sexta-feira, 31 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: À BEIRA MAR, de Angelina Jolie

A atriz Angelina Jolie buscou um olhar europeu de contemplação da vida enquanto proposta narrativa de seu último filme como diretora: À BEIRA MAR, 2015, em que atuou, também, seu ex-marido Brad Pitt. O que realizou contando a história de amor interrompido do casal Vanessa e Roland, drama exposto assim que um novo casal aquecido de amores em lua de mel se hospeda junto deles num hotel litorâneo da França. Mas os anseios técnico-cinematográficos de Angelina ficaram pelo meio do caminho, como bem observou Caio Pimenta, da "cineset": "À Beira Mar, entretanto, não deixa espaços para desenvolver o drama de seus personagens. A opção por sempre fazer cenas curtas, quando a sequência pede paciência para trabalhar gestos ou reações, mata o filme. Cada corte representa o fim da possibilidade de tensão, dando uma pretensa fluidez desnecessária, justo em momentos que deveriam causar desconforto semelhante ao vivido pelo casal protagonista. É como se a ideia fosse para soar como Antonioni e a execução tivesse influência de Michael Bay.". Enfim, ainda que o filme apresente algumas dificuldades no seu desenvolvimento narrativo, nem tudo está perdido, afinal. Até porque o nosso interesse aqui é a Espiritualidade, e algumas reflexões relevantes surgem na história deste casal que perdeu três filhos logo no início da gravidez, em razão da esterilidade da protagonista... A partir daí, o tema primordial que o filme desenvolve é a percepção de que certos acontecimentos passados de nossa história tornam-se definidores dos dias futuros. Pois certas ocorrências da vida são como que sentenças condenatórias da maneira como iremos nos portar nas situações porvir da nossa existência. E o primeiro drama que vemos acontecer dentro deste contexto é o que surge a partir da vivência sexual do casal protagonista. Uma intimidade relacional que se tornou vazia e inexistente pra eles, posto que foi tragada pela tragédia dos filhos gerados e não nascidos. Não há dúvida de que a dor de um casal que não alcançou o sonho do filho próprio é uma sequela que vai provocar consequências sérias e duradouras, o que é muito compreensível. O que salta aos olhos é o quanto as experiências de morte relacionadas às relações sexuais do casal, acabam apagando, também, seus afetos íntimos. De alguma forma, estamos diante de mais um revés premeditado da supervalorização da sexualidade humana que observamos ocorrer nas últimas décadas. Pois o trauma conjugal se instala na própria relação sexual do casal, já que a intimidade que deveria gerar filhos - ao não fazê-lo, transformou-se no drama que impede a mulher agora, de ser esposa. A consequência é uma atitude de grave desprezo à relação sexual, pois tal experiência é castrada da vida comum do casal. Do mesmo modo que da alma se deseja retirar os traumas da perda dos filhos sequer nascidos. A ironia da situação é que uma decisão que aparenta originar de uma atitude de desprezo da sexualidade; é, na verdade, um fruto da sua supervalorização. Pois é necessário alguém valorizar demais o sexo, definindo-o como algo superior, para então, negar a si próprio sua experiência, a partir de desgraças e dores relacionadas à sua prática. Daí origina a decisão de negar a si mesmo tal experiência íntima, já que dela não se permite mais participar, pois incapaz de partilha-la no sentimento de doação que considera ideal à sua vivência. Eis um engano que não poderia ser maior. Pois a experiência sexual - conforme ensina a boa e saudável espiritualidade, é tão somente o momento, em ato final, de um encontro relacional afetivo construído através de olhares e toques, abraços e beijos, afetos e carícias, até que se alcance o contato íntimo total. Existe algo mais simples, e natural, do que isso, numa relação de afetividade entre um homem e uma mulher? Mas o contrário também ocorre, pois há aqueles que supervalorizam a sexualidade a ponto de buscar sua prática de mil jeitos, e caras e bocas. Só que o resultado que alcançam de suas variadas e criativas experiências, é que nisso muito se viciam. Ao mesmo tempo, também, que pouca satisfação disso obtém. Ficarão cheios de muita paixão, e com pouco amor, no final. E com uma só consequência para ambas as situações: a perda da intimidade sexual do casal, em razão do desconforto que agora os une. Uma boa indicação de saúde afetiva para ambos os casos é seguir o princípio