quarta-feira, 13 de setembro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: TERRA das SOMBRAS, a vida de C S LEWIS

Dizem que Deus chama as pessoas para viverem suas vidas com um propósito bem definido. E quando elas finalmente decidem amar a Deus, atendendo assim a esse chamado, Ele também faz todas as coisas cooperarem para o bem delas durante essa distinta caminhada existencial que elas acreditaram ser algo bom para si mesmas. Estas pessoas passam a ter um objetivo tão importante na vida que até o Espírito de Deus intercede por elas para que continuem firmes dentro da vontade de Deus enquanto vão vivendo suas histórias neste mundo. Agora, imagine que o propósito de Deus para uma certa situação da sua vida não é bem aquele que você pensa ser o seu objetivo mais importante naquele momento? Pois é, eis a razão pela qual assistir ao filme TERRA DAS SOMBRAS é quase uma obrigação para os "espirituais" de plantão, pois a mais profunda experiência espiritual existencial do renomado autor das "Crônicas de NARNIA" é a essência da história do filme. Nas próprias palavras de Clive Staples Lewis, o que ele descobriu durante o período em que sua vida virou do avesso foi que as suas "orações não mudam a Deus", mas sim, mudam ele mesmo, isso sim. O que não quer dizer que boas orações não façam Deus mover suas mãos pra lá e pra cá, pois, sem dúvida, isto realizam. Mas, aqui, o princípio espiritual é outro. E vale muito a pena prestar uma boa atenção nele, acredite. A situação de vida de C S Lewis narrada pelo filme não poderia ser mais dolorosa e complexa, pois desenvolve o drama que acometeu a própria esposa do escritor britânico, conforme bem explica a sinopse: "O escritor inglês C.S. Lewis é um solteiro convicto até se apaixonar pela poeta americana Joy Gresham. O romance é intenso e surpreendente. Quando Joy descobre que tem câncer, o casal se une ainda mais para criar sua própria versão do paraíso." O filme foi lançado no natal de 1993, e teve a direção de Richard Attenborough (Ghandi). Trata-se de um drama existencial espiritual maravilhoso, abrilhantado pela atuação de um dos maiores atores do século passado, Sir Anthony Hopkins. A cena espiritual crucial do filme que direciona a compreensão deste momento da vida de C S Lewis ocorre assim que sua esposa Joy Gresham retorna pra casa após uma etapa do tratamento médico. A saúde dela melhorou e com satisfação um sacerdote que acompanha C S Lewis comenta que ele deve estar muito feliz naquele momento, pois afinal, Deus finalmente "ouviu suas orações" e sua esposa sente-se bem. Eis o momento, amigos, em que a porca chamada história (espiritual) torce o rabo, sim. Pois só mesmo alguém como C S Lewis pra saber e responder com tal clareza e profundidade espirituais à fundamental questão que o comentário do amigo sacerdote faz surgir na alma dos espirituais. Afinal, estamos acostumados a buscar renovo espiritual e bênçãos divinas no objetivo de logo resolver as situações difíceis que vivenciamos. Muitas vezes nos é difícil aceitar que receber "somente" um consolo interior e boa paz mental sejam, igualmente, bênçãos grandiosas e mui importantes pra restaurar nossa alma cansada, e nos fazer continuar. No entanto, a afirmação do marido Lewis ao sacerdote expõe e valoriza exatamente este precioso valor espiritual à nossa geração: "Minhas orações não mudam a Deus, elas mudam a mim!" E acrescentou que jamais viveria ainda consciente e equilibrado toda aquela situação de tão grave doença familiar, se o próprio Deus não o mantivesse assim, forte e renovado para cada novo dia de vida, e lutas. É isso! O que o autor das Crônicas de Narnia experimentou e entendeu é que a vida não existe apenas para conseguirmos dela o que imaginamos que ela deve ser. Da mesma forma que o próprio Deus não anda por aí somente pra deixar eu e você à deriva pela vida cercados de bênçãos só protetoras. Pois desse jeito seriamos apenas alunos espirituais que pouco aprendem e nada amadurecem durante esta importante jornada existencial de quase todo mundo. Pois, afinal, todos sabemos que a vida não é realmente fácil pra ninguém e que todos - todo mundo mesmo, passa por experiências profundas de perdas e dores que tanto entristecem sobremaneira alguns, como até derrubam pra valer tantos outros, que quase ficam pelo caminho. Em meio a essa realidade de uma vida de aflições que repete-se na história de todos nós, o que C S Lewis experimentou foi uma "bênção" espiritual um pouco diferente daquela que estamos acostumados a buscar, e crer. O que aconteceu foi que Lewis foi visitado por uma presença espiritual motivadora em si mesmo, a fim de não apenas crescer como o homem que sempre quis ser, como bem mais do que isso até, ele foi capacitado (empoderado) para virar o marido que sequer tinha noção de que poderia um dia se tornar. Ocorre que C S Lewis entendeu que o propósito maior que Deus tinha para sua vida naquele momento acabou se revelando bem diferente do objetivo inicial que o fez casar-se e jurar compromisso com a sua esposa. Tá entendendo? A sobriedade e rotina amistosas de uma vida de casal organizada a partir de uma ética digna conjugal não seriam suficientes para que Lewis experimentasse em seu relacionamento com Joy tudo o que Deus tinha determinado para a história deles nesta vida. A dor que faz parte da vida de todos nós acabou transformando um homem instruído doutrinalmente em um ser humano sensível espiritualmente - pois dependente de seus relacionamentos com Deus até pra conseguir levantar da cama a cada novo dia. Que baita aprendizado existencial, não é mesmo? Dizem que todas as coisas cooperam para o bem das pessoas que amam a Deus, pois respondem afirmativamente ao chamado de Deus para viverem suas vidas com um propósito maior do que elas mesmas. Os novos objetivos de vida destas pessoas são tão importantes que até o Espírito de Deus intercede por elas para que continuem firmes dentro destes planos de Deus enquanto vão vivendo suas histórias. Enfim, para que tais bênçãos espirituais ocorram também conosco, é necessário duas coisas: é preciso logo se aproximar de Deus e da sua vontade. E principalmente, é necessário criar o costume de fazer conhecidas de Deus (através de orações e súplicas) todas as nossas angústias e ansiedades. Pois este é um dos bons "meios" através dos quais Deus faz seu próprio Espírito Santo agir "dentro" de nossos sentimentos e ideias a fim de nos manter firmes na (boa) vontade existencial dele para nós! Bom filme.

