terça-feira, 16 de maio de 2017

a Sabedoria MÍSTICA do Apóstolo PAULO (Parte 3)

Para concluir os pensamentos acerca de como podemos adquirir uma sabedoria mística pra melhor viver a vida - que é uma sabedoria que recebemos através de um relacionamento espiritual. Chegamos enfim, ao terceiro e último texto desta série. Só relembrando: a Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante da situação. Agora, preencha este encontro aí de cima com um pouco de bom senso e alguma misericórdia, inclua uma personalidade equilibrada e vá com um interesse genuíno pela pessoa com quem vai se encontrar, e, pronto, é isso mesmo. Assim que você orientar tuas conversações com a pessoa mais importante da questão a partir destes princípios, bem, você já estará vivendo ali com sabedoria, certo? A partir disso, já dá pra perceber que sabedoria é muito mais uma postura ética que nos faz agir de uma determinada maneira diante das pessoas, do que os dados que conseguimos acessar de alguém quando com ele nos encontramos. Pois sabedoria tem mais a ver com relacionamento do que com informações. Agora, pra conseguir aprender isso espiritualmente é preciso participar de um relacionamento místico de formação de caráter, não apenas de um encontro místico informativo de dados, ainda que misterioso. Pois bem, esse tipo de relacionamento místico foi algo que o Apóstolo Paulo praticou bastante na sua caminhada espiritual. Primeiro o Apóstolo Paulo precisava escolher com quem ele iria se relacionar espiritualmente. E Paulo decidiu que seria com a própria pessoa de... Deus. A relação mística dele iria se desenvolver junto do Espírito Santo, de Deus, portanto. O segundo passo foi entender que o mais importante para iniciar esse encontro espiritual com a pessoa de Deus seria ter... fé. Isso mesmo. Não adiantava ser um bom religioso. Explico. Paulo foi um dos melhores praticantes de sua religião por diversos anos da sua vida. Pois havia entendido que ao obedecer o maior número de regras e mandamentos, toda essa dedicação o levaria a ficar diante de Deus. Mas, de repente, um Profeta apareceu na sua vida; que foi Jesus! E disse pra ele algo muito simples. Não havia nada que Paulo pudesse fazer por si mesmo pra chegar até a pessoa de Deus. Porém, se ele tivesse fé, estaria na presença de Deus em um piscar de olhos. Algo parecido com o que Jesus disse ao ladrão na cruz. Só que Paulo iria experimentar isso ainda vivo, de verdade. Mesmo não sendo fácil, Paulo decidiu acreditar. E foi assim que ele começou a experimentar um relacionamento místico com a pessoa de Deus junto da presença do Espírito Santo de Deus. Algo importante pra isso ocorrer foi que Paulo acreditou mais no Profeta Jesus, do que em si mesmo. Após saber que Deus estava junto dele em espírito, Paulo começou a desenvolver este relacionamento místico a fim de conseguir alcançar sabedoria pra vida. A primeira atitude relacional dele foi entregar os próprios olhos pra Deus. Paulo permitiu que o Espírito de Deus indicasse pra onde ele deveria direcionar seu olhar no dia a dia. Pois os olhos são a lâmpada da alma, e se não olharmos pra luz iremos encher nosso interior com a escuridão. Paulo começou a olhar mais para a vida que tinha à sua frente do que para tudo que já tinha acontecido com ele, e buscou viver pelo exemplo do Profeta Jesus. O jeito do profeta viver passou a iluminar a maneira como Paulo deveria existir. O apóstolo deveria seguir Jesus no objetivo de construir um novo caminho e novas atitudes existenciais, agora, mais espirituais. Após começar a olhar pra vida a partir do exemplo existencial de Jesus, Paulo teve que entregar um outro pedaço da sua pessoa no objetivo de ter um relacionamento místico cada vez mais real com Deus. Agora, o apóstolo teria que entregar o coração. Ou seja, era preciso compartilhar as vontades e interesses da sua vida com o Espírito Santo de Deus. Algo bem mais difícil do que entregar o bolso, se é que você me entende. Pois parece que já nascemos agarrados às angústias e ansiedades que vêm junto com os nossos interesses e vontades, certo? E pra escapar um pouco de tanta ansiedade emocional, adquirindo uma personalidade mais equilibrada que nos permita manter uma conversa com alguma serenidade, vai ser necessário aquietar o coração, sim. Algo possível através de um relacionamento espiritual com Deus em que oramos pra Ele os nossos cansaços e depressões existenciais. Enfim, logo após dar os olhos ao Profeta Jesus e o coração ao Espírito Santo, o Apóstolo São Paulo precisava entregar, ainda, a sua própria mente pra Deus Pai. Algo que ele fez lendo os ensinamentos e mandamentos bíblicos a fim de que pudesse pensar mais pela "cabeça" de Deus, do que pela sua própria. Não dá pra ser uma pessoa mais sábia se o conteúdo com o qual analisamos a vida e as pessoas permanece o mesmo, de antes, não é? Pronto, chegamos. A partir daqui já estamos mais sábios pra ir logo encontrar a pessoa com quem precisamos nos relacionar. Nossos olhos estão voltados para a vida que teremos daqui pra frente e o nosso coração está pacificado. Nossos pensamentos são os de Deus Pai e por isso mesmo a presença d´Ele em nós também é muito grande. Algo que o Apóstolo Paulo descreveu como se fora uma sensação de estar dentro da Paz da própria pessoa de Deus. Concluindo, foi após vivenciar esta experiência relacional mística na presença do Espírito de Deus - através dos exemplos de Jesus e dos mandamentos de Deus Pai, que Paulo deu uma de suas mais fortes declarações existenciais: "Tudo posso naquele que me fortalece". Ele descreveu a condição que tinha de continuar sendo a mesma pessoa em situações bem diferentes da vida. O que lhe permitia conversar com as pessoas de uma maneira agradável e verdadeira. Uma bênção e tanto, acredite. Haja sabedoria!