espiritual da intimidade sexual; que constrói uma melhor relação conjugal através de uma natural progressão das carícias entre o casal. Mas o filme não é feito apenas de experiências traumáticas da humanidade, como se a desgraça fosse uma consequência certa da vida, sempre transformando perdas do passado em dores (eternas) do presente. Pois há um velho homem do vilarejo que não se deixou dominar pelos destinos traumáticos das perdas passadas. O bom coração do proprietário de restaurante quase bonachão sempre recorda de sua falecida esposa, mas isso é algo que experimenta de jeito e maneira saudáveis, demais. Ele nem deixa sua esposa cair no esquecimento, como igualmente não despreza seus relacionamentos atuais. A valorização habitual da antiga vida conjugal, não impede sua alma de permanecer sensível às novas situações e pessoas que a vida continua lhe trazendo pra conhecer, e conviver. A capacidade de seguir adiante com a vida mantendo na alma o que de bom já se viveu. E a condição de olhar com esperança o futuro, cheio de boas expectativas para o que um dia virá, torna-se, então, um bom princípio espiritual existencial da história. Pensamento que o próprio personagem escritor parece reconhecer ao findar do livro, e do filme. Algo que ele anota com certa poesia dramática visual, quando em simplória observação da natureza que rodeia o filme, enxerga nas idas e vindas das marés das águas, a boa continuidade do ciclo da vida. Não enquanto a repetição e mesmice de uma mesma história, mas sim, pra reconhecer a força e vigor de uma realidade que é a própria essência de algo que permanece vivo, pois sempre em relacionamento com tudo que o cerca. Tal condição de superar tragédias pra viver com equilíbrio a vida que segue, tem sua orientação espiritual correspondente na impactante e conhecida frase do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece!" Pois o princípio espiritual definido por São Paulo não se refere ao sucesso, mas trata, sim, da serenidade. Virtude da espiritualidade que mantém a pessoa vivendo continuamente dentro de uma só personalidade, esteja ela na abundância, ou com quase total falta de bens. O que se deseja não é que a pessoa sorria na desgraça, mas sim, que saiba chorar até seu limite saudável. O propósito é impedir que a perda vire desgraça, até que um dia nos arruíne por completo. O que muito fortalecia o Apóstolo era exatamente a presença de um outro espírito, e pessoa na vida dele. O próprio Espírito de Deus! Ser espiritual que se tornou uma presença sábia e serena atuando diretamente na sua alma. Alguém que foi capaz de transferir para a personalidade interior do Apóstolo, os sentimentos necessários para que ele seguisse em frente com sua história. Não é nada, não é nada, é uma boa pessoa pra se ter junto a fim de se manter equilibrado e esperançoso em tempos de aflição e dificuldades. Tempos iguais aos nossos, afinal. Cuide-se melhor, então! E uma boa espiritualidade pra todos nós.

sábado, 25 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: LOGAN.

A Espiritualidade de "LOGAN" está na excelência e valor de sua... humanidade. Eis uma das razões que fazem de LOGAN o melhor filme do Mutante Wolverine, com Hugh Jackman! E para superar os filmes anteriores da série, o prodigioso roteirista e diretor James Mangold deve ter se inspirado em "Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller, 2015; e tomara, consiga iluminar "Blade Runner 2049", de Denis Villeneuve, que chega aos cinemas este ano. O importante é assistir LOGAN como o drama sério de gente grande que é, pra não perder nada de sua instigante narrativa relacional. Ao mesmo tempo em que deve-se estar preparado para presenciar uma aventura excepcional e vibrante, como a muito não se vê em filmes de heróis de ficção. Hugh JACKMAN sempre foi Wolverine, mas agora, dá um passo adiante em sua composição artística e consegue existir plenamente em seu personagem. Pois a jornada de LOGAN confunde-se com a história do ator na série, ao unir os sentimentos do mutante e do artista de maneira surpreendente. Se "XMEN" não fosse uma série marcada pela ação e aventura, poderia ter vencido o preconceito da Academia e teria seus atores e diretor indicados ao "Oscar", com reais chances na competição. LOGAN é um filme maduro em sua narrativa dramática e criativo tecnicamente nas cenas de ação. Vale a pena, mesmo, assistir! E voltando ao tema principal, o que a história final de Logan e seus companheiros Mutantes