quarta-feira, 12 de abril de 2017

PÁSCOA no Cinema: A PAIXÃO de CRISTO, de Mel Gibson

Uma pergunta crucial da humanidade que o filme SILÊNCIO não consegue responder, a PAIXÃO DE CRISTO explica de maneira decisiva e surpreendente a todos que celebram a Páscoa. Se o belo e profundo filme do diretor Martin Scorsese (2016) gera angústia ao meditar porque Deus permanece calado enquanto as pessoas sofrem demais - especialmente quando nossas dores sobrevém pela mão de outros homens. O admirável filme do diretor Mel Gibson (2004) responde através de fortes experiências de condenação e morte, o quanto Deus detesta - e condena com rigor, as maldades praticadas pelos homens na história. Pois as detalhadas cenas de tortura e o cruel assassinato de Jesus de Nazaré - conforme revelados são no filme A PAIXÃO DE CRISTO, ensinam qual o tamanho do juízo com que Deus Pai processa a humanidade por termos trazido ao mundo a existencial corrupção do pecado. Afinal, a paixão é sempre um sofrimento por substituição no contexto da Páscoa - pois um cordeiro morre em lugar dos filhos escravos no Egito. E Jesus de Nazaré também morre, só que no lugar dos homens de Fé em Deus Pai. Uma realização pontual de alcance permanente na história da humanidade. Eis a razão da possível demora pra entender o quanto Deus abomina e deseja detonar a maldade dos homens deste mundo, de uma vez pra sempre. Pois fica difícil enxergar o bom juízo do Juiz quando a condenação recai sobre... um inocente, Jesus. A Páscoa é uma festa organizada no antigo Israel pelos descendentes de sangue dos escravos do Egito. Sempre foi uma celebração fundamental para eles, tanto como experiência interior, e também como uma sensação física importante aos homens de fé. Pois o povo de Israel festeja a Páscoa deixando de lado certos prazeres da vida, inclusive o recheio do pão do lanche diário, sempre no objetivo de que a pessoa que a celebra possa melhor apreender as imerecidas bondades recebidas de Deus. Pois não há quem consiga bem desenvolver sua espiritualidade, se não o fizer unindo tanto seu interior e espírito, quanto seu corpo e consciência junto da celebração que deseja partilhar. Ainda que o símbolo do ovo (com filhote de galinha dentro) aponte pra continuidade da vida, e que até mesmo o chocolate prolongue bom prazer ao corpo, quase chegando a tocar a alma. Vale a pena, sim, e nem custa tanto, praticar uma vivência mais humilde quando a celebração isto indica. E a Páscoa sempre foi um tempo oportuno pra reconhecer como Deus nos livra de alguns merecidos juízos e seus sofrimentos. Daí que um pouco de frugalidade - espiritual e corporal, não faz mal a ninguém; de verdade. A direção de Mel Gibson é excelente, digna de um filme sobre o Filho de Deus - mesmo. Algumas de suas decisões autorais e fílmicas impressionam bastante. Os idiomas originais falados por Jesus de Nazaré e os soldados romanos na Palestina do primeiro século, o aramaico e o latim, são as línguas que ouvimos sair dos lábios e corações dos atores - que atuam com grave intensidade. Algumas cenas cruciais, ou que assim se tornaram, são sensacionais em seu esplendor espiritual. A tentação de Jesus conduzida pelo demoníaco ser espiritual Satanás, simbolizado na pessoa de uma mulher pálida como se fora um zumbi, que tudo que toca suga pra si, atemoriza. A recordação de Maria que lembra Jesus em queda, ainda menino, assim que vê o Messias dos homens cair com o peso da cruz sobre si, toca e aquece até o mais frio coração e alma de qualquer dos homens. Finalmente, eis que a lágrima do próprio Deus Pai se derrama como gota cortante e amplificada dos céus junto ao corpo morto de seu único filho, Jesus. Situações reais e históricas que a obra nos permite comungar em uma sinceridade espiritual e vibrante por meio de cenas sabiamente filmadas. Jim Caviezel representa Jesus Cristo no filme e traz para esse complexo homem da história uma humanidade existencial iluminada. Pois enche de sinceridade as cenas mais triviais e comuns, e preenche de realidade algumas situações transcendentes e místicas que o Filho de Deus vivenciou junto aos homens na Terra. O doloroso olhar de Jesus, que se qualifica como um encontro com todos nós, alcança o Apóstolo Pedro em sua terceira negação do Cristo - e mais ensina do que define. Pois é um olhar carregado de dores devido ao desprezo do amigo, mas que se mantém pleno de compaixão a partir da eterna amizade entre os dois. Jesus permanece solidário, sim, até quando é atraiçoado. Coisas de Deus, afinal. A cena final que revela a maneira pela qual a morte foi outrora vencida por um homem aqui na Terra - nossa possível Ressurreição, é bonita demais. Entramos pela caverna mortuária e junto com a luz do dia observamos que os panos que envolviam o morto encontram-se, agora, largados e vazios na pedra fria do cemitério. Eis a descoberta que emociona, então, pois o mesmo homem que na sexta-feira morreu - agora no domingo, já respirando e vivo de novo está. Enfim, se há muitas coisas boas e interessantes pra se fazer nesta Páscoa - que uma delas seja, também, assistir ao filme A Paixão de Cristo. Bom cinema em casa e uma Feliz Páscoa, bastante espiritual, pra todo mundo.

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