terça-feira, 27 de junho de 2017

a Espiritualidade da ALEGRIA, no Cinema: o NOME da ROSA

O magnífico livro de Umberto Eco, O NOME DA ROSA, tornou-se um bom filme em 1986, de Jean Jacques Annaud, com Sean 007 Connery e F Murray Abraham (Amadeus). A história se passa na Idade Média e o enredo dramático transcorre num mosteiro benedito no ano de 1327. O que nos oferece uma boa ideia acerca de como se vivia na época, tanto ao retratar o dia a dia dos religiosos, quanto ao expor o controle da igreja sobre o conhecimento acadêmico e do cotidiano da população do vilarejo. Sean Connery é o frade franciscano William de Baskerville, que chega ao mosteiro como membro da Ordem franciscana para participar de um debate acerca da riqueza da Igreja de Cristo junto aos representantes do Papa. Uma série de assassinatos entre os monges do mosteiro faz com que William "Sean Connery" de Baskerville protagonize uma interessante figura detetivesca a la Sherlock Holmes. O motivo aparente das mortes é uma obra de Aristóteles acerca da importância do riso e alegria para a humanidade, pois apresenta um conflito entre o pensamento da igreja e as reflexões que a Renascença vai provocar já preparando a Europa para o Iluminismo, que irá repensar a maneira como se compreende a experiência da vida humana no planeta. Kledson Bruno Camargo, em coladaweb.com, assim descreveu o confronto de ideias à época: "Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da antiguidade greco-romana os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja. No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista, que com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes cometidos no mosteiro." Sem dúvida, Kledson nos oferece um belo resumo repleto dos bons conteúdos que indicam a profundidade das questões pensadas na obra literária. Pena que o diretor francês Annaud não chega nem perto de tocar nestes temas no cinema, magistralmente narrados em livro pelo italiano Umberto Eco. Assim, resta-nos aproveitar tanto o bom suspense quanto a atmosfera medieval do filme, junto de algumas indagações espirituais que a obra nos permite meditar - a partir daqui mesmo. A Espiritualidade da alegria é um tema bastante controverso junto aos filósofos espirituais e pensadores religiosos, seja lá qual for a razão de tanto conflito; provavelmente por heranças doutrinais que só reconhecem existir boa profundidade interior quando há um excessivo controle das sensações exteriores do ser humano. De qualquer forma, até Jesus sorriu - e bastante, e o próprio Rei Davi de Israel cantava e dançava alegremente como um cordeiro novo. E não precisa ir muito longe pra observar a alegria com que uma Festividade Judaica contagia todos que estão por perto - sem esquecer, então, que qualquer festa judaica é sempre religiosa, portanto... Mas, enfim, a religiosidade humana tanto só doutrinal quanto filosófica tem lá suas dificuldades com a alegria das pessoas e, principalmente, com os seus risos e grandes sorrisos. A origem do drama pode estar na grave diferença que existe entre a vivência de uma experiência de espiritualidade do homem em contraponto com as atividades somente religiosas e filosóficas humanoides que movimentam a interioridade do cidadão, por aí. Sim, isso mesmo, falamos do eterno conflito entre doutrina e prática, e neste caso, olhamos pra ela junto da crucial questão do controle do sentimento e das sensações humanas exteriores de todos nós. Pois como nem sempre agimos "espiritualmente" de acordo com aquilo que se espera, ou então não reagimos conforme bem requer a situação; melhor que aprender (a viver) errando, importa logo parar (de viver), pra não errar (muito) mais. Faz parte, às vezes, mas nem tanto. A decisão final acaba sendo por quase nem sorrir, mais, e gargalhar então, jamais! Ora, a maior dificuldade e erro da doutrina "religiosa" que deseja regular toda demonstração exterior de sentimentos - como a vivência da alegria, por exemplo, surge exatamente do fato que a origem de tal sensação nasce exatamente lá do interior do ser do homem - seu