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DIÁLOGOS de Filosofia e Teologia. ÁGUA TRANSFORMADA EM VINHO! Sinais do Messias.

O Apóstolo João organizou relatos de fatos históricos da biografia de Jesus de Nazaré para que os leitores da bíblia tivessem conhecimento dos Sinais da vinda do Messias ao mundo. Estes Sinais são milagres sobrenaturais realizados por Jesus em nosso planeta, que tem o propósito de confirmar as verdades messiânicas anunciadas aos homens, conforme explicou o apóstolo: "Os discípulos viram Jesus fazer muitos outros sinais além dos que se encontram registrados neste livro. Estes, porém, estão registrados para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenham vida pelo poder do seu nome." (João, cap. 20, versos 30-31). O primeiro Sinal destacado pelo Apóstolo João também é considerado o primeiro milagre realizado por Jesus de Nazaré: a transformação de quase 600 litros de água em tonéis cheios de vinho, em um casamento que acontecia em Caná da Galiléia, no século primeiro. Dá uma olhada: "Passados três dias, houve uma festa de casamento na cidade de Caná, na Galileia. A mãe de Jesus estava lá. Jesus e seus discípulos também foram convidados. Quando o vinho estava quase no fim, a mãe de Jesus comentou com ele: "o vinho está acabando". Jesus respondeu: "E isso é da nossa conta, mãe? Minha hora não chegou ainda. Não me apresse." Mesmo assim, ela orientou os empregados: "Façam exatamente o que ele disser". Havia ali seis grandes potes de pedra, usados pelos judeus para as lavagens rituais. A capacidade de cada pote era de oitenta a cento e vinte litros. Jesus ordenou aos empregados: "Encham os potes de água". E eles os encheram até a borda. "Agora, encham suas taças e levem-nas ao mestre de cerimônias", disse Jesus, e eles obedeceram. Quando o mestre de cerimônias provou a água transformada em vinho (ele não sabia o que tinha acontecido, mas os empregados sabiam), ele disse ao noivo: "Todas as pessoas que conheço começam com os vinhos melhores e, depois que os convidados já beberam bastante, servem os inferiores. Mas você guardou o melhor até agora!" Esse ato de Jesus, em Caná da Galileia, foi o primeiro sinal, o primeiro vislumbre de sua glória. E os seus discípulos creram nele." (tradução Bíblia a Mensagem, João, cap. 2. 1-11). Jesus Cristo transformou água em vinho no primeiro século, quando participava de um casamento na região da Galileia. Um milagre! O primeiro milagre histórico realizado por Jesus de Nazaré, cidadão de Cafarnaum, filho de Maria e de José. Um evento sobrenatural incomum que carregava na sua realização um significado religioso profundo. Ao iniciar esta série de DIÁLOGOS DE FILOSOFIA E TEOLOGIA, a partir dos "Sinais" de Jesus anotados pelo apóstolo João no Evangelho, vamos pensar juntos que o TEMA inicial de nossas conversas pode ser a própria e objetiva ocorrência de MILAGRES, certo? Iremos aproveitar a dinâmica de apresentação de ideias que o teólogo e cientista da religião Alister McGrath desenvolveu no livro, - C. S. Lewis, Richard Dawkins e o Sentido da Vida (Ultimato, 2020), para organizar os pensamentos de Filósofos, da teologia cristã e do Apóstolo João em um texto comparativo sobre temas relacionáveis diante dos "Sinais de Jesus". E já que o TEMA inicial sobre o "Sinal da Água em Vinho" são os MILAGRES, vamos logo perguntar aos universitários. DAVID HUME. (século 18). O filósofo David Hume negava qualquer possibilidade de milagres ocorrerem, e escreveu o capítulo inteiro de um livro sobre isto. Ele entendia que um milagre é uma violação da lei natural essencial conhecida, pois a demonstração da veracidade de algo somente pode ser acreditada se surgir a partir de um acontecimento que ocorre de forma repetida e uniforme. Segundo Hume, portanto, o milagre era sempre um evento divergente