sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema - ATÉ O ÚLTIMO HOMEM, de Mel Gibson

DESMOND Thomas DOSS foi um homem de grande fé religiosa ou um ser humano de enorme fé espiritual? Desmond Doss participou da Segunda Guerra Mundial e jamais colocou uma arma nas mãos - nem mesmo pra se defender. Membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ele atuou como médico do exército dos Estados Unidos na batalha de Okinawa e ali salvou mais de 75 homens. Ele se tornou o primeiro "opositor de consciência" a receber a Medalha de Honra. Eis a história verídica contada no ótimo filme - ATÉ O ÚLTIMO HOMEM, do diretor Mel Gibson, 2016. Desmond DOSS foi voluntário ao exército em 1942, afirmando desde o início que jamais iria pegar em armas ou matar um soldado inimigo, sempre em razão de suas crenças. Doss foi um "objetor de consciência", valor dos que se recusam a servir como combatentes das Forças Armadas em razão de seus princípios religiosos, morais e éticos. O site "Adoro Cinema" desenvolve boa reflexão acerca do tema principal da vida militar de Doss: "Desmond sublinha a contradição do heroísmo americano: (pois) por um lado, não tirar a vida de uma pessoa é percebido como virtude, (mas) por outro lado, tirar a vida de inimigos que nos atacam é considerado um ato de bravura. De que modo se concilia o mandamento “Não matarás” com o patriotismo guerreiro? Até o Último Homem fornece uma leitura didática, mas interessante...". Sim, é interessante mesmo. Tanto o filme quanto a contradição do heroísmo humano... Mas, a questão aqui é outra, pois o que nos interessa é pensar a Espiritualidade humana a partir da situação militar e religiosa que Doss viveu! E vale a pena pensar nisso, sim, pois a religiosidade normalmente se associa à obediência quase cega de algum ritual ou mandamento, enquanto a espiritualidade parece ocorrer mais como uma experiência existencial, e por isso mesmo, consciente e refletida. Até confesso que este negócio de "não pegar em armas nem pra auto-defesa", só pra melhor obedecer ao mandamento "Não matarás", sempre me pareceu algo bastante enganoso - tanto espiritual, como principalmente, no aspecto religioso. Mas assistindo ao filme ATÉ O ÚLTIMO HOMEM, digo que ali presenciei uma espécie de religiosidade prática espiritual tomar forma de maneira quase miraculosa diante de meus olhos. O que tem feito eu meditar bastante acerca dessa situação, de verdade. E olhe que a realidade do que DOSS viveu na batalha foi muito mais cruel e milagrosa até do que o filme faz parecer, pois não há filme que possa recriar uma batalha real de guerra, acredite! É isso, então. Mas, voltemos logo ao nosso ponto: DOSS foi um dos maiores religiosos obedientes que se conhece, ou, então, tornou-se um dos grandes homens de fé espiritual que por aqui já andou? Não é fácil a questão, não. A dedicação quase ritual de Desmond Doss em praticar na vida diária um mandamento objetivo de maneira praticamente literal se apresenta - em conceito, mais como uma obediência religiosa do que experiência espiritual. Ao mesmo tempo, o amadurecimento da personalidade interior de DOSS e as consequências de sua obediência junto aos homens com quem compartilha sua fé produzem transformações existenciais que somente as boas espiritualidades conseguem realizar. E agora, José? A caminhada de fé de DOSS faz pensar que até obediências rituais pouco razoáveis acabam produzindo mudanças de vida bem espirituais - pois bastante místicas, também; já que a relação com Deus e o Espírito se desenvolve de maneira bastante eficaz, sim. É o miraculoso do espiritual, afinal. A partir disso, dá pra entender que o verdadeiro controle da caminhada espiritual de um homem de fé está menos em suas mãos, e mais sob o poder das ações de Deus, a quem busca seguir. Pois mesmo práticas rituais quase incompreensíveis - assim vistas sob à luz da espiritualidade humana, produzem mudanças de vida que transformam muito a pessoa que as experimenta, e aos outros também. Ou seja, dá pra confiar que uma boa obediência prática - meio na raça, faz acontecer uma real espiritualidade humana - cheia de fé; isso quando a Palavra que se crê veio de Deus. Pois o comando do negócio da Espiritualidade acaba sendo, e precisa ser mesmo, mais do Espírito de Deus, do que do cidadão abençoado na situação. Bom filme! E vamos em frente, sempre na Espiritualidade... ** Em tempo: DOSS foi premiado com duas Estrelas de Bronze por bravura em 1944, nas Filipinas. Em seguida, então, salvou a vida de mais de 75 homens durante a Batalha de Okinawa em 1945, ocasião em que foi ferido quatro vezes. Pouco antes de deixar o Exército, foi diagnosticado com tuberculose, o que lhe custou um pulmão. Dispensado do Exército em 1946, passou cinco anos tratando suas lesões e doenças. **

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