sábado, 2 de setembro de 2017

a Espiritualidade dos GREGOS e ROMANOS

Não é de hoje que a humanidade aproxima o racional do espiritual pra tentar resolver a confusão em que se encontra desde sempre a vida de todo mundo neste planeta. Até os clássicos gregos sempre incluíam a alma humana e o "além" como personagens importantes na tentativa de resolver as dificeis questões que percebiam ao parar pra imaginar a vida da gente. Quase todos que sonharam uma solução pra nossa existência, também decidiram pensar tudo junto; corpo, alma e cultura. Vamos imaginar, então, que há três grupos de cidadãos pensando a existência da gente, espiritualmente. Nem que seja, também, em busca da energia. Os gregos são "aqueles" que sempre desejam acertar as diferenças da humanidade e as angústias de alguns pela descoberta de uma ideia e sentimento que seriam universais, só pra unificar quase todo mundo e assim aquietar o povo, todo. Os romanos olhavam os céus e além do horizonte em que existe um lugar, esperando (quase) sempre por alguns milagres pra garantir a continuidade de si mesmos e a prosperidade da vida, sem esquecer de suas propriedades e lazeres, que ninguém é de ferro. Os gregos da sabedoria especulativa e os romanos dos milagres religiosos continuam atuantes entre nós, desde sempre. Pois somos todos uma mesma humanidade, ou quase todo mundo é um pouco desse jeito, pelo menos. Os "romanos" são aquela (boa) gente da humanidade que acredita na religião, e por isso mesmo sempre sabem algo acerca desse negócio da alma e do além, milagres e bênçãos. Eles vivem (quase) sempre com um olho no peixe (céu) e outro no gato (terra). Lutando dia a dia pra manter o que se tem, enquanto esperam que a ajuda que lhes falta, nos socorra rápido lá do além. Pois afinal, Deus ajuda (sim) quem cedo madruga, ou bem tarde vai dormir pra trabalhar. O povo brasileiro é profundamente "romano", pois quase todo mundo tem uma interessante religião ocidental por aqui pra chamar de sua. Seja ela evangélica ou espírita, católica ou pentecostal. Algo que não é ruim, não. Os "gregos" também são boa gente, e não desprezam facilmente a metafísica. Pois todo mundo vive um pouco a partir do sobrenatural neste mundo latino ocidental recheado da clássica sabedoria transcendental. Só que suas mentes e corações mais analisam e desenvolvem - sem parar, aquelas reflexões e argumentos que tem um objetivo mais definido: a busca de uma boa (qualquer) unidade que seja, pra humanidade. Só pra oferecer pra quase todo mundo um projeto promissor e de esperança nestes dias de pouca bonança. Isso é bondade, também. Às vezes os romanos e gregos até se tornam um só, como quando unem organizadas doutrinas com especulações filosóficas sobrenaturais, sempre num projeto unificador de bondade universal, como faz a maçonaria. Mas, será que existe algum outro projeto espiritual pra conhecer aqui pela nossa região? Algo diferente e distinto dos desafios mentais sobrenaturais organizados pelos gregos e romanos? Bem, foi o Apóstolo São Paulo que afirmou ser um conhecedor entre nós da tal mensagem da "pregação", algo espiritual que só, dizia ele. Alias, Paulo era um cidadão grego-romano, veja só, que chique. Segundo São Paulo, a "pregação" é um convite relacional existencial espiritual que promove... mudança da personalidade! O cidadão é convocado a rever suas atitudes a partir de leituras e encontros místicos imediatos do terceiro grau. O símbolo visível e terráqueo dessa "justiça espiritual" é a água (batismal) que tanto limpa o corpo físico da gente, ao mesmo tempo que penetra até o interior dos ossos (espírito) de quase todo mundo que por aqui se lava. Coisas do Profeta Jesus, como sempre esclareceu o Apóstolo. Algo bom de se conhecer, claro, desde que o sujeito esteja disposto a comparecer consigo mesmo na mística "conversação", espiritual. O que não é algo simples de se viver, não. Mas, fica a dica, então, pois conforme (bem) explica Eugene Peterson, assim que o Espírito Santo aparece, então, algo novo acontece, e "tudo que temos - cabeça no lugar, vida correta, pecados perdoados e novo início - vem de Deus, por meio de Jesus Cristo." É isso! E uma boa espiritualidade pra quase todo mundo.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

