quinta-feira, 23 de novembro de 2017

a Espiritualidade do DIA de AÇÃO de GRAÇAS

Não há feriado mais brasileiro do que o Dia de Ação de Graças - embora poucos cidadãos tupiniquins festejem esta celebração reconhecida mundialmente. Mas o feriado é bastante nosso, sim, pois não há outro povo neste mundo que tanto diga: "Graças a Deus!", como os milhões de brasileiros que neste país lutam pra viver a (boa) vida que Deus nos dá! Ao mesmo tempo, cenas de filmes norte-americanos e a mídia em geral continuam anunciando o famoso "Thanksgiving Day", principalmente nesta quarta quinta-feira do mês de novembro, data em que a festa é celebrada nos Estados Unidos da América. Quê é o feriado mais importante deles desde sempre, pois viajam grandes distâncias pra comemorar com os parentes a "ceia do peru", lembrou? Pois é, tudo começou em 1621 na localidade de Plymouth, Massachusetts, assim que peregrinos cristãos fundadores da vila e povos indígenas da região se reuniram pra agradecer a boa colheira daquele ano. E a partir dali se organizou a cada outono uma festa de Gratidão a Deus pelo alimento e pela vida, e o resto é história, pois Abraham Lincoln definiu a data como feriado nacional americano em 1863 e até o nosso Brasil a instituiu como Dia Nacional de Ação de Graças através de lei em 1966. E as pessoas espirituais tem muito a ver com esta data, sim, pois reconhecem que a vida é muito mais do que o acaso e também buscam, pra saber mesmo, a razão da continuidade da vida natural sobrenatural de quase todo mundo que respira vivendo neste planeta. E todo cidadão brasileiro que diz "Graças a Deus", também evoca uma frase religiosa e cultural que, no final (início) das contas, aponta para nossa origem e futuro, por que não? Pois é uma expressão que afirma e deseja recordar esta essencial realidade da humanidade - a de que não estamos sozinhos no universo, e de que não fomos criados ou permanecemos vivos, somente a partir de nossos próprios esforços. Eis porque dizer "Graças a Deus", significa lembrar ao nosso próprio coração que há um Ser Pessoal e Superior no Universo, que tanto olha para nós como - necessariamente, também cuida da gente! E o sol e a chuva que diariamente são derramados sobre o mundo continuam afirmando esta (espiritual) realidade, especialmente aqui em Curitiba. Enfim, e como bons brasileiros, vale dar um passo adiante nesta espécie de reconhecimento agradecido diante de Deus, um sentimento que (às vezes) se encontra um pouco distante de nossos corações. Pois, afinal, se os próprios "céus celebram a glória de Deus e suas obras de arte estão expostas no horizonte", por que eu e você não podemos separar um dia pra bem celebrar nossa subsistência dada por Deus, em gratidão? Mas dá pra ir mais longe, de verdade, pois como bem pensou o teólogo e filósofo Ariovaldo Ramos, assim que Deus criou o mundo, Ele também realizou tudo que há e existe "através de Jesus Cristo". E o motivo é muito simples: a razão é para que no momento em que a humanidade viesse a se afastar de Deus, tudo não se arruinasse assim, de repente, num só piscar de olhos. Pois, afinal, como poderiam os seres humanos ainda continuar existindo, assim que distantes da presença do Pai Espiritual que a tudo criou e hoje sustenta? Foi pensando nisso que Deus já criou "tudo" em Jesus, exatamente para que o perdão do Messias sacrificado pudesse alcançar o planeta e manter vivos todo mundo que aqui reside e suspira. Brincadeira, não! Trata-se da bonita e bendita "Graça Comum" de Deus que a todos abençoa e faz viver, mesmo quando nem nos damos conta de quem somos - e principalmente, de quem Deus é! Eis um bom motivo pra separar algum tempo e até uma refeição para com (boa) parte do mundo agradecer ao Deus criador e sustentador do mundo e da vida, aqui, lá e em todo lugar. Feliz Dia de Ação de Graças!

domingo, 5 de novembro de 2017

a Espiritualidade da CULTURA, no Cinema: JOÃO, o MAESTRO. A vida de João Carlos Martins

