DEVOCIONAIS:
A Responsabilidade Social e
Política do Cristão.
O CRISTÃO no Trabalho, PROFISSÃO e Cidadania.
O CRISTÃO na Ação Social e CARIDADE.
Devocionais bíblicas e Meditações históricas do Cristianismo.
• Orientação de Estudos para Pequenos Grupos.
•
• (*) Devocionais extraídas do livro: 50 Dias com Deus na Sociedade!
Autor. Professor Ivan Santos Rüppell Júnior.
APRESENTAÇÃO.
O TRABALHO, A CARIDADE E A RESPONSABILIDADE SOCIAL DOS CRISTÃOS!
“Em tudo que fizerem, trabalhem de bom ânimo, como se fosse para o Senhor, e não para os homens”.
(Carta aos Colossenses: capítulo 3, verso 23),
Na religião do Cristianismo, o Trabalho, a Caridade e a atuação Cidadã são experiências de vida fundamentais para o amadurecimento do ser humano e para o desenvolvimento da sociedade civilizada.
Tudo começa quando Deus chama os seres humanos para a vocação de assumir papéis e responsabilidades sociais aqui na Terra. O cristão deve trabalhar na sua profissão, nas funções familiares e comunitárias, e assumir o seu papel de cidadão diante da nação, com todo interesse, honestidade e dignidade, pois as suas atividades de trabalho e vivência social devem ser realizadas diante do Senhor.
Ao dedicar a Deus tudo o que faz, o cristão vai oferecer igualmente as realizações de suas atividades aos propósitos do Senhor. Os cristãos poderão tanto contribuir para a prosperidade e justiça da sociedade, como também conseguirão amar o próximo através da caridade.
Nesse contexto, o trabalho e a caridade do cristão são integrados com a sua responsabilidade social e cidadã diante da sociedade e da população. O propósito é servir a Deus enquanto busca trazer dignidade e harmonia para as relações sociais do ambiente em que vive. Assim, tanto os mandamentos bíblicos como as boas obras cristãs serão estabelecidos como um valor humanitário na sociedade. Uma ética social cristã que vai render um bom testemunho da Pessoa de Deus a todos!
O propósito das devocionais bíblicas e meditações históricas do cristianismo deste conteúdo é propiciar conhecimento e gerar atitudes de modo que sejamos capazes de trabalhar e sermos bons cidadãos na nação de que somos parte, abraçando sempre a misericórdia e a caridade diante do próximo, para a Glória de Deus, numa resposta de fé ao chamado feito pelo Senhor a cada um de nós.
“Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam para a glória de Deus”.
(1 Carta aos Coríntios: capítulo 10, verso 31).
PEQUENOS GRUPOS
Informações para utilização do conteúdo deste livro.
• Orientação de Estudos para PEQUENOS GRUPOS:
• Você pode utilizar duas ou três devocionais diárias como conteúdo de uma só reunião de pequeno grupo, ao aproveitar a sequência de textos, já que os temas estão dispostos em assuntos relacionados um dia após o outro.
• REUNIÃO: 1. Leitura e meditação no texto bíblico base. 2. Qual é o ensino do texto bíblico? 3. Leitura da devocional do dia e tempo de compartilhar em grupo a reflexão proposta no livro. 4. Aplicação pessoal: para a vivência social, política e econômica do Brasil, para a vivência profissional do cristão, e para as atividades de caridade cristãs; individuais, da igreja e da comunidade.
Dia 01. Trabalho. CUIDANDO DO MUNDO NA SEGUNDA-FEIRA.
“O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cultivá-lo e tomar conta dele”. (Livro de Gênesis: cap. 2, verso 15).
APRESENTAÇÃO. A cada nova segunda-feira a humanidade tem a condição de transformar o caos em civilização, também através do trabalho.
MEDITAÇÃO. Deus criou os seres humanos como pessoas conscientes e morais. Isto significa que podemos compreender a realidade ao nosso redor e agir para transformá-la, buscando benefícios para toda a comunidade humana.
Neste sentido, a humanidade vai progredir como sociedade e evoluir como espécie ao se dedicar ao trabalho diante de toda a realidade da criação. Ao utilizar a nossa racionalidade consciente orientada por uma moralidade social bíblica, atuaremos diante das pessoas e da sociedade numa perspectiva de melhoria das condições de vida para todos.
O que seria de nossas vidas se a cada nova segunda-feira, os motoristas e enfermeiros, os professores e feirantes, os cozinheiros e lixeiros, os comerciantes e servidores públicos e tantos outros trabalhadores não estivessem praticando as suas profissões, indo direto ao trabalho? Você consegue imaginar a importância de todos estes trabalhadores anônimos que passam por nós a cada início de semana?
Eles abraçam o desafio e a oportunidade de não apenas ganhar o sustento de cada dia, mas especialmente, encaram a responsabilidade de cuidar um pouco de tudo que existe no planeta.
Eles cuidam de pessoas e animais, de plantações e rebanhos, de lavouras e flores, de empresas e instituições. Cuidam, enfim, da natureza e da sociedade para promover também as boas relações trabalhistas que transformam ajuntamentos humanos em comunidades organizadas para desenvolverem a vida cidadã das pessoas.
Se não fosse por cada um deles, bem, o caos iria tomar conta de toda a nossa sociedade e logo iriamos perder a civilidade, até nos tornarmos bárbaros e primitivos. Ao pensar nisto, começamos a visualizar o valor existencial de sermos vocacionados ao trabalho para o propósito de promover a prosperidade e as benesses de uma forma civilizada.
PENSE NISSO! Toda semana e a cada novo dia em que estivermos realizando qualquer trabalho e uma profissão, será sempre um tempo dedicado a cuidar das pessoas e transformar o mundo. Feliz segunda-feira!
Dia 02. Trabalho. UMA ALIANÇA COM DEUS PARA TRANSFORMAR O MUNDO.
“O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cultivá-lo (...) O Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu. Trouxe-os ao homem para ver como os chamaria, e o homem escolheu um nome para cada um deles”. (Livro de Gênesis: cap. 2, versos 15 e 19).
APRESENTAÇÃO. O trabalho profissional é uma atividade cultural abençoada por Deus para os homens atuarem na utilização e bom desenvolvimento da natureza e toda a criação.
MEDITAÇÃO. Deus nos criou com capacidade para perceber a realidade e com um raciocínio capaz de vislumbrar transformações para o ambiente em que vivemos. Algo que ocorre de modo objetivo através de nossas atividades de trabalho e nas funções profissionais, pois nestas situações a humanidade se dedica ao empreendimento de funções e atos que suprem as necessidades básicas do nosso cotidiano comunitário e social.
Além da capacidade racional, Deus também deu autoridade aos homens para que assumam o bom governo e trato de toda a criação. Isto é desenvolvido de modo bendito assim que os seres humanos organizam através do trabalho uma utilização necessária e harmoniosa da natureza do planeta.
Este conhecimento bíblico foi esclarecido de modo valioso pelo teólogo e pensador cristão, John Stott: "a natureza é uma criação divina; a cultura é fruto do cultivo humano. Deus nos convida a partilharmos de seu trabalho. De fato, nosso trabalho passa a ser um privilégio quando entendemos que estamos colaborando com Deus." (p. 23, 2007).
Observe o modo como Deus plantou um grande jardim de possibilidades em nosso mundo. Assim, nós somos vocacionados para abraçar ao lado de Deus o chamado para cultivar neste planeta a construção de sociedades que avançam no conhecimento, enquanto desenvolvem uma vida próspera para os seres humanos.
PENSE NISSO! Ao assumir atividades de trabalho nas mais diversas situações e lugares, nós fazemos uma aliança com Deus para promover bênçãos por toda a Terra, a fim de gerar as transformações necessárias no mundo.
Dia 03. Caridade. O EXÉRCITO DA SALVAÇÃO. Inglaterra, 1865.
“Este é o tipo de jejum que desejo: Soltem os que foram presos injustamente, aliviem as cargas de seus empregados. Libertem os oprimidos, removam as correntes que prendem as pessoas. Repartam seu alimento com os famintos, ofereçam abrigo aos que não têm casa. Deem roupas aos que precisam, não se escondam dos que carecem de ajuda. Então sua luz virá como o amanhecer, e suas feridas sararão num instante. Sua justiça os conduzirá adiante, e a glória do Senhor os protegerá na retaguarda”. (Livro do Profeta Isaías: cap. 58, 6-8).
Esta meditação histórica do cristianismo desenvolve o conteúdo do livro, os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo, de Curtis A. Kenneth e outros.
APRESENTAÇÃO. A grandiosa missão cristã de levar o Evangelho de Jesus, cuidado e alimentos aos necessitados fez com que o Exército da Salvação viesse a se tornar uma das maiores agências da história no atendimento de seres humanos em suas necessidades espirituais, físicas e sociais.
MEDITAÇÃO. A Inglaterra vivenciou grandes transformações sociais e econômicas durante o século 19, assim que o trabalho agrícola no interior perdeu força em meio ao desenvolvimento do trabalho nas fábricas, na cidade de Londres. Milhares de cidadãos ingleses e seus familiares deixaram as regiões agrárias e foram residir nas cidades, vindo a morar em condições deploráveis enquanto sofriam abusos.
