudo isso pra nos deixar ainda mais inquietos e esperançosos à espera de seu "Blade Runner 2049". Já comprou seu ingresso? O blog AdoroCinema, pra variar, oferece uma análise objetiva e inteligente através do crítico Renato Hermsdorff: "A história se passa nos dias atuais, quando seres alienígenas descem à Terra em naves espalhadas por diversos pontos do planeta... E, para ajudar na comunicação com os ET´s, a Dra Louise Banks (Amy Adams), uma especialista em linguística, é convocada (...). Até o terço final do filme, a relação que Louise estabelece com os aliens soa confusa e carece de sentido - pelo menos, um sentido crível. A partir desse ponto, no entanto... ele começa a ser interligado (...). Apoiado na bela fotografia do experiente Bradford Young, Villeneuve se mostra também um esteta da imagem, alternando com maestria planos e enquadramentos variados, de forma a evocar o trabalho mais recente do cultuado Terrence Malick." É isso mesmo, gente. A CHEGADA é belíssimo no enredo e nas imagens, e sua história apresenta algumas das muitas dificuldades humanas que impedem um bom relacionamento entre as pessoas; tanto entre as que vivem no planeta Terra e também entre nós com seres de outro mundo. O desafio é apresentar os ganhos de uma comunicação entre seres vivos que possa ir além de uma conversa que somente realiza certa troca de informações entre eles. O convite é para superar o comum domínio relacional individualista que determina nossos encontros e desencontros sociais nestes dias de pós-modernidade. Pois o que os humanos mais praticam no filme é um convívio em constante conflito, oriundo de conversas que acontecem no objetivo de logo afirmar cada distinto interesse egoísta das partes. Em contraponto, os contatos primitivos entre a humana Dra Banks e os aliens Abott e Costelo informam pouco, mas estabelecem um relacionamento bem mais verdadeiro. Algo assim como ouvir uma música estrangeira que da letra pouco entendemos, mas que juntos muito partilhamos da melodia e movimento. Foi C S Lewis quem disse que encontrar Deus em espírito é como ser convidado para uma dança, afinal. Enfim, eis alguns pensamentos que o filme vai nos dando e que são mui importantes à Espiritualidade de quase todo mundo, já que relacionamentos espirituais requerem exatamente contatos movidos mais pelo desejo de ali estar, do que das informações e conclusões que dali se podem retirar. Afinal, os ansiosos em definir as questões pra só informar seus pontos de vista na situação, rapidamente transformam encontros relacionais em relações de poder e conquista. E haja afirmações cortantes e declarações finais pra rapidamente definir quem manda na relação. Enquanto a linguista norte-americana compartilha alguns sinais pessoais que revelam pouco a pouco, e cada vez mais algo real da sua personalidade, russos e chineses decidem fazer contato através de jogos - uma dinâmica em que o relacionamento entre os participantes está definido desde o início: é uma competição. Algo parecido com participar de uma reunião em Brasília, em que o tema são os 150 milhões de analfabetos funcionais brasileiros, e ao mesmo tempo em que você pensa "educação", o outro pensa só em marketing político pra ganhar a eleição. É desse jeito, enfim, que a história da comunicação entre humanos e aliens vai chegando ao seu climax - de um confronto sem solução, claro. Mas, a proximidade da briga também faz surgir uma espécie de contato físico que até cria um interesse de compaixão pelo outro. E agora, José: vamos partir para o abraço, ou vamos sair no braço? As dúvidas da visitação alien ao nosso planeta se tornam, então, uma sala de avaliação do nosso constante desafio vivencial da comunicação. Há alguma novidade pra melhor discutir a relação? Ou a competição irá prevalecer, bastante, pra variar? O enredo do filme constrói ideias que seguem na contramão dessas nossas alianças de ocasião, pois valoriza uma atitude relacional que busca construir uma imersão nossa pra dentro da cultura do outro, o alien, a fim de que seja possível uma reprogramação cerebral das percepções humanas, quase sempre egoístas demais. E são os extraterrestres que nos oferecem a boa resposta: somente uma sacrificial doação da personalidade de cada uma das partes irá transformar este confuso contato em um encontro do bem pra todo mundo. Integração é a palavra que explica o bom objetivo de qualquer comunicação. E a Dra Banks isso experimenta tanto ao revelar honestamente seus sentimentos aos aliens, como também quando humildemente reconhece pra onde vai seu coração assim que junto deles partilha algo novo de sua vivência, existencial. A sinceridade diante do outro e de nós mesmos é essencial ao bom aprendizado acerca de como viver os relacionamentos da vida em comunidade, e até na particularidade. Por ora, é isso. Eis algumas das ideias que o filme A CHEGADA nos permite visualizar para melhor vivenciarmos alguns dos encontros humanos que dia a dia partilhamos. Valores importantes pra nossa vida social, desde sempre. Agora, importa perceber como são essenciais para nossa vida espiritual, também. Seja tanto para um