quarta-feira, 9 de maio de 2018

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: PAULO, APÓSTOLO de CRISTO

O diretor italiano Sergio Leone (Era uma vez no Oeste) foi um dos maiores cineastas da segunda metade do século 20 e certa vez definiu com as seguintes palavras seu estilo autoral: "Conto fábulas: é um excelente modo de se chegar o mais próximo da verdade." É isso. O filme PAULO, APÓSTOLO DE CRISTO (Drama, EUA, 2018) é uma fábula sim, espiritual! Mas a razão não é porque as palavras do Apóstolo Paulo ditas no filme não sejam verdadeiras, nem tampouco porque as situações ali vivenciadas pelos cristãos não sejam coerentes com a realidade do cristianismo do primeiro século. Não se trata disto. Ao contrário, as declarações de Paulo e a perseguição aos cristãos no filme são exatamente aquelas que o evangelista Lucas e os historiadores romanos anotaram a partir de pesquisas científicas dignas do nome. No entanto, como o talentoso e interessante diretor e roteirista Andrew Hyatt decidiu contar em menos de duas de horas de cinema a essencial história espiritual do cristianismo primitivo. E ainda aproveitou para destacar a liderança do mais místico e doutrinal líder cristão do primeiro século, bem - eis aqui um enredo que tomou forma através de uma objetiva integração de experiências cristãs atemporais junto de um contexto cultural e religioso diverso, tudo no objetivo de transmitir em pouco tempo uma rica história de décadas, de fé. Enfim, o diretor conseguiu! A perspectiva espiritual do filme se esclarece pela frase existencial que o Apóstolo São Paulo utilizava para explicar seu relacionamento cotidiano com a pessoa do próprio Deus do Universo: "O justo viverá pela fé." Que também pode ser entendido como "um homem que anda junto de Deus enquanto vive." Pois Paulo de Tarso começou a experimentar aquela convivência entre Deus e os seres humanos que a teologia ensina ser o resultado da reconciliação que toda religião do planeta busca concretizar. E dentro deste entendimento, eis como duas sinopses apresentam a essência da história deste mais novo filme religioso em cartaz: "Paulo (James Faulkner) era conhecido como um dos perseguidores de cristãos mais cruel de seu tempo. Mas tudo muda quando ele tem um encontro com o próprio Jesus. A partir desse momento, esse jovem se torna um dos apóstolos mais influentes do cristianismo."(sinopses) "A trama espera bastante tempo para fornecer alguns flashbacks explicando em linhas gerais a trajetória de Paulo, que perseguiu os cristãos até encontrar o amor de Jesus."(www.adorocinema) O fato é que as religiões surgiram na história da humanidade no propósito de realizar uma reconciliação (religião significa religação) dos seres humanos físico-espirituais junto da pessoa espiritual de Deus. E nos dicionários mais comuns, Reconciliação "é o ato ou efeito de reconciliar-se", e "ato de restituir a harmonia ou tornar novamente amigável"; enquanto que na teologia cristã, "a reconciliação é o fim da separação entre Deus e a humanidade causada pelo Pecado Original - num restabelecimento de relações". O roteiro desenvolve então, os efeitos desta reconciliação religiosa na vida de Paulo através de uma narração pessoal do Apóstolo enquanto se encontra preso em Roma, vítima que foi da perseguição aos cristãos determinada pelo Imperador Nero. Uma história igualmente compartilhada pelo evangelista Lucas no filme, discípulo cristão que se tornou amigo de Paulo e que descreveu sua caminhada espiritual no livro bíblico de Atos dos Apóstolos, a partir de um olhar científico da história e segundo uma visão teológica das situações narradas. A proposta básica do enredo é que as idas e vindas ao passado e presente da história de São Paulo, junto de situações que revelam o contexto vivencial dos cristãos e dos romanos à época da perseguição, promovam uma boa interação do espectador aos dramas religiosos protagonizados pelo Apóstolo. Eis uma árdua tarefa técnica que o diretor realizou dignamente a partir de um estilo autoral que vale, sim, uma reflexão cinematográfica. Pois o protagonismo do filme escapa da pessoa de Paulo e passa adiante dos fiéis resultando numa instigante valorização da Pessoa de Jesus e seus ensinamentos - opção dramática que São Paulo assinaria embaixo. Mas, enfim, o que transparece gravemente no filme, fazendo jus à espiritualidade do mais místico líder cristão do Novo Testamento, é a fundamental transformação existencial da personalidade e do sentido da vida do Apóstolo. Tudo a partir de uma conversão oriunda da interessante experiência de reconciliação espiritual e justificação religiosa que Paulo vivenciou na estrada de Damasco, região da Síria, no ano de 34 d.C., na presença do Espírito de Jesus, o Messias. Pois como oportunamente anotaram as sinopses acima e a crítica abaixo em destaque, o religioso eficaz que antes perseguia cristãos até à morte - tornou-se ele próprio um seguidor de Jesus Cristo. Uma mudança de rumo existencial ocorrida via um encontro pessoal gerador de um relacionamento espiritual que tornou-se uma fonte contínua de transformação da personalidade interior do Apóstolo. Ufa. Haja religião (religação) espiritual natural, hein... Pois, afinal, tais transformações originaram do básico encontro e do posterior relacionamento - ambos místicos, de Paulo. Sendo que "místico" é expressão que intitula um encontro existencial que acontece entre dois espíritos de seres pessoais distintos. E o relacionamento espiritual místico do Apóstolo Paulo ocorreu exatamente através dos contatos que vivenciou junto de dois espíritos: primeiro, no encontro que teve com o Espírito de Jesus Cristo, na estrada de Damasco. E, logo depois, pelo encontro que se tornou um relacionamento constante no restante de sua vida na Terra, junto da pessoa do Espírito Santo de Deus. Eis então, a experiência inicial e o relacionamento posterior duradouro que são a razão de considerarmos São Paulo o maior místico do Novo Testamento - pois a marca essencial de sua vida passou a ser uma convivência diária com o Espírito Santo em seu ser interior, no espírito. Portanto, é a integral "reconciliação" espiritual que ocorre entre a pessoa de Paulo e a pessoa de Deus que vai transformar um religioso-legalista em espiritual, um ser apaixonado e mordaz em alguém amoroso e disciplinador, e que vai moldar um homem ideólogo e ansioso em uma pessoa idealista e satisfeita, fazendo com que deixe de agir como um ser julgador e mortal até se tornar uma alma perdoadora e pacificadora. O homem passou a carregar em sua pessoa interior um edificante ser espiritual celestial gerador de uma nova existência pessoal para si, sem que isto fizesse sua personalidade perder-se dele mesmo. Ao contrário, o Apóstolo finalmente "se achou" consigo próprio, pois passou a obedecer intimamente as regras da lei que sempre considerou as mais essenciais de sua religião. Uma novidade de vida tão extraordinária que não passou em branco quando da crítica ao filme realizada pela revista Preview, de abril/2018: "Na prisão, (Paulo) recebe o discípulo e médico Lucas, para quem narra sua transformação de cruel assassino dos seguidores de Jesus em um dos maiores difusores do Cristianismo... É uma produção pouco ambiciosa, mas emociona e tem valor histórico." Aproveite o filme não apenas pra se emocionar, mas especialmente, para mover sua busca existencial atrás de logo vivenciar uma experiência "religiosa" tão saudável de reconciliação espiritual quanto a que viveu Paulo, o Apóstolo de Cristo. E não esqueça de ficar bem atento ao final da história, pois todas as pessoas espirituais do mundo que desejam saber como foi o reencontro de Jesus e do ladrão no reino dos céus poucas horas após a morte de ambos aqui na Terra; então, isto logo saberão a partir de uma magnífica cena que ocorre nos minutos derradeiros deste belo filme. Vale a pena!