João, o Maestro (Brasil, 2017), do diretor Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny e Tim Maia), é um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos. Uma cinebiografia comparável a de Ray Charles (RAY, 2004, de Taylor Hackford), o que até deveria levar nosso pianista a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro, mas... A Espiritualidade do filme é uma reflexão que surge a partir da incrível paixão e disciplina com que João Carlos se dedica à música, o que faz surgir a ideia de que ele é "dominado" ou possuído de um jeito incomum e sobrenatural, como se diz. Mas, não acredite nisto tão rapidamente, assim. Pois há espiritualidades que orientam uma relação diferente entre a cultura e o espírito do homem, pois as artes encontram valor e guarida tanto no catolicismo filosófico, e ainda no islamismo milenar e no protestantismo calvinista, sim senhor. De tal forma que o impulso genioso e a atitude passional do artista não indicam que seu espírito sofreu alguma visitação ou capacitação estranha à natureza humana de todos nós, de jeito nenhum. Pois lá nas Escrituras do início da história de quase todo mundo (Gênesis), sabe-se que assim que Deus nos criou, Ele também nos preencheu com dons e talentos diversos, como das artes, propiciando aos homens mover boa cultura na sociedade da gente. Portanto, a celebração da qualidade e genialidade musicais do Maestro João Carlos Martins é um potencial que se reconhece como natural da personalidade espiritual da humanidade - sem que seja necessário uma visita externa movida a "energias" ou espíritos outros pra realizar tão bela arte que até nossas almas faz vibrar. A Reforma Protestante, por exemplo, que completa 500 anos agora em outubro de 2017, deu vazão aos princípios religiosos reformados do teólogo João Calvino, os quais apregoam que a humanidade carrega consigo dons benditos e necessários à boa vivência de todos nós, e que não devem ser desprezados, jamais. Pois Deus criou o espírito humano com a condição e o desejo para edificar uma diversa e talentosa cultura, que inclui tanto as artes como a economia, as ciências exatas e a literatura, sem perder de vista a própria organização do estado e a democracia. E por aí vai, e segue adiante, o nosso espírito humano, gente. Ou seja, há uma bênção divina comum sobre todos (assim como o sol e a chuva), que continua sendo derramada por Deus sobre a humanidade em sociedade, e que precisa (deve) ser bem utilizada para o enriquecimento e satisfação da existência humana - pois nosso espírito anseia pela cultura e se alegra na sua realização. Daí que tanto o filme do diretor Mauro Lima, quanto, especialmente, a música do Maestro João Carlos Martins, são exemplos artísticos que tanto tocam, quanto originam do espírito interior do homem. Uma constatação espiritual saudável e necessária a todos que desejam comunicar e receber através das artes algumas das sensações que expressam a complexa e sensível existência de todos nós. E não se pode esquecer das emocionadas atuações dos atores que dão vida ao jovem e adulto Maestro João - Rodrigo Pandolfo e Alexandre Nero, que sob uma talentosa direção artística e debaixo de uma orientação musical incomum, tornaram reais aos espectadores do cinema a grandiloquência e a paixão do talento de João, este sensacional Maestro brasileiro. Bom filme (música) pra todos!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

a Espiritualidade do MILAGRE de Blade Runner 2049: FELIZ NATAL!