auto-conhecimento que começa a levar em conta o espírito que vive dentro de mim, ou ainda, para as relações místicas que irei desenvolver através de minha religiosidade espiritual. Pois o que muito dificulta o bom encontro de nós mesmos com nosso ser interior, e também, impede que aproveitemos a possibilidade de estar junto de Deus, que é exterior. É sim, o nosso constante egoísmo existencial. Algo que nos faz conviver, sempre, em habitual competição. Atitude que impede a vivência de qualquer boa comunicação relacional, especialmente, a espiritual. Foi o Apóstolo Tiago que definiu a imaturidade de nossas conversas, humanoides ou diante de Deus, expondo o propósito peculiar que temos de somente falar pra definir posições, sempre cheios de desejos e paixões. Quase sempre, particulares e interesseiras demais, pra ser verdade. E como são. Fala Tiago: "De onde vêm as guerras e conflitos que assolam o mundo? Vocês acham que acontecem sem razão? Raciocinem. As guerras acontecem porque vocês exigem: "é do meu jeito, ou nada feito". E para terem o que querem lutam com unhas e dentes (...) Sei que vocês nem têm coragem de pedir a Deus. É claro que não! Vocês sabem que estariam pedindo o que não devem. Vocês são crianças mimadas, cada um querendo as coisas do seu jeito... Se tudo que querem é benefício próprio e enganar os outros, acabarão inimigos de Deus." É isso. Egocentrismo demais transforma qualquer encontro diário em um confronto de informações que nos fazem passar longe de sequer, iniciar a boa prática das mais primitivas formas de comunicação. E sem comunhão, não há convívio e satisfação, gente. Nem entre uns e outros, e nem junto do nosso próprio eu interior. Imagine, então, com Deus, o Pai dos espíritos. Cuide-se!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Parte 2, a ESPIRITUALIDADE da Sabedoria, MÍSTICA

Este é o segundo texto acerca da ESPIRITUALIDADE da Sabedoria Mística. Mas, antes de começar, vamos ler um breve resumo do texto inicial. Dizem que Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante. Daí a questão: será que é possível alcançar essa sabedoria pra vida por meio de uma experiência espiritual, e mística? Ora, um relacionamento místico inicia pelo encontro de dois espíritos que habitam dimensões distintas deste nosso mundo. Por exemplo, o filme A Cabana desenvolve um contato espiritual entre a Pessoa de Deus Pai e o protagonista do filme, Mack. Agora, pense: e se este encontro fosse tão somente espiritual? O Apóstolo São Tiago ensinou o que devemos fazer pra experimentar esse tipo de contato espiritual místico de Sabedoria. Olha o que ele disse: "Se vocês não souberem lidar com a situação por falta de sabedoria, orem ao (Deus) Pai. É com muita alegria que ele os ajudará! Vocês serão atendidos, e não serão ignorados quando pedirem ajuda." Ou seja, é só você iniciar a sua Oração do Pai Nosso e já pode incluir esse pedido, dizendo: "Eu preciso de Sabedoria para tal situação e diante de tal pessoa...". Pronto. É isso! Pois foi Jesus quem disse que Deus Pai enviaria seu Espírito Santo pra quem isto lhe pedisse. Agora, vamos pra segunda parte: a missão. Então, já que você vai experimentar uma relação espiritual mística com Deus Pai, acreditando tanto na orientação do Apóstolo São Tiago, como nas promessas do Profeta Jesus de Nazaré, é importante saber o que mais eles tem a dizer acerca deste relacionamento de sabedoria. Isto é algo importante até pra manter a coerência e bom andamento da sua convivência espiritual de sabedoria junto com Deus. Pois se Tiago e Jesus iniciaram esta conversa, deixa eles continuarem, certo? Só porque é espiritual não quer dizer que precisa ser também, uma anarquia mental. O espírito também pensa, e bastante. Deixa São Tiago trabalhar, digo, falar: "A verdadeira sabedoria que vem de Deus começa com uma vida digna e é vista no relacionamento com o próximo. É cheia de gentileza, bom senso, misericórdia e é pra lá de abençoada. Não muda com o tempo instável e não tem duas caras. Essa sabedoria se confirma na vida comunitária. Você poderá ter uma comunidade saudável... somente se trabalhar duro para fortalecer os relacionamentos, tratando todos com dignidade e honra." Tá entendendo? Dizem que Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante. Agora, preencha este encontro aí de cima com bom senso e misericórdia, uma personalidade estável e interesse genuíno pelo grupo de que somos parte, seja a família ou qualquer outro grupo da sociedade; todo mundo, né. Pronto. Se você aceitar estes princípios como valores das tuas conversas com a pessoa mais importante da situação, bem, você já estará vivendo ali com Sabedoria, certo? Então, sempre que você fizer a sua Oração do "Pai Nosso que está nos céus....". E assim que você pedir: "eu preciso de sabedoria!". Esse relacionamento místico que você vai praticar com o Espírito Santo de Deus Pai vai levar em conta os princípios que você leu do Apóstolo Tiago sobre a Sabedoria de Deus. Pois tá tudo conectado. O teu espírito vai utilizar o que está na sua mente e o Espírito de Deus vai mover isto na sua personalidade a partir do contato (espiritual) que vocês vão desenvolver e praticar. Você logo será uma pessoa mais sábia. De verdade. Vai agir com mais dignidade em seus relacionamentos com o próximo. Será alguém mais estável e terá bom senso. É desse jeito que você vai trabalhar duro pra fortalecer os relacionamentos do seu grupo, sempre junto da pessoa mais importante da situação. A tua pessoa irá ganhar estes valores de sabedoria e você vai começar a pensar e a sentir diferente do que fazia antes, acredite. Tenha fé! E cuide bem disso, pois São Tiago já alertou: "Tenham toda coragem ao pedir e acreditem de verdade, sem pensar duas vezes. Os que duvidam quando oram são como as ondas do mar, levadas pelo vento." Enfim, acho que já deu pra perceber que Sabedoria é muito mais do que informações que conseguimos acessar, mas sim, trata-se de uma postura ética que nos fará agir de uma determinada maneira diante das pessoas. Pra aprender isso espiritualmente é preciso participar de um relacionamento espiritual de formação, não apenas de um contato místico informativo. Algo sobre o qual iremos pensar melhor na semana que vêm, observando algumas atitudes das experiências místicas do Apóstolo São Paulo. Boa semana!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

a ESPIRITUALIDADE da Sabedoria, MÍSTICA (1)

Dizem que Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante da situação. Daí a questão: será que é possível alcançar essa sabedoria pra vida por meio de uma experiência espiritual mística? Veja que não se trata de uma experiência apenas espiritual ocorrendo em nosso interior, algo somente individual. Não é isso. Trata-se de uma vivência espiritual, sim, mas que vai acontecer por meio de um relacionamento místico. Ora, relacionamento místico é um encontro entre dois espíritos que habitam dimensões diferentes do mundo. E o resultado final deste contato "místico" deve ser que iremos sair dele mais sábios, do que antes. É isso. Lembrando que não vale a ideia de que os dois espíritos que vão se encontrar sejam ambos, de seres humanos "vivos". Até porque esse tipo de relacionamento físico-espiritual já temos todos os dias. Ou seja, um relacionamento espiritual místico só vai acontecer quando um ser humano vivo por aqui se encontrar com um espírito que já não vive mais por aqui, ou nunca viveu, no planeta Terra. Há um bom número de religiões e filosofias espirituais que convocam seus seguidores para praticarem um relacionamento assim, espiritual místico. Algumas religiões orientais indicam um contato místico entre nós e algum parente já falecido, para que nos seja possível obter algum tipo de conhecimento. Algumas filosofias espirituais orientam a invocação de espíritos já mortos, conhecidos da gente ou não, pra buscarmos certas informações. Uma diferença importante pra destacar agora é que tanto as religiões orientais como algumas filosofias espirituais ensinam que assim que este encontro espiritual e místico acontecer conosco, também iremos receber uma informação ou conselho, e pronto. A partir daí vamos viver a vida por nós mesmos, tentando aproveitar a orientação recebida da melhor forma possível. Mas não é bem sobre esse tipo de Espiritualidade da Sabedoria Mística que eu desejo pensar hoje, não. Pois eu pretendo ir um pouco mais além nesta reflexão espiritual, sim. Estou falando de um encontro espiritual e místico que deve durar por algum tempo. O relacionamento precisa ocorrer por alguns dias e assim vamos permanecer em contato com o outro Espírito conforme a nossa necessidade. O objetivo de se manter na experiência mística por mais tempo é para que esse encontro tenha condições de produzir a sabedoria que precisamos. Pois não é sempre que somente uma informação ou bom princípio será suficiente pra nos ajudar a definir o melhor momento e o jeito certo de tratar uma determinada questão, certo? Há situações da vida em que precisamos de algo mais do que apenas informações e provérbios, mandamentos ou conhecimentos misteriosos pra que a gente consiga vivê-las com Sabedoria. Afinal, como já se disse por aqui: Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante da situação. Daí a questão: será que é possível alcançar essa sabedoria pra vida por meio de uma experiência espiritual mística? Bem, a primeira orientação pra participar desse relacionamento espiritual é de que precisamos comparecer nele com o nosso espírito, integralmente. Pois é preciso ser sincero e também introspectivo na hora de desenvolver esse contato místico. E o outro Ser, a pessoa somente espiritual com quem vamos nos encontrar; bem, ele precisa participar com a sua presença. E também com Sabedoria! Penso que é por aí que esse relacionamento espiritual e místico, vai ser, pra valer, um relacionamento que vai nos trazer alguma Sabedoria pra vida. Então, tá quase tudo pronto, certo? Pra desenvolver um relacionamento espiritual de Sabedoria mística precisamos achar um Ser espiritual que deseje participar da nossa vida. Alguém que deve ser Sábio, e também, que precisa estar a fim de compartilhar sua Sabedoria conosco, mortais finitos. E não se pode esquecer: este relacionamento tem que se