terça-feira, 8 de maio de 2018

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: O RESGATE DO SOLDADO RYAN

O talentoso cineasta Steven Spielberg levou o OSCAR de direção em 1999 com este drama militar em que um grupo de soldados liderados pelo capitão Miller (Tom Hanks) assume uma só missão durante a retomada da Europa das mãos dos nazistas: eles devem resgatar o último sobrevivente (Matt Damon) de quatro soldados da família Ryan, pois três dos irmãos já morreram nas batalhas da II guerra. Eis o argumento do clássico filme de guerra "O Resgate do Soldado Ryan", USA/1988, que dramatizou a mais midiática batalha de guerra do cinema ao apresentar o desembarque dos aliados na Normandia em 1944 como um épico realista inigualável. E já que falamos de Espiritualidade por aqui, eis que a palavra "Resgate" traz consigo a ideia de uma ação ou atividade que é impossível de ser realizada pelo resgatado - ou seja, alguém terá que praticar esta boa ação por ele. Trata-se de uma conquista que depende totalmente daqueles que irão protagonizar o resgate, restando ao condenado somente aguardar a chegada de seus salvadores. E a ocorrência de um "resgate" espiritual é exatamente a experiência principal da Páscoa dos Cristãos, pois nesta a morte do cordeiro sacrificado é que irá resgatar milhões de seres humanos de seu traçado destino de morte. Trata-se de um resgate realizado por um ato de "substituição", afinal, de tal forma que assim que os cordeiros morrem, os homens antes condenados à perecer são consequentemente resgatados e livres de experimentar tal condenação existencial. Um projeto de resgate sacrificial que o Capitão Miller igualmente protagoniza como o amadurecido líder da missão urgente que assume ao liderar um pelotão de soldados em meio à Europa incendiada pela batalha mor da II guerra mundial. Uma atuação que lhe valia outro Oscar! E o ator Tom Hanks preenche sua personalidade com algumas posturas éticas que o aproximam daquelas que edificam as melhores ações espirituais entre os homens. Pois o sacrifício ao qual se dispõe é abraçado por ele integralmente assim que se dedica ao mesmo de corpo e alma. Dá até pra dizer que o (bom) capitão é um voluntário para o que der e vier, apresentando uma personalidade militar sacerdotal interessante, até pela maneira com que finaliza sua missão junto do soldado Ryan, ao desafia-lo à uma vida digna. Valores éticos de uma liderança existencial que observamos grandemente na própria Pessoa essencial da Páscoa Cristã - sim, Jesus de Nazaré também entregou-se às torturas e morte da Sexta-feira da Paixão em atitude consciente e voluntária: "Ninguém tira a minha vida de mim, eu a dou livremente", esclareceu ele na biografia autorizada do Apóstolo João. As razões de Jesus Cristo ter assumido tal sacrifício mortal-espiritual a fim de que os homens de fé não continuassem mortos na eternidade, origina das perspectivas transcendentais de sua experiência de vida terrena enquanto o homem celestial que vêm libertar a humanidade por aqui. Pois o que Jesus veio resgatar essencialmente não foi a natureza e criação ou o governo dominante desta época, mas sim, as próprias almas dos homens. Daí que pra realizar este peculiar resgate era necessário livrar a espécie humana de sua permanente experiência natural de morte, além desta vida. Jesus, então, teve que morrer exatamente pra "matar" a força da morte em si mesmo enquanto um ser humano, livrando assim a humanidade de continuar padecendo sob esta miséria, continuamente. E do mesmo modo com que o Capitão Miller desafia o jovem Ryan a abraçar ferozmente a experiência de uma vida virtuosa a partir dali - oportunidade existencial que lhe foi possível somente a partir do sacrifício de quase todo um pelotão; igualmente Jesus convoca os Cristãos no Domingo de Páscoa para que conheçam (desde já) as vivências excepcionais da Ressurreição da maneira de viver dos homens. Assim como a frase do capitão Miller é simples e direta para Ryan: "Faça valer a pena!"; da mesma forma Jesus convoca seus fiéis a "celebrarem a sua salvação da morte", vivendo desde agora como sal e luz entre os homens, fazendo brilhar uma experiência de vida humana gerada a partir da própria Personalidade de Deus. Eis aquele momento na história em que o resgate por sacrifício chamado Páscoa torce o destino da humanidade assumindo a morte sobre si para que milhares e milhões descubram uma vida, nova. Bom filme!