Nesse contexto, a Igreja oficial da Inglaterra não estava preparada para atuar diante das dificuldades que a nova classe trabalhadora enfrentava, sendo que a Igreja Metodista buscava atender os novos membros que requeriam atenção espiritual e social nas congregações, mas a população mais pobre seguia desamparada nas periferias.
Diante da dor e grito dos pobres e necessitados, William Booth e a esposa Catherine criaram uma pequena missão cristã dedicada ao atendimento dos pobres. E assim, a valiosa e surpreendente Missão do Exército da Salvação iniciou atividades no ano de 1865 em East End, região da periferia de Londres, Inglaterra.
William e Catherine organizaram uma missão de anúncio do Evangelho de Cristo para que as pessoas pudessem se relacionar com Deus Pai no objetivo de terem as suas vidas transformadas. E desse modo, pretendiam que houvesse mais respeito e bondade entre familiares, vizinhos e comunidade, que enfrentavam situações de violência e abandono.
Ao unificar de forma valiosa e realista os mandamentos de Amar e Deus e Amar o próximo, a Missão do Exército da Salvação dedicou-se a encher o estômago dos famintos para que então pudessem ser abençoados com a Palavra do Amor de Deus por suas vidas; o que fez surgir o empreendimento “Comida para Milhões”, que fornecia refeições a preços baixos.
William Booth saiu da Igreja Metodista e organizou um grupo determinado para tratar das dificuldades espirituais e sociais nas periferias de Londres, com regras a partir de ordens militares. Até que em 1878, a missão assumiu o título de ‘Exército da Salvação’, que seguia pelas ruas com uma banda de músicas ministrando palavras bíblicas e utilizando melodias de canções populares, fazendo sucesso enquanto percorria a cidade.
A missão do Exército da Salvação realizou transformações na sociedade, melhorando a vida das famílias e também diminuindo o consumo de bebidas alcoólicas, enquanto apontava os problemas da falta de alimentos e da insuficiência de casas para a moradia dos trabalhadores; o que gerou uma perseguição aos líderes da missão.
PENSE NISSO! William e Catherine Booth organizaram a Missão e seus filhos desenvolveram o Exército da Salvação junto de quase vinte mil líderes, levando o projeto da Inglaterra para o mundo, com William tendo viajado oito milhões de km e pregado sessenta mil sermões. Ele procurou ensinar que desde o nosso quintal já deve-se atender aos necessitados, sem que seja necessário viajar pelo mundo para encontrar os pobres.
Dia 04. Caridade. O HOSPITAL GERAL DE GENEBRA, Século 16.
“Pois Deus não é injusto; não se esquecerá de como trabalharam arduamente para ele e lhe demonstraram seu amor ao cuidar do povo santo, como ainda o fazem”. (Hebreus 6.10).
Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo do livro, Calvinismo e ação social, de Agemir de Carvalho Dias.
APRESENTAÇÃO. O líder reformador João Calvino nasceu na França em 1509, vindo a se tornar um cristão protestante na década de 1530, até publicar em 1536 a primeira edição das ‘Institutas da Religião Cristã’, que foi o conteúdo teológico inicial do que se tornaria o pensamento reformado sobre o Cristianismo. No ano de 1541, Calvino se tornou pastor e uma liderança da cidade de Genebra, que passava por uma transformação social após assumir o protestantismo como religião. (p. 32-34).
“Uma das iniciativas da Genebra Reformada foi a instituição do Hospital Geral que reuniu uma série de instituições menores destinadas à assistência aos pobres, necessitados e aos doentes”. (Dias, p. 36, 2024).
MEDITAÇÃO. A independência político-social e religiosa experimentada por Genebra ocasionou a oportunidade para o estabelecimento de ações governamentais e comunitárias de “bem-estar social”, sendo que o Hospital Geral se tornou o empreendimento base das atividades de atenção social junto da população. Neste sentido, “na Idade Média e no início da era moderna, um hospital denotava não necessariamente uma instituição médica, mas primordialmente uma instituição de caridade focada em prover hospitalidade e cuidados materiais aos pobres”. (p. 37).
A organização do Hospital estava voltada ao atendimento geral dos necessitados, ainda que com uma dedicação técnica aos enfermos, pois “os magistrados da cidade acreditavam que a provisão de cuidados médicos era uma componente chave do bem-estar social cívico”, de modo que os pobres e desamparados deveriam receber atendimento médico pago pelo município. (p. 37).
As lideranças de Genebra entendiam que as enfermidades eram uma consequência do estado de pobreza, de modo que o hospital deveria oferecer leitos e atenção domiciliar para cuidar dos doentes e idosos, a fim de suprir as necessidades deles diante das enfermidades e da fragilidade da idade. Havia ainda uma entrega organizada de alimentos, sendo que a cidade contratou profissionais médicos no objetivo de oferecer um serviço adequado. (p. 38).
“Dessa forma a combinação das Ordenanças Eclesiásticas, Regulamentos Gerais do Hospital e Ordenanças Médicas demonstram uma abordagem abrangente para a saúde e bem-estar social, refletindo uma compreensão da interconexão entre saúde, capacidade de trabalho e pobreza, e representando uma tentativa inicial de criar uma solução mais sistemática e sustentável para esses desafios”. (Dias, p. 38, 2024).
Além do Hospital Geral, as lideranças municipais organizaram um atendimento aos refugiados que buscavam a cidade de Genebra, em razão das perseguições geradas pelos conflitos religiosos na Europa. Diante desta necessidade, “o apoio da Bolsa Francesa tinha como objetivo ajudar os refugiados que não podiam trabalhar, estavam doentes, que tinham falta de alimentos ou roupas, os deficientes, os órfãos ou que haviam se tornado viúvos”, sendo que os Diáconos da Igreja de Genebra administraram este projeto durante três séculos na cidade, até o ano de 1849. (p. 42-43).
PENSE NISSO! A atuação político-social da Igreja de Genebra junto aos líderes civis entendia que os cristãos deveriam estar presentes nas decisões e implementação das atividades de atendimento aos enfermos, pobres e necessitados da cidade, com a recomendação especial de Calvino para que os pastores e ministros estivessem atentos nas visitas e acolhimento de consolo aos enfermos. (p. 39).
Dia 05. Caridade. A SOLIDARIEDADE CRISTÃ NO IMPÉRIO ROMANO. Introdução.
“É da vontade de Deus que, pela prática do bem, vocês calem os ignorantes que os acusam falsamente. Pois vocês são livres e, no entanto, são escravos de Deus; não usem sua liberdade como desculpa para fazer o mal. Tratem todos com respeito e amem seus irmãos em Cristo. Temam a Deus e respeitem o rei”. (1 Carta de Pedro: cap. 2, versos 15-17).
Esta meditação histórica traz citações e desenvolve o conteúdo do texto, "o cristianismo como rede de solidariedade", de Gustavo A. Leal Brandão.
APRESENTAÇÃO. “A igreja cristã primitiva foi um dos primeiros movimentos de alcance social abrangente e organizado, baseado na reciprocidade, redistribuição e no núcleo familiar." (p. 63).
MEDITAÇÃO. O cristianismo primitivo entendia que a vontade de Deus era estabelecida através de uma religiosidade integral, que deveria ocorrer numa relação vertical diante do Senhor e horizontal diante do próximo. Esta compreensão definiu a maneira como os cristãos deveriam conviver em sociedade a partir de sua fé religiosa.
Este valor da religiosidade cristã se tornou um princípio essencial da Igreja durante o Império Romano, que perseguiu os cristãos durante dois séculos, até que a partir do início do ano 300 d.C., autoridades e a maior parte da população se converteram ao cristianismo em toda a região. O símbolo dessa transformação foi a conversão do Imperador Constantino entre os anos 313 e 320.
Nesse contexto histórico, o professor Rodney Stark estudou algumas das razões sociais que oportunizaram a conversão de milhões de cidadãos do império pelo conhecimento do Evangelho, no convencimento sobrenatural do Espírito Santo. Ele concluiu que “a generosidade cristã e a ênfase na reciprocidade transformaram o movimento inicial em um eficiente sistema de apoio e ajuda, focado numa rede de bem-estar social de alto impacto, principalmente nas vidas de pessoas idosas, viúvas e órfãos”. (p. 64).
O Cristianismo se organizava como uma religião social atenta aos cidadãos de todas as classes, posto que os fiéis cristãos praticavam uma religiosidade de relacionamento direto com Deus e sem os sacerdotes intermediários dos rituais pagãos. A partir disto, era desnecessário entregar ofertas para afastar a ira de Deus, já que o único sacrifício requerido era “o amor demonstrado através de ações de caridade e solidariedade para com o próximo e os necessitados”. (p. 66-67).
Ser cristão tornou-se uma vivência religiosa e social na qual os fiéis deveriam estabelecer relacionamentos benditos com Deus e com as pessoas, dedicando uma atenção especial aos necessitados.
PENSE NISSO! Nessa perspectiva religiosa e contexto histórico, é possível entender que a prática do amor ao próximo na sociedade foi um fator fundamental no impacto e desenvolvimento do cristianismo no império romano. Amar a Deus e amar o próximo é o resumo da lei cristã em todo tempo e lugar da história.
Dia 06. Caridade. A SOLIDARIEDADE CRISTÃ NA IGREJA PRIMITIVA. Obras de Misericórdia.