sábado, 6 de maio de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: A CHEGADA

O diretor Denis Villeneuve inicia o filme A CHEGADA sensibilizando a platéia com algumas lembranças maravilhosas da sétima arte: ele recria a cena favorita de Steven Spielberg em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, nos faz retornar ao ambiente do planeta Alien o 8 passageiro de Ridley Scott, e ainda nos dá insights de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick. Sensacional! Tudo isso pra nos deixar ainda mais inquietos e esperançosos à espera de seu "Blade Runner 2049". Já comprou seu ingresso? O blog AdoroCinema, pra variar, oferece uma análise objetiva e inteligente através do crítico Renato Hermsdorff: "A história se passa nos dias atuais, quando seres alienígenas descem à Terra em naves espalhadas por diversos pontos do planeta... E, para ajudar na comunicação com os ET´s, a Dra Louise Banks (Amy Adams), uma especialista em linguística, é convocada (...). Até o terço final do filme, a relação que Louise estabelece com os aliens soa confusa e carece de sentido - pelo menos, um sentido crível. A partir desse ponto, no entanto... ele começa a ser interligado (...). Apoiado na bela fotografia do experiente Bradford Young, Villeneuve se mostra também um esteta da imagem, alternando com maestria planos e enquadramentos variados, de forma a evocar o trabalho mais recente do cultuado Terrence Malick." É isso mesmo, gente. A CHEGADA é belíssimo no enredo e nas imagens, e sua história apresenta algumas das muitas dificuldades humanas que impedem um bom relacionamento entre as pessoas; tanto entre as que vivem no planeta Terra e também entre nós com seres de outro mundo. O desafio é apresentar os ganhos de uma comunicação entre seres vivos que possa ir além de uma conversa que somente realiza certa troca de informações entre eles. O convite é para superar o comum domínio relacional individualista que determina nossos encontros e desencontros sociais nestes dias de pós-modernidade. Pois o que os humanos mais praticam no filme é um convívio em constante conflito, oriundo de conversas que acontecem no objetivo de logo afirmar cada distinto interesse egoísta das partes. Em contraponto, os contatos primitivos entre a humana Dra Banks e os aliens Abott e Costelo informam pouco, mas estabelecem um relacionamento bem mais verdadeiro. Algo assim como ouvir uma música estrangeira que da letra pouco entendemos, mas que juntos muito partilhamos da melodia e movimento. Foi C S Lewis quem disse que encontrar Deus em espírito é como ser convidado para uma dança, afinal. Enfim, eis alguns pensamentos que o filme vai nos dando e que são mui importantes à Espiritualidade de quase todo mundo, já que relacionamentos espirituais requerem exatamente contatos movidos mais pelo desejo de ali estar, do que das informações e conclusões que dali se podem retirar. Afinal, os ansiosos em definir as questões pra só informar seus pontos de vista na situação, rapidamente transformam encontros relacionais em relações de poder e conquista. E haja afirmações cortantes e declarações finais pra rapidamente definir quem manda na relação. Enquanto a linguista norte-americana compartilha alguns sinais pessoais que revelam pouco a pouco, e cada vez mais algo real da sua personalidade, russos e chineses decidem fazer contato através de jogos - uma dinâmica em que o relacionamento entre os participantes está definido desde o início: é uma competição. Algo parecido com participar de uma reunião em Brasília, em que o tema são os 150 milhões de analfabetos funcionais brasileiros, e ao mesmo tempo em que você pensa "educação", o outro pensa só em marketing político pra ganhar a eleição. É desse jeito, enfim, que a história da comunicação entre humanos e aliens vai chegando ao seu climax - de um confronto sem solução, claro. Mas, a proximidade da briga também faz surgir uma espécie de contato físico que até cria um interesse de compaixão pelo outro. E agora, José: vamos partir para o abraço, ou vamos sair no braço? As dúvidas da visitação alien ao nosso planeta se tornam, então, uma sala de avaliação do nosso constante desafio vivencial da comunicação. Há alguma novidade pra melhor discutir a relação? Ou a competição irá