sábado, 28 de abril de 2018

a FRATERNIDADE Espiritual da HUMANIDADE, no Cinema: TRUMBO: Lista Negra

Se um dos melhores discursos de cinema integrando justiça e responsabilidade social com alguma devoção religiosa saiu dos lábios de Paul Newman no maravilhoso filme "O VEREDICTO" (de Sidney Lumet, 1982, USA), que só não levou o Oscar de ator, filme e diretor porque concorria com "GHANDI" (de Richard Attenborough, 1982) - e com épicos, meu amigo, não se discute. Eis que aparece agora o ator Bryan Cranston (TRUMBO: LISTA NEGRA, 2015, USA), numa atuação provocante e plena de empatia, pronunciando o mais instigante discurso em defesa da fraternidade social da raça humana, que se tem notícia. Presta atenção nas palavras do homem: "Presumo que mais da metade dos nossos membros não se lembre da lista negra, pois eram crianças quando ela foi instituída... Para eles, eu só gostaria de dizer que o período da lista negra foi uma era de maldade, e que ninguém dos dois lados que tenha sobrevivido a ela ficou ileso. Surpreendida por uma situação que havia passado do controle dos meros indivíduos, cada pessoa reagiu conforme a própria natureza, as necessidades, as convicções e circunstâncias particulares a forçaram a reagir (...) Não é bom procurar vilões, heróis, santos ou demônios, porque não há: há apenas vítimas. Algumas sofreram mais que as outras, algumas cresceram e outras retrocederam, mas, no fim, fomos todos vítimas, pois, quase sem nenhuma exceção, cada um se sentiu compelido a dizer coisas que não queria dizer, a fazer coisas que não queria fazer, a desferir e sofrer sofrimentos que na verdade não queríamos trocar. É por isso que nenhum de nós - seja da direita, da esquerda ou do centro - saiu daquele longo pesadelo sem pecado." As palavras de Dalton Trumbo foram proferidas em 13 de março de 1970, quando ele foi agraciado pelo Sindicato dos Roteiristas com o Laurel Award. A fraternidade humanitária que brilha das palavras de seu discurso de aceitação do prêmio deseja aproximar pessoas que se encontram em conflito, a partir do reconhecimento de que qualquer um de nós é capaz de se irar e fazer mal à pessoas próximas, dependendo da situação e necessidade que vivenciamos. Ou seja, que atire a primeira pedra quem nunca "pecou", desse jeito! Trata-se de uma mensagem pra iluminar sem pudor a todos os espirituais de plantão a fim de que busquem em seus valores transcendentais alguns princípios que nos movam pra realizar atitudes semelhantes mundo afora. O filme "Trumbo: Lista Negra" apresenta a história real do roteirista Dalton Trumbo, assim que foi perseguido, preso e impedido de trabalhar pelo Cômite de Atividades Antiamericanas do Congresso dos EUA, nas décadas de 1950 e 60. E a surpreendente compreensão que Dalton Trumbo oferece a praticamente todos aqueles que - favoráveis ou contrários, "partilharam" das situações de perseguição à liberdade de expressão nos EUA, acabam por revelar seu peculiar entendimento da natureza da humanidade. Pois anotar as fraquezas morais humanas no objetivo de que pessoas "brigadas" superem suas discórdias pra gerar uma convivência baseada na percepção da universalidade dos erros da nossa espécie; bem, não é uma reflexão fácil, não. Afinal, e justiça seja feita - crimes sociais até se esquecem, mas traições pessoais, jamais! O fato é que nosso talentoso roteirista não apenas discursou, mas verdadeiramente vivenciou suas relações pessoais com uma compreensão bastante virtuosa junto daqueles que participaram de sua perseguição. Daí que esta aproximação social pouco usual nos motiva a buscar princípios fraternais oriundos de uma solidariedade espiritual que vale a pena investigar. Atentemos para eles, então, pois desde a origem de "nos otros" já se sabe da existência de duas experiências que definiram os seres humanos como uma raça igual e única - desde sempre. Primeiro, pelo fato de termos sido (todos) criados à imagem e semelhança de Deus, com uma capacidade de existência pessoal e consciência social inigualáveis. E num segundo momento, logo depois, quando "brigamos" com este mesmo Deus, saindo d´Ele pra conhecer e praticar todo o bem e mal que existe debaixo da terra e acima do primeiro céu. A partir daí se instalou em nossa espécie sapiens humana, sim - a capacidade inata de praticar erros por aí, seja perseguir os contrários ou aniquilar os diferentes, estejam eles certos ou não. Quem saberia dizer? Mas a ideia principal por aqui - só pra variar, é que tal "afinidade" na hora de praticar "atos" condenáveis, poderia igualmente gerar uma compreensão regular da humanidade que oportunize uma razoável convivência para seres humanos tão contrários entre si e contraditórios consigo mesmos. Ufa... Isto tudo a partir da descoberta do princípio espiritual da fraternidade social que nos une como raça desde a gênese dos tempos, meu amigo. Uma percepção celestial que o Profeta Jesus assim definiu, já orientando a atitude devida pra tal realidade: "As pessoas saudáveis não precisam de médico, mas sim os doentes. Não vim chamar os justos (para Deus), mas sim os pecadores." É isso! Eis a verdade existencial que fez o Messias cristão deliberada e gratuitamente confraternizar com os "piores" pecadores de sua época - assim intitulados por não agirem de acordo com as tradições religiosas e mandamentos, seja pela ignorância ou intencionalmente. Um contexto religioso social que fez Jesus tornar-se exatamente o médico que deve ser encontrado entre aqueles que dele necessitam, segundo as palavras de John Stott. Jesus de Nazaré era um incrível mestre espiritual, daí que a aparente contrariedade dos que estavam ou pareciam estar totalmente distantes das verdades de Deus, seu Pai, também foi o que lhe orientou existencialmente a sempre perto deles andar. Eita... Seu propósito era tanto entregar-lhes um (sincero) afeto em nome de Deus, como igualmente lhes anunciar verdades divinas que já não conseguiam naturalmente escutar. Jesus conseguia confraternizar com aqueles que pareciam ou eram contrários às suas verdades, sem jamais praticar as atitudes que entendia serem pecados dos homens. E o resultado da convivência de Jesus com pagãos e pecadores, bem... é História! Ainda que o filme tenha uma produção e direção convencionais, sempre orientado pela técnica dramática sistemática de Hollywood, eis que a qualidade das ideias e a força das emoções que o filme proporciona acaba, inclusive, por valorar o cinemão norte-americano padrão. Pois é de uma história bem contada que se extraem vívidas lições de vida, isto sim. Parabéns ao roteirista John McNamara e felicitações ao diretor Jay Roach, pois Dalton "Bryan Cranston" Trumbo levou, pra valer, o Oscar de melhor ator em 2016. Já o desafio para os espirituais do século 21 grita a partir de uma convocação humanitária inegável: seja a partir da nossa espiritualidade original ou pelo abandono geral de nossa pureza inicial, seja pela fraternidade da espécie ou em respeito à continuidade da raça - não importa! Precisamos compreender melhor o orgulho egoísta essencial da humanidade a fim de gerar uma convivência razoável pra nossa espécie, hoje tão ideologicamente competitiva. É necessário semear no Brasil atual de tantas atitudes contrárias e adversas, e de tantos pensamentos distantes e diferentes, uma convivência humanitária digna do nome - da gente, sim: já que somos todos "seres" humanos pessoais e iguais, afinal! Pois a perseguição fascista da América dos anos 50 pode facilmente dominar tanto os idealistas de direita e de esquerda, do centro ou debaixo, pois pouco importa pra onde apontam os braços se a ideia da mente e o desejo do coração são somente pra perseguir todos que não comungam de nosso panteão de valores! Bom filme. Paz!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

