Este belíssimo filme de Frank Darabont (diretor de "Um Sonho de Liberdade", 1994) torna-se uma fábula bastante interessante para aqueles que buscam compreender a existência espiritual da humanidade.
Baseado no livro de Stephen King e lançado no ano de 2000, tendo o ótimo Tom Hanks como protagonista, trata-se de um drama miraculoso que o blog adorocinema intitula de Fantasia/Policial e apresenta assim por sua sinopse: "1935, no corredor da morte de uma prisão sulista. Paul Edgecomb (Tom Hanks) é o chefe de guarda da prisão, que tem John Coffey (Michael Clarke Duncan) como um de seus prisioneiros. Aos poucos, desenvolve-se entre eles uma relação incomum, baseada na descoberta de que o prisioneiro possui um dom mágico que é, ao mesmo tempo, misterioso e milagroso."
A atmosfera sensível deste filme que tem boa parte de suas cenas no corredor da morte é a sensação que irá permanecer na alma dos espectadores, especialmente a partir da mansidão simplória e quase ingênua demonstrada pelo ator John Coffey.
Seus atos de milagre irão receber uma reação crível dos guardas da prisão, o que se torna um feliz aprendizado acerca de como se constrói uma fé consciente diante do maravilhoso, pois os policiais partilham de tudo que ocorre naturalmente ao vivenciarem o miraculoso como homens de sua época e realidade.
Um feliz entendimento acerca de temas espirituais que se apoia em grande parte na atuação carismática do quase gigante ator negro Coffey, que segue utilizando seus dons de milagre aqui e acolá, sempre no objetivo de realizar ações benditas para a humanidade.
Em meio a mais importante e urgente delas ele será envolvido em uma confusão digna dos que desejam fazer o bem sem ver a quem, algo que acabará o levando até o corredor da morte, e condenado como um assassino.
Eis o aspecto policial deste drama espiritual com Tom Hanks que acaba por tocar com grave profundidade em um dos mais essenciais temas histórico-religiosos da humanidade: a própria separação e conflito entre terra e céus.
Pois desde sempre os homens buscam uma religião (religação) que nos aproxime dos céus, no propósito de assim resolver os problemas existentes entre Deus e a humanidade.
A partir disso a grande maioria dos agrupamentos e povos, etnias e raças humanoides da história tem pensado sacrifícios para que um sacerdote os represente (bem) diante de Deus - sempre no objetivo de que estes resolvam os conflitos entre céus e terra que seriam a razão das desgraças que nos assolam por aqui, neste mundo.
Dentro desta perspectiva espiritual de cura de maldições através de consagrações sacrificiais, eis que surge uma cura em especial que John Coffey realiza que vai permitir a quase todo mundo entender, espiritualmente, por exemplo, a maneira como o cristianismo está resolvendo este eterno conflito existencial universal.
O diretor da prisão está com a esposa gravemente enferma, de câncer, e Tom Hanks resolve levar o homem de dons miraculosos para uma visita ao casal esperando que alguma ação bendita ocorra na senhora que está à beira da morte.
O ritual de cura que acontece é bastante incomum e surpreende os espectadores quase tanto quanto deixa atordoado ao marido e chefe de polícia, mas, o tratamento é um sucesso.
Porém, ao sair da casa e se dirigir à Pickup da polícia para retornar a prisão, o bondoso John Coffey expele de si mesmo e de um modo igual ao modo como realizou a cura, toda a enfermidade da esposa do chefe da prisão.
Ou seja, para retirar as doenças e dores da esposa enferma o bom prisioneiro teve que puxar (engolir) sobre si mesmo todas as desgraças que acometiam a pobre mulher - pois este é um ritual de salvação de maldições que requer um sacrifício, sim, só que este precisa ser o do próprio salvador.
Pois toda cura que o prisioneiro realiza também gera nele mesmo as dores dos doentes como uma contrapartida sobre si. É isso!
Eis então, o modo espiritual como a religião cristã explica que Deus resolve seus problemas com a terra: Ele simplesmente os coloca todos sobre a pessoa de Jesus Cristo, que desse modo se torna o Messias miraculoso da humanidade assim que salva todo mundo da morte... morrendo Ele próprio na cruz.
Haja espiritualidade! E um ótimo filme pra você.
Os Sacramentos do Batismo e Ceia do Senhor tem seu conteúdo bíblico desenvolvido nos Artigos 27 a 29 da Confissão de Fé de Westsminter, e no sentido de ter uma reflexão orientada destes textos, iremos utilizar no ITEM 1 da aula os apontamentos do Teólogo A.A. Hodge, conforme o título: CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER. Comentada por A. A. Hodge. Editora Os Puritanos, 1 ed, 2007. CAPÍTULO XXVII. Dos Sacramentos. Seção I. Os Sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos por Deus para representar a Cristo e a seus benefícios, e para confirmar nosso interesse nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertentecem à Igreja e o restante do mundo, e solenemente comprometê-los no serviço de Deus em Cristo, de acordo com sua Palavra. Seção II. Há em cada sacramento uma relação espiritual, ou união sacramental, entre o sinal e a coisa significada; daí o fato de que os nomes e efeitos de um são atribuídos ao outro. Catecismo Maior, questão 163. ...
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