ALERTA de Spoiler! Alerta de SPOILER! Revelações do enredo de Blade Runner a caminho... Se você ainda não assistiu a BLADE RUNNER 2049, então, não continue lendo este texto... (mas já pode ler neste mesmo blog: a Espiritualidade no cinema: Sou gente, logo existo! Blade Runner 2049). Ufa. E agora, sigamos adiante com a Espiritualidade do Milagre de Blade Runner 2049. O maior acontecimento do maravilhoso filme do diretor Dennis Villeneuve está na incrível similaridade entre seu drama essencial e o drama universal da vinda até este mundo de Jesus de Nazaré. Pois o milagre de Blade Runner 2049 é nada mais, nada menos, que a ocorrência no mundo de um "nascimento" espetacular. Sim, isto mesmo. Falo aqui do nascimento da filha de Deckard (Harrison Ford) e Rachael (Sean Young), casal protagonista de Blade Runner, o caçador de andróides (1982), pois até então, os replicantes eram "seres" somente criados - jamais nascidos. Eis o interessante enredo que vêm à tona de modo surpreendente nesta sensacional continuação "Blade Runner", que tem Ryan Gosling como o protagonista Joe, o agente K. O nascimento milagroso da filha do casal vai tornar os Replicantes uma nova espécie, algo que os fará capazes de experimentar o que apenas os humanos conseguiam vivenciar, até então. Promessa futura que se torna uma realidade presente para os replicantes assim que conseguem "sentir" desde já as mais verdadeiras experiências humanas da infância da filha de Deckard e Young. Pois a Dra. Anna tornou-se a melhor "criadora" de memórias disponibilizadas às personalidades replicantes, tudo para que eles possam reagir adequadamente às diversas situações relacionais que terão junto dos humanos. E o que acontece a partir daí é que as memórias compartilhadas da infância da Dra. Anna tornar-se-ão um vislumbre das melhores experiências de vida que os replicantes irão começar a sonhar viver por si próprios um dia, pra valer. Tá entendendo? Loucura maior, é pouco. Ou será somente, sabedoria? Pois além de oferecer aos replicantes que nascerão no futuro, o seu próprio gene de um ser nascido para que eles consigam realmente existir como gente, um dia. O que Dra. Anna já proporciona aos replicantes desde agora são suas sinceras memórias infantis, as quais irão motivar esperançosamente os melhores anseios existenciais "replicantes" para o (bom) futuro que lhes aguarda. Eis a bela oportunidade vivencial "humano-replicante" compartilhada que é uma experiência existencial bastante próxima daquela que é igualmente oferecida pelo próprio nascimento de... Jesus, povo bom. Pois Jesus Cristo também nasceu como homem por aqui - exatamente para internalizar na espécie humana um estilo de vida lá dos céus. Ele veio trazer a este mundo e época as "memórias" da vida que sempre experimentou por lá, junto com Deus Pai. Uma realidade existencial relacional que a humanidade um dia já teve com a Pessoa de Deus, mas que foi (bem) perdida - há muito tempo atrás. Só que agora, Jesus está trazendo de volta! Eis a razão pela qual, da mesma forma que os "replicantes" se alegram nas memórias de infância (que nunca tiveram) da Dra. Anna, como se fossem as suas. De um jeito próximo, a humanidade olha para Jesus e se surpreende com as atitudes e palavras do seu jeito de "ser": experiências de vida que não conseguimos vivenciar por nós mesmos, jamais! E agora, José? Bem, acontece que uma das (boas) noticias do Evangelho de Jesus é exatamente a de que os homens irão receber o seu Espírito para experimentarem a vida da maneira como Ele a viveu! Quê é a mesma esperança que os replicantes de Blade Runner 2049 tem de se tornarem uma nova espécie existencial a partir da herança genético-robótica que Dra. Anna está lhes doando. É isso! Eis uma parábola existencial que esclarece (bastante) a realidade do que Jesus realiza em qualquer um que pretende espiritualmente recomeçar sua história - nascendo da água e do espírito, como se diz. Feliz Natal!