descreve é uma jornada existencial das mais relevantes para todos que almejam viver uma Espiritualidade saudável: a busca de tornar-se uma pessoa humana na amplitude e grandeza do nosso potencial como espécie. Os Mutantes de LOGAN perseguem, e conseguem tornar-se o avô e a filha, o amigo e o cidadão, e, finalmente, o filho e o pai, uns dos outros; e também, de (quase) toda a humanidade em geral. Uma proposta vivencial que, vindo de quem vêm: Mutantes quase só inimigos e menosprezados diante de nós outros, humanos "puros"; nos atinge sensivelmente no espírito, como se fora uma tesoura afiada ali plantada. Certamente que tal reflexão demora pra acontecer. Isso se vier a ocorrer. Mas a boa e primitiva satisfação de adrenalina adquirida ao assistir bons filmes de aventura é aqui substituída por uma sensação inquietante de que algo novo nos foi dito, sim, em alto e bom som. Mesmo que não saibamos precisar bem o que. A realidade é que o desafio aos Mutantes para que assumam sua humanidade tornando-se pessoas sociais em nosso mundo, revela-se um projeto Espiritual de inegável valor interior pra qualquer um. Daí a nossa inquietação, bem mais que só hormonal, com o filme. E mesmo que não dure muito, estou aqui para aproveitar a ideia e remexer tal sensação. Pois os Mutantes de LOGAN desenvolvem sua maturidade existencial espiritual ao mesmo tempo em que nos emocionam e motivam assim que os vemos correr atrás de suas personas humanas sociais. Sejam elas, as familiares e comunitárias, ou ainda, cidadãs e até as humanitárias. Em meio às lutas e dores que vivenciam nesta excelente aventura, os personagens buscam assumir novos sentimentos para suas antigas personalidades. Enquanto vão deixando de lado a força e a vaidade, abraçam por valor a bravura e a dignidade como um princípio de suas novas atitudes pessoais. O que observamos nos Mutantes de LOGAN são experiências de sacrifício e compaixão, generosidade e humildade; todas, sensações e valores normalmente relacionados a uma jornada heroica mais humana do que a de super heróis. A doação pessoal dos XMEN tanto para cuidar de vidas, quanto para com elas se relacionar; torna-se assim, o grande tema vivencial espiritual do filme. E quem muito escreveu sobre o valor e a necessidade de assumirmos, logo e de uma vez, nossas funções sociais mais próximas. Como a de sermos filhos e depois um pai, ser mãe e também vizinhos, colegas de trabalho e cidadãos, e assim por diante; foi o bom e sábio Apóstolo São Paulo. Ele mesmo. Pois o que acontece muitas vezes é que no objetivo de vivermos algo relevante e especial, enquanto experiência espiritual, o que se busca é algo que ocorra além da vida e das pessoas do nosso cotidiano. Ledo engano. Daí a simples e direta afirmação do Apóstolo para que sejamos, sempre, as melhores pessoas que pudermos - dentro do grupo social a que pertencemos. Ou, do que desejamos participar. Somente experimentando pra valer as nossas cotidianas relações sociais, iremos descobrir o real (e melhor) potencial da nossa personalidade, da espiritualidade. Pois o bom desafio espiritual é conseguir amadurecer nossa personalidade interior junto do outro e da sociedade, de quem e do que, somos parte, afinal. E só pra terminar bem, aproveito pra citar a crítica do maravilhoso filme de Frank Darabont, "Um Sonho de Liberdade", 1994, incluída em "O livro do Cinema", Globo Livros, que descreve o que eu gostaria de registrar acerca de LOGAN: "Um filme que trata da vitória do espírito humano sobre a adversidade lida com algo delicado... Frank Darabont consegue o perfeito equilíbrio na direção do filme. Ele enfatiza a humanidade acima da brutalidade...". E assim, igualmente ocorre com James Mangold na direção de LOGAN, 2017.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Uma boa ESPIRITUALIDADE para a nossa RELIGIOSIDADE