a Espiritualidade da AUTORIDADE, no Cinema: PLANETA DOS MACACOS, A GUERRA

Se "cada um é eternamente responsável por aquilo que cativa", imagina, então, a responsabilidade que temos com aqueles que criamos? Eis o desafio espiritual que surge no cotidiano assim que lideramos alguém, que já chega aguardando aprender conosco o que fazer nesta vida pra nela dar certo. É isso! Falamos aqui da Espiritualidade da Autoridade - uma responsabilidade existencial daquelas pra nós que somos os seres racionais mais amadurecidos da região. Nem que seja da região lá de casa, afinal. Eis o tema maior pelo que o instigante filme PLANETA DOS MACACOS, A GUERRA mobiliza sentimentos e reflexões acerca da nossa real capacidade e pretensa condição de sermos boas autoridades "de vida" neste planeta. Pois, como já dizia meu professor de docência, "é preciso dar conta!"; pois agir com responsabilidade é a essência da personalidade daquele que assume ser autoridade de alguma coisa perante o outro. Enfim, eis que o terceiro (e melhor) filme da série Planeta dos MACACOS bem nos apresenta como a GUERRA e a opressão se tornam - de novo e quase sempre, a mais rápida escolha e decisão daquele que "precisa" governar o próximo. Pois é por aí que se move a superioridade humana na hora de decidir dar conta da "igual" presença existencial em nosso planeta de macacos inteligentes, que agora são. Uma análise crítica que indico é a de Mario Bastos: "Um épico de nosso tempo. Um trabalho que discute a natureza humana, temas políticos e profundas relações entre os seres, e desses seres com o mundo" (pocilga). E destaco alguns bons pensamentos da análise de Natalia Bridi: "Ironicamente, Planeta dos Macacos é uma das franquias mais humanas da cultura pop. Sua discussão sensível sobre evolução, intelecto e dominação toca fundo nas falhas da humanidade. A ascensão dos símios e a decadência dos homens leva à reflexão sobre esses erros e a uma torcida sincera contra a própria espécie.(...) A influência de filmes como Apocalipse Now, A Ponte do Rio Kwai e Os Dez Mandamentos é explícita. Nessa amálgama de gêneros, Reeves, que assina o roteiro com Mark Bomback, conta uma história épica sem cair em maniqueísmos e vai muito além da promessa de guerra do título. O Coronel não é mero vilão na sua oposição a César, assim como o herói não é perfeito ou infalível. O encontro dos dois expõe a natureza complexa que determina a “humanidade” na busca pela sobrevivência.(...) Planeta dos Macacos: A Guerra é uma experiência cinematográfica de qualidade técnica e alcance dramático. É o retorno do cinema clássico em embalagem tecnológica, feito para entreter, mas sem menosprezar seu público. A história de César não vai embora com o rolar dos créditos."(omelete) Mas afinal, e finalmente, de que maneira nossa racional espiritualidade coerente e nossa espiritual racionalidade razoável irão nos dar a condição de, enquanto autoridades sapiens, praticar uma responsabilidade bendita sobre aqueles que dominamos por aí? Tá entendendo? Pois a humana raça racional permanece sendo a única espécie "cabeça" deste mundo e criação - pelo menos aqui embaixo, na terra. O que faz da nossa convivência social uma relação cheia de autoridades, aqui, lá e em todo lugar; seja como pais e professores, chefes e policiais, juizes e governantes. Pois são eles (nós) que carregam o bastão de "autoridade" uns dos outros planeta adentro, só pra conduzir a humanidade até a maioridade. Que coisa, hein! Bem melhor que a anarquia, penso eu. Mas, será que o espírito nosso de cada dia tá pronto, pra tanto? Ou as vaidades da ira física e emocional seguirão, ainda e adiante da humanidade, esmagando os espíritos de nossos "filhos"? Tanto os naturais como os relacionais, não importa quais. Bem, é a partir daqui que os Espirituais se movem pra frente com uma melhor amplitude existencial, se é que me entende. Pois o reconhecimento de que somos todos, pessoas espirituais, é o que possibilita saber que nossa razão não é um mero "instinto" animal desenvolvido, mas sim, a essência da nossa personalidade físico-espiritual, humanoide. Portanto, sempre dá pra melhorar - de autoridade. Buscando princípios e experiências que nos tornem maiores que o "meio" em que vivemos, e melhores que os ídolos que temos. E na história dos aprendizados da Espiritualidade destaca-se o Profeta Jesus, que ensinou que a boa Autoridade tambem se constrói como se fora um serviço disponibilizado ao outro. Em um relacionamento de maior presença e sinceridade que se contrapõe ao governo das ordens sempre dadas à distância, tanto a física, quanto também a da pior das distâncias, que é a relacional. Pois responsavelmente escuta e absorve pra então orientar e exemplificar, "servindo" assim aos outros enquanto junto se vive. Eis como se cria uma relação de autoridade através de conselhos e abraços, afirmações e atitudes, fazendo às vezes de um garçom, sim, só que de alimentos existenciais, pra vida. Tudo construído com bastante afinidade e interesse, que é o que torna real entre nós a tal da boa Autoridade. Uma postura ética de ensino existencial prático que Jesus abraçava com tal honestidade que o tornou reconhecido entre os homens como um homem de autoridade, enquanto ensinava vida! Não é fácil, nem simples; mas já existe, de verdade, no meio da humanidade. Cuide-se, melhor, então, pois é possível dar conta. Sim!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

