Jesus de Nazaré fez uma declaração definitiva para anunciar que o Cristianismo é uma Religião, ao invés de ser um Partido Político: "então deem a César o que pertence a César, e deem a Deus o que pertence a Deus", disse ele." (Evangelho de Marcos, cap. 12, verso 17).
Quando Jesus destacou a diferença do compromisso dos cristãos perante a Igreja e o Governo, Ele distinguiu a religião diante dos partidos políticos e orientou os limites do respeito que se deve dar a cada um, conforme bem resumiu John Stott: "os cristãos são cidadãos leais, que dão a César o que é de César, mas reservam sua adoração a Deus somente, dando a Deus o que é de Deus." (p. 222, 2007).
O Apóstolo Paulo desenvolveu o princípio religioso-político estabelecido por Jesus de Nazaré de forma didática no capítulo 13 da carta aos Romanos, como podemos visualizar em alguns versículos:
"Todos devem sujeitar-se às autoridades, pois toda autoridade vem de Deus, e aqueles que ocupam cargos de autoridade foram ali colocados por ele. (...) As autoridades estão a serviço de Deus, para o seu bem. Mas, se você estiver fazendo algo errado, é evidente que deve temer, pois elas tem o poder de puni-lo, pois estão a serviço de Deus para castigar os que praticam o mal. (...) Quem ama seu próximo cumpre os requisitos da lei de Deus. Pois os mandamentos dizem: "Não cometa adultério. Não mate. Não roube. Não cobice". Esses e outros mandamentos semelhantes se resumem num só: "Ame o seu próximo como a si mesmo". O amor não faz o mal ao próximo, portanto o amor cumpre todas as exigências da lei de Deus." (Romanos 13. 1 - 10).
O princípio dado por Jesus foi contextualizado pelo apóstolo Paulo para a vida em sociedade dos cristãos, assim: - as autoridades foram instituídas por Deus para a humanidade viver bem em sociedade; - as autoridades da sociedade estão a serviço de Deus para proteger o inocente e disciplinar os que praticam o mal. - o amor de Deus designado aos homens não faz o mal ao próximo, mas cumpre as exigências da lei divina do bem, como não matar, não roubar e não cobiçar. Ainda sobre esse tema, a bíblia de Genebra traz comentários bíblicos sobre o valor das autoridades: "O governo civil é um meio ordenado por Deus para reger e manter a ordem nas comunidades. É um dentre vários desses meios, inclusive ministros na Igreja e pais no lar. (...) Pelo fato de o governo civil existir para o bem de toda a sociedade, Deus lhe confere o "poder de espada", o uso legal da força para aplicar as leis justas (Rm. 13.4). Os cristãos devem reconhecer isso como parte da ordem de Deus (Rm. 13.1-2). (...) A esfera de autoridade da Igreja relaciona-se com o governo civil no âmbito da moralidade. A Igreja tem a responsabilidade de tecer comentários sobre a moralidade de governos e de seus programas de ação, com base na Palavra de Deus, mas não deve, ela mesma, apropriar-se do direito de ditar tais programas de ação. Visto que essas avaliações podem levar os cristãos à ação política, eles devem agir na sua capacidade de cidadãos e não como representantes da igreja." (p. 1339, 1999).
Com fé e respeito ao que foi definido por Jesus de Nazaré e ensinado pelo Apóstolo Paulo, os cristãos podem se envolver na política em igualdade de condições aos outros cidadãos da nação; buscando manter a Igreja dentro dos limites da Religião do Cristianismo, ao invés de tornar a igreja em um partido político na sociedade. Dessa forma, os cristãos devem atuar na política como qualquer cidadão, podendo votar e ser votados, propor leis e debatê-las, assumir cargos no funcionalismo debaixo das regras do Estado etc. Mas não devem atuar na política como sacerdotes e representantes religiosos buscando dominar o Estado para os objetivos de uma religiosidade ou ideologia totalitárias, que desprezam as regras democráticas; assim como Jesus as organizou, para que seja dado a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
Para uma reflexão final, seguem versículos da tradução bíblica A Mensagem, com texto do capítulo 13 da carta aos romanos:
"Sejam bons cidadãos. Todos os governos estão abaixo de Deus. Se há paz e ordem, é ordem de Deus. Então, vivam de modo responsável como cidadãos. (...) Os guardas não estão aí apenas para serem admirados por seus uniformes. Deus também tem interesse em manter a ordem, e os usa para isso. (...) É por isso, também, que vocês pagam impostos - para que a ordem seja mantida. (...) Quando vocês amam uns aos outros, estão cumprindo a lei. O código da lei - não durma com uma pessoa casada, não tire a vida de ninguém, não pegue o que não é seu, não fique o tempo todo desejando o que você não tem e todos os outros "nãos" que você pensar - se resume nisto: ame o próximo como a você mesmo. Você não faz nada errado quando ama o próximo. Adicione tudo ao código da lei, e a soma total sempre dará amor." (Romanos 13. 1-10). (p. 1608, 2011). Uma boa cidadania cristã a todos!
autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor de ciências da religião e teologia.
Referências. BÍBLIA A Mensagem. Bìblia em Linguagem Contemporânea / Eugene Peterson; (supervisão de Luiz Sayão). - São Paulo: Editora Vida, 2011.
BÍBLIA de Estudo de Genebra. Editora Cultura Cristã, São Paulo, SP, 1999.
STOTT, John. A bíblia toda o ano todo : meditações diárias de Gênesis a Apocalipse / : tradução: Jorge Camargo. - Viçosa, MG : Ultimato, 2007.
Esse texto tem objetivo didático na disciplina de Símbolos de Fé no Seminário Presbiteriano do Sul extensão Curitiba. Daí a utilização de resumos e citações mais longas no interesse de oferecer aos alunos o conteúdo apropriado para o entendimento necessário aos debates e explanações em aula. CONTEÚDO de Aula: CONTEXTO HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO DOS SÍMBOLOS DE FÉ DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. TEOLOGIA REFORMADA. "Trata-se da teologia oriunda da Reforma (calvinista) em distinção à luterana. O designativo "reformada" é preferível ao calvinista... considerando o fato de que a teologia reformada não provém estritamente de Calvino." (Maia, p. 11, 2007). OS CREDOS E A REFORMA. "Os credos da Reforma são as confissões de fé e os catecismos produzidos nesse período ou sob sua inspiração teológica. Os séculos 4 e 5 foram para a elaboração dos credos o que os séculos 16 e 17 foram para a feitura das confissões e dos catecismos. A razão parece evidente: na Reforma, as...
Comentários
Postar um comentário