a Espiritualidade da CONSCIÊNCIA dos Homens, no Cinema: 1945, de Ferenc Torok

Aula de cinema! Se assistir à trilogia "O Poderoso Chefão" (1972/USA) equivale a um curso essencial de cinema, admirar "1945" (Hungria, 2017) vale uma disciplina de mestrado nos mistérios da sétima arte. Uma comparação necessária pois importa muito enaltecer a riqueza técnica e dramática do tocante filme do diretor húngaro Ferenc Torok, cujo enredo trata do retorno de dois judeus a uma aldeia húngara em 1945 - comunidade que denunciou dezenas deles aos nazistas ainda no ano de 1944. Aproveito pra compartilhar uma crítica relevante de Isabela Boscov (Revista Veja, abril): "No excepcional 1945, um diretor húngaro parafraseia o faroeste "Matar ou Morrer" numa história de culpa nacional - e negação - diante do Holocausto (...) No preto e branco de alto contraste e nas composições de estupenda linguagem pictórica - assim como no tom mordaz -, percebe-se que o diretor Ferenc Torok admira "A Fita Branca" (2009), do alemão Michale Haneke. Como em ambos esses filmes, está em jogo aqui uma falha fundamental na cultura que leva a ética a se degradar em auto-preservação, em covardia e por fim em indiferença." É isso. A perspectiva transcendental do filme 1945 é a da Espiritualidade da Consciência dos homens - percepção permanente da alma humana que acompanha nossa espécie onde quer que estejamos. A consciência é um discernimento moral gravado em nosso ser mais íntimo, que toma forma em nossa personalidade através de um duplo temor: a percepção da existência de um Ser Supremo sobre nós - intuição humana acerca da divindade que o teólogo protestante João Calvino chamou de "sensus divinitatis". E num segundo momento, dramático e pessoal, gerando uma ansiosa sensação de culpa pela percepção de que a base de nossa dificuldade existencial origina tambem de nós mesmos, afinal. E ambas as experiências são um conhecimento e uma sensibilidade importantes demais pra curar (ocultar) debaixo de terapias somente humanas, acredite. E só pra melhorar, eis que esta essencial reflexão espiritual acerca da culpa chega até nós através de uma riquíssima linguagem de cinema, posto que baseada tanto no mestre Fred Zinnemann (A Um Passo da Eternidade, 1953) - um contador de histórias com viés documental que as dramatiza através de personagens impactantes; apoiada ainda, no neorrealismo italiano de Visconti (1940), que contempla e extrai das cenas do cotidiano a urgência das relações humanas mais febris. A partir deste entendimento, observamos "1945" fortalecer seus dramas humanos por meio do contraste das personalidades dos personagens, em relações que trazem tensão constante à história somente a partir de suas presenças naturais em cena. Eis o modo como a singular atitude dos judeus ortodoxos retornando à Hungria quando a II guerra sequer findou no Japão, acaba por carregar consigo a personalidade ética espiritual de uma "luz" que ilumina a escuridão dos homens. Pois sua digna presença em meio aos cidadãos da aldeia, rapidamente revela as mais ocultas realidades de uma comunidade, ainda e sempre, vivendo na mais profunda escuridão, da condenação. Eis o momento em que a fragilidade existencial chamada culpa pessoal assume a condução dos sentimentos enquanto esclarece as reais sensações daqueles que até ali, pareciam manter-se curados de si mesmos. Só que não. Pois o que transparece de forma inegável na comunidade é a culpa real da consciência, assim que a ética dos judeus lhes confronta quando junto deles caminham plenos de uma devoção religiosa sincera e de uma dignidade amparada na integridade de seus interesses. Pronto, eis o que é capaz de realizar em nosso meio a singela presença de pessoas decentes que foram condenadas pela vaidade de nossas paixões. Enquanto a culpa espiritual da consciência é tratada religiosamente pela confissão que reconhece o pecado, igualmente o seu saudável tratamento humanista social também nos convoca à uma humilde percepção do erro. Daí a tolice daqueles que afirmam jamais se arrepender, pois irão tão somente manter sobre si o peso da consciência, em uma ansiedade permanente e desnecessária. Pois a verdadeira sabedoria se revela pelas atitudes que nos faz praticar, e no caso de estarmos em falta, impossível a superação da situação sem a sensível aceitação de que ali falhamos, por que não? Mas a apreciação deste belo drama e sua necessária reflexão acerca de nossa consciência espiritual são benesses que somente iremos apreciar caso nos deixemos conduzir pelo diretor da história filme adentro. Eis o desafio: todo aquele que se mantiver atento durante os 15 minutos iniciais da lenta apresentação do cotidiano da aldeia, logo irá participar de uma torrente de experiências sensíveis dos cidadãos que nos farão partilhar gravemente as particularidades essenciais de suas consciências, da alma. Bom filme!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: JOGADOR Nº 1, de Steven Spielberg