“Não se limitem, porém, a ouvir a palavra; ponham-na em prática. (...) De que adianta, meus irmãos, dizerem que têm fé se não a demonstram por meio de suas ações? (Carta de Tiago: cap. 1, 22 e 2, 14).
Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo do texto, "o cristianismo como rede de solidariedade", de Gustavo A. Leal Brandão.
APRESENTAÇÃO. Os cristãos dedicavam atenção tanto aos irmãos da fé como à população ao seu redor, assumindo que Amar a Deus era também Amar o próximo, para os discípulos de Jesus.
MEDITAÇÃO. Duas graves epidemias causaram grande mortandade no Império Romano nos séculos 2 e 3 d.C. Primeiramente, ao redor do ano de 180, o Imperador e quase 1/3 da população morreram ao serem acometidos de uma epidemia de varíola. No século seguinte, a partir do ano de 251, uma epidemia de sarampo causou grande número de mortes de cidadãos nas cidades e regiões do interior. Foi um momento histórico em que a sociedade romana sofreu gravemente com invasores e especialmente pelas aflições das epidemias. (p. 68).
Os Pais da Igreja Cipriano, Dionísio e Eusébio entenderam que as dores humanas e as dificuldades sociais vivenciadas nas epidemias se tornaram uma ocasião importante para o desenvolvimento do Cristianismo no Império Romano. De um lado, a organização social e as relações humanas enfraqueceram e geraram o abandono de milhares de cidadãos, enquanto isto, a prática da solidariedade cristã através de pequenos grupos de apoio junto da sociedade romana gerou situações de cuidado e atenção aos necessitados, o que fazia crescer o conhecimento da religião e o número de conversões à fé cristã. (p. 68-69).
Os cristãos compreenderam que a melhor resposta era dedicar-se à boa prática dos mandamentos bíblicos básicos, vindo a desenvolver uma ética relacional cristã na sociedade a partir da obediência ao Senhor: “A igreja cristã incipiente demonstrou que a convicção da salvação deve ser expressa por meio de ações de solidariedade e ajuda ao próximo, conforme determinava o centro de sua fé: amar a Deus amando o próximo”. (p. 70).
As tragédias epidêmicas se tornaram uma situação real para os cristãos reagirem conforme a sua fé mais verdadeira, pois tanto os cristãos como os pagãos buscavam sobreviver diante da grave realidade. A fuga das cidades não trazia a salvação das doenças, pois nem sempre havia um local adequado para buscar segurança, enquanto que as explicações místicas e filosóficas ensinavam que as tragédias eram oriundas da ´sorte`, e por isto não ofereciam qualquer sentido existencial ao que ocorria, aumentando a desesperança das pessoas.
A comunidade de cristãos sofria como a população, mas conseguia enfrentar a calamidade a partir das verdades da sua fé, buscando significado diante da realidade e conforto na mensagem da vida após a morte pela ressurreição de Jesus Cristo. O Bispo Cipriano de Cartago ensinava aos cristãos que era um momento de avaliação dos valores da vida, sendo que nenhum deles deveria ter medo da morte, mas que era necessário confiar nas palavras de Jesus de que a “coroa da vida os aguardava”. (p. 71).
Dionísio destaca que durante o ano 260 d.C., os cristãos atuavam corajosamente junto da sociedade, realizando tarefas como o enterro de mortos, o tratamento de enfermos e a alimentação dos famintos.
PENSE NISSO! Líderes cristãos pregavam a fé e a esperança, entendendo aquela situação como uma oportunidade de provação da fé em Jesus. Deste modo, o cristianismo não tentava explicar as tragédias, mas buscava tratar as dores do ser humano.
Dia 07. Trabalho. DIREITOS HUMANOS E LIBERDADES. Servindo a Deus na política.
“Jeremias recebeu esta mensagem do Senhor depois que o rei Zedequias fez uma aliança com o povo para libertar os escravos. Ele havia ordenado que todo o povo libertasse suas escravas e seus escravos hebreus”. (Livro do Profeta Jeremias: cap. 34, versos 8-9)
Esta devocional desenvolve o conteúdo do livro, os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo, de Curtis A. Kenneth e outros.
APRESENTAÇÃO. O bom praticante da religião cristã busca servir a Deus na sociedade utilizando os princípios bíblicos do Senhor como uma virtude cidadã. Trata-se de um chamado para honrar a Deus enquanto se pratica valores cristãos na edificação de uma sociedade justa a partir de todas as suas instituições democráticas.
MEDITAÇÃO. A religião cristã anuncia que os seres humanos foram todos criados por Deus, e a partir disto, afirma que é preciso desenvolver a sociedade através de uma convivência digna para a humanidade. Poucas pessoas recordam que foi a religião do Cristianismo e os cristãos de Jesus que mudaram a história da humanidade em uma das suas piores facetas de opressão, abuso e violência: a escravidão!
Nesse contexto, anotamos que o cristão e político inglês William Wilberforce propagou valores bíblicos na sociedade ao promover debates parlamentares ainda no século 18, combatendo a cultura da nação e as lideranças políticas daquele período que não desejavam assumir as perdas econômicas do fim da escravidão.
Wilberforce junto de Elizabeth Fry, George Mueller, Thomas Buxton e John Venn entendiam que a boa devoção a Jesus Cristo requeria atuar na sociedade de maneira virtuosa em favor de uma justiça humanitária. Nesta situação, o ex-escravagista e então ministro cristão John Newton - autor do hino Amazing Grace, convocou Wilberforce para servir a Deus através de uma atuação política e parlamentar na sociedade.
O deputado carregava conflitos interiores acerca de qual seria a melhor maneira de praticar a sua fé cristã, sendo enfim, apoiado para levar até a Câmara dos Comuns inglesa os debates acerca da lei abolicionista. Depois de muitas negativas e alguns anos de debates, o Parlamento britânico finalmente votou em 1807 uma Lei que impedia o tráfico de escravos na Inglaterra, formalizando este valor humanitário naquela nação.
William Wilberforce seguiu no parlamento e adoeceu, mas viveu para ver a aprovação completa da lei que pôs fim à escravidão no Império Britânico em 26 de julho de 1833, o que inaugurou um novo período para os direitos humanos no Ocidente.
E tudo isto começou com a Palavra de Deus no coração de homens e mulheres tementes a Jesus Cristo, que assumiram a vivência das verdades cristãs junto da sociedade e instituições do Governo de sua época.
“Não há mais judeu nem gentio, escravo nem livre, homem nem mulher, pois todos vocês são um em Cristo Jesus. E agora que pertencem a Cristo, são verdadeiros filhos de Abraão, herdeiros dele segundo a promessa de Deus”. (Carta aos Gálatas: cap. 3, versos 28-29).
PENSE NISSO! A verdade cristã e histórica de que todos os homens foram criados por Deus desafia os religiosos a combaterem as diferenças raciais e étnicas, sociais e econômicas, ideológicas e políticas em favor de uma existência solidária e livre para todos os seres humanos.
Dia 08. Caridade. AS MÃES SOCIAIS E A FAMÍLIA ESPIRITUAL DE DEUS.
"Vendo Jesus, a sua mãe, e junto dela o discípulo amado, ele disse: Mulher, eis aí o seu filho. Depois, disse ao discípulo. Eis aí a sua mãe." (Evangelho de João: cap. 19, versos 26-27).
APRESENTAÇÃO. A religião do cristianismo ensina que pela fé nós somos filhos de Deus e chamados para viver como ‘família’ do Senhor. Esta nova experiência existencial diante de Deus deve se tornar um valor humanitário para que assumamos compromissos familiares diante de órfãos e viúvas, homens e mulheres.
MEDITAÇÃO. Enquanto entregava o seu espírito a Deus Pai na cruz, Jesus entregava um filho para a sua mãe Maria cuidar, enquanto também entregava uma mãe para que fosse cuidada por seu amigo João. É certo que Maria de Nazaré não foi a primeira Mãe Social da história, mas não há dúvidas de que ela é a mais conhecida e bendita. Assim, esta experiência de maternidade social geradora de uma aliança familiar entre uma mulher e um jovem deve servir de inspiração a todos os cristãos.
Dá uma olhada nas palavras de Jesus: "Mulher, eis aí o seu filho. Depois, disse ao discípulo. Eis aí a sua mãe." Este modelo de compromisso familiar espiritual é visível na vida de um grande número de mães sociais, que são aquelas mulheres que assumem a função de serem mães em casas lares de instituições que acolhem órfãos.
A partir de uma reportagem sobre este tema, foi anotado que as qualidades destas mães devem ser o "cuidado, proteção, educação, limites e muito amor". Estes sentimentos devem ser oferecidos a crianças e jovens necessitados para que eles venham a receber finalmente “o direito que nunca deveriam ter perdido: o de ter um colo de mãe."
A reportagem sobre as ‘Mães Sociais’ foi escrita como uma homenagem às Mulheres que se dedicam como mães às crianças e jovens que não são os seus filhos naturais, tendo o objetivo de informar para a sociedade sobre a existência das Instituições de casas lares que promovem este acolhimento social.
