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CREDOS E CONFISSÕES. A Confissão de Fé da Guanabara, 2026.

Conteúdo para disciplinas Credos e Confissões, e Símbolos de Fé da IPB: seminário presbiteriano do sul, extensão Curitiba. Prof. Ivan S. Rüppell Jr. A CONFISSÃO DE FÉ DA GUANABARA. A denominação e doutrina presbiterianas foram estabelecidas no Brasil a partir da chegada do Missionário Ashbel Green Simonton, em 12 de agosto de 1859. No entanto, nos dois séculos após o descobrimento do Brasil, surgiram movimentos de implantação da fé reformada em nossa nação. Em 10 de novembro de 1555, o militar francês Nicolas de Villegaignon chegou na baía da Guanabara, sendo bem recebido pelos nativos, vindo a se estabelecer na ilha de Sergipe, onde foi edificado o Forte Coligny. Villegaignon solicitou a João Calvino o envio de missionários e colonos de fé protestante, no objetivo de desenvolver valores e a fé reformada na região. Assim, a Igreja Reformada de Genebra enviou um grupo de cristãos sob os cuidados dos pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier, os quais chegaram na Guanabara em 10 de março, realizando uma celebração de gratidão no centro da ilha, sendo este o PRIMEIRO CULTO PROTESTANTE DAS AMÉRICAS. Villegaignon se desentendeu com os protestantes franceses (huguenotes) e os obrigou a deixar a colônia, em partida que ocorreu em 4 de janeiro de 1558, no entanto, cinco deles voltaram e foram bem recebidos, vindo depois a serem acusados de traição. Villegaignon "formulou um questionário sobre pontos doutrinários e lhes deu doze horas para responderem por escrito. O resultado foi a bela Confissão de Fé da Guanabara ou Confissão Fluminense." Villegaignon entendeu que suas respostas eram heréticas e os condenou a morte, alguns naquele momento e outros durante os próximos anos, de modo que Jean Du Bourdel, Matthieu Verneil, Pierre Bourdon e Jacques Le Balleur "ficaram conhecidos como os mártires calvinistas do Brasil." (Matos, p. 41, 2007). A Confissão de Fé da Guanabara pode ser definida como um "credo", sendo que o formato e quantidade de textos a posicionam como uma "confissão de fé", se tornando, assim, um dos primeiros documentos reformados confessionais, posto que, "a Confissão Galicana (1559), a Confissão Belga (1561), o Catecismo de Heidelberg (1566) e a Confissão de Fé de Westminster (1648) são todos posteriores." (p. 44). Destacamos três características no documento: "a) é uma confissão de fé bíblica: está repleta de referências e argumentos extraídos diretamente das Escrituras; b) é uma confissão de fé cristã: expressa convicções e conceitos dos primeiros séculos da igreja; c) é uma confissão de fé reformada: contém pontos importantes do calvinismo, como a centralidade das Escrituras, a natureza simbólica dos sacramentos, a supremacia de Cristo, a importância da fé, o batismo infantil e a eleição, dentre outros." A Confissão de Fé da Guanabara contém 17 parágrafos que desenvolvem temas bem definidos: - doutrina da Trindade, com ênfase nas naturezas humana e divina de Cristo; - doutrina dos sacramentos, sobre Ceia e Batismo; - questão do livre arbítrio; - autoridade dos ministros; - divórcio e casamento de bispos; - intercessão e oração pelos mortos. "O texto faz diversas referências aos concílios da igreja antiga e aos pais da igreja, revelando os conhecimentos históricos dos seus autores (...) utilizam uma linguagem tirada do Credo Niceno (381) e de Calcedônia (451). As expressões "o Filho eternamente gerado do Pai" e "o Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho" (Filioque) são bem conhecidas na história da teologia". A Confissão destaca 4 personagens da história da igreja; que são: Tertuliano (160-), Cipriano (200-), Ambrósio (339-) e Agostinho (354-). (Matos, p. 44-45, 2007). CONFISSÕES de Fé Reformadas. (livro: Harmonia das Confissões Reformadas). Introdução. O contexto histórico destas Confissões de Fé origina do período em que as igrejas reformadas desenvolveram Sete Confissões, as quais foram comparadas pelos autores a fim de que seu conteúdo fosse apresentado em sua singularidade e harmonia para conhecimento dos estudantes e fiéis. "As igrejas reformadas dos séculos 16 e 17 produziram várias coleções de confissões reformadas ortodoxas que diferenciavam a fé reformada tanto do Catolicismo Romano como de outros grupos de igrejas protestantes." Conforme vimos, as Confissões de Fé formam um terceiro grupo de anúncio e declaração da Palavra de Deus para os Cristãos protestantes, sendo que a Bíblia (Escrituras) é o documento primário, o Credo Apostólico é o documento secundário e as Confissões são o documento terceiro, sendo que as Confissões de Fé Cristãs Reformadas limitam o seu texto ao conteúdo das Escrituras, enquanto buscam fundamentar e esclarecer a interpretação bíblica estabelecida por essa vertente cristã oriunda do século 16, a partir da Reforma Protestante. Neste grupo de confissões reformadas, temos: as confissões da "família suiça", que são a Primeira Confissão Helvética (1536), a Segunda Confissão Helvética (1566), e a Fórmula de Consenso Helvética (1675). A "família anglo-escocesa", que contém a Confissão da Escócia (1560), com