Se você queria saber o que sentiram seus pais na década de 80 ao assistirem com 18 anos de idade aos filmes "De Volta para o Futuro" e "Caçadores da Arca Perdida", bem, agora chegou a sua vez! Pois o cineasta contemporâneo que melhor associa a excelência técnica cinematográfica a enredos de aventura sensacionais vivenciados pelos seres humanos mais comuns está de volta. O prodigioso diretor Steven Spielberg de "Guerra dos Mundos" e "Minority Report", incluindo "A.I. Inteligência Artificial"- se esquecermos o final "extra", já está disponível num cinema perto de você. O filme "Jogador Nº 1" (Ready Player One, USA, 2018) apresenta a mais prazerosa ficção científica da década através de um roteiro que retrata exatamente... o escapismo que o mundo virtual oferece a quase todos que andam cansados de seu cotidiano de sempre. Segundo Isabela Boscov (Revista Veja, 28/03):"O filme de Steven Spielberg é ao mesmo tempo uma brincadeira ininterrupta e uma especulação distópica sobre um futuro cada vez mais presente - aquele em que a experiência virtual se sobrepõe à vida real com tanta intensidade que chega a substitui-la." Eis, portanto, nossa primeira reflexão a partir do filme nestes tempos em que as relações virtuais já assumiram (quase) o primeiro lugar de interesse na vida de muita gente, certo? Enfim, será que nossa crescente "vida" virtual irá mesmo substituir as realidades do cotidiano que o espaço/tempo real diariamente nos impõe em seus termos? Segundo a Espiritualidade Judaico-Cristã, bem, quase mais ou menos que, sim! O negócio é que o ser humano é uma pessoa sempre integral, um ser físico-emocional-mental-espiritual pra lá de unificado em si mesmo. De tal forma que algo vivenciado por um só aspecto da nossa personalidade, como, por exemplo, "olhar" um jogo da Copa do mundo a quilômetros de distância; well, significa também que experimentamos ali diversas sensações em nosso ser total, coração e mente incluídos. Pois não será uma experiência apenas visual pra nós, sabe? Será algo completo que vai mexer com todo o nosso ser, de verdade. Eis o modo como as experiências constantes de uma vida "só" virtual tornam-se absolutamente integrais para nós, acabando por tocar toda a nossa pessoa. Ou seja, ainda que certas vivências movam nossos sentidos mentais anos luz à frente do corpo físico jogado lá no sofá (cama), bem, isso não impede de experimentarmos pra valer cada uma destas experiências que nos serão gravemente existenciais. Tá entendendo? É bom mesmo. Pois antes de simplificar ainda vai complicar. Conforme as palavras do próprio diretor, em reportagem da revista Rolling Stone (03/2018, Stella Rodrigues): "O que me cativou foi a história de dois mundos", argumenta Spielberg para justificar por que, no fim das contas, não poderia abrir mão do projeto. "O fato de você criar "outro você" e viver na pele de uma espécie completamente diferente, ou gênero, ou personagem. Dá para viver 20 horas por dia, durante os sete dias da semana, em outra vida, em um universo paralelo de nossa própria criação... Você quase se sente mais confortável no outro mundo, e até se decepciona um pouco quando volta para o seu lugar. E, no mais, eu acho que essa é uma enorme história de aventura, mas também um alerta sobre quanto tempo nós realmente devemos passar longe daqueles que amamos e de nossas responsabilidades." Ops, agora está ficando sério, não é mesmo? É isso! Uma espiritualidade saudável reconhece que atividades que nos fazem experimentar somente um ou dois de nossos sentidos, como quando só utilizamos a visão e uma breve reflexão enquanto "existimos" no facebook; então, eis algo que pode prejudicar bastante o amadurecimento da nossa personalidade em outras áreas sensíveis à humanidade. Afinal, a vida humana acontece sempre biologicamente, gente, sem esquecer que as interações físicas e locais junto dos interesses da alma também edificam nossa personalidade continuamente. A questão é que existir pessoalmente na vida real é uma necessidade humana que requer uma vivência aqui, lá e em todo lugar, e junto de pessoas diversas. Uma recente reportagem da Revista Veja (de Giulia Vidale e Natalia Cuminale, 25/04), oferece-nos algumas reflexões valiosas: desde o pensamento de Hipócrates (460 a.C) que constatou ser a melancolia "um estado de medo e desânimo duradouros", até a percepção do psiquiatra alemão Kurt Schneider (1920) que a descreveu como oriunda tanto de mudanças de humor, como sendo também uma reação a situações externas. E ainda, a instigante definição do psicólogo Rollo May (1969): "a depressão é a incapacidade de construir um futuro". Pronto, eis a descrição desta contemporânea depressão que cresceu 40% entre homens e mulheres de 12 a 25 anos nos últimos cinco anos (Universidade Columbia, USA). E os smartphones estão trabalhando duro pra manter os adolescentes nesta existência quase que só virtual, os deixando constantemente ansiosos à espera da aceitação que precisa chegar rápido pela