domingo, 29 de outubro de 2017

a ESPIRITUALIDADE do Dia 31 de Outubro de 1517

Certa vez Jesus de Nazaré contou a história de uma viúva que mesmo desprezada por um juiz do lugarejo em que vivia, permanecia pedindo pela sua causa, dia e noite - sem cessar. O ensino da história é que devemos perseverar em busca do que necessitamos e almejamos conquistar, espiritualmente. Só que a essência religiosa desta história é outra: seu tema espiritual é a Fé! Pois as conquistas espirituais pela Fé exigem que sejamos dependentes ao buscar aquilo que não conseguimos realizar por nós mesmos - no caso, somente o juiz poderia julgar a causa da viúva, e somente Deus pode abençoar sobrenaturalmente a nossa vida. A partir daí, a viúva podia dar um jeito de "resolver" a causa por ela mesma - no esforço humano, ou então, deveria continuar pedindo, aguardando assim que o juiz fizesse o que somente ele poderia fazer. Eis um desafio religioso constante da humanidade, que nos convoca pra decidir se iremos alcançar "bênçãos" de Deus pelo nosso próprio esforço, ou então, através de práticas piedosas que desenvolvem a nossa fé junto com Deus. Um assunto que já causou (muitas) boas discussões na história, acredite. Uma delas ocorreu há exatos 500 anos atrás, no dia 31 de outubro, assim que Martinho Lutero deu início às reflexões que motivaram a Reforma Protestante do Cristianismo, a partir da Alemanha. E como acontece muitas vezes na história, as transformações sociais movidas pelo Protestantismo iniciaram a partir de um despertamento interior lá no espírito do homem, assim que ele enxerga na própria alma as angústias que ali residem. E pode-se dizer que foi esta busca existencial que transformou a vida de Lutero dali pra frente, pois "ser" monge tornou-se a sua primeira opção para conseguir fugir de qualquer repentina condenação espiritual, tá entendendo? Isto porque a mais piedosa espiritualidade cristã alemã da época ensinava que somente depois de praticar boas atitudes religiosas é que o homem receberia um retorno favorável de Deus - uma doutrina que prometia livrar os homens do juízo de Deus, salvando suas vidas na eternidade. E foi por aí que Lutero tornou-se um dos mais disciplinados monges de seu tempo. Só que a alma, essa desgraçada, bem, permanecia amargurada. E bastante assustada diante de Deus e da morte que diariamente continuava levando consigo a humanidade. Lutero decidiu estudar profundamente a disciplina de Teologia na Universidade de Wittenberg a partir de 1512. Buscava acalmar e dar direção a seus dilemas espirituais, o que o fez tornar-se primeiro, um aprendiz de Agostinho de Hipona - e o resultado foi que a Bíblia se transformou na sua primeira e principal fonte de conhecimento acerca de Deus. E "dentro" da Bíblia, Lutero foi um discípulo de São Paulo - algo que o fez conhecer um projeto "religioso" único na história da humanidade, a partir dos ensinos da "justificação pela fé" da Carta aos Romanos 3.21-22: "Agora, porém, conforme prometido na lei de Moisés e nos profetas, Deus nos mostrou como somos declarados justos diante dele sem as exigências da lei: somos declarados justos diante de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, e isso se aplica a todos que creem...". Eis o "caminho" que Martinho Lutero percorreu para tornar-se um homem "justo" com Deus, capaz de andar lado a lado com Ele. E foi desafiado a parar de buscar um contato com Deus baseado nas suas melhores obediências religiosas, para - bem ao contrário disso, ir logo direto encontrar a própria Pessoa Espiritual de Deus pela fé em Jesus Cristo! As boas obras viriam somente depois, como uma consequência dele ter encontrado Deus por primeiro - o que lhe tornaria capaz de renovar toda a sua maneira de viver a partir dali. Eis a razão porque este projeto de religião (religação) do relacionamento entre os homens e Deus através da Pessoa de Jesus Cristo, chama-se, então: Cristianismo! Veja que no Cristianismo o medo do julgamento de Deus recair sobre nossas almas por causa dos pecados é superado pela promessa do amor de Deus que perdoa - e por isso mesmo nos acolhe mesmo sendo pecadores, conforme bem ensina Jesus. Uma das mais transformadoras boas notícias (evangelho) da história dos homens, pois ao invés de prometer bênçãos como um resultado final do esforço humano do cidadão, oferece a oportunidade divina e graciosa de que a pessoa vivencie sua vida desde logo junto com Deus, a partir da fé do fiel. Pois os cristãos são salvos pela fé, como se diz. Bem, a partir daí, o resto é história... Mas uma história que continua incomodando - especialmente aos cristãos, pois desde sempre a obediência doutrinária baseada numa moralidade interessante e atividades religiosas dedicadas assume o governo da vida do fiel, que pena. Mas também é possível iniciar cada dia "em espírito e verdade" (falando de mim mesmo com sinceridade) diante de Deus, só pra pedir e suplicar, orar e rezar... o Pai Nosso de cada dia! Pois somente assim iremos "pedir" com fé, pra logo depois aprender a andar (e esperar) junto com Deus enquanto Ele realiza e movimenta bênçãos na nossa história. Por que não? Mas o dia 31 de Outubro de 1517 ficou marcado como aquele em que graves anseios espirituais iniciaram grandiosas mudanças existenciais na história da humanidade. Pois uma espiritualidade saudável requer ser assim mesmo, sempre reformando a realidade de todos nós. E quando vier, que venha sempre com Amor a Deus, e Amor ao próximo - pois destes dois mandamentos depende toda a Lei de Deus.