e contrário do que normalmente acontece na natureza, o que o fazia negar gravemente a sua possibilidade. WILLIAM LANE CRAIG. (século 20). O filósofo e teólogo William Lane Craig aborda inicialmente o tema, na perspectiva comum de que realmente ninguém espera que um milagre aconteça! E como consequência dessa visão natural das coisas, ele argumenta que um bom debate acerca do tema é a proposição básica de que milagres são sempre eventos que contrariam o conhecimento natural da realidade. Para Lane, então, uma pessoa irá acreditar em milagres se estiver disposta a entender que a sua ocorrência é possível em nosso mundo. RICHARD DAWKINS. (séculos 20/21). O filósofo Richard Dawkins é um ateu e naturalista convicto, e por isso mesmo ele nega que seja possível a ocorrência de qualquer milagre em nosso planeta, seja isto um evento promovido por Deus, anjos ou espíritos. Para Dawkins, as ciências naturais são a única fonte apropriada para que o homem possa adquirir um conhecimento verdadeiro, já que o entendimento válido da realidade para ele surge a partir do estabelecimento de evidências, pois somente estas podem apoiar o desenvolvimento de reflexões teóricas consideráveis. C. S. LEWIS. (século 20). O professor e literato C. S. Lewis entendia que a verdadeira realidade do mundo era uma dimensão percebível somente a partir do imaginário e da fé, pois tudo que era somente racional demonstrava ser volúvel e superficial. A própria moralidade e vontades existenciais do homem devem ser vistas como pistas apontando para o fato de que alguém sim, governa o universo. Dentro deste olhar sobre a vida, Lewis entende que milagres são "interferências de um poder sobrenatural na Natureza". Nesse aspecto, ele compreende que a ocorrência do sobrenatural também faz parte da realidade integral do mundo natural, pois o milagre não viola e nem despreza as leis naturais, apenas desenvolve novas atividades em padrões diferentes dentro da mesma natureza a que pertence. Pois qualquer mudança na natureza somente ocorre porque isto também faz parte de sua essência. A TEOLOGIA DO EVANGELHO DE JOÃO. Antes de destacar as declarações ditas por Jesus, que orientam uma visão religiosa ao evento do milagre da "Água em Vinho", vamos observar os textos bíblicos relacionáveis ao milagre, analisando seu conteúdo como uma consequência teológica oriunda do "Sinal" do Messias, como João o definiu. Faremos isto meditando nos temas teológicos percebíveis em situações posteriores à ocorrência do milagre da água em vinho, a partir da organização narrativa promovida pelo apóstolo. Afinal, João anotou cuidadosamente os fatos ocorridos e as conversas de Jesus naqueles dias, conforme estão descritos no capítulo dois do evangelho; que irei apresentar nos seguintes temas: o primeiro casamento e, a instituição do novo templo. O PRIMEIRO CASAMENTO. (Evangelho de João, cap. 2). O primeiro milagre de Jesus é entendido como um sinal messiânico da nova realidade religiosa da humanidade pecadora diante do Deus Santo. No capítulo anterior do evangelho, Jesus chamava os discípulos para segui-lo enquanto era anunciado por João Batista como o 'Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo', e aquele que 'batiza com o Espírito Santo'. Nesse contexto, Jesus transformou algumas centenas de litros de água em vinho, e assim os potes utilizados para o ritual da purificação de pecados se tornaram em vasos cheios de vinho. No entendimento religioso, as águas usadas para a cerimônia de purificação externa e regional dos pecados dos homens se tornaram o vinho - que representa a alegria de uma vida intensa dos que andam direto com Deus. Uma ordem religiosa e aliança relacional novas entre os homens e Deus foi anunciada através daquele que tanto tira o pecado do mundo, como derrama o Espírito sobre os homens: pois