manter por alguns dias e até semanas. Não pode ser algo de um momento só, não. Caso contrário, será mais informação. E menos Sabedoria. Se você assistiu o filme A Cabana, vai ficar mais fácil imaginar um tipo de contato espiritual desse tipo. Isso porque o relacionamento que a história desenvolve é exatamente o encontro de um ser humano junto da Pessoa de Deus - o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que tornam-se figuras humanas lá na filme. Então, agora, pense: e se este encontro fosse "somente" espiritual? E se a Pessoa de Deus Pai viesse nos encontrar somente por meio do seu Espírito, sem um corpo físico junto? Você consegue imaginar isso? Então, é disso que estou falando. Um relacionamento espiritual místico vai acontecer mais ou menos desse jeito. Tá entendendo? O Apóstolo São Tiago ensinou o que devemos fazer pra experimentar esse tipo de contato espiritual místico de Sabedoria. Olha o que ele disse: "Se vocês não souberem lidar com a situação por falta de sabedoria, orem ao (Deus) Pai. É com muita alegria que ele os ajudará! Vocês serão atendidos, e não serão ignorados quando pedirem ajuda." Ou seja, é só você iniciar a Oração do Pai Nosso, que diz: "Pai Nosso que está nos céus...". E logo depois, ao dizer: "Venha o teu reino e seja feita a tua vontade - você já pode incluir um outro pedido ali mesmo na oração, dizendo: "Eu preciso de Sabedoria para tal situação e diante de tal pessoa...". Pronto! É isso. Pois Jesus mesmo garantiu que qualquer ser humano que chamasse por Deus Pai pedindo a presença do Espírito Santo sobre si - receberia a visita desse Espírito, sim. Ao fazer esta prece por alguns dias e semanas, penso que você irá desenvolver um relacionamento espiritual e místico mais constante, algo que vai lhe trazer Sabedoria durante algum tempo. Não serão só algumas informações e conselhos. Mas, enfim, semana que vêm, continuamos. Enquanto isso, espero que você tenha uma boa experiência espiritual, e mística de Sabedoria.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

a TEOLOGIA de A CABANA, o filme. A cultura deve ser religiosa?

Assim que assisti ao filme A CABANA no cinema, fiquei sensibilizado pela representação que demonstra como é fácil aos seres humanos desenvolverem um relacionamento direto e real junto da Pessoa de Deus. Ao ver o filme pela segunda vez, me emocionei ao descobrir como as Pessoas do Deus Pai, Filho e Espírito Santo se importam conosco. Um sentimento que demonstram ao cuidar de nós sempre levando em conta quem somos, e também, o que sentimos. Foi a partir destas saudáveis experiências que decidi meditar acerca de certos questionamentos que A Cabana tem gerado, tanto para os bons, quanto para maus debates. Por isso, escrevi este texto: "a Teologia de A Cabana, o filme." Então, se você já leu o livro ou viu o filme - sigamos em frente! O tema que me parece o principal ao analisar as virtudes e defeitos do filme, enquanto uma produção da cultura popular que utiliza conteúdos religiosos em seu enredo dramático, trata exatamente da pergunta que se tornou, também, sub-título deste texto: "A cultura deve ser religiosa?" Proponho tal questão, porque: afinal de contas, será que nossa cultura deve (ou conseguirá) um dia, ser laica? Ou será que nós, os espirituais, sempre iremos correr atrás de uma cultura religiosa pra oferecer à sociedade? De certa forma, ao entender que "cultura" é tudo que o homem cria e organiza a partir do que Deus lhe destinou pra ser e fazer neste mundo. Então, dá pra concluir que tanto o Estado e a educação, como igualmente todas as artes e tudo mais que forma a sociedade, devem ser incluídos como pertencentes a este termo designado, "cultura humana", certo? Daí, eis a questão: será que nossa cultura deve ser somente religiosa? Ou, ao contrário, devemos atuar para que toda a cultura seja um dia, humanista e social, ainda que espiritual? Laica, portanto. Veja bem, caso nos seja possível organizar uma (boa) cultura religiosa, certamente iremos razoavelmente controlar o aumento progressivo (aparente) do que se considera "pecado" na sociedade. Uma realização confessional interessante, sem dúvida. Mas, seria esta, então, a melhor e mais saudável missão espiritual que as religiões tem pra edificar na sociedade dos homens? E até mais do que isto: será que a decisão por controlar a sociedade à luz da gerência da religião que domina o momento, não irá diretamente esvaziar todo bom traço saudável de espiritualidade que estas religiões pretendiam em nosso mundo propagar? Que é a própria missão essencial das religiões na história da humanidade. Até acredito que o desejo de organizar religiosamente a sociedade surja a partir de um bonito sentimento confessional, oriundo das mais puras e boas intenções dos grupos institucionais. Ao mesmo tempo, entendo que tal objetivo se desenvolve a partir de orientações recolhidas de seus textos e mandamentos... doutrinários. Mais do que a partir de seus princípios missionários... que são sua mensagem Profética, afinal. Por exemplo, pensando no contexto religioso cristão: será que o fiel deve organizar a sociedade conforme as