a Espiritualidade da Reforma PROTESTANTE, no cinema: LUTERO

Há exatos 500 anos atrás um monge da Igreja Católica ficou mais preocupado com o espírito do homem do que com a instituição religiosa dos homens. Assim que suas propostas de renovação foram rejeitadas, um grupo de fiéis "protestou" - evento que deu nome à Reforma Protestante do Cristianismo, no século 16. O filme LUTERO (Luther, 2003: Alemanha/Estados Unidos) condensa de forma objetiva tanto o drama espiritual do homem Lutero, quanto os debates doutrinários e suas consequências sociais, políticas e religiosas ocorridas à época. Pois o Cristianismo se organizou em Três movimentos religiosos espirituais através da História desde a vinda de Jesus Cristo ao mundo: a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Ortodoxa Oriental (1054), e a Igreja Protestante - que surgiu em outubro de 1517, sob a liderança de um monge agostiniano e professor de teologia, o alemão Martinho Lutero. O filme tem uma produção qualificada conforme requer a realização de um bom drama histórico, apoiado em interpretações consistentes e uma eficiente direção junto da marcante presença de Peter Ustinov em seu último filme. Já o protagonista Lutero surge de forma autêntica na atuação de Joseph Fiennes, que representa de forma impactante a personalidade do líder da reforma do Cristianismo. Uma presença personalista que comprova que até mesmo contextos históricos "prontos" para serem transformados, requerem lideranças humanas enquanto agentes de renovação da situação vigente. Afinal, as visões de mundo da Idade Média somente foram sobrepujadas pelo Renascimento assim que alguns homens assumiram o encargo de conduzir as mudanças necessárias que o novo horizonte lhes apontava. E como acontece muitas vezes na história, as transformações culturais da Reforma Protestante iniciaram em razão de um despertamento interior lá no espírito do homem, assim que ele enxerga na própria alma os vazios e angústias que ali residem. Pois foi vivenciando reais incertezas existenciais que Lutero atemorizou-se diante de Deus assim que um raio caiu bem perto dele, na exata época em que iniciava seus estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Situação que o fez meditar na realidade da morte e da condenação ao inferno do juízo de Deus, numa experiência tão grave que resultou num voto religioso pela decisão de tornar-se um monge. Pois cada homem age espiritualmente dentro de seu conhecimento e segundo a cultura de seu tempo. Daí a importância de buscarmos um melhor entendimento das verdades espirituais da humanidade para oferecer respostas benditas à nossa alma em ocasiões oportunas. E pode-se dizer que foi esta busca existencial que transformou a vida de Martinho Lutero dali em diante, pois "viver" como um monge tornou-se a primeira opção para fugir da condenação espiritual, tá entendendo? Isto porque a mais piedosa espiritualidade alemã cristã da época ensinava que somente depois de praticar boas atitudes morais é que o homem receberia um retorno favorável de Deus - sendo este, então, um dos tantos projetos religiosos que prometiam livrar os homens do juízo divino para bem salvar as suas vidas, na eternidade. E foi assim que Lutero se tornou um dos mais disciplinados monges de seu tempo. Só que a alma, essa desgraçada, bem, continuava