curtida ou piscadela do WhatsApp. Não há como aguentar tamanha opressão destes relacionamentos distantes, e sempre por perto, pois acompanham-nos em todo lugar e a todo momento - quase uma dominação, sim. Ou seja, de um lado fica-se dependente de um "olá" virtual imediato que busca-se 24h por dia, e de outro, pode-se viver intensamente uma amizade que também não nos faz "existir" de forma completa. Eis algo que pode ficar sério! O testemunho de uma estudante de 16 anos, Antonia, traz uma dica importante ao espírito humano: "A depressão é falta total de perspectiva... Eu até ia às festas, mas logo queria ir embora. Não me sentia bem, sem nem mesmo saber o motivo... Esse tipo de coisa precisa ser falado entre os jovens. Até que um dia minha mãe me levou ao médico. O diagnóstico foi um alívio para mim." É isso. Perceber e começar a descrever nossas fragilidades mais íntimas e pessoais é sempre um bom início de tratamento, de nós mesmos, afinal. Pois as enfermidades oriundas de uma vida cada mais vez virtual, tem se tornado uma realidade cada vez mais possível a todos nós. Foi o que nosso criativo diretor previu na entrevista. E o que ele disse é tão importante que até vale um repeteco: "E, no mais, eu acho que essa é uma enorme história de aventura, mas também um alerta sobre quanto tempo nós realmente devemos passar longe daqueles que amamos e de nossas responsabilidades." (Spielberg). E não se deve desprezar outras consequências nefastas dos exageros virtuais, como as que surgem da facilidade em criarmos uma personalidade interesseira e desinibida demais, posto que sempre protegidos pela distância local e pessoal dos relacionamentos que vivenciamos. E basta um pequeno toque no celular pra gente logo descambar pra falsidade ou até o fanatismo. O certo é que este mesmo "mundo virtual" que nos permite experimentar um cada vez maior número de relações dando-nos a chance de fazer parte de grupos humanos diversos, também agrava a quantidade de sensações limitadas que irão manter nossa personalidade imatura desde sempre. O que ocorre é que a vida relacional humana objetivamente física da qual somos parte - enquanto filhos e irmãos de alguém, maridos e esposas uns dos outros, cidadãos da vizinhança e profissionais do mundo além, bem, podem ir por água abaixo mais rápido que a sujeira pelo ralo, amigo. Pois a maior conquista da vida virtual vêm se tornando também nossa maior derrota. A facilidade de vivencia-la a todo instante e em qualquer lugar, gera uma dependência clínica que parecia ter apenas um custo até aqui: o valor pago da internet. Só que não! Acontece que tanto as liberdades instantâneas como a aparente inconsequência das vivências só "virtuais" irão investir nossa personalidade de um egocentrismo solitário que tornarão tudo e a todos, inclusive nós próprios, em pessoas de segundo escalão deste nosso dia a dia cidadão. Enquanto somos tragados por algumas das breves alegrias e esparsos brilhos das relações virtuais que mais engolem nossa alma do que nos dão satisfação, eis a questão: como superar esta vida interior do exterior que tão fortemente nos controla e seduz, cada vez mais? Bem, de um lado, seria bom correr logo atrás de atividades reais de grupos e relacionamentos que envolvem gente, bastante gente, sim. Isso importa muito, de verdade! Igualmente, de uma maneira existencial e mais interior, eis que a Espiritualidade judaico-cristã celebra nestes meses de abril e maio as experiências de fé que informam como os seres humanos podem ultrapassar os limites desta existência virtual, cada vez mais total. Pois se a Páscoa cristã é o fato histórico em que seres humanos limitados tem seus pecados perdoados a fim de que consigam viver seu frágil cotidiano junto da forte Personalidade de Deus Pai; eis que o Pentecostes é a chegada ao planeta Terra do próprio Espírito Santo de Deus pra viver junto destes mesmos homens - numa relação que vai iniciar lá na alma deles próprios. Ou seja, Deus irá tratar os enganos e falsetas, perturbações e distorções de nossas relações virtuais a partir de um tratamento existencial que inicia direto em nosso espírito. Única maneira de superar um mundo exterior que tão fortemente conduz nossa pessoa total pra que sejamos o que não queremos, impedindo ainda de nos tornar quem poderíamos ser. Eita! Uma experiência absolutamente espiritual entre a sua alma humana e o Espírito do próprio Deus que vai iniciar assim que você fizer o primeiro pedido da maior das orações: "Pai nosso (...) que venha o teu reino e seja feita a tua vontade!"... neste meu coração angustiado e quase controlado por uma vida bastante virtual que não mais consigo equilibrar, na real. Então, fuja do facebook às terças e quintas-feiras e aproveite as boas experiências virtuais que o filme apresenta, pois como bem disse um amigo meu, tem muita gente aproveitando as redes sociais de maneira saudável, pra fazer contatos e amizades e até pra conseguir empregos e ajudas diversas. Bom filme!