os Trinta e Nove Artigos (1563), a Confissão de Fé de Westminster (1646-47) e os Catecismos Maior e Breve de 1647. E ainda, a denominada "família germânico-holandesa", que apresenta três formas: a Confissão de Fé Belga (1561), o Catecismo de Heidelberg (1563) e os Cânones de Dort (1618-19). Sendo que, "as sete mais adotadas pelas várias denominações reformadas... são as Três Formas de Unidade, a Segunda Confissão Helvética e a Confissão e os Catecismos de Westminster." O propósito dos organizadores da comparação e apresentação da visão singular destas Confissões, é de que "esta harmonia permitirá fácil acesso ao conteúdo das grandes confissões reformadas e também ajudará os cristãos holandeses reformados, os húngaros reformados, os ingleses presbiterianos e outros cristãos reformados a apreciar mais profundamente as confissões desses diversos grupos (...) A beleza deste livro é que ele ressalta a harmonia entre as confissões reformadas, a despeito da diversidade de suas inúmeras tradições históricas." (Beeke, 2006). DOUTRINA Reformada. Comparação. A Trindade! Tema: A santa trindade. 1. Confissão Belga: "Deus é um em essência, porém distinguido em três pessoas. De acordo com essa verdade, e com essa Palavra de Deus, nós acreditamos num só Deus, que é de uma só essência, na qual há três pessoas, realmente, verdadeiramente e eternamente distintas, conforme suas propriedades incomunicáveis, ou seja, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. 2. Catecismo de Heidelberg: P. 25: Por que você fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo se há apenas uma divina essência... R: Porque Deus se revelou desse modo na sua Palavra, que essas três pessoas distintas são o único, verdadeiro e eterno Deus. 3. Segunda Confissão Helvética: "Cremos e ensinamos que o mesmo Deus infinito, uno e indiviso é um ser inseparavelmente e sem confusão, distinto em pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo - e, assim como o Pai gerou o Filho desde a eternidade, o Filho foi gerado de modo indescritível, e o Espírito Santo verdadeiramente procede de um e de outro, desde a eternidade e, assim, deve ser adorado como ambos (...) Enfim, aceitamos o Credo dos Apóstolos, porque ele nos comunica a verdadeira fé." 4. Confissão de Fé de Westminster: "Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém - não é gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho." 5. Breve Catecismo de Westminster: "Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três são um Deus, da mesma substância, iguais em poder e glória." 6. Catecismo Maior de Westminster: "Na Divindade há três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; essas três pessoas são um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais." Confissões de Fé. SÍMBOLOS DE FÉ da IPB. "A Igreja Presbiteriana do Brasil adota, como exposição das doutrinas bíblicas, a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior e o Catecismo Menor ou Breve Catecismo. Nossa única norma de fé e conduta é a Bíblia Sagrada. Todavia, em virtude de a Bíblia não apresentar as doutrinas já sistematizadas, adotamos a Confissão de Fé e os Catecismos como exposição do sistema de doutrinas ensinadas na Escritura." (p 67). As autorizadas Confissões de Fé protestantes vieram a se consolidar através de movimentos "pós-reforma", como destaca McGrath: "Tanto a Reforma protestante quanto a católica, foram sucedidas por um período de consolidação da teologia, em ambos os movimentos. No seio do protestantismo, luterano e reformado (ou "calvinista"), iniciou-se o período conhecido como "ortodoxia", caracterizado por sua ênfase em normas e definições doutrinárias. (...) O luteranismo e o calvinismo eram, sob muitos aspectos, bastante semelhantes. Ambos alegavam ser evangélicos e rejeitavam, de modo geral, os mesmos aspectos centrais do catolicismo medieval. Entretanto, eles precisavam se diferenciar." (p 112 -114, 2005). Nesse contexto, anotamos que "a Confissão de Fé e os Catecismos são conhecidos, historicamente, como Símbolos de Westminster. Eles foram elaborados pela Assembleia de Westminster (1643-1648), convocada pelo Parlamento inglês para elaborar novos padrões doutrinários, litúrgicos e administrativos para a Igreja da Inglaterra." (Matos e Nascimento, p 67, 2007). REFERÊNCIAS. MATOS, Alderi Souza e NASCIMENTO, Adão Carlos. O que todo presbiteriano inteligente deveria saber. Santa Bárbara d´Oeste, SP : Socep Editora 2007. BEEKE, Joel R e FERGUSON, Sinclair B. Harmonia das confissões de Fé Reformadas. Edit Cultura Cristã, São Paulo, SP, 2006 (páginas 9 a 12, 20-21). MCGRATH, Alister. Teologia sistemática, histórica e filosófica. Edit Sheed, São Paulo SP, 2005. VAN Dixhoorn, Chad B. Catecismo Maior de Westminster. Origem e composição. Edit Os Puritanos. Recife, PE, 2012. (páginas 7 a 16). WATSON, Thomas. A Fé Cristã. Estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster. Cultura Cristã, São Paulo SP, 2009. (pg 7 a 15). Autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor do Seminário Presbiteriano do sul extensão Curitiba e ministro licenciado da Igreja Presbiteriana do Brasil.

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