a Espiritualidade da ETERNIDADE na Humanidade

Será que a angústia do ser humano com a morte tem a ver somente com a questão do dia em que iremos falecer na Terra? Eis uma boa e interessante pergunta, até porque quando o Sábio Salomão analisou o vai e volta da natureza e da história humana, entendeu que o motivo de quase tudo ser praticamente "sem sentido" pra nós, era porque nada de novo parecia acontecer debaixo do céu por aqui. Mas não foi apenas isso que ele viu e anotou, não. Salomao percebeu que também havia tempo pra tudo debaixo do sol aqui na terra, como hora de viver e de morrer, hora de abraçar e afastar, e que Deus até colocou no homem um "senso de eternidade." É isso! Veja que esse tal "senso" de eternidade é, de verdade mesmo, uma sensação real que o nosso espírito carrega bem lá dentro de (todos) nós acerca da nossa existência que vai adiante do espaço e do tempo que vemos por aqui. Eis, então, uma verdade espiritual de quase todo mundo que expõe a razão de certa ansiedade constante e preocupação permanente que temos a respeito da morte humana (nossa) de cada dia. E agora, José? Bem, ponto para os Espirituais, pois quando acreditam que há um espírito no homem, também visualizam vida além do que se enxerga, ora bolas. E pra não ficar só na (interessante) idéia de que somos mais que um (bom) pedaço de carne entre ossos, importa logo descobrir a existência desse "senso" de eternidade enquanto ainda estamos por aqui. Nem que seja só pra aumentar nossa tranquilidade assim que pensamos (e vemos) a morte diária da humanidade. Penso nisso como algo fundamental, pois só descobrindo sinais da vida eterna hoje é que iremos bem nos preparar pra eternidade que será nossa um dia. Neste sentido, o que o Sábio Salomão chama de "senso de eternidade" é a mesma coisa que teólogos definem como "senso de religiosidade", sendo também, algo que o Apóstolo São Paulo declarou ser a "consciência moral" no homem. O que significa que tudo "isso" junto, e mais algumas coisas, são sensaçoes nossas que, sim, tem a ver com o espírito que respira no ser humano. Agora e sempre, até a eternidade. Portanto, alguns (razoáveis) bons primeiros passos pra você tratar essa sua ansiedade quase depressiva existencial, enquanto, ao mesmo tempo, desenvolve sua espiritualidade eterna natural, passa exatamente por dar uma boa olhada em si mesmo no que se refere à sua religiosidade e consciência moral. Ao investigar propostas e praticar experiências relacionadas a estas suas sensações e pensamentos, você irá se envolver de maneira coerente com seu "senso de eternidade". Inicie por aí, e boa viagem na sua espiritualidade.

sábado, 29 de julho de 2017

a Espiritualidade da DIGNIDADE do ser HUMANO, no Cinema: DUNKIRK

Chegou no final de julho aos cinemas brasileiros o mais novo filme do diretor que fez de BATMAN a melhor série de super heróis desde sempre. E o que Christopher NOLAN nos faz vivenciar é mais do que uma realista e seminal experiência de dramas humanos (o que já seria o bastante). Pois a essência espiritual da história de DUNKIRK (2017) resgata o melhor potencial e uma rara grandeza do caráter da nossa espécie, já que é a dignidade dos seres humanos que se agiganta enquanto valor da alma assim que cidadãos britânicos comuns (mulheres e idosos) assumem a tarefa de resgate mais espetacular da história das guerras dos homens. O enredo de Christopher Nolan deveria