sexta-feira, 16 de junho de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: Um Senhor ESTAGIÁRIO

O bonito filme "Um Senhor Estagiário" (2015) se assemelha no conteúdo ao excelente "A Loja da Esquina" (de Ernst Lubitsch, com James Stewart, 1940) e ao muito bom "Mensagem pra Você" (de Nora Ephron, com Tom Hanks e Meg Ryan, 1998). Eis a primeira boa razão pra assisti-lo. Nancy Meyers o dirigiu unindo boa sensibilidade relacional junto de uma eficaz técnica de comédia, apoiada com um pouco de feminismo contemporâneo, que também atualiza socialmente seu enredo. Robert De Niro retorna às suas boas apresentações e Anne Hathaway segura junto a qualidade do script tocante que o roteiro procura desenvolver até construir o realista final emocional da história. Daniela Pacheco, em cinemadebuteco, o descreveu assim: "A narrativa leve de Meyers é outro ponto positivo. Diálogos bem construídos, especialmente aqueles entre Jules e Ben – algo essencial aqui -, um desenvolvimento natural do roteiro e transformações nos personagens que são plausíveis na maior parte do tempo. O aprofundamento dos dois protagonistas é bastante satisfatório, pois conseguimos compreender quem são, seu background e porque agem da maneira que agem. E, obviamente, Hathaway e De Niro. O filme funciona primordialmente por causa de suas atuações e química contagiante... Não, Um Senhor Estagiário não é um conto de fadas. Trata-se de um filme leve, sim, e os personagens podem ser bonzinhos demais, mas não é nada mais do que um universo recheado de indivíduos como aqueles que nos cercam diariamente. É uma produção realística e cotidiana, que reflete nossa sociedade e discute temas como machismo, família, amor, envelhecimento e amizade. Meyers faz aqui o que sempre fez de melhor e que está presente em outras obras de sua carreira." Enfim, trata-se de um bom filme, gente. Assistam, mesmo! Enquanto isso, aqui vão algumas reflexões espirituais que o filme permite pensar pra nos lembrar que a humanidade tem sim, corpo, alma e espírito vivendo (todos) juntos dentro deste sarado ser físico de quase todo mundo. Algo que, se for deixado de lado por muito tempo, vai causar estragos tanto na alma, quanto no coração de todos. "Um Senhor Estagiário" inicia (e termina) com uma interessante cena de práticas espirituais que cuidam do interior da gente enquanto "movimentamos" o corpo pra aquietar a mente, e a alma. Bacana. Mas é no desenrolar da história que algumas (boas) orientações da Espiritualidade judaico-cristã surgem de maneira instigante pra nos ajudar a cuidar da própria vida, levando em conta alguns eternos princípios espirituais. Pra começar, e até terminar de dar uma boa olhada nos valores que o filme nos traz, vale a pena reconhecer que o desprezo aos princípios éticos sociais que a nossa presente época da pós-verdade apregoa, são amplamente negados pelas vivências relacionais dos protagonistas. Não é nada, não é nada, já é um monte de coisa boa, pra quase todo mundo. Um casamento, do passado ou do futuro, ainda tem valor e merece receber aquele cuidado a mais; que não somente a decisão de tudo terminar assim que chega pra valer nossa primeira (grande) encrenca. Um pouco de coleguismo fraternal e até um olhar para a corporação inteira ajudam na tomada de decisões profissionais; ao invés desta se tornar somente uma experiência individual que pouco enxerga além do próprio pé, no traseiro dos outros. Certa sobriedade emocional e um pouco de experiência de vida são - até que enfim, apresentadas de forma mais realista, de verdade, pois (bem) descrevem que na multidão de um bom conselheiro vivencial existe bastante sabedoria. Que deixemos vir a nós os nossos idosos, please. A humildade individual que provê experiências reais de aprendizado pessoal, e a humildade comunitária que me tornam capaz de partilhar de um grupo, ali abraçando o lugar que me cabe; tornam-se, finalmente, bons valores de uma ética de convivência social que constrói personalidades no tempo, ao invés de figuras emblemáticas temporárias, egoístas e orgulhosas demais. Enfim, a humanidade pode ser (e certamente será) bem melhor do que estamos acostumados a ver (e sentir) tanto no cinema, quanto no bairro. E também nas nossas novelas (quanta porcaria!). Tudo isso nos remete a um bom número de provérbios bíblicos de sabedoria e nos recorda alguns mandamentos divinos de respeito e fraternidade, que são, sim, princípios relacionais espirituais pra quem quiser deles receber satisfação, oriundos de uma vida mais bem realizada, gente. Tanto nestes dias, quanto no porvir. Pois até a eternidade se constrói desde agora, com um (pouco) mais de temor, a Deus! Que filme agradável, e bom de assistir. Obrigado, Nancy.

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