O "Sábado" foi inventado por Deus no início da história dos homens no objetivo de que a humanidade tivesse um almoço de domingo junto com Ele. E que fosse daqueles bem bons, pra gente ficar com água na boca a semana inteira, e com o espírito bem alimentado. "Sábado" origina da palavra "Shabbat", que tem a ver tanto com o verbo "cessar", quanto com o dia "sétimo". Palavras que bem indicam o propósito do dia que é tornar-se um tempo de descanso para os homens junto da Pessoa de Deus, assim que a semana termina. O "Sábado" original da criação tornou-se também um dia para celebrar a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, quando saíram de lá com Moisés pra se organizar como nação no Monte Sinai. E assim passou o tempo... Até que esse almoço da humanidade com Deus foi se organizando cada vez mais, o que fez crescer o número de regras e rituais que deve-se praticar pra bem participar de uma religião. O negócio ficou tão sofisticado que às vezes nem Deus aparece no almoço. Eis uma das razões pelas quais poucas novas pessoas se interessam em partilhar com Deus do seu almoço dominical original. E mesmo que complicar a Espiritualidade humana seja algo constante na história humana, as instituições religiosas conseguiram estreitar ainda mais sua visão desde a Modernidade até quase o fim do século 20. Pois o que mais ofereceram pra humanidade nos últimos séculos foi um almoço sempre aberto para os "certos", mas que mantinha suas portas fechadas para os "errados". Isto parecia não fazer diferença para as religiões, já que mesmo com o interesse de só metade da turma dos humanos, o forte crescimento populacional ocorrido gerou bom número de seguidores pra quase todo mundo. Mas esse convite fechado que vinha dando conta do recado entre os homens já não está alcançando bom resultado, não. Principalmente hoje, nestes tempos Pós Modernos. Isso ocorre porque na Pós Modernidade não existem mais só os "certos" e os "errados", conforme os mandamentos de sempre. O que acontece agora é que cada um está bem certo, sim, daquilo que deseja. Não mais do que deve ser. E ponto, final. A maneira de pensar sobre como se deve viver a vida mudou bastante no coração da moçada. E quem faz as perguntas de antes com os argumentos de sempre, só recebe por resposta... o silêncio!(e não se fala aqui do excepcional novo filme de Martin Scorsese). Eis aí um grande (e bom) desafio aos espirituais de plantão. O que não é algo novo na história, não. Pois sempre que alguém tentou incluir todo mundo no convite dominical pra almoçar com Deus, ou ao menos, buscou entregar o convite para pessoas fora do padrão dos certos e errados. Bem, foi necessário anunciar uma mensagem espiritual que fosse não somente nova, mas, também, que soasse verdadeira - pra alma da gente. O Profeta Jesus foi desafiado dessa forma no início de sua missão pública, pois enquanto Ele curava enfermos e livrava pessoas de espíritos maus, seus seguidores aumentavam dia a dia. E a alegria ao redor de Jesus crescia igualmente. Foi aí que apareceu a turma do Sábado de "certos e errados", pra reclamar que os discípulos de Jesus não estavam jejuando - ao contrário dos seguidores de João Batista e dos Fariseus que jejuavam por hábito. Jesus respondeu que havia tempo para tudo debaixo do céu, pois há tempo de abraçar e de se afastar, e aqueles eram dias de festejar, não de viver de luto. Pois o que Jesus experimentava junto do povo era como que uma grande festa dos céus - um almoço dominical do Sábado que se estendia por semanas. Em outra ocasião os discípulos de Jesus colheram alguns alimentos direto na plantação em um dia de "Sábado", enquanto viajavam de uma aldeia até outra, pois estavam com fome e já passava da hora do almoço. Pra que, hein! Lá vieram os líderes do Sábado dos "certos e errados" questionar Jesus, querendo saber qual a boa razão dele pra que seus discípulos desrespeitassem daquele jeito o "Sábado" - pois, afinal, eles trabalhavam ao invés de cessar suas atividades pra passar um tempo com Deus. Jesus respondeu que seus seguidores só estavam com fome, e por isso se alimentavam da comida que o próprio Deus oferecia na criação. Foi quando Jesus lembrou que o próprio Rei Davi também alimentou seus companheiros servindo-se dos pães dedicados somente aos Sacerdotes, que eles foram buscar lá dentro da casa de Deus. Eles só estavam com fome, esclareceu Jesus. Como os líderes religiosos disseram que Ele não tinha autoridade pra decidir essas coisas, Jesus respondeu que Ele era o verdadeiro Governador do Sábado. O Homem que tinha autoridade entre os humanos pra definir qual tinha sido a verdadeira vontade de Deus ao criar o "Sábado". Pois se o Sábado era o almoço dominical de Deus com a humanidade, então, nada melhor do que oferecer alimentos aos homens no dia de Sábado, certo? Provavelmente inspirado pelo Rei Davi, Jesus foi a uma Sinagoga no Sábado pra tentar entender o que passava na cabeça dos homens ali reunidos diante de Deus. Jesus entrou normalmente na casa de estudos religiosos de Israel, até que observou no meio deles um homem doente, pois estava com a mão atrofiada. Então