ser indicado para melhor roteiro da Academia pois bem condensa e finaliza em 1 hora e 47 minutos a completude de uma verdade histórica única, e NOLAN deveria logo levar pra casa o Oscar de melhor diretor pois brilhantemente nos conduz através do filme direto até as praias da França no início da segunda guerra mundial. E ainda que não seja fácil partilhar da tensão e ansiedade constantes que somente soldados dentro da batalha vivenciam, é exatamente essa a experiência de vida que o (muito bom) diretor vai nos proporcionar, de verdade. A história de DUNKIRK é a da Operação Dínamo que evacuou mais de 300 mil soldados ingleses e franceses assim que estes foram encurralados na praia pelo exército alemão em junho de 1940. E a Espiritualidade da DIGNIDADE da nossa (nem sempre) decente espécie humana acontece de novo na História assim que jovens e idosos, mulheres e adolescentes deixam a Inglaterra em seus barcos e lanchas só pra resgatar a vida de milhares de soldados militares - assumindo sobre sua cidadania de civis uma guerra real e sangrenta, custe o que custar. E o que se entrega em nome do próximo é simplesmente o cotidiano vivencial e até a vida total destas pessoas comuns que se revelam seres humanos excelentes enquanto praticam uma fraternidade sacrificial. Uma dignidade fraterna humana enquanto valor espiritual interior da nossa espécie que surge tanto na intransigente dedicação à missão do piloto Farrier Tom HARDY (Mad Max), como na determinação prudente e destemida do capitão de barco Dawson Mark RYLANCE (Ponte para Espiões). A produtora Emma Thomás esclarece o diferencial narrativo do roteiro: "Eu diria que uma das coisas diferentes desse filme é que é uma obra focada nas experiências pelas quais os personagens passam... É uma enorme operação militar, mas que teve papel fundamental de civis." (Revista Rolling Stone, julho/17) A alma humana se sobressai nesta história única de sacrifício da tranquilidade cotidiana em nome da fraternidade existencial da humanidade, e o diretor NOLAN é o principal responsável, sim, por nós permitir "viver" intensamente os bons sentimentos e as tensas sensações que aos homens de bem (ainda) é possível partilhar nesta vida físico-espiritual que se avizinha diante de nós. Foi o crítico Bruno Carmelo quem bem explicou as qualidades da direção do filme (adoro cinema): "Ao invés de captar as cenas com distância contemplativa, a câmera se posiciona no meio da ação, entre os soldados espremidos na areia ou no fundo do mar, quando um navio explode. A imersão é tão eficiente que relembra a capacidade do cinema em 2D de explorar sensações tão bem quanto qualquer 3D. Paralelamente, a trilha sonora de Hans Zimmer, com seus violinos tensos, consegue compor uma melodia convergente com as explosões e os motores de avião, a ponto de se tornar difícil separar música de ruídos. Cada enquadramento, cada movimento, cada som é muitíssimo bem pensado e executado." Enfim, amigos, se o bom Deus nos criou mesmo à sua imagem e semelhança no necessário propósito de bem governarmos o planeta e melhor cuidarmos uns dos outros; eis que foi em 1940 que os cidadãos britânicos mais simples resgataram e desenvolveram, também, esta célula espiritual que o próprio Criador plantou em nós todos desde o início dos tempos, espirituais: a Dignidade existencial dos homens! Ótimo filme pra você!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

