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Resumo DEVOCIONAL. Pequeno Livro para Novos Teólogos, 2026.

Do livro de Kelly Kapic, 'Pequeno Livro para Novos Teólogos', breve introdução ao estudo da teologia. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2014. CITAÇÕES, e breves resumos explicativos. "No passado a tarefa da reflexão teológica era muitas vezes entretecida com a experiência e o caráter do teólogo, de forma que o resultado era uma conexão orgânica entre temas tais como oração, humildade, sofrimento e comunidade e o ato de "fazer" teologia. Minha preocupação é que nos dias atuais muitos de nós temos cultivado - não intencionalmente - o que pode ser chamado de desprendimento teológico: tal visão produz divisão entre espiritualidade e teologia, entre vida e pensamento, entre fé e ação. O desligamento teológico cria um mal-entendido que afeta negativamente não apenas nossa vida como também nossa teologia, nossas igrejas e até mesmo o mundo em que testemunhamos e servimos." (p. 9, Kapic, 2014). PRIMEIRA PARTE. POR QUE ESTUDAR TEOLOGIA? Capítulo 1. ENTRANDO NA CONVERSA. "Somos todos chamados de teólogos, assim como somos todos chamados cristãos." (Martinho Lutero). "Sempre que falamos de Deus estamos envolvidos na teologia. O termo 'teologia' significa uma palavra (logos) sobre Deus (theos), e assim, quando toda pessoa estiver falando sobre Deus,... está envolvida em teologia." (p. 15-16). "Questões teológicas cercam nossa vida, saibamos disso ou não." - casais com infertilidade buscando ter filhos, universitários ao redor de temas como cultura, política, ética e questões de identidade - "Nossos conceitos quanto ao divino informam nossas vidas de maneira mais profunda do que a maioria das pessoas consegue traçar." (p. 16). "Se falo a verdade aqui, não é tanto o conhecimento que me enaltece, mas o calor de uma alma ardente que me impele a tentar isso." (Ricardo de São Vitor, 1173). - Uma adoração em 'espírito e verdade' junto da renovação que Deus faz na nossa vida - "inclui nossos pensamentos, palavras, afeto e atos". - pois conversar sobre Deus sem as Palavras de Deus será falar de um Deus que é somente projeção de nossa mente - como já disseram Feuerbach e Freud sobre a religião. "Quer nossa teologia seja boa ou deficiente, os primeiros a sentir seus efeitos serão aqueles a quem mais amamos." (Carolyn Custis James). (p. 17). "As Escrituras testificam o Deus que fez o céu e a terra, que criou homens e mulheres para ter prazer em sua criação e em sua comunhão com ele. Mas o pecado entrou no mundo, trazendo o caos em lugar da ordem, a morte em vez da vida, e substituindo a idolatria em lugar da adoração ao Deus verdadeiro. A Bíblia descreve frequentemente a nossa tentação de criar e seguir falsos deuses (...) O cântico de Moisés adverte que apesar das demonstrações do favor e do poder de Deus, os israelitas eventualmente 'com deuses estranhos o provocaram a zelos, com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram a demônios, não a Deus; a deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais. Olvidaste a Rocha que te gerou; e te esqueceste do Deus que te deu o ser.' (Dt 32.16-18). "Dentre outras coisas, o louvor é um modo de pensar, e visa pensar Deus da maneira mais adequada possível." (David Ford e Daniel W Hardy, Living in Praise). "A reflexão teológica é uma forma de examinar nosso louvor, orações, palavras e adoração com o alvo de ter a certeza que eles se conformam somente a Deus. Toda época possui seus próprios ídolos, suas próprias distorções que alteram e pervertem a maneira como vemos a Deus, a nós mesmos e a nosso mundo. Quer seja a divindade distante e desinteressada da modernidade ou os deuses fragmentados e territorias da pós-modernidade, todos os tempos e culturas têm perigo de deformar o culto. Contudo, não visamos fugir das nossas culturas e sim reconhecer que Deus