espírito. Daí o grave engano humanitário espiritual desta ideia. Pois não se consegue bem desenvolver um sentimento, se buscamos regula-lo em sua experiência de amadurecimento em um estágio posterior que não aquele de sua origem e essência. O ponto é que a fim de não matar de vez o sentimento através de um grave controle externo de sua exposição, só mesmo se houver uma genuína experiência espiritual interior que permita sua boa prática - o que nem sempre é o forte das religiões ou filosofias interiores (só conceituais) da humanidade. Fique bem atento, portanto, ao seu Profeta e Mestre de práticas espirituais. E leve isso bastante a sério. Ou então, você jamais irá sorrir, de verdade! A outra (excelente) reflexão que o filme "O Nome da Rosa" proporciona é a busca por saber um pouco mais acerca do tema espiritual mais abrangente da história! Uma ideia que analisa a maneira como adquirimos conhecimento para melhor desenvolver a vida dos homens. Que é a própria base do conflito entre a visão da Igreja Medieval e o pensamento da Renascença e Iluminismo sobre como deve-se viver esta existência humana no planeta. Algo que vai definir a importância de se experimentar o riso e a alegria na presente vida físico espiritual da humanidade. Neste sentido, há um tema para a Espiritualidade judaico-cristã que é praticamente a mãe de todas as questões, e guerras também. Trata-se do momento na História da humanidade em que o ser humano provou o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, que veio a se tornar uma experiência dupla para a nossa espécie. De um lado, saímos debaixo da proteção e orientação de Deus pra viver a vida sem Ele. E de outro, decidimos conhecer por nós mesmos tudo que existe nesta vida pra então irmos definindo como deve acontecer nossa história por aqui. Eis a experiência do "Conhecimento do Bem e do Mal", que todos os seres humanos têm. Algo que nem sempre nos ajuda a viver melhor, na maioria das vezes. Só pra exemplificar, utilizando o conhecimento e a experiência de vida tanto do Rei Davi como do Profeta Jesus. Veja as danças e risos, simpatia e alegria que existem na personalidade destes dois homens da história da (boa) Espiritualidade. Então, o fato é que as atitudes deles estão mais relacionadas à Verdade de Deus, do que, necessariamente, a um conhecimento "do bem" ou "do mal"; que normalmente todo ser humano já tem. No caso dos risos e sorrisos, alguns homens podem orientar essa experiência de alegria humana a partir do conhecimento "do mal"; e aí eles desejam controlar e oprimir o próximo. E outros, podem até decidir apoiar ou permitir essa experiência de risadas deixando tudo ocorrer como bem quer, o anfitrião. Algo que seria uma espécie de conhecimento "do bem", na situação. Só que nem sempre o resultado é uma alegria que gera harmonia, tanto pra quem ri quanto pra quem sorri; pois a ironia e o desprezo andam juntos da liberação da gargalhada só hormonal do homem, sim. Tá entendendo? O negócio é que a maneira como o ser humano adquire "Conhecimento" pra entender e saborear a vida é o que vai definir as experiências da sua existência neste mundo. Se serão, afinal, sorrisos alegres e harmoniosos, ou galhofas barulhentas e criadoras de conflitos; inclusive, interiores e espirituais. Portanto, a fim de bem orientar nossa vida neste planeta a partir de uma perspectiva espiritual, é preciso saber que existem - sempre, três opções de conhecimento disponíveis pra indicar o jeito como vamos experimentar a nossa existência. Pode ser pelo conhecimento "do bem", ou então, pelo conhecimento "do mal", e ainda, pode ser através do conhecimento da "verdade". O conhecimento do Bem e do Mal está "dentro" de todo homem. Já o conhecimento da Verdade, bem, aí vai depender, bastante de você refletir corretamente acerca de quem será o seu Profeta, amigo. Pois um cego não pode guiar outro. Se assim for, os dois irão gargalhar de si próprios e de quase todo mundo, caindo ambos no buraco da solidão ou da tolice. Pense nisso! E bom filme.

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