Neste sentido, as mulheres que assumem o papel familiar de mães sociais encaram o desafio humanitário de abraçar os órfãos como se fossem os seus próprios filhos. Como dado estatístico e social, haviam 32 mil crianças acolhidas em todo o Brasil em 1984, sendo este um número aproximado dos acolhidos em 2024 conforme o SNA. Sendo que mais de 90% destes atendimentos foram realizados por instituições sociais organizadas como casas lares de acolhimento de crianças e adolescentes.
PENSE NISSO! Os Cristãos e Igrejas precisam atender tanto as Crianças e Adolescentes vulneráveis, como igualmente, abraçar as Mulheres "Mães Sociais" de nossa sociedade. Mulheres que como Maria de Nazaré tem se dedicado a assumir como seus próprios filhos, aquelas crianças nascidas em outros lares e famílias. O segredo do sucesso surge nas palavras de uma mulher que assumiu o papel de ser ‘mãe social” para órfãos vulneráveis: "Conforme fui mostrando para eles o meu carinho, a minha atenção, o meu cuidado, vi que eles começaram a se sentir seguros comigo"!
Dia 09. Trabalho. OS CRISTÃOS SÃO O SAL DA TERRA.
“Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o sabor, para que servirá? É possível torna-lo salgado outra vez? Será jogado fora e pisado pelos que passam, pois já não serve para nada”. (Evangelho de Mateus: cap. 5, verso 13).
Esta devocional traz citações e desenvolve o pensamento do teólogo John Stott, a partir do comentário bíblico do Sermão do Monte, Evangelho de Mateus, cap. 5.
APRESENTAÇÃO: Jesus aproveitou duas metáforas para ensinar como Ele estava capacitando os cristãos para transformar o mundo, servindo-se de dois itens domésticos. O Messias utilizou a luz por ser uma necessidade fundamental diante da noite e de locais escuros, e destacou o sal por sua importância múltipla, tanto para dar sabor aos alimentos como para preserva-los à época de Jesus, em que não havia refrigeração.
"As bem-aventuranças descrevem o caráter essencial dos discípulos de Jesus; o sal e a luz são metáforas que denotam a sua influência para o bem do mundo." (John Stott, p. 48).
MEDITAÇÃO. Ao meditarmos no chamado de Jesus para os cristãos serem sal da terra e luz do mundo, também ficamos pensativos: afinal, que tipo de influência transformadora poderiam causar a humildade e a bondade, a misericórdia e a pureza dos cristãos diante deste mundo cada vez mais irado e violento?
Embora possamos ter perdido a fé, Jesus certamente não a perdeu, pois ele declarou que os cidadãos do primeiro século que o seguiam pela Judéia iriam atuar com grande influência em todo o planeta.
Ao meditar nas características do sal e da luz, o pensador cristão John Stott esclarece o fundamento da relação feita por Jesus. Stott enfatiza que a relação entre as comunidades da igreja e do mundo origina da diferença entre elas, pois ainda que o mundo esteja sempre declarando o seu brilho, na verdade, trata-se de um ambiente obscuro muitas vezes, pois se move no vazio e engano existenciais. Além disso, as sociedades acabam se deteriorando moralmente de modo constante, de forma que, somente algo dado por Deus poderá impedir tal degradação.
Eis a razão da existência da Igreja no mundo, que é exatamente interromper, diminuir e retardar a corrupção das trevas na vida da humanidade, sendo que a convivência social dos cristãos através do trabalho profissional é uma oportunidade e desafio contínuos para fazer boa diferença na sociedade.
Quando Jesus define que a comunidade da Igreja é o sal da terra, também afirma que a comunidade do mundo "se deteriora como o peixe ou carne estragada", cabendo à Igreja tratar essa doença. Deus é muito bondoso com a humanidade e o planeta, e por isso Ele criou a instituição da família para ordenar o lar pelo casamento, além dos magistrados que tem a função de regular a justiça para a proteção do inocente e a culpabilidade correta do criminoso.
No entanto, a maior capacidade de influência benigna neste mundo está sobre a responsabilidade dos cristãos, conforme define R. V. G. Tasker, para quem os discípulos de Jesus são "chamados a ser um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo, inexistentes”. (p. 51).
PENSE NISSO! O sal somente vai "salgar" se mantiver a sua essência de elemento transformador. Por isso mesmo, "a influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade". Para o teólogo, Dr. Lloyd-Jones: "a glória do Evangelho é que, quando a igreja é absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem, embora talvez no princípio a odeie." (p. 52).
Dia 10. Caridade. OS CRISTÃOS SÃO A LUZ DO MUNDO.
“Vocês são a luz do mundo. É impossível esconder uma cidade construída no alto de um monte. (...) Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu”. (Evangelho de Mateus: cap. 5, versos 14-16).
Esta devocional traz citações e desenvolve o pensamento do teólogo John Stott, a partir do comentário bíblico do Sermão do Monte, Evangelho de Mateus, cap. 5.
APRESENTAÇÃO. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo". E assim, os seus discípulos devem brilhar neste mundo com a luz de Cristo que carregam consigo para serem benditos diante da humanidade.
MEDITAÇÃO. Jesus é a luz do mundo porque é o Messias enviado por Deus para dar vida celestial aos homens através do perdão da salvação, assumindo o sacerdócio da mediação completa entre céus e terra.
Além disso, Jesus chama os cristãos para que ocupem espaço na escuridão de nosso planeta através das boas obras cristãs. Os cristãos devem viver os valores éticos e morais divinos até que a humanidade veja as suas boas obras e possa dar glória a Deus.
John Stott entende que as "boas obras" dos cristãos carregam em si tudo que o cristão diz e faz como discípulo de Jesus. Isto ocorre quando o cristão conta a Palavra do Evangelho ao mundo, fazendo cumprir a profecia de que o Servo do Senhor seria uma "luz para os gentios". Neste sentido, os seguidores de Jesus iluminados pela graça de Deus oferecem ao próximo a luz de Cristo quando anunciam o amor de Deus descrito no Evangelho! (p. 52).
No entanto, os cristãos devem ampliar o entendimento de que as boas obras são tanto a manifestação da fé, como também a realização do amor bíblico de Deus ao mundo. Pois as boas obras cristãs expressam não somente a nossa lealdade a Deus, mas também, o nosso interesse pelos semelhantes. O bom entendimento acerca das boas obras é de que a sua prática ocorre através de atividades diante do próximo, geradas pela compaixão e misericórdia cristãs. (p. 53).
Cada boa obra praticada pelos cristãos diante da humanidade vai tanto demonstrar o caráter bondoso e reto de Deus ao mundo, como vai revelar as próprias trevas e fragilidade moral em que os seres humanos vivem no planeta, nos espaços distantes de Deus. Algo que só irão descobrir assim que visualizarem um estilo de vida baseado na luz celestial de Jesus. O desafio dos cristãos é não esconder e nem negar a verdade que acreditam, tendo o desejo real de que o Cristianismo seja visto pela humanidade. (p. 54).
Conforme afirmou Sir Frederick Catherwood, "tentar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos diante da sociedade não é amor, mas mundanismo." Os cristãos não deveriam escolher e nem separar as responsabilidades de serem sal da terra e luz do mundo, pois não são atividades contrárias uma da outra.
PENSE NISSO! "O mundo precisa de ambas. Ele está em decomposição e precisa de sal; ele é trevas e precisa de luz. Nossa vocação cristã é para sermos ambas. Jesus Cristo o declarou, e isso basta." (John Stott). (p. 59).
Dia 11. Caridade. JUSTIÇA SOCIAL BÍBLICA. Fundamentos.
“Todos devem sujeitar-se às autoridades, pois toda autoridade vem de Deus, e aqueles que ocupam cargos de autoridade foram ali colocados por ele. Portanto, quem se rebela contra a autoridade se rebela contra o Deus que a instituiu e será punido (...) As autoridades estão a serviço de Deus, para o seu bem. (...) Pois elas têm o poder de puni-lo, pois estão a serviço de Deus para castigar os que praticam o mal. (Carta aos Romanos: cap. 13, versos 1-4).
Esta devocional traz citações e desenvolve o conteúdo do livro: "Por que a justiça social não é a justiça bíblica”, de Scott David Allen.
APRESENTAÇÃO. A Justiça que Deus derrama sobre a humanidade no planeta Terra tem três elementos: o social, o moral e o legal; conforme define o teólogo John Stott. Assim, os Profetas do Senhor ensinam que a justiça social bíblica se preocupa em livrar os homens da opressão enquanto fortalece os direitos civis, buscando promover a dignidade da família e dos ambientes profissionais, e a fundamental retidão da justiça nos tribunais. (p. 35).
MEDITAÇÃO. A situação histórica da humanidade neste século 21 orienta que os cristãos reflitam sobre as diferenças entre a justiça social bíblica e a justiça social pós-moderna, conforme esta última tem sido proposta pelos pensadores e lideranças seculares.
Nesse contexto, o autor Scott David Allen convoca os discípulos de Cristo a promoverem na sociedade a justiça social que agrada a Deus, buscando oferecer para a humanidade uma vivência e valores culturais que produzam “justiça genuína, misericórdia, perdão, harmonia social e dignidade humana”.
Uma reflexão sobre a diferença de valores entre a justiça social bíblica e a justiça social pós-moderna se faz necessária pelo fato de que algumas igrejas cristãs têm assumido, certas vezes, as proposições de uma cultura contrária aos mandamentos bíblicos. Isto acontece atualmente, porque as palavras igualdade, inclusão e diversidade tem significados diferentes entre o que ensina a cosmovisão cristã diante do que a cosmovisão secular propõe para a sociedade.