amargurada; e bastante assustada diante de Deus e da morte que continuava levando consigo a humanidade. Foi em meio a tais aflições e ansiedades espirituais que Lutero decidiu por dedicar-se mais profundamente aos estudos teológicos na Universidade de Wittenberg a partir de 1512. Buscava acalmar e dar direção a seus dilemas espirituais, o que o fez tornar-se primeiro um aprendiz de Agostinho de Hipona - e o resultado foi que a Bíblia se transformou na sua primeira e principal fonte de conhecimento acerca de Deus. E "dentro" da Bíblia, Lutero fez-se discípulo de São Paulo - algo que o levou diretamente para um encontro com a própria Pessoa Espiritual do Deus do Universo, a partir dos ensinos da "justificação pela fé" da Carta aos Romanos 3.21-22: "Agora, porém, conforme prometido na lei de Moisés e nos profetas, Deus nos mostrou como somos declarados justos diante dele sem as exigências da lei: somos declarados justos diante de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, e isso se aplica a todos que creem...". É por aí mesmo, meu amigo! Lutero foi desafiado a parar de procurar um contato com Deus baseado nas suas melhores obediências religiosas, para - bem ao contrário disso, ir logo direto encontrar Deus Pai em Pessoa pela fé através de Jesus Cristo! As boas obras viriam somente depois, como uma consequência dele ter experimentado aquele encontro inicial com Deus - o que lhe permitiria renovar toda a maneira de viver a partir dali. Eis a razão porque este projeto de religião (religação de relacionamento) com o próprio Deus através da Pessoa de Jesus Cristo, chama-se, então: Cristianismo! Veja que no Cristianismo o medo do julgamento de Deus sobre a alma humana por causa dos pecados dos homens é superado pela promessa do amor de Deus que perdoa - e acolhe os homens pecadores, conforme ensinado pelo Evangelho (Boas Novas) de Jesus. Uma das mensagens espirituais mais transformadoras da história da humanidade, pois ao invés de prometer bênçãos divinas como um resultado do esforço humano, oferece uma vida junto de Deus como uma graça a partir da fé do fiel. Bem, a partir daí, o resto é história... Mas a espiritualidade da humanidade e a organização da religiosidade de quase todo mundo seguem adiante através de boas cenas da produção, sim. Martinho Lutero vai praticar o importante princípio espiritual de que se deve adorar a Deus "em espírito e em verdade", pois irá negar-se a afirmar qualquer doutrina que sua espiritualidade racional o oriente a discordar. Também irá promover a tradução dos livros da Bíblia do latim para o alemão no bom objetivo espiritual de que o povo germânico mais comum consiga aprender por si próprio o caminho, a verdade e a vida de Deus conforme os ensinos e as palavras do próprio Jesus Cristo. E um bom número de situações sociais e políticas iniciadas à época da Reforma Protestante de Outubro de 1517 igualmente estão no filme, revelando as boas e más atitudes que movem os homens em tempos de renovação da sociedade a partir dos anseios do espirito. Pois uma espiritualidade saudável requer ser assim mesmo, sempre renovando a realidade de todos nós. E quando vier, que venha com Amor a Deus, e Amor ao próximo - pois destes dois mandamentos depende toda a Lei de Deus. Bom filme.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