definições doutrinárias das cartas do Apóstolo Paulo? Ou, então, ele deve oferecer sim, um bom testemunho de sua fé a partir dos mandamentos morais de Jesus? Pois a doutrina sempre existiu no objetivo de ensinar a igreja a testemunhar com fidelidade, e não para que a instituição pudesse controlar a sociedade. Uma postura confessional que propõe o governo religioso da sociedade quase sempre gera um esquecimento e desapego aos valores missionais da fé. Exatamente aqueles que um dia se pretendia anunciar e propagar através do estilo de vida. Pois somente seremos Sal e Luz - conforme se ensina no Sermão do Monte, a partir de testemunhos morais e caridosos. Jamais, a partir dos religiosos doutrinais. E desenvolvendo a reflexão, entendo que parte da dificuldade religiosa em bem conviver com produtos culturais que expõe publicamente outras visões acerca de Deus e das doutrinas. Pode originar de uma fé religiosa que, mal resolvida em seu propósito essencial de estabelecer pra si uma práxis eficaz de si mesma, busca alívio deste desconforto a partir de uma forte proteção institucional extra-muros. Ou seja, ao perceber sua fraqueza espiritual, já que não consegue dar bom testemunho do que acredita ao mundo; decide então, se reorganizar, através de um fortalecimento que ocorre pela gerência de suas regras institucionais, no mundo. Que é exatamente o projeto que decide controlar a sociedade através da religião, ao invés de nela atuar como um bálsamo espiritual, ofertando-lhe as novidades existenciais oriundas de sua fé essencial. Quando algo assim ocorre, amigos, é hora de começar de novo. De verdade. Neste aspecto, valorizo muito o filme A Cabana. Pois desenvolve quase que somente uma espiritualidade relacional - o que, no caso do Cristianismo, é o supra sumo da comunhão com Deus oferecida ao homem pela fé cristã. Enfim, dentro deste outro objetivo do texto, que é o de analisar o filme segundo o contexto da Fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, gostaria de começar pela CENA QUE TRATA do desafio que Deus Pai faz a Mack para que perdoe o assassino de sua filha. A orientação dada a Mack é no sentido de que haja o perdão para que dois objetivos sejam alcançados: ele irá tanto afrouxar a corda que aperta o pescoço do assassino, libertando-o para que siga em frente com sua jornada existencial. Como também, o perdão precisa ser dado a fim de que ele próprio, Mack, consiga livrar-se deste relacionamento enlaçado que ora o mantém preso ao assassino. E somente a atitude de perdão é que vai transformar a situação de vida em que hoje ambos se encontram. Então, além de nada perceber de anormal nesta situação dramática, é possível até algo essencial recordar com ela. Afinal, a conversa espiritual mais didática que podemos travar com Deus, oriunda dos ensinos do "Pai Nosso", efetivamente nos desafia a duas petições, que são praticamente uma só: "Perdoa-nos... Assim como nós também perdoamos." UMA segunda QUESTÃO acerca do filme trata das escolhas das raças e personalidades através das quais o autor decidiu artisticamente apresentar as três Pessoas da Trindade de Deus. Neste aspecto, parece-me que algumas escolhas são bem interessantes e viáveis, até biblicamente, como nos casos daqueles que representam Jesus e o Espírito Santo. Já a escolha para que a Pessoa de Deus Pai se fizesse representar por uma figura materna, acredito que há bom entendimento de que esta decisão do autor foi essencialmente dramática, a partir da visão de como iria desenvolver melhor o seu enredo. Não encontro qualquer relação desta escolha autoral de A Cabana, com alguns pensamentos contemporâneos que desejam modificar os sexos da Trindade no objetivo de que Deus melhor represente a diversidade sexual da humanidade. Eu até manteria o homem pai da parte final da história como a Pessoa de Deus Pai por todo o filme. Porém, reconheço que tanto o contexto dramático da história narrada, e, principalmente, a liberdade autoral que se deve dar a um contador de histórias que organiza suas próprias ilustrações e metáforas como lhe apraz. Bem, são princípios válidos de respeito aos artistas, reconhecendo até, que não há corrupções doutrinárias razoáveis no que decidiu-se realizar. Uma OUTRA CENA que merece nossa atenção é a que desenvolve o encontro do protagonista adulto, Mack (Mackenzie) com seu pai já falecido. As críticas à esta situação do filme surgem das seguintes ideias: do fato de ocorrer um encontro bi-dimensional entre o filho adulto ainda vivo em nosso mundo, junto de seu pai já falecido em nossa dimensão histórica. Algo que, ou não poderia acontecer desta forma, ou é apresentado de modo errôneo. Embora, importante lembrar, trata-se de uma situação que somente existiu a partir da presença e poder de Deus junto deles. Neste caso, sendo Deus quem é - o próprio Todo Poderoso. E respeitando, ainda, o objetivo dramático que o diretor deseja apresentar, penso que não há nada grave ou negativo neste encontro, não. Trata-se de uma reunião transcendental de seres humanos que agora existem em épocas distintas do tempo, sim, a fim de que Deus cumpra um propósito divino para