Após curar num sábado o homem que havia estado paralítico por 38 anos no tanque de Betesda, Jesus foi questionado pelos líderes religiosos da razão porque ele não respeitava as regras do sábado.
Jesus respondeu que trabalhava sempre que seu Pai celestial trabalhava, indicando que era igual a Deus, como entenderam os líderes religiosos conforme o apóstolo João anotou.
A partir desta verdade, o apóstolo vai dar significado messiânico ao "sinal" da cura do homem paralítico, apresentando um pouco da dinâmica familiar da Trindade divina no momento da realização das Obras de Deus no cosmos.
No destaque de John Stott, vemos que "o Pai dramatiza seu testemunho (de palavras) nas obras (curas) de Jesus". Este conhecimento é uma revelação da unidade existencial e dependência ministerial entre o Pai e o Filho na hora de governar a salvação da humanidade em nosso planeta.
Pois, da mesma forma que Jesus afirma que tudo que ele ensina não provém dele mesmo, mas é um ensino que Deus lhe deu para ministrar aos homens. De igual maneira, Jesus declara que as obras que ele realiza são exatamente aquelas que o Pai confiou a ele para fazer junto da humanidade: "assim, o Filho age 'da parte do Pai' (10.32), e o Pai age no Filho (10.38)." (Stott, p. 76).
"Jesus respondeu: "Eu lhes digo a verdade: o Filho não pode fazer coisa alguma por sua própria conta. Ele faz apenas o que vê o Pai fazer. Aquilo que o Pai faz, o Filho também faz. Pois o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo que faz... Pois assim como o Pai dá vida aqueles que ele ressuscita dos mortos, também o Filho dá vida a quem ele quer. Além disso, o Pai não julga ninguém, mas deu ao Filho autoridade absoluta para julgar, para que todos honrem o Filho como honram o Pai." (João, cap. 5, versos 19-23).
John Stott destaca as declarações feitas por Jesus quando realizou a cura do filho do oficial ("Volte!", disse Jesus. "Seu filho viverá", cap. 4.50) e ao realizar a cura do paralítico ("Jesus lhe disse: "Levante-se, pegue sua maca e ande", cap. 5.8). Ao declarar estas ordens, o Messias de Nazaré estava demonstrando de forma pública que ele tinha autoridade "de decidir sobre a vida e a morte para todos". Algo que ele efetivamente realizou ao decidir que tanto o filho do oficial como o homem paralítico iriam viver ao invés de morrer e de padecer numa grave enfermidade. É desta forma que o Messias atuava como Juiz celestial junto aos homens diante do pecado que causa doenças e mortes, posto que, Jesus decretou temporalmente a decisão judicial que promoveu vida ao moço enfermo e ao homem paralítico. É uma realização divina absolutamente extraordinária do Messias!
Ainda, aprendemos em João 5.22, que "o Pai não julga ninguém, mas deu ao Filho autoridade absoluta para julgar". A partir desta declaração, o Messias esclarece a sentença final do Evangelho para a salvação de toda a humanidade: "Eu lhes digo a verdade: quem ouve minha mensagem e crê naquele que me enviou tem a vida eterna. Jamais será condenado, mas já passou da morte para a vida." (João 5.24).
Observe que a orientação espiritual tradicional em nosso mundo, para guiar os seres humanos a serem livres do pecado, morte e maldições origina na crença de que os homens devem ser obedientes aos mandamentos éticos e na observância das práticas rituais das religiões. Se os homens praticarem estes atos religiosos de forma obediente, então eles serão abençoados e livres de todos os males.
De forma diferente, a orientação espiritual do Evangelho de Jesus convoca a humanidade a Acreditar na Verdade de que Jesus é o Messias - e a partir daí, as demais bênçãos serão acrescentadas numa experiência religiosa que Jesus vai realizar levando seres humanos para viver desde agora, junto de Deus Pai.
A diferença entre obedecer regras e princípios para encontrar Deus como é ensinado pelas religiões tradicionais ou, acreditar que Jesus é o Messias para ser conduzido até a presença de Deus Pai - tem sua base no fato de que Jesus morreu pelos nossos pecados para nos livrar das maldições! E por isto mesmo, não precisamos mais ser bons e perfeitos para encontrar Deus por nós mesmos; somente precisamos acreditar nas palavras do Messias sobre como iremos encontrar Deus através do Filho.
Pois Deus amou o mundo de tal maneira que decidiu não julgar nem condenar os seres humanos pelos seus pecados, e nem obrigá-los a serem bons e perfeitos por si próprios para então, serem perdoados e declarados justos.
Deus então, delegou o julgamento da humanidade para o Deus Filho exatamente porque o Filho Jesus veio para libertar os seres humanos do pecado - uma bênção de salvação recebida quando acreditam no que Jesus realizou na Cruz em favor dos homens.
Assim, em vez de obedecer e seguir a religião em que acreditam, os homens devem crer que Jesus de Nzaré é o Filho de Deus, o Messias. A humanidade deverá acreditar na Verdade dita por Deus através de Jesus ao invés de praticar a religião de seu próprio coração - este é o único julgamento.
Boa semana!
Referência. Stott, John. Homens com uma Mensagem. traduçao: Rubens Castilho. Edit. Cristã Unida, Campinas SP, 1994.
autor. Ivan Santos Rüppell Júnior é professor de ciências da religião e teologia.
Esse texto tem objetivo didático na disciplina de Símbolos de Fé no Seminário Presbiteriano do Sul extensão Curitiba. Daí a utilização de resumos e citações mais longas no interesse de oferecer aos alunos o conteúdo apropriado para o entendimento necessário aos debates e explanações em aula. CONTEÚDO de Aula: CONTEXTO HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO DOS SÍMBOLOS DE FÉ DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. TEOLOGIA REFORMADA. "Trata-se da teologia oriunda da Reforma (calvinista) em distinção à luterana. O designativo "reformada" é preferível ao calvinista... considerando o fato de que a teologia reformada não provém estritamente de Calvino." (Maia, p. 11, 2007). OS CREDOS E A REFORMA. "Os credos da Reforma são as confissões de fé e os catecismos produzidos nesse período ou sob sua inspiração teológica. Os séculos 4 e 5 foram para a elaboração dos credos o que os séculos 16 e 17 foram para a feitura das confissões e dos catecismos. A razão parece evidente: na Reforma, as...
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