Jesus questionou a todos: afinal, o que deveria acontecer com aquele homem, bem no dia criado por Deus para que a humanidade estivesse perto d´Ele? Esse homem deveria ser curado? Ou, não? O Sábado com Deus era um dia para se fazer o bem ao próximo, ou nada deveria ser feito nesse dia? O resultado foi que Jesus não recebeu resposta alguma dos homens que ali estavam. Nem uma palavra. O Messias então chamou o homem doente à frente da reunião, e lhe disse para apresentar sua mão diante de todos - e foi assim que a mão do homem ficou curada. Parece que os ensinos de Jesus na ocasião não lhe ajudaram muito, pois a turma religiosa do "certo e errado" decidiu que era hora de matar Jesus. Afinal, Ele estava decidindo por si mesmo como a religião dos homens deveria ser governada. Jesus só queria recuperar a religiosidade como uma experiência espiritual saudável pra humanidade. Mas os líderes só humanos lutavam com Ele para mante-la como a relação de poder entre eles que sempre foi. Enfim, fica pra nós a lição. Nestes dias Pós Modernos em que já não há somente o "certo e o errado" pra definir nossos lados e posições, eis que surge - direto do coração de Jesus, uma boa ideia Espiritual pra nos fazer crescer interiormente. O que importa mesmo é ser atencioso com as pessoas pra melhor conseguir perceber e cuidar das suas necessidades físico - espirituais mais essenciais. Pois isso é - e sempre foi, uma boa atitude religiosa espiritual pra quase todo mundo. Melhor ainda se a gente aproveitar o "Sábado" pra fazer isso. E bom domingo!

segunda-feira, 20 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: SILÊNCIO, de Martin Scorsese.

"Toda a minha vida foi cinema e religião", disse Martin Scorsese. O religioso e realista diretor ítalo americano M Scorsese não esconde suas angústias interiores e novamente surpreende os fãs de cinema com seu pragmatismo autoral. Aspectos de sua personalidade que o mantém vivo como um artista instigante e provocador de boas reflexões. E seu mais inquietante pensamento acerca da alma humana já está em cartaz nos cinemas brasileiros - SILÊNCIO, 2016, com Andrew Garfield e Liam Neeson. A primeira meia hora de filme nos faz viver uma interessante experiência de temor, pois partilhamos um pouco da fé religiosa humana mais pura assim que conduzidos ao interior da alma dos padres jesuítas. Tudo através de uma sutil atmosfera cultural que, vez ou outra, a boa sétima arte nos dá a chance de compartilhar. Enquanto nos acomodamos existencialmente no ambiente espiritual arquitetado pelo filme, logo iniciamos também uma jornada particular de silêncio interior. Uma experiência partilhada através da sonoridade sensível do filme, que nos fará perceber melhor tanto a majestade da natureza, quanto os sentimentos mais profundos dos seres humanos. Eis uma sessão de cinema que nos faz viver uma experiência essencial relacionada aos maiores dilemas da fé e espiritualidade humanas: a que trata do Silêncio de Deus diante das tragédias e injustiças que assolam a humanidade. Apenas para constar, ao menos quatro boas críticas e resenhas do filme merecem a leitura dos amigos: Hamilton Rosa Júnior escreve na Rolling Stone, e apresenta o filme de forma exemplar: "Martin Scorsese nunca trabalhou o efeito da ausência de sons de forma tão radical como fez aqui, neste que é talvez seu trabalho mais complexo. Sequer há uma trilha sonora em cena. Padre Rodriguez (Andrew Garfield), o protagonista, testemunha tantas atrocidades que passa o tempo inteiro perguntando a Deus por que Ele não cria algum tipo de intervenção para cessá-las." Gustavo Henrique, do site ovicio.com.br, que aborda cinema e literatura, artes e HQs, assim descreve a obra: "Silêncio é um filme que oferece uma experiência cinematográfica transcendental e reflexiva, que questiona percepções de vida, crenças e os limites da consciência humana. Uma das melhores obras de 2016, tendo sido completamente injustiçado no Oscar mas que deve perpetuar no futuro como um dos mais importantes filmes de um dos mais importantes cineastas da história." Outro texto diferenciado é o de João Lopes: Scorsese - o Silêncio e o Medo, que aprofunda o entendimento da fé no divino enquanto esclarece as virtudes cinematográficas do filme: "Da construção do espaço, primorosamente tratado pela fotografia de Rodrigo Prieto, até aos ritmos sensuais da narrativa, muito graças à montagem de Thelma Schoonmaker, "Silêncio" é um filme que se distingue por algo de primitivo — como se estivéssemos a descobrir a origem dos próprios poderes cinematográficos." Por fim, a sempre sagaz e comunicativa Isabela Boscov, da Revista Veja, supera-se em uma resenha quase espiritual de profundidade argumentativa eficaz, tanto existencial quanto técnica do filme: "Silêncio tem algum diálogo; quase não tem música. Sua eloquência está depositada nas imagens, compostas com imensa riqueza narrativa. Em parceria com o diretor de fotografia mexicano Rodrigo Prieto, o cineasta faz uma homenagem aos diretores que formaram o imaginário do Japão de sua geração. Sobretudo a Akira Kurosawa, de quem ele toma emprestadas algumas regras cardeais, como a da composição pictórica das cenas ou a movimentação de elementos da paisagem - o capim, a chuva, a neblina - contra o desenho dos personagens da tela (...) Por meio dessas pinturas em mutação, evocam-se a ligação estreita entre natureza e espiritualidade na cultura japonesa...". O filme é baseado na obra original do escritor japonês Shusaku Endo, publicada em 1966, e reflete acerca dos graves conflitos religiosos ocorridos entre os padres portugueses e as autoridades japonesas, no início do século 17. Trata da espiritualidade humana desenvolvida a partir de uma religião específica, e dos confrontos que seus princípios geram diante das orientações de uma outra religiosidade. Uma disputa doutrinária que vai além da teologia ou filosofia, pois o conflito que ocorre é existencialmente cultural. Para as autoridades japonesas trata-se de um projeto que pretende subjugar a vivência budista do povo japonês e toda sua história como nação aos ideais do cristianismo português. A resposta institucional do Japão são perseguições constantes aos líderes da evangelização cristã, seguidas de torturas que buscam a negação da fé pelos fiéis, para que sobrevivam, ou suas mortes, caso continuem cristãos - o martírio. Eis o drama em que se acumulam situações trágicas de tortura e assassinatos cruéis de inocentes a partir do confronto religioso que vira uma batalha espiritual entre cristãos e budistas na terra do sol nascente. Uma guerra dolorosa e aflitiva cuja decisão de seu término, e o consequente retorno da paz social, está depositada nas mãos e coração do Padre português Rodriguez. Cabe a ele decidir se a sua pretensão de cristianizar o Japão pra assim submeter sua cultura milenar aos valores religiosos europeus vale a pena. Pois será sempre uma missão levada adiante à custa da dor e sangue do mais humilde povo japonês convertido. Enquanto o Padre briga interiormente entre a decisão de manter seu ardor evangelístico, ou então, pela escolha de logo abandonar sua missão diante do terror aos fiéis japoneses, que já não aguenta enxergar; eis que surge, afinal, o "Silêncio". Que se torna, no filme, o próprio Silêncio de Deus! Já que o Ser divino parece não se manifestar mesmo diante de tão graves injustiças pessoais e sociais. E agora, Padre Rodriguez? Até quando o povo pobre japonês irá sofrer por seus projetos, que se tornam, cada vez mais, só particulares e egoístas? Eis, aí, a nossa questão! Que se torna, então, o dilema ético espiritual do filme. Situação ética que parece próxima da experiência do militar Lloyd Bucher, comandante norte-americano do navio USS Pueblo, que em 23 de janeiro de 1968 foi capturado pela marinha da Coreia do Norte, tendo sido acusado e toda sua tripulação de espionagem. Diante da ameaça do assassinato de todos os seus tripulantes, Bucher foi desafiado a assinar confissões falsas de espionagem, a fim de salvar seus comandados. O dilema de Bucher era básico: deveria afirmar sua honra e missão mantendo a verdade de que apenas navegava dignamente em águas internacionais? Ou, então, deveria abandonar sua autoridade e desprezar a integridade de sua liderança, mentindo e abandonando a realidade de que ele e seus marinheiros apenas navegavam nas águas livres da região? O fato é que Bucher assinou as confissões e assim salvou sua tripulação da morte, abandonando o USS Pueblo em mares norte-coreanos, onde se encontra o navio até hoje. E assim voltaram todos pra casa, sãos e salvos. Só que não! O dilema ético do comandante Bucher nada tem a ver com o conflito existencial espiritual do Padre Rodriguez. E olha que eu assinaria as confissões mentindo pra livrar os soldados junto com Lloyd Bucher, antes até que os norte-coreanos pudessem dizer "Tchau mesmo!", com apenas uma das mãos. E a razão da diferença está na descrição acima, já que Bucher