com eles. Algo que já ocorreu até na bíblia, quando Deus uniu as pessoas de Moisés, Elias e Jesus. Uma outra dificuldade deste encontro entre o filho vivo e o pai morto seria uma certa afirmação, ainda que abstrata, de que a humanidade inteira vai viver junto com Deus na eternidade. Sem que se leve em conta a história de vida das pessoas, ou, eis o ponto essencial - a Fé delas em Deus. Porém, o contexto da situação é tão somente o encontro entre Mack e seu pai, nada mais do que isso. Não há nada na cena que proponha algum ensino ou doutrina que vá além disto. E acerca do fato de vermos reunidos diante de Deus todos os tipos de pessoas da humanidade, e isso em um tempo diverso que se prolonga desde a morte deles até a data do retorno de Jesus à Terra. Bem, parece-me ser esta uma realidade igualmente bíblica. A própria condição da humanidade que já morreu, de existir atualmente junto da Pessoa de Deus: ora, trata-se de uma possibilidade real a partir do anúncio dado ao criminoso na cruz, de que naquela mesma tarde de sexta-feira estaria ele com Jesus lá no paraíso. Neste sentido, penso ser possível afirmar que se trata de uma cena que pouco modifica ou acrescenta de novo ao que a própria bíblia diz, vez ou outra, acerca de situações de encontros humanos atemporais e bi-dimensionais, diante de Deus. A única novidade da cena está no ponto de vista com o qual tanto o escritor, como o diretor buscaram desenvolver o enredo da história a fim de atingir seus objetivos dramáticos. Parece-me uma questão somente cultural. UMA quarta SITUAÇÃO problemática poderia surgir do encontro entre Mack e a personagem "Sabedoria", cena em que ele aprende um pouco (bastante) a respeito do modo como Deus governa o problema do mal no mundo. Penso que tudo que ali se ensina está de acordo ao exposto nos livros sapienciais das Escrituras. Sem esquecer que a Sabedoria já foi personificada na própria bíblia, no bom propósito de oferecer uma melhor compreensão de sua Verdade enquanto a melhor orientação ao bom destino da humanidade. Até o posicionamento (ilustrativo) de Mack ao propor seu auto sacrifício a fim de que nenhum de seus filhos seja condenado ao inferno, ora, creio ser esta uma excelente metáfora acerca do que efetivamente Jesus realizou na cruz pelos homens de fé. Um ensino que praticamente vale o filme. Se quiser saber algo mais acerca das questões que envolvem cultura e espiritualidade, indico o texto deste blog: Uma boa espiritualidade para a nossa religiosidade. É isso,amigos. Bom filme!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

PÁSCOA no Cinema: A PAIXÃO de CRISTO, de Mel Gibson

Uma pergunta crucial da humanidade que o filme SILÊNCIO não consegue responder, a PAIXÃO DE CRISTO explica de maneira decisiva e surpreendente a todos que celebram a Páscoa. Se o belo e profundo filme do diretor Martin Scorsese (2016) gera angústia ao meditar porque Deus permanece calado enquanto as pessoas sofrem demais - especialmente quando nossas dores sobrevém pela mão de outros homens. O admirável filme do diretor Mel Gibson (2004) responde através de fortes experiências de condenação e morte, o quanto Deus detesta - e condena com rigor, as maldades praticadas pelos homens na história. Pois as detalhadas cenas de tortura e o cruel assassinato de Jesus de Nazaré - conforme revelados são no filme A PAIXÃO DE CRISTO, ensinam qual o tamanho do juízo com que Deus Pai processa a humanidade por termos trazido ao mundo a existencial corrupção do pecado. Afinal, a paixão é sempre um sofrimento por substituição no contexto da Páscoa - pois um cordeiro morre em lugar dos filhos escravos no Egito. E Jesus de Nazaré também morre, só que no lugar dos homens de Fé em Deus Pai. Uma realização pontual de alcance permanente na história da humanidade. Eis a razão da possível demora pra entender o quanto Deus abomina e deseja detonar a maldade dos homens deste mundo, de uma vez pra sempre. Pois fica difícil enxergar o bom juízo do Juiz quando a condenação recai sobre... um inocente, Jesus. A Páscoa é uma festa organizada no antigo Israel pelos descendentes de sangue dos escravos do Egito. Sempre foi uma celebração fundamental para eles, tanto como experiência interior, e também como uma sensação física importante aos homens de fé. Pois o povo de Israel festeja a Páscoa deixando de lado certos prazeres da vida, inclusive o recheio do pão do lanche diário, sempre no objetivo de que a pessoa que a celebra possa melhor apreender as imerecidas bondades recebidas de Deus. Pois não há quem consiga bem desenvolver sua espiritualidade, se não o fizer unindo tanto seu interior e espírito, quanto seu corpo e consciência junto da celebração que deseja partilhar. Ainda que o símbolo do ovo (com filhote de galinha dentro) aponte pra continuidade da vida, e que até mesmo o chocolate prolongue bom prazer ao corpo, quase chegando a tocar a alma. Vale a pena, sim, e nem custa tanto, praticar uma vivência mais humilde quando a celebração isto indica. E a Páscoa sempre foi um tempo oportuno pra reconhecer como Deus nos livra de alguns merecidos juízos e seus sofrimentos. Daí que um