nos conclama a responder com fidelidade a ele, em nosso lugar e em nosso tempo, qualquer que seja nosso clima social e filosófico específico." (p. 19). "Um dos maiores desafios teológicos de nosso tempo é mover nossa adoração para além da autoabsorção. Isso nos leva de volta à crítica à religião feita por Feuerbach: que nós, gente religiosa, estamos, afinal e de começo, preocupados com nós mesmos." "Que eu te busque no desejo, e te deseje em minha busca. Que eu te encontre em teu amor, e te ame no encontro." (Ambrósio de Milão (340-378). "O sociólogo Alan Wolfe critica as igrejas evangélicas contemporâneas por espelhar os aspectos autocentrados da cultura americana" - tv, política, autoajuda: pra falar aos americanos apenas o que desejam ouvir - "Um grande perigo dos ídolos é que tentamos encher a alma daquilo que não pode satisfazer; então, em nossa solidão, nosso questionamento e nosso desespero, perguntamos onde está Deus. Fomos criados para ter comunhão com Deus, e sem essa comunhão estamos perdidos. Teologia é sobre a vida. E não é uma conversa que nossa alma pode evitar." (p. 21). Capítulo 2. CONHECER DEUS E TER PRAZER NELE. TORNAR-SE SÁBIO. "Teologia é mais uma virtude do que uma arte, mais sabedoria do que conhecimento de fatos. Consiste mais em virtude e eficácia do que em contemplação e conhecimento." (Alexandre de Hales). "Temos prazer em Deus no grau em que o adoramos com fidelidade. A adoração fiel - que inclui louvor, oração, obediência e fé - é importante porque a idolatria, de qualquer forma que se apresenta, não pode satisfazer nem a Deus e nem a nós. A adoração não exige que entendamos perfeitamente tudo sobre Deus, mas que respondamos com autenticidade ao Deus verdadeiro que se revela a nós. As palavras de Agostinho (354-430) são verdadeiras hoje como foram no quarto século quando ele as orou: "Tu nos despertas para que em adorar-te nos traga alegria, porque tu nos criaste e nos atraíste a ti, e nosso coração é inquieto até que encontre repouso em ti." (p. 23). "O pecado embaçou nossa visão de Deus e nossa interação com ele, com nós mesmos e com o mundo. Em tal situação, a adoração é prejudicada, confusa, e muitas vezes perdida por completo. O evangelho proclama reconciliação nesses relacionamentos - primeiro com Deus e, então, com sua criação. (...) A teologia trata de saber cantar a canção da redenção: saber quando gritar, quando lamentar, quando silenciar e quando ter esperança. Mas para que tenhamos prazer nesse cântico e possamos cantá-lo bem, temos de aprender a letra e a melodia." (p. 24). "Se a sua adoração for resultado de teologias que não podem ser cantadas (ou até mesmo oradas), estará com certeza errada em termos mais profundos; e essas teologias me deixam, nos dois sentidos, frio: de coração frio e conhecimento desinteressado." (J. I. Packer). - Inácio de Antioquia (martirizado) escreveu sete cartas exortando igrejas que eram pressionadas para corromper a sua adoração: - "Portanto, estudai para vos estabelecer nas doutrinas do Senhor e dos apostólos, para que em tudo quanto fizerdes prosperem na carne e no espírito; na fé e no amor; no Filho, e no Pai, e no Espírito". - Um século mais tarde, Lactâncio concordou - ": que o conhecimento de Deus vem primeiro. Adoração é o resultado do conhecimento". (p. 25). "Quando se começa a conhecer a Deus em sua beleza e verdade, a adoração rompe em existência. (...) A adoração e o conhecimento estão inter-relacionados. Existe uma reciprocidade entre os dois." (p. 25). "O conhecimento na teologia não é apenas cognitivo, mas também pessoal, tendo elementos de conexão e compromisso. Seria um perigoso mal-entendido asseverar que só podemos adorar a Deus depois de ter entendido todas as doutrinas importantes. O relacionamento entre adoração e conhecimento não é, assim, de uma única dimensão." (p. 25). "Aquele que entende melhor a Deus mais o ama e