enfrenta, sim, um dilema ético filosófico, humano. Enquanto Padre Rodriguez, diferentemente, vivencia um conflito espiritual existencial, eterno. É isso! Certamente que o filme parece afirmar, definindo simploriamente aqui, que o dilema do Padre Rodriguez é somente uma questão ética. Uma das mais dolorosas da história, sem dúvida. Porém, dentro do contexto cristão de fé e missão, se reconhece o conflito do Padre Rodriguez não como um dilema ético; mas sim, enquanto um confronto espiritual. Daí, a grave diferença situacional pela qual transitam o comandante e o Padre. E agora, José? Bem, o princípio teológico cristão que explica a diferença entre um dilema ético humanista e um desafio espiritual existencial surge, em nossa questão, a partir de uma determinação essencial do Profeta mor da fé cristã; Jesus, o Cristo. Pois foi Jesus que afirmou, pra eternidade ouvir, que aquele que viesse a confessar seu nome diante dos homens, seria assim reconhecido diante dos anjos de Deus. Igualmente, aquele que negasse a Jesus diante dos homens, teria seu nome negado também, diante de Deus. O contexto histórico da afirmação de Jesus trata da descrença e hipocrisia dos líderes de Roma e Israel, que desprezavam os desafios existenciais propostos pelo Profeta. Pois neles, Jesus reclamava uma fidelidade a Deus além dos limites terrenos, no propósito de religar os homens diretamente ao trono divino nos céus. De maneira que nada terreno, cultural e social, e somente temporal, pois limitado ao tempo de vida dado a cada geração, deve superar a convocação de Jesus para que a humanidade experimente um relacionamento místico a partir do espírito, junto da Pessoa de Deus. Uma convocação existencial para uma relação atemporal além da vida, pois adiante do espaço e tempo do planeta Terra. O cristianismo é isso, afinal. Daí que a confissão do Padre Rodriguez e dos fiéis japoneses gravita conceitualmente dentro deste contexto transcendente, e não, orientada por uma filosofia caridosa pragmática de proteção da vida, só para o tempo presente. Jesus ainda argumenta em favor de sua determinação, ao dizer que os homens não devem temer aqueles que matam o corpo, e depois, nada mais conseguirão fazer. Pois são incapazes de atacar a alma humana, e de atuar na eternidade. Enfim, o conhecimento da vida e da história humana que o cristianismo ensina, colocam o Padre Rodriguez e os cristãos japoneses diante de um dilema ainda maior do que aquele de apenas subverterem a cultura de uma nação. Ou até, de virem a perder suas vidas na presente época. Pois o conflito é eterno, não temporal. E se estabelece diante de Deus, não dos homens. Nesta situação, era imprescindível aos cristãos japoneses confessar sua Fé em Cristo, pois tal declaração nesta vida significava a afirmação da própria existência soberana de Deus. Uma confissão que afirmava a existência de Deus não somente aqui, em nosso mundo, mas também, na outra vida - algo que vai fazer toda a diferença quando os homens um dia lá estiverem, no Céu. Pois a descrença em Deus revela uma atitude de desprezo ao seu cuidado e presença, tanto para os dias atuais, quanto para a vida após a morte. A vida eterna. Eis o princípio doutrinário que dá significado à uma "comum" aceitação dos fiéis cristãos de que se percam os anéis (a vida hoje), para se manter os dedos (a vida eterna). Junto de Deus. Tá entendendo? Enfim, eis o contexto humanista cristão que dá consistência à tese de que o conflito do Padre Rodriguez não era ético filosófico, mas sim, existencial espiritual, de verdade. Uma experiência humana transcendente de sofrimento que encontra na vivência do homem mítico Jó, do Antigo Testamento bíblico, sua mais profunda e conceitual materialização. Pois ali encontramos um homem que sofre em razão de manter-se fiel a Deus, e não o contrário. E para corroborar a ideia de que há um grave conflito espiritual acontecendo, mais do que ético, eis que vemos em momentos distintos do filme, tanto o Padre professor Ferreira, quanto o Padre aluno Rodriguez, balbuciando palavras ao vento como deprimidos existenciais. Pois, afinal, abandonaram sua fé transcendente de outrora. E assim, nada eterno reside ainda em suas almas. Tornaram-se zumbis do cotidiano cultural a que pertencem, e não vivem mais a partir da esperança que anima a humanidade, em sua busca pôr dias melhores. Projetos de vida que são espiritualmente verdadeiros e satisfatórios, pois falam, sim, ao interior eterno do homem. Bom filme!