pouco de frugalidade - espiritual e corporal, não faz mal a ninguém; de verdade. A direção de Mel Gibson é excelente, digna de um filme sobre o Filho de Deus - mesmo. Algumas de suas decisões autorais e fílmicas impressionam bastante. Os idiomas originais falados por Jesus de Nazaré e os soldados romanos na Palestina do primeiro século, o aramaico e o latim, são as línguas que ouvimos sair dos lábios e corações dos atores - que atuam com grave intensidade. Algumas cenas cruciais, ou que assim se tornaram, são sensacionais em seu esplendor espiritual. A tentação de Jesus conduzida pelo demoníaco ser espiritual Satanás, simbolizado na pessoa de uma mulher pálida como se fora um zumbi, que tudo que toca suga pra si, atemoriza. A recordação de Maria que lembra Jesus em queda, ainda menino, assim que vê o Messias dos homens cair com o peso da cruz sobre si, toca e aquece até o mais frio coração e alma de qualquer dos homens. Finalmente, eis que a lágrima do próprio Deus Pai se derrama como gota cortante e amplificada dos céus junto ao corpo morto de seu único filho, Jesus. Situações reais e históricas que a obra nos permite comungar em uma sinceridade espiritual e vibrante por meio de cenas sabiamente filmadas. Jim Caviezel representa Jesus Cristo no filme e traz para esse complexo homem da história uma humanidade existencial iluminada. Pois enche de sinceridade as cenas mais triviais e comuns, e preenche de realidade algumas situações transcendentes e místicas que o Filho de Deus vivenciou junto aos homens na Terra. O doloroso olhar de Jesus, que se qualifica como um encontro com todos nós, alcança o Apóstolo Pedro em sua terceira negação do Cristo - e mais ensina do que define. Pois é um olhar carregado de dores devido ao desprezo do amigo, mas que se mantém pleno de compaixão a partir da eterna amizade entre os dois. Jesus permanece solidário, sim, até quando é atraiçoado. Coisas de Deus, afinal. A cena final que revela a maneira pela qual a morte foi outrora vencida por um homem aqui na Terra - nossa possível Ressurreição, é bonita demais. Entramos pela caverna mortuária e junto com a luz do dia observamos que os panos que envolviam o morto encontram-se, agora, largados e vazios na pedra fria do cemitério. Eis a descoberta que emociona, então, pois o mesmo homem que na sexta-feira morreu - agora no domingo, já respirando e vivo de novo está. Enfim, se há muitas coisas boas e interessantes pra se fazer nesta Páscoa - que uma delas seja, também, assistir ao filme A Paixão de Cristo. Bom cinema em casa e uma Feliz Páscoa, bastante espiritual, pra todo mundo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

a ESPIRITUALIDADE de "A CABANA", o filme

O Perdão é uma das atitudes humanas que Deus muito semeia a fim de escrever o Caminho da Verdade que traz novas oportunidades de Vida pra todos nós, hoje e daqui pra frente, até a eternidade. A CABANA, The Shack, 2017. C S Lewis criou o mito de Nárnia e J R R Tolkien o mito Senhor dos Anéis - histórias fantásticas acerca de Deus boas demais pra ser verdade. Só que são! Mas a história de A Cabana superou ambas, pois trouxe o Mito até a Vida humana - algo que Deus Pai faz todos os dias ao nos visitar através do Espírito Santo de Jesus Cristo. Eis o que torna o filme um dos melhores que já assisti com o objetivo de transpor ao cinema a transcendental experiência de vida da humanidade junto de Deus. Lewis escreveu "As Crônicas de Nárnia" e Tolkien "O Senhor dos Anéis" no propósito de invocar na alma das crianças da Inglaterra - e do mundo todo, algumas virtudes e valores espirituais eternos. Seus personagens mágicos viveram gloriosos temas cristãos fundamentais por meio de enredos fantásticos: fraternidade e humildade, sacrifício e coragem, além da eterna luta do bem e do mal. Mas, se os maravilhosos escritores britânicos deram boa vida a princípios essenciais, o escritor de A Cabana, William P Young nos oferece literatura espiritual da melhor qualidade ao introduzir não somente mandamentos, mas a própria Pessoa de Deus no coração das crianças e adultos do século 21. Eu até gostaria que Steven Spielberg ou Peter Jackson (Senhor dos Anéis) dirigissem o filme. Mas, então, o sentimentalismo e a mágica seriam de tal forma espetaculares, que quase se perderia o melhor - um encontro pessoal essencial que a obra deseja aprofundar. Neste propósito, Stuart Hazeldine acertou na direção. Embora tenha lá seus problemas: "O principal deles tem a ver com o ritmo da narrativa. Com 2h13 de duração, A Cabana em vários momentos assume um tom contemplativo de forma a construir em torno do personagem principal o conforto emocional tão procurado. Por mais que visualmente seja agradável, pelo uso de cores suaves e uma fotografia paisagística, há momentos em que a história empaca de forma impiedosa, provocando um certo cansaço." (Francisco Russo, AdoroCinema). De acordo, pois faltou criatividade técnica ao diretor para mais artística - e rapidamente apresentar a terça parte inicial do filme, o que faz com que bom número de cenas lembrem as antigas Sessões da Tarde da TV, ou algumas séries pueris de comédias