melhor o louva." (Teresa D´Ávila, 1515-1582). "Agostinho de Hipona... argumentava que a racionalidade poderia ser considerada gloriosa, mas que havia algo maior do que a razao: a isso ele chamava "a verdade" (o próprio Cristo). Somente em relação a essa verdade podemos experimentar verdadeiro prazer." (João 14.7; 17.3; 20.31; Mt 11.27; 1João 5.20). "Conhecimento e prazer em Deus são inseparáveis." (p. 26). - João Calvino integrou adoração e o conhecimento, destacando a importância "entre o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos, sendo ambos essenciais para uma adoração fiel." "A verdadeira adoração - e verdadeira sabedoria - não vem de um exercício de introspecção autônoma, mas por humildemente nos apresentarmos ao Deus vivo." (p. 27). - Pois - "nunca poderemos compreender propriamente a nós mesmos se tentarmos fazer isso sem o conhecimento de Deus." (p. 28). "Crescer no conhecimento de Deus transforma nossa visão de todas as demais coisas. Não é que perdemos de vista tudo que não seja Deus, mas que vemos tudo à luz de Deus, pela história de sua criação e redenção. A verdadeira adoração a Deus nos liberta e capacita a amar sua criação de maneira certa, e a nos entristecer quando a vemos abusada." (p. 28). "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos que o praticam." (Salmo 111.10). "A verdadeira adoração... habita toda nossa existência. (...) O temor do Senhor, de que todas as Escrituras falam... carrega o conceito de maravilha e surpresa, de alegria e esperança. O temor do Senhor é o 'princípio da sabedoria' não porque a pessoa entenda imediatamente as frases latinas arcaicas ou complexidades da matemática, mas porque o adorador não vê mais apenas o mundo fragmentado e, sim, está diante daquele que mantém coesas todas as coisas (Pv 1.7; 2.1-6; 9.10; Sl 19.9; 111.10). "Essa sabedoria permite ao crente cantar o cântico da plena redenção em vez de apenas algumas estrofes desconexas." (p. 29). "Onde o néscio exige que Deus trabalhe dentro de seus parâmetros limitados de entendimento, o sábio expande e reajusta sua visão para se encaixar àquilo que Deus fala, faz e cria. (...) A pessoa sábia reconhece os limites da razão e percepção humana e deleita-se no fato de que o Eterno se revelou e nos convida a conhecer e habitar com ele." (p. 29). "Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles! Se os contasse, excedem os grãos de areia; contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim." (Salmo 139. 17-18). "Os cânticos dos salmistas encerram de forma poética a conexão entre temer a Deus e deleitar-se nele." (p. 30). "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam (...) Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio." (Sl. 46. 1-3; 10-11). "Aproximando-nos do Deus vivo com nossa vida, questionamentos, temores e esperanças crescemos em nosso conhecimento de Deus. Tal conhecimento não é meramente intelectual: é também apaixonado, e toca tanto o nosso entendimento quanto os nossos afetos." (p. 31). "O fim próprio e correto do drama da doutrina é a sabedoria: conhecimento vivido, desempenho da verdade." (Kevin J. Vanhoozer). "Nossa aproximação a Deus nos desafia a "pensar os pensamentos de Deus após ele". Ainda que nosso entendimento jamais seja final... ainda assim ele nos convida a começar. Portanto, com os olhos levantados para ele, vivemos, falamos e louvamos. Esse é o começo do temor do Senhor; esse é o princípio da sabedoria; esse é o início da adoração." (p. 32). Capítulo 3. TEOLOGIA COMO PEREGRINAÇÃO. "As pessoas caem no tolo hábito de falar de ortodoxia como se fosse algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve algo mais perigoso ou empolgante do que a ortodoxia." (G. K. Chesterton, Orthodoxy). (p. 33). (...) organizador: Ivan Santos Rüppel Jr é professor de ciências da religião e teologia.

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