O autor Scott Allen destaca que “Amar o próximo como a si mesmo” é o padrão moral da Bíblia, sendo um princípio de justiça comunitária desenvolvido através de relacionamentos respeitosos entre os seres humanos, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus.
Neste sentido, a justiça social bíblica é estabelecida na sociedade através do fundamento da atuação das autoridades instituídas por Deus, que são pais e professores, além de autoridades religiosas na igreja e civis no Estado etc. Enquanto isto, a justiça social pós-moderna tem desprezado o valor destas instituições e autoridades, ao criar situações de conflitos diante delas, posto que a sua ideologia pretende realizar a igualdade através de revoluções relacionais e sociais. (p. 11).
PENSE NISSO! As ideias dos homens promovem os seus valores entre a humanidade, sendo que as ideias são comunicadas através de palavras. Portanto, é preciso conhecer e praticar junto da sociedade as "poderosas palavras de Deus, que dão vida, conforme registradas na Escritura - palavras como liberdade, amor, compaixão e justiça", como explica o pensador cristão, Dallas Willard. (p. 18).
Dia 12. Caridade. JUSTIÇA SOCIAL BÍBLICA. Valores.
“Quem ama seu próximo cumpre os requisitos da lei de Deus. Pois os mandamentos dizem: “Não cometa adultério. Não mate. Não roube. Não cobice”. Esses e outros mandamentos semelhantes se resumem num só: “Ame o seu próximo como a si mesmo. O amor não faz o mal ao próximo, portanto o amor cumpre todas as exigências da lei de Deus”. (Carta aos Romanos: cap. 13, versos 8-10).
Esta devocional traz citações e desenvolve o conteúdo do livro: "Por que a justiça social não é a justiça bíblica”, de Scott David Allen.
APRESENTAÇÃO. Scott David Allen assumiu uma função na organização cristã de socorro e desenvolvimento, ‘Food for the Hungry’, em 1988. Foi um período de divisão entre líderes evangélicos acerca de qual seria a melhor maneira de promover justiça social. A partir disto, o propósito da publicação foi o de aproximar líderes cristãos através do conhecimento da Palavra de Deus.
MEDITAÇÃO. Havia um grupo que defendia a Missão Cristã como sendo o anúncio do Evangelho e a organização de igrejas, enquanto outro grupo afirmava que a missão da Igreja deveria assumir o atendimento dos pobres e marginalizados. A proposição que gerava maior distanciamento entre estes dois grupos se referia ao modo como a justiça social seria efetivamente realizada na sociedade.
O movimento da justiça social secular definia que a prosperidade de um grupo social era alcançada a partir das perdas de outro, sendo que essa se tornou a questão principal que deveria ser transformada acerca do tema da justiça social. Sobre isto, o autor refletiu que os valores ideológicos seculares da economia estavam causando mais males do que benesses aos pobres. Pois estes cidadãos não estavam sendo valorizados como seres criados à imagem de Deus, e assim, não eram percebidos como pessoas capazes de serem educadas ao desenvolvimento. Ao contrário, os pobres e necessitados eram definidos como pessoas incapazes e que deveriam receber uma atenção paternalista, o que gerava uma dependência deles para com a sociedade e Estado. (p. 22-23).
Nesse contexto de conflito de princípios, Allen apresentou proposições de aproximação aos líderes cristãos.
Os cristãos tradicionais foram convidados a refletir que a paixão pelo Evangelho e a edificação de igrejas são a essência de uma obra ainda mais ampla do Senhor, que também busca a redenção moral da sociedade pelos valores da justiça social bíblica. Ao falar aos líderes das igrejas que promoviam justiça social, o autor propôs que uma real prosperidade do pobre e necessitado somente iria ocorrer através de uma transformação social definida pela verdade bíblica e a compaixão cristã, pois “essa transformação nunca é completa, ou uniforme, ou indefinida, mas é real, poderosa, dignifica a Deus e é importante." (p. 24-25).
PENSE NISSO! O Reverendo Martin Luther King Jr se tornou um exemplo como líder religioso social ao propor na década de 1960 que os cristãos deveriam promover regras sociais oriundas da moral descrita na lei de Deus. Pois estas leis eram justas, sim, sendo algo que não se encontra no padrão de pensamento de um ativista social. Conforme ensina o teólogo protestante João Calvino, a lei bíblica anuncia o próprio caráter de Deus, devendo ser o guia moral absoluto que conduz a humanidade em todas as eras e lugares ao que é "bom e certo". (p. 34-43).
Dia 13. Trabalho. O TRABALHO E A ORDEM DA SOCIEDADE.
“Trabalhem com entusiasmo, como se servissem ao Senhor, e não a homens”. (Carta aos Efésios: cap. 6, v. 7).
APRESENTAÇÃO. Os seres humanos podem construir um ambiente harmônico e saudável na sociedade através do trabalho. O Apóstolo Paulo revela a maneira como Deus conduz a sociedade na história, oferecendo um significado valoroso para as pessoas a partir de seus papéis sociais, como são as funções de patrões e empregados.
MEDITAÇÃO. Dessa forma, visualizamos o modo como Deus define a importância de nossas relações familiares e parentais, sociais e trabalhistas para que possamos compreender a nossa utilidade comunitária e também os valores de convívio profissional que devemos assumir para alcançar satisfação e propósito nesta vida.
O apóstolo anota nos capítulos 5 e 6 da carta aos Efésios, alguns princípios para que nos tornemos pessoas maduras na sociedade, de modo que as esposas devendo respeitar o marido na condução da família, enquanto que o marido deve amar a esposa com dedicação em todas as situações. Os filhos devem honrar e respeitar os pais, enquanto que os pais não devem irritar os filhos, mas sim, educa-los de modo agradável a Deus.
Após tratar da ordem orgânica da família, Paulo reflete as relações trabalhistas, convocando os empregados a servirem bem no ambiente profissional, sabendo que toda atividade de trabalho deve ser praticada com dedicação e interesse, pois é uma função social dada por Deus aos homens.
Da mesma maneira, os patrões e chefes devem agir corretamente para com seus empregados e colegas, respeitando as suas capacidades e personalidades, gerando uma experiência profissional próspera para as pessoas.
PENSE NISSO! Deus ensina que o respeito e a dedicação mútua de trabalhadores e funcionários junto de empresários e empreendedores são valores profissionais fundantes da prosperidade econômica da sociedade.
Dia 14. Caridade. O DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO.
“Sei quanto estão ansiosos para ajudar (...) Que seja, porém, uma oferta voluntária, e não entregue de má vontade. (...) Cada um deve decidir em seu coração quanto dar. Não contribuam com relutância ou por obrigação. Pois Deus ama quem dá com alegria”. (2 Carta aos Coríntios: cap. 9, versos 2-7).
APRESENTAÇÃO. O Dia Internacional do Voluntariado (DIV) foi criado pela ONU em 1985 para promover as atividades voluntárias em todo o mundo. A data é celebrada todo dia 5 de dezembro para valorizar as pessoas que oferecem serviços e dedicam tempo em favor de grupos e comunidades, ao desenvolver tarefas sem interesse de lucro e praticando a solidariedade.
MEDITAÇÃO. Deus ama quem assume alegremente o seu compromisso dizimista e caridoso na igreja, sendo que este princípio deve nortear a contribuição voluntária do cristão para as instituições sociais e ao próximo.
A criação do DIV surgiu para prestar reconhecimento às atividades e serviços voluntários dos cidadãos na sociedade, buscando apoiar o valor do voluntariado nas perspectivas locais, nacionais e internacionais. Conforme destaque informativo, “os voluntários das Nações Unidas se unem às comemorações do DIV junto com outros voluntários do mundo todo, reforçando a importância de soluções lideradas por pessoas para os nossos desafios comuns”.
Nesse contexto, anotamos alguns números das ações de solidariedade social pelo mundo: há aproximadamente 1 bilhão de pessoas atuando como voluntárias em todo o mundo, sendo 70% em atividades informais e 30% em instituições organizadas. As pessoas que se dedicam ao voluntariado são vistas como perseverantes para ajudar em situações diversas, vindo a se adaptar com facilidade às necessidades enquanto entregam sensibilidade e interesse nas atividades de que participam, tanto em situações locais e internacionais, como em projetos de interação online.
O programa VNU – voluntários das nações unidas, reconhece as virtudes daqueles que praticam o voluntariado na sociedade: “livre-arbítrio, compromisso, equidade, engajamento, solidariedade, compaixão, empatia e respeito ao próximo”.
A celebração anual do DIV destaca as atividades dos voluntários no objetivo de criar um momento de gratidão pelas transformações que eles realizam junto das ações sociais, educacionais e de saúde. Ainda, o DIV enfatiza o modo como a ação voluntária na sociedade promove a empatia entre as pessoas e o trabalho em equipe, enquanto agrega valor às diferentes habilidades e talentos profissionais da humanidade.
