terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: A FESTA de BABETTE

A sabedoria deve ser utilizada para alcançar sucesso e o conhecimento humano é capaz de solucionar todas as questões da existência? Segundo Eugene Peterson, "Eclesiastes é uma testemunha famosa - talvez a mais famosa do mundo - dessa experiência de futilidade." Só que ao invés de (só) ler o livro pra bem meditar nestas questões cruciais, vale a pena - sim, assistir ao belo filme "A FESTA DE BABETTE" pra gastar um bom tempo pensando no valor da vida. A "narrativa de cinema" do filme é de uma sabedoria sútil e estimulante, pois a maravilhosa experiência de estar vivo torna-se uma sensação compartilhada a partir dos olhares de cada personagem, enquanto vivenciam seu cotidiano de aproximações e distanciamentos em meio às tarefas e necessidades de sempre. O filme dinamarquês foi lançado em 1989, do diretor Gabriel Axel, e permanece como uma preciosidade a bem revelar as riquezas da presente vida humana. E da saudável Espiritualidade, também. A história se move ao redor de duas belas filhas de um Ministro da Igreja Luterana que vivenciam junto de sua pequena comunidade as possibilidades diversas - boas e más, que tanto a cultura do mundo quanto as doutrinas das religiões ofertam aos homens para que vivam. Pois saber o quanto se deve experimentar acerca de tudo que a vida neste mundo nos oferece, e conseguir bem meditar a respeito de quais regras religiosas são essenciais para nos dar real satisfação existencial, bem; trata-se da sabedoria dos conhecimentos, muitas das vezes. E nesta perspectiva, "A FESTA DE BABETTE" é um grande filme existencial do seu início até o final, eficaz e feliz ao apresentar vida humana profunda comunicada através de encontros cotidianos simplórios e tocantes. Pois as experiências mais comuns pra se alcançar sucesso e sabedoria são praticadas, e no final da vida renegadas, pelo sábio de Eclesiastes; desde que ele decide observar à exaustão a natureza atrás de um virtuoso padrão; conquista e aprimora todo o conhecimento da vida, e vivencia em grave paixão todos os prazeres disponíveis - e tudo em profundidade e abrangência transbordantes. O que em nada resolveu o seu silêncio da alma e a canseira do corpo, pois após tudo isso experimentar, pouco viu sua História mudar. Tudo se repete, afinal. E nada faz mesmo sentido. Tudo é vaidade, enfim. Pois a história humana não muda, jamais, e os limites do espaço (a vida é aqui!) e os limites do tempo (todos morremos!) perduram, quase sempre. E tem superado os humanos, desde então. Eis as definições de Eclesiastes ao resumir suas conclusões acerca da capacidade da sabedoria trazer sucesso e da condição do conhecimento solucionar os destinos da vida humana no planeta. Mas, não nos deixemos quedar, pois o que demora para apreender da leitura do livro bíblico, eis que o filme "A FESTA DE BABETTE" nos ensina ao vivo e a cores, quase em três dimensões. E o final da lição é que o bom conhecimento só humano destes tempos é ainda, a de que devemos viver cada um, a sua história. Pois nessa vida tudo tem sua hora, e há tempo certo pra tudo! Há hora de nascer e hora de morrer, hora de chorar e hora de rir, hora de abraçar e hora de se afastar, hora de calar e hora de falar, e ainda, hora de segurar e hora de largar. Incrível mesmo é perceber como "A FESTA DE BABETTE" foi tão feliz e crucial em apresentar - a cada cena e situação do filme, qual era a hora devida de cada personagem, e o que cada um deveria fazer - pra bem e satisfatoriamente sua história viver. Pior mesmo é descobrir que talvez nossas escolhas fossem diferentes das deles, e daí, nosso engano e desilusão - ecos do nosso tempo, confuso e superficial. Desde os convites eternos à paixão amorosa, até as oportunidades do sucesso padrão global. Desde a entrega juvenil às fugazes experiências do desejo sensual, até a vontade de tudo controlar pelo governo soberano das regras das sensações. Enfim, não são poucas as situações do filme em que observamos a vida... como que escorregar pelas mãos. Só que não, pois é exatamente pela sabedoria da simplicidade e pela limitação das oportunidades da humanidade, que da vida se extrai a hora certa e o tempo oportuno, pra enfim, tudo poder experimentar - como é certo e apraz. E assim conseguir, afinal, viver, e com que satisfação. Por que não? O banquete final faz transbordar a comunhão entre os humanos distanciados pelos desejos egoístas e regras rituais, em uma refeição que nem o Apóstolo Paulo renegaria; pois afinal, na luta da vida, o melhor que dá para fazer é divertir-se e tentar sobreviver, pois se teremos festa ou sofrimento, é Deus quem decide. Em resumo: comer e beber e tirar o que puder do próprio trabalho. Esse é um presente de Deus, também. Ainda que haja muitos outros dons disponíveis, e até o principal, que é temer a Deus! Siga em frente, então, e viva sua vida! E bom filme, pois há tempo pra tudo debaixo do céu.

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