sábado, 31 de março de 2018

A PÁSCOA Cristã e a Oração do PAI NOSSO

A oração do Pai Nosso é uma conversa mística disponibilizada aos seres humanos a partir da Páscoa de Jesus que oferece à humanidade um encontro direto com a própria Pessoa de Deus Pai. Trata-se de um encontro com Deus que ocorre diretamente dentro do nosso próprio espírito, o que configura um contato místico entre nós e a pessoa de Deus. Pois um relacionamento "místico" é exatamente uma experiência pessoal relacional entre espíritos vivos; no caso, entre o seu e o Espírito de Deus. Eis a razão que torna esse relacionamento em algo diferente de outros encontros e experiências também "espirituais" da vida humana. Pois como Deus vai "mover" esta oração a partir de bênçãos espirituais enviadas direto ao nosso espírito, então, será de lá mesmo - de nosso interior mais íntimo, que todas as sensações deste encontro irão chegar até o nosso corpo, mente e emoções. Alcançando mais tarde toda a nossa vida individual e social. Pois na Oração do Pai Nosso a essência das experiências que iremos desenvolver junto com a Pessoa de Deus acontece primeiro e diretamente em nosso espírito. Não inicia por nossos olhos ou através de um contato físico, como em outras situações da nossa vida. Eis algo importante pra perceber, pois se trata de uma experiência espiritual diferente das que estamos acostumados a vivenciar. O que não significa que devamos ter dúvidas dela, ao contrário, pois há plenas garantias de que será um encontro abençoador para nós. Trata-se de uma relação pessoal físico-espiritual junto de Deus somente possível a partir da Páscoa, pois enquanto nossa humanidade errônea fica separada de Deus devido aos pecados - eis que a Paixão (sofrimento) de Cristo retira os pecados da gente. Pronto! Eis um relacionamento quebrado que está sendo refeito pelas obras cristãs da Páscoa. Uma outra característica interessante deste encontro místico entre você e Deus que vai iniciar no seu espírito pela oração do Pai Nosso é que Jesus será o conselheiro mor deste relacionamento. Ou seja, trata-se de uma pessoa bastante confiável pra mover algo tão íntimo e forte na sua vida. Isto significa que os pedidos que você vai fazer pra Deus através desta vivência espiritual serão mais seguros - para você mesmo, pois irão depender mais da Pessoa de Deus do que necessariamente de você, ou de qualquer outra pessoa envolvida na situação. Algo que vai ajudar muito, acredite, pois às vezes não sabemos o que pedir, seja por dúvida ou confusão ou até por estarmos vivenciando um momento difícil na vida. Mas, na Oração do Pai Nosso esta é uma dificuldade que logo se resolve. Pois o primeiro pedido nosso pra Deus é exatamente para que "Venha o Reino (dEle)" sobre nós; então, tudo fica mais fácil e verdadeiro a partir desta petição simples, mas bastante ampla e também segura. Pois Deus Pai tem sabedoria para agir da melhor maneira em tudo que existe e acontece, e assim Ele não fica limitado ao nosso pouco conhecimento das coisas ou ao nosso sentimento inconstante do dia a dia. Deus vai agir direto na veia espiritual e pessoal de cada um de nós administrando um governo e valores d´Ele mesmo sobre nós e tudo que nos cerca. Daí a importância de você desenvolver a espiritualidade através deste encontro místico entre a sua pessoa e a Pessoa de Deus, Pai; que é algo que acontece assim que você pratica a Oração do Pai Nosso. Bem, e já terminando por hoje, lembre que o grande valor deste encontro espiritual junto da Pessoa de Deus através da oração do "Pai Nosso" é que todos os seus pedidos serão benditos, pois serão orientados tanto por Jesus como também, pelos princípios do Governo de Deus. Quê são os valores desenvolvidos em cada uma das petições da oração, como: o reino e a vontade de Deus vindo até nós, bênçãos para nosso trabalho e saúde e a nossa subsistência, o perdão para nós e ao próximo, e o livramento do Mal e de nossos desejos ruins. E por aí vai! Ou seja, praticar o relacionamento espiritual da Oração do Pai Nosso irá transformar a vida a partir de sua pessoa mais íntima e sincera, que é seu próprio espírito. Eis o movimento espiritual místico através do qual a Páscoa Cristã traz vida nova pra você!