a Espiritualidade dos ANJOS da GUARDA, no Cinema

"Ele ordenou a seus anjos que o guardem para onde quer que você vá." É isso. O salmo 91 da página que quase todo mundo deixa aberta em seus lares e comércio é um poema clamando pela ajuda de Deus diante da ameaça das guerras e pragas. E quem é que virá para socorrer os homens? Sim, eles mesmos, os anjos, de Deus! E já que vamos aproveitar histórias de cinema pra pensar a Espiritualidade dos Anjos (da Guarda) que nos protegem, lembremos aqui de dois bons filmes: "CIDADE DOS ANJOS", com Meg Ryan e Nicolas Cage, de Brad Silberling, 1998; e "UM CONTO DO DESTINO", com Colin Farrell e Russell Crowe, de Akiva Goldsman, 2014. Bruno Carmelo nos oferece boa sinopse e análise de "Um Conto...", no blog adorocinema: "Antes de entrar na sala de cinema, deixe o cinismo do lado de fora”. Essas foram as palavras dos atores Colin Farrell e Jessica Brown Findlay em uma das entrevistas sobre Um Conto do Destino. Os dois provavelmente já previam alguma dificuldade para o público aceitar a história (...) De fato, apesar de o livro original ser popular e respeitado nos Estados Unidos, a versão cinematográfica adota tão cegamente o tom fantástico que só pode ser aceita por um espectador profunda e sinceramente romântico... Os conceitos elaborados pelo diretor Akiva Goldsman e sua equipe não ficam nada claros, mas se existe um verdadeiro mérito nesta história atípica, é nadar contra a norma de Hollywood e acreditar no sucesso de um tipo de magia e ilusionismo que a indústria abandonou há muito tempo." E acerca do bacana e romântico "Cidade dos Anjos", vale lembrar que se trata de uma refilmagem do belo Asas do Desejo, filme alemão de Wim Wenders. O filme inicia e termina com interessantes cenas angelicais, e a primeira delas retrata a verdade espiritual de que nossa alma é acompanhada por anjos daqui para outra dimensão assim que morremos, momento no filme em que o anjo Seth NIcolas CAGE conhece e se apaixona pela médica Maggie Meg RYAN. Eis a história de amor que o Anjo tudo vai oferecer pra viver, até a sua eternidade, se possível. Em meio a tudo isso, acontecem alguns encontros espirituais interessantes entre homens e anjos, quase sempre de forma invisível. Há cenas diversas em que os Anjos de "Cidade..." atuam pra proteger os seres humanos, algo bastante real e verdadeiro conforme ensina a Espiritualidade Judaico-Cristã, pois desde sempre Deus envia seus Anjos dos Céus até a Terra a fim de cuidar das pessoas e também pra promover certas atividades que são do interesse de Deus por aqui. Eis a razão pela qual a crença de que há Anjos da GUARDA agindo por aí é uma boa ideia espiritual, sim, sendo inclusive, algo acessível a todos nós; pois o Profeta Jesus nos ensina na oração do Pai Nosso o que deve-se fazer para espiritualmente se proteger, hoje em dia: simples. Ora, é preciso pedir a Deus para "Não nos deixar cair em tentação", e também para que "Ele nos livre do mal!" Eis o bom pedido. Uma necessidade nossa que Deus vai logo responder através de seus mensageiros celestiais, pois boa parte da nossa proteção cotidiana depende deles mesmos - dos Anjos da Guarda, de Deus, entre os homens. Já a atuação angelical na aventura fantástica "Um Conto do Destino" se desenvolve de uma forma mais mágica, pois os próprios seres humanos é que são enviados para proteger uns aos outros, certas vezes - fazendo às vezes de Anjos da Guarda de Deus sobre a humanidade. Um jeito interessante e perspicaz com que o enredo tenta dramaticamente nos envolver junto da real ação angelical protetora invisível de Deus que ocorre costumeiramente por aqui. Ao mesmo tempo, o filme apresenta alguns anjos do Mal movendo-se pelo nosso mundo; outra boa verdade espiritual da nossa existência por aqui - que no filme é um Anjo mesmo, ou demônio, como bem ensinam as Escrituras. Enfim, eis dois bons e interessantes filmes pra refletir algumas realidades espirituais de quase todo mundo. Pois certamente não estamos sozinhos neste mundo, como se fossemos a única espécie com personalidade consciente e moral por aqui - pois há Anjos entre nós, de verdade. Algo que vale muito a pena entender espiritualmente é que a Pessoa de Deus age de muitos jeitos e diversas maneiras para governar a vida humana e a própria natureza da Terra - eis o modo pelo qual entendemos que os Anjos são divinos mensageiros espirituais nesta criação. Não é nada, não é nada, já se sabe melhor o que um bom "Livra-nos do Mal" pode realizar, por aqui. Por que não? Bons filmes.