Nesse contexto, buscamos um exemplo nacional ao tema. O programa ‘Mackenzie Voluntário’ da Universidade Presbiteriana Mackenzie SP busca atuar em favor do voluntariado na sociedade, promovendo eventos e apoiando iniciativas de informação e aprendizado, além de atividades de ação social junto de instituições e igrejas. O projeto surgiu em 2004, e "conta com cidadãos interessados na transformação do ambiente em que vivem", sendo que no ano de 2017 houve o cadastro de ações em mais de vinte Estados do país com a participação de 47 mil voluntários, o que gerou impacto e benefícios na vida de 500 mil pessoas a partir de 279 projetos.
PENSE NISSO! Não perca a oportunidade de se engajar em grupos e atividades de voluntariado nas igrejas e na sociedade, para utilizar seus talentos e sentimentos em ações efetivas de solidariedade e amor ao próximo.
Dia 15. Caridade. A RESPONSABILIDADE SOCIAL DOS CRISTÃOS.
“Ouçam, ó céus! Preste atenção, ó terra! Assim diz o Senhor: Os filhos que criei e dos quais cuidei, se rebelaram contra mim. (...) Aprendam a fazer o bem e busquem a justiça. Ajudem os oprimidos, defendam a causa dos órfãos, lutem pelos direitos das viúvas”. (Livro do Profeta Isaías: cap. 1, versos 1 e 17).
Esta devocional desenvolve o conteúdo de palestra ministrada no Encontro da Fé Reformada, em 2023, pelo Prof. Dr. Héber Campos Jr.
APRESENTAÇÃO. O mandato social cristão trata da responsabilidade religiosa para atuar diante da sociedade e nossos semelhantes. Faz parte dos três mandatos existenciais do cristão na doutrina reformada, que incluem o mandato espiritual para o relacionamento com Deus e o mandato cultural que define o modo em que nos relacionamos com toda a criação.
MEDITAÇÃO. O Mandato Social Cristão é um tema amplo que abrange áreas e relacionamentos diversos da vida, como o cuidado com familiares e parentes, vizinhos e cidadãos, amigos e colegas de trabalho, estando conectado ao relacionamento que os cristãos devem desenvolver diante dos que se encontram oprimidos. É um tema importante da justiça social bíblica que volta o seu olhar para as boas obras em favor dos necessitados e pobres, excluídos e perseguidos.
Nesse contexto, vamos analisar o movimento de justiça social contemporâneo à luz das Escrituras e diante de uma cosmovisão bíblica. Pois a justiça social secular neste século 21 se tornou um tema comum a partir de proposições como a igualdade e inclusão, seja na perspectiva econômica e outros aspectos, como de raça e etnia, gênero e sexo.
Este movimento secular de justiça social tem uma cosmovisão que define a redenção da sociedade a partir do princípio da sensibilidade para com certas pessoas e personalidades, junto de uma indignação perante a situação de determinados grupos excluídos, sendo que a solução vai ser alcançada pela revolução social até uma sociedade utópica perfeita.
Sobre este assunto, faz-se importante anotar dois princípios bíblicos cristãos relacionados ao tema da justiça social, além do destaque para o fato de que não haverá solução de justiça final e completa para a humanidade fora do reinado do Messias.
Primeiro, que a humanidade deve buscar uma existência solidária como espécie neste planeta a partir do fato de que fomos todos criados à imagem e semelhança de Deus. Por isso, deve-se amar o próximo como a si mesmo em toda a situação e necessidade, pois todos nós somos humanos de Deus.
Ao refletir sobre o mandamento do amor ao próximo, recordamos o modo como os 10 mandamentos apresentam a justiça social bíblica ao proteger e resguardar valores essenciais da sociedade, como a família e a fidelidade, a verdade e a dignidade, o trabalho e os bens dos homens. São princípios de convivência universais que promovem a proteção de direitos fundamentais da humanidade, e todos são oriundos da Lei de Deus.
O segundo princípio trata da transformação que todos desejamos para a sociedade dos homens, já que somos o povo de Deus que tem sede e fome de justiça.
PENSE NISSO! O Cristianismo ensina a verdade do Evangelho de Jesus. O evangelho anuncia a salvação única dos homens e a consequente redenção do mundo, como sendo uma proposição messiânica conduzida somente na vinda definitiva do Reino dos céus de Jesus Cristo. No próximo texto devocional, iremos meditar em valores de uma justiça social bíblica para orientar um conhecimento cristão ao tema, a partir de sua conjunção diante do reino do Messias.
Dia 16. Caridade. O MANDATO SOCIAL DOS CRISTÃOS. Valores bíblicos.
“Quando fizerem a colheita da sua terra, não colham as espigas nos cantos dos campos e não apanhem aquilo que cair das mãos dos ceifeiros. Deixem esses grãos para os pobres e estrangeiros que vivem entre vocês. Eu sou o Senhor, seu Deus”. (Livro de Levíticos: cap. 23, verso 22).
Esta devocional desenvolve o conteúdo de palestra ministrada no Encontro da Fé Reformada, em 2023, pelo Prof. Dr. Héber Campos Jr.
APRESENTAÇÃO. Cosmovisão é uma visão integral da realidade do mundo, sendo um conhecimento que vai nortear o comportamento do ser humano em toda a sua vida. O cristão é convocado para amar a Deus completamente, buscando nas Escrituras o entendimento para viver como um discípulo fiel em todo o tempo e lugar.
MEDITAÇÃO. Após refletir sobre o mandamento do amor ao próximo conforme os princípios da justiça social estabelecida nos 10 mandamentos, faz-se importante anotar como o Cristianismo orienta diversos valores de cuidado com os necessitados a partir de fundamentos bíblicos.
No livro de Levíticos, no cap. 25, verso 35 em diante, vemos o princípio da generosidade sendo implementado para que a sobra da colheita seja deixada pelo agricultor, a fim de que o necessitado seja atendido. Ainda, o ano da remissão das terras no Jubileu trata das terras perdidas em razão de dívidas, orientando que o cidadão que produziu as dívidas seja cuidado e atendido, mesmo que ele tenha sido o causador da situação. As pessoas que se encontram em dificuldades econômicas e também os deficientes deverão ser acolhidos nas suas situações particulares, no destaque do fato cotidiano de que se deve pagar o salário de um funcionário diarista no mesmo período em que trabalhou, pois ele precisa receber naquele dia para o seu sustento.
Ao tratar da justiça dos tribunais, o livro de Deuteronômio traz no cap. 16 algumas orientações que visam promover uma justiça correta ao povo. Assim, a justiça social será alcançada através de processos justos, com a ênfase de que um processo "justo" não é o que produz resultados iguais à todas as partes da ação. Pois a Palavra de Deus requer juízes e magistrados que “nunca distorçam a justiça nem mostrem parcialidade”, para “que a justiça verdadeira prevaleça sempre”, enquanto o povo de Deus se organiza para viver como uma sociedade justa. (versos 18-20).
Um princípio importante para a nossa reflexão é o modo em que o Mal deixou de ser um tema de moralidade pessoal na justiça social secular, para se tornar um resultado do sistema estrutural da sociedade. No entanto, as Escrituras revelam que o principal problema gerador de males na existência humana é o coração do homem, de onde surgem os maus desejos e as vontades corruptas, vindos do interior do ser. E não do exterior, pois o mal não origina do sistema das estruturas.
Assim, a primeira disputa que o cristão deve assumir contra o mal é travar uma luta consigo mesmo, pois na cosmovisão bíblica de justiça social não encontramos o julgamento de um sistema para gerar a justiça, mas sim, o tratamento do coração das pessoas. Pois o Mal não é impessoal, sendo que esta visão errônea despersonaliza a culpa e mantém o ser humano como escravo do pecado, numa postura vivencial que arruína as relações sociais.
A cosmovisão cristã entende que há duas orientações principais de justiça social para o povo de Deus. Primeiro, cada cristão deve fazer parte de uma congregação religiosa que promova atendimento solidário, pois este é um valor fundamental nas Escrituras. Em segundo lugar, os cristãos devem agir mais com misericórdia do que com justiça, pois assim como não recebemos tratamento justo de Deus, igualmente devemos oferecer ao próximo o que de Deus temos recebido; que é a misericórdia.
PENSE NISSO! A misericórdia cristã corrige a justiça social que deseja promover a auto estima de meus direitos pessoais. Ao seguir esse princípio bíblico, iremos Amar a Deus no mundo amando os homens assim como Deus nos amou! A Igreja de Cristo deve ser uma comunidade marcada pela Misericórdia Social!
Dia 17. Caridade. AÇÃO SOCIAL E CARIDADE NA HISTÓRIA DA IGREJA. Os Irmãos Wesley.
“Se vocês me amam, obedeçam a meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Encorajador, que nunca os deixará. É o Espírito da verdade. (...) Jesus respondeu: “Quem me ama faz o que eu ordeno. Meu Pai o amará, e nós viremos para morar nele”. (Evangelho de João: cap. 14, versos 13-23).
Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo de capítulo do livro, Jardim da cooperação, sobre o Movimento Metodista, de Welinton Pereira da Silva.
APRESENTAÇÃO. O movimento Metodista surgiu no século 18 na Inglaterra, na busca de uma experiência de renovação da espiritualidade cristã protestante, que estava desgastada pela intelectualidade e ritualismo. Os colegas dos irmãos Wesley buscavam unir "espiritualidade e responsabilidade social" para comunicar todo o Evangelho e ser uma Igreja de Jesus junto da "gente mais simples da época".