terça-feira, 27 de março de 2018

a Espiritualidade da PÁSCOA no Cinema: O Resgate do Soldado Ryan

O talentoso cineasta Steven Spielberg levou o OSCAR de direção em 1999 com este drama militar em que um grupo de soldados liderados pelo capitão Miller (Tom Hanks) assume uma só missão durante a retomada da Europa das mãos dos nazistas: eles devem resgatar o último sobrevivente (Matt Damon) de quatro soldados da família Ryan, pois três dos irmãos já morreram nas batalhas da II guerra. Eis o argumento do clássico filme de guerra "O Resgate do Soldado Ryan", USA/1988, que dramatizou a mais midiática batalha de guerra do cinema ao apresentar o desembarque dos aliados na Normandia em 1944 como um épico realista inigualável. E já que falamos de Espiritualidade por aqui, eis que a palavra "Resgate" traz consigo a ideia de uma ação ou atividade que é impossível de ser realizada pelo resgatado - ou seja, alguém terá que praticar esta boa ação por ele. Trata-se de uma conquista que depende totalmente daqueles que irão protagonizar o resgate, restando ao condenado somente aguardar a chegada de seus salvadores. E a ocorrência de um "resgate" espiritual é exatamente a experiência principal da Páscoa dos Cristãos, pois nesta a morte do cordeiro sacrificado é que irá resgatar milhões de seres humanos de seu traçado destino de morte. Trata-se de um resgate realizado por um ato de "substituição", afinal, de tal forma que assim que os cordeiros morrem, os homens antes condenados à perecer são consequentemente resgatados e livres de experimentar tal condenação existencial. Um projeto de resgate sacrificial que o Capitão Miller igualmente protagoniza como o amadurecido líder da missão urgente que assume ao liderar um pelotão de soldados em meio à Europa incendiada pela batalha mor da II guerra mundial. Uma atuação que lhe valia outro Oscar! E o ator Tom Hanks preenche sua personalidade com algumas posturas éticas que o aproximam daquelas que edificam as melhores ações espirituais entre os homens. Pois o sacrifício ao qual se dispõe é abraçado por ele integralmente assim que se dedica ao mesmo de corpo e alma. Dá até pra dizer que o (bom) capitão é um voluntário para o que der e vier, apresentando uma personalidade militar sacerdotal interessante, até pela maneira com que finaliza sua missão junto do soldado Ryan, ao desafia-lo à uma vida digna. Valores éticos de uma liderança existencial que observamos grandemente na própria Pessoa essencial da Páscoa Cristã - sim, Jesus de Nazaré também entregou-se às torturas e morte da Sexta-feira da Paixão em atitude consciente e voluntária: "Ninguém tira a minha vida de mim, eu a dou livremente", esclareceu ele na biografia autorizada do Apóstolo João. As razões de Jesus Cristo ter assumido tal sacrifício mortal-espiritual a fim de que os homens de fé não continuassem mortos na eternidade, origina das perspectivas transcendentais de sua experiência de vida terrena enquanto o homem celestial que vêm libertar a humanidade por aqui. Pois o que Jesus veio resgatar essencialmente não foi a natureza e criação ou o governo dominante desta época, mas sim, as próprias almas dos homens. Daí que pra realizar este peculiar resgate era necessário livrar a espécie humana de sua permanente experiência natural de morte, além desta vida. Jesus, então, teve que morrer exatamente pra "matar" a força da morte em si mesmo enquanto um ser humano, livrando assim a humanidade de continuar padecendo sob esta miséria, continuamente. E do mesmo modo com que o Capitão Miller desafia o jovem Ryan a abraçar ferozmente a experiência de uma vida virtuosa a partir dali - oportunidade existencial que lhe foi possível somente a partir do sacrifício de quase todo um pelotão; igualmente Jesus convoca os Cristãos no Domingo de Páscoa para que conheçam (desde já) as vivências excepcionais da Ressurreição da maneira de viver dos homens. Assim como a frase do capitão Miller é simples e direta para Ryan: "Faça valer a pena!"; da mesma forma Jesus convoca seus fiéis a "celebrarem a sua salvação da morte", vivendo desde agora como sal e luz entre os homens, fazendo brilhar uma experiência de vida humana gerada a partir da própria Personalidade de Deus. Eis aquele momento na história em que o resgate por sacrifício chamado Páscoa torce o destino da humanidade assumindo a morte sobre si para que milhares e milhões descubram uma vida, nova. Bom filme e Feliz Páscoa!