terça-feira, 25 de julho de 2017

a Espiritualidade da INTIMIDADE dos Casais, no Cinema: Á BEIRA MAR

A atriz Angelina Jolie buscou um olhar europeu de contemplação da vida enquanto proposta narrativa de seu último filme como diretora: À BEIRA MAR, 2015, em que atuou, também, seu ex-marido Brad Pitt. O que realizou contando a história de amor interrompido do casal Vanessa e Roland, drama exposto assim que um novo casal aquecido de amores em lua de mel se hospeda junto deles num hotel litorâneo da França. Mas os anseios técnico-cinematográficos de Angelina ficaram pelo meio do caminho, como bem observou Caio Pimenta, da "cineset": "À Beira Mar, entretanto, não deixa espaços para desenvolver o drama de seus personagens. A opção por sempre fazer cenas curtas, quando a sequência pede paciência para trabalhar gestos ou reações, mata o filme. Cada corte representa o fim da possibilidade de tensão, dando uma pretensa fluidez desnecessária, justo em momentos que deveriam causar desconforto semelhante ao vivido pelo casal protagonista. É como se a ideia fosse para soar como Antonioni e a execução tivesse influência de Michael Bay.". Enfim, ainda que o filme apresente algumas dificuldades no seu desenvolvimento narrativo, nem tudo está perdido, afinal. Até porque o nosso interesse aqui é a Espiritualidade, e algumas reflexões relevantes surgem na história deste casal que perdeu três filhos logo no início da gravidez, em razão da esterilidade da protagonista... A partir daí, o tema primordial que o filme desenvolve é a percepção de que certos acontecimentos passados de nossa história tornam-se definidores dos dias futuros. Pois certas ocorrências da vida são como que sentenças condenatórias da maneira como iremos nos portar nas situações porvir da nossa existência. E o primeiro drama que vemos acontecer dentro deste contexto é o que surge a partir da vivência sexual do casal protagonista. Uma intimidade relacional que se tornou vazia e inexistente pra eles, posto que foi tragada pela tragédia dos filhos gerados e não nascidos. Não há dúvida de que a dor de um casal que não alcançou o sonho do filho próprio é uma sequela que vai provocar consequências sérias e duradouras, o que é muito compreensível. O que salta aos olhos é o quanto as experiências de morte relacionadas às relações sexuais do casal, acabam apagando, também, seus afetos íntimos. De alguma forma, estamos diante de mais um revés premeditado da supervalorização da sexualidade humana que observamos ocorrer nas últimas décadas. Pois o trauma conjugal se instala na própria relação sexual do casal, já que a intimidade que deveria gerar filhos - ao não fazê-lo, transformou-se no drama que impede a mulher agora, de ser esposa. A consequência é uma atitude de grave desprezo à relação sexual, pois tal experiência é castrada da vida comum do casal. Do mesmo modo que da alma se deseja retirar os traumas da perda dos filhos sequer nascidos. A ironia da situação é que uma decisão que aparenta originar de uma atitude de desprezo da sexualidade; é, na verdade, um fruto da sua supervalorização. Pois é necessário alguém valorizar demais o sexo, definindo-o como algo superior, para então, negar a si próprio sua experiência, a partir de desgraças e dores relacionadas à sua prática. Daí origina a decisão de negar a si mesmo tal experiência íntima, já que dela não se permite mais participar, pois incapaz de partilha-la no sentimento de doação que considera ideal à sua vivência. Eis um engano que não poderia ser maior. Pois a experiência sexual - conforme ensina a boa e saudável espiritualidade, é tão somente o momento, em ato final, de um encontro relacional afetivo construído através de olhares e toques, abraços