Jesus batiza os seres humanos integrando as suas pessoas junto da Pessoa do Espírito Santo de Deus. Eis o significado dos atos daquele que veio cheio de graça e verdade: uma nova religiosidade estava prestes a nascer! A INSTITUIÇÃO DO NOVO TEMPLO. (Evangelho de João, cap. 2). "Era quase época da festa da páscoa judaica, de modo que Jesus subiu à Jerusalém. No pátio do templo, viu comerciantes que vendiam bois, ovelhas e pombas para os sacrifícios; também viu negociantes, em mesas, trocando dinheiro estrangeiro. Jesus fez um chicote de cordas e os expulsou a todos do templo... "Tirem essas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!" (...) "O que você está fazendo?", questionaram os líderes judeus. "Que sinal você nos mostra para comprovar que tem autoridade para isso?". "Pois bem", respondeu Jesus. 'Destruam este templo, e em três dias eu o levantarei." (Evang de João, cap 2. 13-19). Enquanto purificava o Templo das paixões humanas, Jesus foi desafiado a apresentar as credenciais de sua autoridade para assumir daquela forma, o domínio e administração da religião dos Profetas de Israel. Na purificação do templo, Jesus demonstra grande irritação com o método e interesses com que os homens administram a Verdade religiosa de Deus no mundo. Ele aponta o pecado da cobiça monetária dos que utilizam a Casa de Deus como fonte de lucro, e assim oprimem o povo fiel até roubar-lhes o bolso e fragilizar a alma, enquanto comercializam a graça divina. E nos capítulos 4 e 5 do evangelho, Jesus segue irritado com os líderes do templo, que se preocupam mais com as regras de organização da instituição do que com a dedicação ao próximo que sofre física e espiritualmente. Jesus entende que eles deveriam se dedicar a servir ao mundo com misericórdia e compaixão. A partir disto, Jesus vai convocar o povo de Deus para ser um 'novo' Templo religioso, em que os cristãos juntos irão se tornar o próprio Corpo de Cristo no meio da sociedade. Essa convocação de Jesus para que os cristãos sejam seus discípulos numa adoração e serviço 'novos' somente se tornou possível a partir da revelação de que Jesus iria destruir o "templo de seu corpo", para reconstruí-lo em três dias. Ali, Jesus anunciava que no momento de sua morte na sexta-f e na hora de sua ressurreição no domingo, o próprio 'templo' como local de adoração e relacionamento entre Deus e a humanidade iria mudar de uma vez por todas. Pois a própria pessoa de Jesus o Messias é que seria o novo 'local' de encontro entre Deus e os homens. O alvo existencial-religioso dos seguidores se torna a Pessoa de Jesus, ao invés da ordem administrativa da instituição. E agora, vamos ficar atentos às PALAVRAS DE JESUS DE NAZARÉ DIANTE DA MULHER SAMARITANA, em que Ele ensina os fundamentos da nova aliança religiosa que estava revelando no milagre da "água em vinho", junto das declarações consequentes a este evento: "O senhor deve ser profeta", disse a mulher. "Então diga-me: por que os judeus insistem que Jerusalém é o único lugar de adoração, enquanto que nós, os samaritanos, afirmamos que é aqui, no monte Gerizim, onde nossos antepassados adoraram?" Jesus respondeu: "Creia em mim, mulher, está chegando a hora em que já não importará se você adora o Pai neste monte ou em Jerusalém... Mas está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. O Pai procura pessoas que o adorem desse modo. Pois Deus é Espírito, e é necessário que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". A mulher disse: "Eu sei que o Messias (aquele que é chamado Cristo) virá. Quando vier, ele nos explicará tudo. Então Jesus lhe disse: "Sou eu, o que falo com você." (Capítulo 4, 21-26). É isto. Boa semana! autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor de ciências da religião.

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