a ESPIRITUALIDADE do Dia 31 de OUTUBRO de 1517

Certa vez Jesus de Nazaré contou a história de uma viúva que mesmo desprezada por um juiz do lugarejo em que vivia, permanecia pedindo pela sua causa, dia e noite - sem cessar. O ensino da história é que devemos perseverar, sem desanimar, em busca do que necessitamos e almejamos conquistar, espiritualmente. Só que a essência religiosa desta história é outra: seu tema espiritual é a Fé! Pois as conquistas espirituais pela Fé exigem que sejamos dependentes e dedicados a buscar aquilo que não conseguimos fazer por nós mesmos - no caso, somente o juiz poderia julgar a causa da viúva, e somente Deus pode abençoar sobrenaturalmente a nossa vida. A partir disso, a viúva podia dar um jeito de "resolver" a causa por ela mesma - no esforço humano, ou então, deveria continuar pedindo (em fé), aguardando que o juiz fizesse o que somente ele poderia fazer. Eis um desafio religioso diário da humanidade, que nos convoca pra decidir se iremos alcançar "bênçãos" de Deus pelo nosso próprio esforço, ou então, através de práticas piedosas que desenvolvem nossa fé junto de Deus. Um assunto que já causou (muitas) boas discussões na história, acredite. Uma delas ocorreu há exatos 500 anos atrás, no dia 31 de outubro, assim que Martinho Lutero iniciou a Reforma Protestante do Cristianismo, na Alemanha. E sua atuação personalista comprova que até mesmo contextos históricos "prontos" para serem transformados, requerem lideranças humanas enquanto agentes de sua renovação. E como acontece muitas vezes na história, as transformações sociais movidas pela Reforma Protestante iniciaram a partir de um despertamento interior lá no espírito do homem, assim que ele enxerga na própria alma as angústias que ali residem. Pois foi em meio a reais incertezas existenciais que Lutero atemorizou-se diante de Deus assim que um raio caiu bem perto dele, na mesma época em que iniciava estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Uma experiência que o fez enxergar a proximidade da morte e condenação ao inferno do juízo de Deus, e que resultou num voto religioso para tornar-se monge. Pois cada homem age espiritualmente dentro de seu conhecimento e segundo a cultura de seu tempo. Daí a importância de buscarmos um bom entendimento das verdades espirituais da humanidade para oferecer respostas benditas à nossa alma em ocasiões oportunas. E pode-se dizer que foi esta busca existencial que transformou a vida de Lutero dali pra frente, pois "ser" monge tornou-se a sua primeira opção para conseguir fugir de qualquer repentina condenação espiritual, tá entendendo? Isto porque a mais piedosa espiritualidade cristã alemã da época ensinava que somente depois de praticar boas atitudes religiosas é que o homem receberia um retorno favorável de Deus - sendo este, então, um dos diversos projetos doutrinários que prometiam livrar os homens do juízo divino, salvando suas vidas na eternidade. E foi por aí que Lutero tornou-se um dos mais disciplinados monges de seu tempo. Só que a alma, essa desgraçada, bem, permanecia amargurada. E bastante assustada diante de Deus e da morte que diariamente continuava levando consigo a humanidade. Lutero decidiu estudar profundamente a disciplina de Teologia na Universidade de Wittenberg a partir de 1512. Buscava acalmar e dar direção a seus dilemas espirituais, o que o fez tornar-se primeiro, um aprendiz de Agostinho de Hipona - e o resultado foi que a Bíblia se transformou na sua primeira e principal fonte de conhecimento acerca de Deus. E "dentro" da Bíblia, Lutero foi um discípulo de São Paulo - algo que o fez conhecer um projeto "religioso" único na história da humanidade, a partir dos ensinos da "justificação pela fé" da Carta aos Romanos 3.21-22: "Agora, porém, conforme prometido na lei de Moisés e nos profetas, Deus nos mostrou como somos declarados justos diante dele sem as exigências da lei: somos declarados justos diante de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, e isso se aplica a todos que creem...". Eis o "caminho" que Martinho Lutero percorreu para tornar-se um homem "justo" com Deus, capaz de andar lado a lado com Ele. E foi desafiado a parar de buscar um contato com Deus baseado nas suas melhores obediências religiosas, para - bem ao contrário disso, ir logo direto encontrar a própria Pessoa Espiritual de Deus pela fé em Jesus Cristo! As boas obras viriam somente depois, como uma consequência dele ter encontrado Deus por primeiro - o que lhe tornaria capaz de renovar toda a sua maneira de viver a partir dali. Eis a razão porque este projeto de religião (religação) do relacionamento entre os homens e Deus Pai através da Pessoa de Jesus Cristo, chama-se, então: Cristianismo! Veja que no Cristianismo o medo do julgamento de Deus recair sobre a alma humana por causa dos pecados dos homens é superado pela promessa do amor de Deus que perdoa - e por isso mesmo acolhe os homens pecadores, conforme os ensinos de Jesus. Uma das mais transformadoras boas notícias (evangelho) da história dos homens, pois ao invés de prometer bênçãos como um resultado final do esforço humano do cidadão, oferece a oportunidade de que a pessoa vivencie sua vida desde logo junto com Deus, a partir de uma graciosa oferta divina segundo a fé do fiel. Pois os cristãos são salvos pela fé, como se diz. Bem, a partir daí, o resto é história... Mas uma história que continua incomodando - especialmente aos cristãos, pois desde sempre a obediência doutrinária baseada numa moralidade interessante e atividades religiosas dedicadas assume o governo da vida do fiel, que pena. Mas também é possível iniciar cada dia "em espírito e verdade" (falando de mim mesmo com sinceridade) diante de Deus, só pra pedir e suplicar, orar e rezar... o Pai Nosso de cada dia! Pois somente assim iremos "pedir" com fé, pra logo depois aprender a (esperar) e andar junto com Deus enquanto Ele realiza e move bênçãos na nossa história. Por que não? Mas o dia 31 de Outubro de 1517 ficou marcado como aquele em que graves anseios espirituais iniciaram grandiosas mudanças existenciais na história da humanidade. Pois uma espiritualidade saudável requer ser assim mesmo, sempre reformando a realidade de todos nós. E quando vier, que venha sempre com Amor a Deus, e Amor ao próximo - pois destes dois mandamentos depende toda a Lei de Deus.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