MEDITAÇÃO. João e Carlos Wesley desenvolveram uma religiosidade cristã baseada numa contracultura diante da vivência religiosa secular e intelectualizada, que dominava a Inglaterra no período da revolução industrial.
Neste sentido, aproveitamos um destaque do conteúdo base acerca do ministério dos irmãos Wesley, com a informação de que "seus seguidores atuavam em várias frentes de trabalho social buscando acolher e apoiar os necessitados. A luta contra o tráfico e escravidão, o apoio às crianças pobres e a busca pela reforma do sistema prisional, foram algumas das bandeiras levantadas" neste período de transição da estrutura social agrária para a industrial. (p. 76).
Os irmãos Wesley organizaram um grupo de estudos bíblicos e orações na Universidade inglesa de Oxford para promover um aprendizado de santificação que pudesse dar pleno conhecimento da vontade de Deus aos jovens, orientando situações em que os membros do grupo iriam se dedicar a fazer boas obras a partir de suas meditações nas Escrituras.
O grupo cristão se encontrava à noite para avaliar o que haviam feito e programar as atitudes do dia seguinte, dedicando tempo para orações e comunhão. Alguns membros orientavam novos alunos na faculdade enquanto outros visitavam os pobres, viúvas e presos, além de existir a contribuição para um fundo que pudesse custear livros, remédios e até saldar dívidas que ocasionavam a prisão dos devedores.
Algo que chama a atenção é o modo como os Irmãos Wesley e o movimento metodista promoveram na história ocidental o "respeito ao ser humano". Pois, na transição da sociedade monárquica e agrária para a democracia em meio à revolução industrial, as pessoas se tornaram uma grande massa impessoal conduzida de um lado a outro, sem qualquer dignidade. Porém, para o movimento cristão social destes irmãos, a atenção e respeito ao próximo eram valores que deveriam ser praticados todos os dias e a cada momento. (p. 79).
PENSE NISSO! Enquanto a Igreja e cristãos da época estavam acostumados a serem ‘sal dentro do saleiro’, os irmãos Wesley defendiam que "uma vida cristã mais santa e consagrada deveria desembocar no serviço ao próximo"; conforme João Wesley refletiu ao comentar o Sermão do Monte; capítulo 5 do evangelho de Mateus. (p. 80).
Dia 18. Caridade. OS IRMÃOS WESLEY. Sociedades bíblicas e Pequenos Grupos.
“Deus, em sua graça, nos concedeu diferentes dons. Portanto, se você tiver a capacidade de profetizar, faça-o de acordo com a proporção de fé que recebeu. Se tiver o dom de servir, sirva com dedicação. Se for mestre, ensine bem. Se seu dom consistir em encorajar pessoas, encoraje-as. Se for o dom de contribuir, dê com generosidade. Se for o de exercer liderança, lidere de forma responsável. E, se for o de demonstrar misericórdia, pratique-o com alegria. Amem as pessoas sem fingimento. Odeiem tudo que é mau. Apeguem-se firmemente ao que é bom”. (Carta aos Romanos: cap. 12, versos 6-9).
Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo de capítulo do livro, Jardim da cooperação, sobre o Movimento Metodista, de Welinton Pereira da Silva.
APRESENTAÇÃO. Após organizar a formação das sociedades bíblicas, os Irmãos Wesley criaram pequenos grupos comunitários religiosos, com valores e regras para o desenvolvimento das atividades cristãs piedosas dos membros.
MEDITAÇÃO. "O Evangelho de Cristo não conhece outra religião que a social nem outra santidade que a santidade social." (John Wesley)
Entre outras orientações, os participantes dos pequenos grupos organizados pelos irmãos Wesley deveriam: - trazer toda a roupa que pudessem para ser doada; - doar o dinheiro disponível para socorrer os enfermos e pobres; - contratar mulheres para trabalharem com tecido, fornecendo um salário para o seu sustento; e ainda, deveriam criar um grupo para visitar os pobres e doentes a fim de anotar as suas necessidades, para que as informações pudessem nortear as atividades da sociedade bíblica.
A obra social desenvolvida pelos Irmãos Wesley atuou em diversas frentes nos anos seguintes, vindo a entregar folhetos explicativos sobre as necessidades dos pobres, e exortando os homens sobre o erro do acúmulo de riquezas excessivo e da utilização de jogos para ganhar dinheiro. Apoiaram o projeto da abolição da escravidão junto do parlamentar metodista William Wilberforce, além do empenho para promover uma reforma das prisões, vindo a organizar um plano de ação social para a Inglaterra, com "casas para operários, esquema de trabalho para desempregados, bancos e escritórios para empréstimos aos pobres, consultórios médicos". (p. 82)
As crianças e o período da infância foram valorizados na sociedade com orientações aos adultos para serem responsáveis na alfabetização e educação cristã dos menores, enquanto que os salões das igrejas eram utilizados como ambientes escolares para os pequeninos; pois, "para Wesley e os metodistas primitivos não havia separação entre evangelização e obra social; para eles a obra de evangelização era tanto social como individual".
A partir do conhecimento destas boas obras cristãs históricas, a Igreja local neste século 21 deve compreender os seus dons e ministérios a fim de voltar-se para a comunidade em que está inserida, numa perspectiva de serviço. Deve conhecer melhor a região em que está situada, desde o bairro e a cidade até as regiões do interior do país, para entender como as pessoas convivem e de que forma a nossa sociedade está organizada. De forma especial, devem assumir a "necessidade de apoiar todas as iniciativas que preservem e valorizem a vida humana". (p. 88).
PENSE NISSO! A meditação bíblica e os momentos de oração organizados pelos irmãos Wesley buscavam um relacionamento de comunhão constante diante de Deus, junto de uma vida na dependência do Espírito Santo, pois “do céu pediam a direção para atuar acertadamente na terra." (Bispo Barbieri). (p. 88).
Dia 19. Caridade. AÇÃO SOCIAL CRISTÃ. Reforma Protestante, Século 16.
“Portanto, irmãos, suplico-lhes que entreguem seu corpo a Deus, por causa de tudo que ele fez por vocês. Que seja um sacrifício vivo e santo, do tipo que Deus considera agradável. Essa é a verdadeira forma de adorá-lo. Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês”. (Carta aos Romanos: cap. 12, versos 1-2).
Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo do livro, O pensamento econômico e social de Calvino, de André Biéler.
APRESENTAÇÃO. "Antes de Calvino, a Reforma havia organizado a assistência por doença, velhice e invalidez, a fiscalização parcial dos preços contra o monopólio e a especulação, a limitação da jornada de trabalho e a instrução pública obrigatória". (p. 221).
MEDITAÇÃO. A Reforma Protestante foi estabelecida na comunicação pública das 95 teses de Martinho Lutero em 31 de outubro de 1517. Durante as décadas de 1520 e 1530 do século 16, enquanto o luteranismo se consolidava na Alemanha, o protestantismo reformado se desenvolvia nas regiões de Zurique e Genebra, através da liderança de Ulrico Zuínglio e João Calvino.
Na década de 1530, a cidade de Genebra foi organizada em uma nova estrutura social baseada em princípios cristãos protestantes. As lideranças municipais atuaram nos aspectos civil e religioso e dedicaram sua atenção para criar um plano social de atendimento aos cidadãos, pois o pensamento da reforma unificava a transformação social junto da renovação da religião. A partir de 1535, os reformadores organizaram o Hospital Geral para atendimento de enfermos, especialmente de pobres, idosos e órfãos. (p. 221).
Ao perceber a gravidade da situação social da população, foram tomadas medidas comerciais para oferecer alimentos a todas as classes, com a definição de valores adequados para o pão, a carne e o vinho, além de estabelecer o domingo como um dia de feriado público. Em 1539, devido ao grande número de refugiados que chegavam na cidade e diante do crescimento das viúvas e órfãos, as lideranças definem a obrigatoriedade do trabalho para os adultos capazes no município, além da construção de uma escola e da obrigação do ensino primário na cidade. (p. 222)
No ano de 1541, o líder reformador João Calvino organiza uma ordem eclesiástica para o atendimento dos pobres e para atuar nos problemas sociais da cidade, e assim, os Diáconos se tornam um ministério oficial da Igreja em Genebra, assumindo a gestão dos bens comunitários e do atendimento aos enfermos.
Nesse contexto, a Igreja e o Estado abraçaram conjuntamente a administração de um órgão de ação social e caridade para a população. Os recursos monetários vinham das doações de fiéis e do tesouro do governo, com a supervisão civil dos bens à cargo do Estado e com a organização dos atendimentos sob a responsabilidade dos diáconos.
“É importante notar que, embora Calvino tenha abordado questões relacionadas à pobreza e à desigualdade social em suas obras, sua ênfase estava principalmente na ética individual e na responsabilidade dos cristãos em relação aos necessitados. Sua opinião era de que a generosidade e a caridade eram deveres cristãos”. (Dias, p. 35, 2024).
PENSE NISSO! Ao organizar ambos os ministérios da Igreja em igualdade de valor, tanto da Palavra como do Diaconato, Calvino e os reformadores atendem tanto "a vida moral de seus membros como também sua vida material”. (p. 223-224).
Dia 20. O TRABALHO E A CARIDADE PARA A GLÓRIA DE DEUS!
“Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam para a glória de Deus”. (1 Carta aos Coríntios: capítulo 10, verso 31).