e beijos, afetos e carícias, até que se alcance o contato íntimo total. Existe algo mais simples, e natural, do que isso, numa relação de afetividade entre um homem e uma mulher? Mas o contrário também ocorre, pois há aqueles que supervalorizam a sexualidade a ponto de buscar sua prática de mil jeitos, e caras e bocas. Só que o resultado que alcançam de suas variadas e criativas experiências, é que nisso muito se viciam. Ao mesmo tempo, também, que pouca satisfação disso obtém. Ficarão cheios de muita paixão, e com pouco amor, no final. E com uma só consequência para ambas as situações: a perda da intimidade sexual do casal, em razão do desconforto que agora os une. Uma boa indicação de saúde afetiva para ambos os casos é seguir o princípio espiritual da intimidade sexual; que constrói uma melhor relação conjugal através de uma natural progressão das carícias entre o casal. Mas o filme não é feito apenas de experiências traumáticas da humanidade, como se a desgraça fosse uma consequência certa da vida, sempre transformando perdas do passado em dores (eternas) do presente. Pois há um velho homem do vilarejo que não se deixou dominar pelos destinos traumáticos das perdas passadas. O bom coração do proprietário de restaurante quase bonachão sempre recorda de sua falecida esposa, mas isso é algo que experimenta de jeito e maneira saudáveis, demais. Ele nem deixa sua esposa cair no esquecimento, como igualmente não despreza seus relacionamentos atuais. A valorização habitual da antiga vida conjugal, não impede sua alma de permanecer sensível às novas situações e pessoas que a vida continua lhe trazendo pra conhecer, e conviver. A capacidade de seguir adiante com a vida mantendo na alma o que de bom já se viveu. E a condição de olhar com esperança o futuro, cheio de boas expectativas para o que um dia virá, torna-se, então, um bom princípio espiritual existencial da história. Pensamento que o próprio personagem escritor parece reconhecer ao findar do livro, e do filme. Algo que ele anota com certa poesia dramática visual, quando em simplória observação da natureza que rodeia o filme, enxerga nas idas e vindas das marés das águas, a boa continuidade do ciclo da vida. Não enquanto a repetição e mesmice de uma mesma história, mas sim, pra reconhecer a força e vigor de uma realidade que é a própria essência de algo que permanece vivo, pois sempre em relacionamento com tudo que o cerca. Tal condição de superar tragédias pra viver com equilíbrio a vida que segue, tem sua orientação espiritual correspondente na impactante e conhecida frase do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece!" Pois o princípio espiritual definido por São Paulo não se refere ao sucesso, mas trata, sim, da serenidade. Virtude da espiritualidade que mantém a pessoa vivendo continuamente dentro de uma só personalidade, esteja ela na abundância, ou com quase total falta de bens. O que se deseja não é que a pessoa sorria na desgraça, mas sim, que saiba chorar até seu limite saudável. O propósito é impedir que a perda vire desgraça, até que um dia nos arruíne por completo. O que muito fortalecia o Apóstolo era exatamente a presença de um outro espírito, e pessoa na vida dele. O próprio Espírito de Deus! Ser espiritual que se tornou uma presença sábia e serena atuando diretamente na sua alma. Alguém que foi capaz de transferir para a personalidade interior do Apóstolo, os sentimentos necessários para que ele seguisse em frente com sua história. Não é nada, não é nada, é uma boa pessoa pra se ter junto a fim de se manter equilibrado e esperançoso em tempos de aflição e dificuldades. Tempos iguais aos nossos, afinal. Cuide-se melhor, então! E uma boa espiritualidade pra todos nós.