quinta-feira, 16 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE do MESSIAS!

As Três maiores religiões da história - Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, anunciam que o destino da humanidade será transformado pela vinda do Messias. Até agora, o único Messias que já veio, foi o cristão: Jesus, o Cristo. O Messias dos cristãos nasceu igual a qualquer homem da história, mas, não foi gerado em sua mãe humana por um homem, não. O Messias foi gerado no ventre de Maria de Nazaré por um Espírito, o Espírito do Deus de Israel, seu Pai. O Messias cresceu e se tornou adulto, cem por cento humano como qualquer um de nós. O Messias foi declarado realizador das promessas dos Profetas de Israel, quando João Batista o batizou nas águas do rio Jordão, momento em que ouviu-se a voz de Deus, vinda dos céus, dizendo: Você é o meu Filho, a alegria da minha vida. Assim que o Messias dos cristãos foi batizado, o Espírito Santo de Deus desceu sobre ele como que em forma de uma pomba, e o levou ao deserto. Lá no deserto o príncipe dos Anjos malignos, Satanás, provocou o Messias pra que ele fizesse escolhas contrárias a vontade de Deus. O Messias foi acompanhado em sua tentação no deserto por alguns animais não domésticos e por anjos dignos e bons. O Messias vivia na Galileia da Palestina e lá encontrou uma pessoa confusa e bastante doente. Um espírito maligno vivia dentro dela e disse para Jesus: Você é o Santo de Deus, e veio aqui para nos destruir. O Messias o mandou calar a boca e o expulsou do corpo do homem. Certa vez o Messias estava em uma casa e lhe trouxeram um homem bastante doente para ser curado. O homem era paralítico. Mas o Messias decidiu fazer algo ainda maior na vida daquele homem, pois disse pra ele: Filho, eu perdoo os seus pecados. Assim que o Messias ouviu os homens reclamarem que só Deus podia perdoar pecados, ele avisou que logo eles iriam saber quem ele era. Foi esse o momento em que Ele curou o paralítico, que saiu andando da casa. Foi assim que o Messias demonstrou que tanto podia curar, como igualmente perdoar os pecados da humanidade. Como há tempo para tudo debaixo dos céus, o Messias dos cristãos decidiu que seus discípulos não deveriam jejuar enquanto Ele estava com eles - só fariam isso quando ele fosse embora. Quando alguns religiosos reclamaram que Ele não podia decidir isso sozinho, Ele respondeu que O Filho do Homem era o Senhor da religião. E ensinou que os seres humanos não foram feitos para a religião, mas a religião é que foi feita para o bem dos homens. E quem dizia isso era o Messias, um ser humano de origem espiritual diferenciada, que eles deveriam respeitar. Alguns dias depois o Messias e seus discípulos entraram num barco para atravessar o mar da Galileia, e ali mesmo Jesus dormiu. Até que uma grande tempestade levantou as ondas que quase viraram o barco, o que fez os discípulos correrem para acordar o Messias, que disse: Quieto - para o mar. E também falou, calma - para os ventos. Todos ficaram apavorados e confusos, e diziam entre eles: Quem é este homem? Pois até o vento e o mar ficam quietos quando Ele ordena. Houve uma vez em que o Messias cristão decidiu levar três discípulos pra conhecer a Pessoa de Deus - como bem ensinou o meu amigo, Padre Aleixo. Eles caminharam até o Monte Tabor e ali subiram juntos. Chegando ao alto, Jesus transfigurou-se diante deles, e sua Pessoa tornou-se um Ser glorioso e iluminado. Dois profetas do passado surgiram ao seu lado, Moisés e Elias, e Deus avisou dos céus: Prestem atenção nas palavras do meu Filho! E foi assim que Pedro, Tiago e João viram Deus. Multidões de homens, mulheres e crianças viajavam de todos os lugares pra ouvir Jesus falar, e Ele dizia: Bem aventurados são os humildes de espírito, já que são como pobres prontos pra serem enriquecidos, pois reconhecem que ainda não tem todas as coisas que precisam pra viver. É isso!