APRESENTAÇÃO. Quando o Apóstolo Paulo ensina os cristãos sobre a importância de dedicar Glória a Deus em todo o tempo e situação, ele está relacionando a doutrina da liberdade cristã com a experiência de praticar um estilo de vida digno diante de Deus.
MEDITAÇÃO. Para o apóstolo, quer estejamos fazendo uma refeição ou qualquer outra atividade, Deus precisa ser honrado de forma adequada naquela experiência. Os cristãos devem colocar todas as suas atividades perante o Senhor, como se perguntássemos para Deus o que Ele entende que devemos fazer de melhor em cada situação da vida.
Na perspectiva espiritual de assumir uma vida de adoração em toda a nossa existência, este livro traz devocionais e meditações sobre a maneira como Deus deseja abençoar a sociedade através das atividades de trabalho e de ações sociais dos cristãos, assim que as dedicamos para serem vivenciadas segundo a vontade do Senhor!
Observe que a melhor caridade e a boa ação social realizadas pelos cristãos são aquelas que acontecem conjuntamente com o aviso público de que Jesus é o Messias. A mensagem cristã do Amor ao próximo não pode ignorar que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho único para que todo aquele que n´Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Ninguém vai anunciar ao mundo o verdadeiro amor divino do Evangelho junto de atos de caridade benditos, se os cristãos não abraçarem este desafio e privilégio. Pregue sempre o Evangelho usando as palavras de Jesus, e se for necessário, faça caridade também. Para a Glória de Deus!
Uma mensagem bíblica impactante sobre o tema do Trabalho e Riquezas é aquela contida na ‘Parábola do rico insensato’. O protagonista da parábola contada por Jesus Cristo era um homem que ficou tão rico ao trabalhar, que somente se preocupava em guardar os bens adquiridos. O único desejo existencial que movia o seu coração era o da conquista financeira! Para ele, não haviam outros objetivos na vida.
As devocionais deste livro acerca do valor espiritual e da importância social de nossas atividades profissionais e de todo trabalho da humanidade foram escritas para guiar a nossa mente e tocar o nosso coração para que não venhamos a ganhar o mundo, enquanto perdemos a alma.
De modo especial, meditamos nas Escrituras e na história de movimentos cristãos acerca do Amor ao próximo desenvolvido através da caridade cristã, pois afinal, “quem ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. (1 Carta de João: cap. 4, verso 7).
PENSE NISSO! Devemos compreender o modo como Deus Pai Todo Poderoso tem abençoado as atividades profissionais para que a nossa personalidade e toda a sociedade sejam prósperas e harmônicas, no entendimento cristão. E vamos anotar o ensino da ilustração dada na parábola do bom samaritano, que oferece aos cristãos a melhor compreensão do significado de amar o próximo. Pois o próprio Senhor Jesus modifica a pergunta do oficial da lei para definir não mais quem é o próximo a ser atendido, mas sim, quem se torna o próximo para o necessitado: aquele que agiu com misericórdia para com ele!
Boa leitura e que Deus Pai abençoe os Cristãos diante de toda a Sociedade e suas Instituições.
REFERÊNCIAS
BÍBLIA Sagrada, Nova Versão Transformadora. 1 edição: outubro de 2020. Editora Mundo Cristão.
1. STOTT, John. A Bíblia toda o ano todo. Meditações diárias de Gênesis a Apocalipse. Tradução: Jorge Camargo. – Viçosa, MG : Ultimato, 2007.
2. CURTIS, A Kenneth, LANG, J. Stephen e PETERSEN, Randy: Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo; tradução de Emirson Justino – São Paulo : Editora Vida, 2003. (p. 196-198).
3. DIAS, Agemir de Carvalho. Calvinismo e ação social : o legado transformador do Calvinismo na sociedade moderna / -- 1. ed. – Curitiba, PR : Vc Autor Assessoria Editorial, 2024.
4. Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999 (p. 1280).
5. Livro: Jardim da cooperação: evangelho, redes sociais e economia solidária / Paulo Roberto Borges Brito, org. – Viçosa, MG : Ultimato, 2008. Capítulo e artigo: Parte 2 – Exemplos históricos de “Redes Sociais Cristãs”. 4. O cristianismo como rede de solidariedade, de Gustavo A. Leal Brandão. (p. 63-75).
6. Livro: Jardim da cooperação: evangelho, redes sociais e economia solidária / Paulo Roberto Borges Brito, org. – Viçosa, MG : Ultimato, 2008. Capítulo e artigo: Parte 2 – Exemplos históricos de “Redes Sociais Cristãs”. 4. O cristianismo como rede de solidariedade, de Gustavo A. Leal Brandão. (p. 63-75).
7. CURTIS, A Kenneth, LANG, J. Stephen e PETERSEN, Randy: Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo; tradução de Emirson Justino – São Paulo : Editora Vida, 2003. (p. 161-162).
8. (https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/maes-sociais-mulheres-que-se-doam-no-cuidado-temporario-de-criancas-em-vulnerabilidade/)
9. STOTT, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU EDITORA S/C. tradução de Yolanda M. Krievin, 1981, SP. (p. 48-52).
10. STOTT, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU EDITORA S/C. tradução de Yolanda M. Krievin, 1981, SP. (p. 48-52).
11. ALLEN, Scott. Por que a justiça social não é a justiça bíblica: um apelo urgente aos cristãos em tempos de crise social. Tradução de A. G. Mendes. – São Paulo: Vida Nova, 2022. (p. 11-35).
12. ALLEN, Scott. Por que a justiça social não é a justiça bíblica: um apelo urgente aos cristãos em tempos de crise social. Tradução de A. G. Mendes. – São Paulo: Vida Nova, 2022. (p. 11-35).
13. https://www.un.org/en/observances/volunteer-day
14. https://www.mackenzie.br/notícias/artigo/n/a/i/dia-internacional-do-voluntariado.
15. Palestra ministrada no Encontro da Fé Reformada, 11 de novembro de 2023, Curitiba, PR. Tema: Amando a Deus no Socorro Social.
16. Palestra ministrada no Encontro da Fé Reformada, 11 de novembro de 2023, Curitiba, PR. Tema: Amando a Deus no Socorro Social.
17. Livro: jardim da cooperação. evangelho, redes sociais e economia solidária / Paulo Roberto Borges de Brito, org. - Viçosa, MG : Ultimato, 2008. Capítulo e artigo: Parte 2 - Exemplos históricos de "Redes Sociais Cristãs". 5. Contribuição do Movimento Metodista para o entendimento da indissociabilidade entre evangelização e ação social, de Welinton Pereira da Silva. (p. 76-80).
18. Livro: jardim da cooperação. evangelho, redes sociais e economia solidária / Paulo Roberto Borges de Brito, org. - Viçosa, MG : Ultimato, 2008. Capítulo e artigo: Parte 2 - Exemplos históricos de "Redes Sociais Cristãs". 5. Contribuição do Movimento Metodista para o entendimento da indissociabilidade entre evangelização e ação social, de Welinton Pereira da Silva. (p. 76-80).
19. BIÉLER, André. O pensamento econômico e social de Calvino. Tradução de Waldyr Carvalho Luz. – São Paulo: Casa Editora Presbiteriana S/C, 1990. (Páginas 221 a 224).
20. DIAS, Agemir de Carvalho. Calvinismo e ação social : o legado transformador do Calvinismo na sociedade moderna / -- 1. ed. – Curitiba, PR : Vc Autor Assessoria Editorial, 2024.
AUTOR. Ivan Santos Rüppell Júnior. Possui graduação em Direito pela Faculdade Curitiba (1991), graduação em Teologia pela Faculdade Teológica Batista do Paraná (1995) e validação do curso de Teologia pela Faculdade Evangélica do Paraná (2011), Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela UFPR (2007), Mestrado em Ciências da Religião na Universidade Presbiteriana Mackenzie SP (2007). Outras publicações do autor: O Cristianismo e a Civilização Ocidental, editora Intersaberes (2021); Resenhas espirituais de meditações cinematográficas, editora Dialética (2020). Professor de ciências da religião e teologia no Seminário Presbiteriano de Curitiba. Gestão de parcerias e conexão de ações sociais de Igrejas e Instituições de ação social evangélicas, 2015-2026. Contato: email: ruppelljr@gmail.com
Esse texto tem objetivo didático na disciplina de Símbolos de Fé no Seminário Presbiteriano do Sul extensão Curitiba. Daí a utilização de resumos e citações mais longas no interesse de oferecer aos alunos o conteúdo apropriado para o entendimento necessário aos debates e explanações em aula. CONTEÚDO de Aula: CONTEXTO HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO DOS SÍMBOLOS DE FÉ DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. TEOLOGIA REFORMADA. "Trata-se da teologia oriunda da Reforma (calvinista) em distinção à luterana. O designativo "reformada" é preferível ao calvinista... considerando o fato de que a teologia reformada não provém estritamente de Calvino." (Maia, p. 11, 2007). OS CREDOS E A REFORMA. "Os credos da Reforma são as confissões de fé e os catecismos produzidos nesse período ou sob sua inspiração teológica. Os séculos 4 e 5 foram para a elaboração dos credos o que os séculos 16 e 17 foram para a feitura das confissões e dos catecismos. A razão parece evidente: na Reforma, as...
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