a Espiritualidade da Reforma Protestante, no Cinema: LUTERO.

Há exatos 500 anos atrás um monge da Igreja Católica ficou mais preocupado com o espírito do homem do que com a instituição religiosa dos homens. Assim que suas propostas de renovação foram rejeitadas, um grupo de fiéis "protestou" - evento que deu nome à Reforma Protestante do Cristianismo, no século 16. O filme LUTERO (Luther, 2003: Alemanha/Estados Unidos) condensa de forma objetiva tanto o drama espiritual do homem Lutero, quanto os debates doutrinários e suas consequências sociais, políticas e religiosas ocorridas à época. Pois o Cristianismo se organizou em Três movimentos religiosos espirituais através da História desde a vinda de Jesus Cristo ao mundo: a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Ortodoxa Oriental (1054), e a Igreja Protestante - que surgiu em outubro de 1517, sob a liderança de um monge agostiniano e professor de teologia, o alemão Martinho Lutero. O filme tem uma produção qualificada conforme requer a realização de um bom drama histórico, apoiado em interpretações consistentes e uma eficiente direção junto da marcante presença de Peter Ustinov em seu último filme. Já o protagonista Lutero surge de forma autêntica na atuação de Joseph Fiennes, que representa de forma impactante a personalidade do líder da reforma do Cristianismo. Uma presença personalista que comprova que até mesmo contextos históricos "prontos" para serem transformados, requerem lideranças humanas enquanto agentes de renovação da situação vigente. Afinal, as visões de mundo da Idade Média somente foram sobrepujadas pelo Renascimento assim que alguns homens assumiram o encargo de conduzir as mudanças necessárias que o novo horizonte lhes apontava. E como acontece muitas vezes na história, as transformações culturais da Reforma Protestante iniciaram em razão de um despertamento interior lá no espírito do homem, assim que ele enxerga na própria alma os vazios e angústias que ali residem. Pois foi vivenciando reais incertezas existenciais que Lutero atemorizou-se diante de Deus assim que um raio caiu bem perto dele, na exata época em que iniciava seus estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Situação que o fez meditar na realidade da morte e da condenação ao inferno do juízo de Deus, numa experiência tão grave que resultou num voto religioso pela decisão de tornar-se um monge. Pois cada homem age espiritualmente dentro de seu conhecimento e segundo a cultura de seu tempo. Daí a importância de buscarmos um melhor entendimento das verdades espirituais da humanidade para oferecer respostas benditas à nossa alma em ocasiões oportunas. E pode-se dizer que foi esta busca existencial que transformou a vida de Martinho Lutero dali em diante, pois "viver" como um monge tornou-se a primeira opção para fugir da condenação espiritual, tá entendendo? Isto porque a mais piedosa espiritualidade alemã cristã da época ensinava que somente depois de praticar boas atitudes morais é que o homem receberia um retorno favorável de Deus - sendo este, então, um dos tantos projetos religiosos que prometiam livrar os homens do juízo divino para bem salvar as suas vidas, na eternidade. E foi assim que Lutero se tornou um dos mais disciplinados monges de seu tempo. Só que a alma, essa desgraçada, bem, continuava amargurada; e bastante assustada diante de Deus e da morte que continuava levando consigo a humanidade. Foi em meio a tais aflições e ansiedades espirituais que Lutero decidiu por dedicar-se mais profundamente aos estudos teológicos na Universidade de Wittenberg a partir de 1512. Buscava acalmar e dar direção a seus dilemas espirituais, o que o fez tornar-se primeiro um aprendiz de Agostinho de Hipona - e o resultado foi que a Bíblia se transformou na sua primeira e principal fonte de conhecimento acerca de Deus. E "dentro" da Bíblia, Lutero fez-se discípulo de São Paulo - algo que o levou diretamente para um encontro com a própria Pessoa Espiritual do Deus do Universo, a partir dos ensinos da "justificação pela fé" da Carta aos Romanos 3.21-22: "Agora, porém, conforme prometido na lei de Moisés e nos profetas, Deus nos mostrou como somos declarados justos diante dele sem as exigências da lei: somos declarados justos diante de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, e isso se aplica a todos que creem...". É por aí mesmo, meu amigo! Lutero foi desafiado a parar de procurar um contato com Deus baseado nas suas melhores obediências religiosas, para - bem ao contrário disso, ir logo direto encontrar Deus Pai em Pessoa pela fé através de Jesus Cristo! As boas obras viriam somente depois, como uma consequência dele ter experimentado aquele encontro inicial com Deus - o que lhe permitiria renovar toda a maneira de viver a partir dali. Eis a razão porque este projeto de religião (religação de relacionamento) com o próprio Deus através da Pessoa de Jesus Cristo, chama-se, então: Cristianismo! Veja que no Cristianismo o medo do julgamento de Deus sobre a alma humana por causa dos pecados dos homens é superado pela promessa do amor de Deus que perdoa - e acolhe os homens pecadores, conforme ensinado pelo Evangelho (Boas Novas) de Jesus. Uma das mensagens espirituais mais transformadoras da história da humanidade, pois ao invés de prometer bênçãos divinas como um resultado do esforço humano, oferece uma vida junto de Deus como uma graça a partir da fé do fiel. Bem, a partir daí, o resto é história... Mas a espiritualidade da humanidade e a organização da religiosidade de quase todo mundo seguem adiante através de boas cenas da produção, sim. Martinho Lutero vai praticar o importante princípio espiritual de que se deve adorar a Deus "em espírito e em verdade", pois irá negar-se a afirmar qualquer doutrina que sua espiritualidade racional o oriente a discordar. Também irá promover a tradução dos livros da Bíblia do latim para o alemão no bom objetivo espiritual de que o povo germânico mais comum consiga aprender por si próprio o caminho, a verdade e a vida de Deus conforme os ensinos e as palavras do próprio Jesus Cristo. E um bom número de situações sociais e políticas iniciadas à época da Reforma Protestante de Outubro de 1517 igualmente estão no filme, revelando as boas e más atitudes que movem os homens em tempos de renovação da sociedade a partir dos anseios do espirito. Pois uma espiritualidade saudável requer ser assim mesmo, sempre renovando a realidade de todos nós. E quando vier, que venha com Amor a Deus, e Amor ao próximo - pois destes dois mandamentos depende toda a Lei de Deus. Bom filme.