familiares norte-americanas. O que nos obriga a presenciar certas situações de uma sensibilidade tão simplória que parecem tornar-se pieguice, vez ou outra - hora de perceber que o nosso coração é que anda endurecido, ou apressado, também. De qualquer forma, o filme segue adiante no seu objetivo de apresentar detalhadamente os dramas pessoais do protagonista. Só pra que depois consiga bem compartilhar conosco os desafios espirituais vivenciados por Mack junto das Pessoas do Deus único. Este, sim, o relacionamento existencial fundamental da história. Pois o melhor e mais inovador tema do filme é tornar crível um relacionamento sensível e real entre qualquer simples ser humano e o maravilhoso Deus Criador do mundo. Partilhar da atmosfera fílmica de A Cabana parece algo assim como assistir a um filme religioso. Mas, não se deixe enganar, o objetivo é proporcionar uma experiência mística, quase fantástica, só pra descobrir um pouco melhor como é conviver com Deus nos dias atuais da nossa existência. A própria Pessoa de Deus é bastante presente no filme, todas as três. E as conversas com Ele que tratam de questões importantes da humanidade sempre dão bom esclarecimento às dúvidas da alma e da vida da gente. As Pessoas da Trindade do Deus Bíblico, Pai, Filho e Espírito Santo; são bem definidas em suas personalidades sentimentais e na maneira como co-existem entre si, e junto conosco. Destaque para as cenas que nos fazem reconhecer, e surpreender com algumas das melhores revelações da individualidade pessoal e da unidade particular do Deus da Trindade; desde que alguém já resolveu afirmar essa doutrina bíblica na história dos homens. De muito bom gosto e quase a se tornar uma revelação cultural é o modo como o enredo apresenta, primeiro, Jesus - existencialmente próximo de nós, pois um ser humano se fez. Logo depois, o Espírito Santo - extremamente sensível, pois pleno de sensações acerca de quem realmente somos. E finalmente, Deus Pai, o sábio e amoroso Soberano que a tudo e a todos governa, sempre. A importância da Espiritualidade da humanidade salta aos olhos enquanto partilhamos das cenas místicas do filme, pois, afinal, algo místico é simplesmente alguma coisa que não é só física, ou que não pertence apenas a este mundo. Todas as pessoas tem um espírito, além do corpo físico, e desse modo existimos em nosso planeta. Somente quando descobrirmos o espírito que há em nós, iremos enxergar a realidade dos outros seres e dimensões que compõe a estrutura da vida dos seres humanos. Pois assim somos influenciados e nos relacionamos com boa parte do muito que nos cerca. Uma verdade mística essencial que se faz realidade de maneira bastante natural através do filme, tornando-a uma experiência cotidiana habitual para todos nós. Nota máxima para A Cabana, aqui. Pois o aspecto espiritual de nossa existência tem sido negligenciado há séculos, como se os tempos atuais fossem ainda a Idade das trevas, em que o medo do místico nos tornou reféns da ignorância, que, certamente, jamais será uma verdade que liberta. Neste sentido, o valor extra dado à transcendência da vida dos homens na "Cabana" é um grito que procura devolver ao Deus bíblico o que lhe é devido, conforme bem atestam seus profetas. Pois muito do mistério das dimensões espirituais da vida humana junto com Deus - esquecidos ou surrupiados no tempo por outras ideias e filosofias, são recuperados pelo filme como temas básicos do Evangelho bíblico de Jesus Cristo. Segue a indicação do filme do blog AdoroCinema: "A Cabana também ganha pontos consideráveis na comparação com outros filmes também feitos para louvar, no sentido de não ser ofensivo e maniqueísta perante o espectador. Se é nítido o objetivo de apresentar preceitos religiosos, estes são inseridos na narrativa de forma orgânica e sem a obrigação prévia de aceitá-los. Acima de tudo, trata-se de um filme sobre a fé, sem julgar descrentes nem manipular informações de forma a conquistar adeptos. Ou seja, trata-se de um filme honesto, dentro do que se propõe a ser." (Francisco Russo) Uma das mais belas cenas teológicas do filme apresenta em poucos segundos a maneira pela qual a Paixão de Cristo ocorrida na Páscoa - o sofrimento de Jesus pela humanidade, foi uma morte que não apenas separou o Filho do Pai. Mas, juntamente com isso, tornou-se uma enorme dor que foi por ambos compartilhada. E a pequena duração da situação aponta para o que realmente importa no simbolismo artístico - a dor que Pai e Filho juntos carregam em razão do pecado da humanidade. Acredite, não há interesses doutrinários maiores ou estranhos com que se preocupar. Segue do Apóstolo São Paulo uma das boas sensações que deveríamos guardar após participar de um contato pessoal com o Deus do Universo: "Se alguém pensa que sabe tudo sobre algo, ainda não aprendeu como deveria. Mas quem ama a Deus é conhecido por ele." Enquanto meditação extra acerca das tragédias humanas e Deus, indico a leitura neste mesmo blog, dos textos: - Espiritualidade 2017: Deus é mesmo bão, Sebastião?; e, - Espiritualidade no Cinema, SILÊNCIO, de Martin Scorsese. E bom(s) filme(s) pra você.