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Histórias do Messias. "ANTES DE ABRAÃO NASCER, EU SOU!"

O terceiro sinal do Messias feito pelas mãos e poder de Jesus de Nazaré é o milagre da cura de um homem paralítico! Esse milagre esplêndido demonstra a compaixão de Jesus pelos necessitados e revela o poder grandioso do Cristo de Deus sobre as doenças dos homens. No entanto, uma explicação de Jesus sobre o motivo de estar fazendo este milagre anuncia uma verdade extraordinária: "Dentro da cidade, junto à porta das Ovelhas, ficava o tanque de Betesda, com cinco pátios cobertos... Um dos homens ali estava doente havia 38 anos. Quando Jesus o viu... perguntou-lhe: "Você gostaria de ser curado?". O homem respondeu: "Não consigo, senhor, pois não tenho quem me coloque no tanque quando a água se agita... Jesus lhe disse: "Levante-se, pegue sua maca e ande!"... Uma vez que esse milagre aconteceu no sábado, os líderes judeus disseram ao homem que havia sido curado: "Hoje é sábado! A lei não permite que você carregue essa maca!". Mas ele respondeu: "O homem que me curou disse: "Pegue sua maca e ande". (...) Então os líderes judeus começaram a perseguir Jesus por não respeitar as regras do sábado. Jesus, porém, disse: "Meu Pai sempre trabalha, e eu também". Assim, os líderes judeus se empenharam ainda mais em encontrar um modo de matá-lo, pois ele não apenas violava o sábado, mas afirmava que Deus era seu Pai e, portanto, se igualava a Deus." (João cap. 5. 2-18). Jesus estava trabalhando no sábado ao curar as doenças dos homens porque Deus também trabalha no sábado, e se o Pai trabalha, o Filho também trabalha, explicou Jesus. O grande (enorme) problema para os líderes religiosos é que Jesus estava dizendo que era igual a Deus, como ele mesmo confirmou, ao dizer "Eu e o Pai somos um". (João 10.30). Havia o Deus Pai e agora havia também o Deus Filho, o único Deus! Sim, Jesus é Deus! O Deus dos céus e da terra que visitou a humanidade encarnado como um ser humano. O apóstolo João revelou essa verdade no início de seu evangelho: "No princípio, aquele que é a Palavra já existia. A Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus." (João 1. 1). As duas reuniãos teológicas ecumênicas fundamentais da religião do Cristianismo (Niceia, 325 e Constantinopla, 381) formataram esta verdade bíblica essencial na declaração do Credo Niceno-Constantinopolitano sobre a Pessoa de Jesus de Nazaré: "Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: E se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.". Nesse mesmo evangelho, Jesus confirmou esta verdade com outra declaração impressionante: "Jesus respondeu: "Eu lhes digo a verdade, antes mesmo de Abraão nascer, Eu sou!". (Evangelho de João, cap. 8, verso 58). Quando Jesus disse: "antes mesmo de Abraão nascer, Eu sou!", o Messias de Nazaré utilizou para identificar a si próprio exatamente o Nome dito por Deus na sarça ardente, ao se apresentar a Moisés: "Eu sou o que sou", disse Deus, afirmando que o seu Nome único significa também sua autoexistência plena, independente e eterna. Jesus declara que é igual a Deus ao chama-lo de Pai, e Jesus afirma sete vezes no evangelho que seu Nome é "Eu Sou". De modo que também podemos conhecer um pouco mais sobre a natureza única e sentimentos pessoais de Deus, a cada vez que Jesus de Nazaré está diante de nós, nos fatos narrados nos evangelhos. Esse conhecimento é maravilhoso demais para sequer começar a pensar, sendo melhor desfrutar dele ao simplesmente prestar atenção direta em Deus vivendo, ao observar Jesus nos textos dos Evangelhos. Além disto tudo, quando Jesus anuncia "Eu sou" para referir a si mesmo, e que existe antes de Abraão nascer, ele decreta a sua autoridade como o único Messias das três religioes abraamicas. Pois a história do chamado de Deus para Abraão é o conteúdo de fé inicial que dá origem às religiões do judaísmo, do cristianismo e da religião muçulmana. Estas religiões entendem que foram chamadas por Deus ali. Assim, os judeus entendem que são os descendentes de Isaac, filho de Abraão, enquanto que Jesus é da própria linhagem deste Isaac, sendo que os muçulmanos se veêm como descendentes de Ismael, filho de Abraão. Exatamente o Abraão que é o pai (primeiro) da fé em Deus Todo Poderoso, para estas religiões. Portanto, eis o motivo para que o conhecimento de Jesus como o Messias acabe gerando graves controvérsias e conflitos, afinal, Ele declara para as maiores religiões dos homens que diante de cada uma, Ele é o próprio Deus que todas elas dizem adorar. "Jesus lhes disse: - Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam, pois eu vim de Deus e agora estou aqui. Eu não vim por mim mesmo, mas ele me enviou." (Evang. de João cap. 8.42). Boa semana. autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor de ciências da religião.

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