prevalecer, bastante, pra variar? O enredo do filme constrói ideias que seguem na contramão dessas nossas alianças de ocasião, pois valoriza uma atitude relacional que busca construir uma imersão nossa pra dentro da cultura do outro, o alien, a fim de que seja possível uma reprogramação cerebral das percepções humanas, quase sempre egoístas demais. E são os extraterrestres que nos oferecem a boa resposta: somente uma sacrificial doação da personalidade de cada uma das partes irá transformar este confuso contato em um encontro do bem pra todo mundo. Integração é a palavra que explica o bom objetivo de qualquer comunicação. E a Dra Banks isso experimenta tanto ao revelar honestamente seus sentimentos aos aliens, como também quando humildemente reconhece pra onde vai seu coração assim que junto deles partilha algo novo de sua vivência, existencial. A sinceridade diante do outro e de nós mesmos é essencial ao bom aprendizado acerca de como viver os relacionamentos da vida em comunidade, e até na particularidade. Por ora, é isso. Eis algumas das ideias que o filme A CHEGADA nos permite visualizar para melhor vivenciarmos alguns dos encontros humanos que dia a dia partilhamos. Valores importantes pra nossa vida social, desde sempre. Agora, importa perceber como são essenciais para nossa vida espiritual, também. Seja tanto para um auto-conhecimento que começa a levar em conta o espírito que vive dentro de mim, ou ainda, para as relações místicas que irei desenvolver através de minha religiosidade espiritual. Pois o que muito dificulta o bom encontro de nós mesmos com nosso ser interior, e também, impede que aproveitemos a possibilidade de estar junto de Deus, que é exterior. É sim, o nosso constante egoísmo existencial. Algo que nos faz conviver, sempre, em habitual competição. Atitude que impede a vivência de qualquer boa comunicação relacional, especialmente, a espiritual. Foi o Apóstolo Tiago que definiu a imaturidade de nossas conversas, humanoides ou diante de Deus, expondo o propósito peculiar que temos de somente falar pra definir posições, sempre cheios de desejos e paixões. Quase sempre, particulares e interesseiras demais, pra ser verdade. E como são. Fala Tiago: "De onde vêm as guerras e conflitos que assolam o mundo? Vocês acham que acontecem sem razão? Raciocinem. As guerras acontecem porque vocês exigem: "é do meu jeito, ou nada feito". E para terem o que querem lutam com unhas e dentes (...) Sei que vocês nem têm coragem de pedir a Deus. É claro que não! Vocês sabem que estariam pedindo o que não devem. Vocês são crianças mimadas, cada um querendo as coisas do seu jeito... Se tudo que querem é benefício próprio e enganar os outros, acabarão inimigos de Deus." É isso. Egocentrismo demais transforma qualquer encontro diário em um confronto de informações que nos fazem passar longe de sequer, iniciar a boa prática das mais primitivas formas de comunicação. E sem comunhão, não há convívio e satisfação, gente. Nem entre uns e outros, e nem junto do nosso próprio eu interior. Imagine, então, com Deus, o Pai dos espíritos. Cuide-se!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Parte 2, a ESPIRITUALIDADE da Sabedoria, MÍSTICA

Este é o segundo texto acerca da ESPIRITUALIDADE da Sabedoria Mística. Mas, antes de começar, vamos ler um breve resumo do texto inicial. Dizem que Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante. Daí a questão: será que é possível alcançar essa sabedoria pra vida por meio de uma experiência espiritual, e mística? Ora, um relacionamento místico inicia pelo encontro de dois espíritos que habitam dimensões distintas deste nosso mundo. Por exemplo, o filme A Cabana desenvolve um contato espiritual entre a Pessoa de Deus Pai e o protagonista do filme, Mack. Agora, pense: e se este encontro fosse tão somente espiritual? O Apóstolo São Tiago ensinou o que devemos fazer pra experimentar esse tipo de contato espiritual místico de Sabedoria. Olha o que ele disse: "Se vocês não souberem lidar com a situação por falta de sabedoria, orem ao (Deus) Pai. É com muita alegria que ele os ajudará! Vocês serão atendidos, e não serão ignorados quando pedirem ajuda." Ou seja, é só você iniciar a sua Oração do Pai Nosso e já pode incluir esse pedido, dizendo: "Eu preciso de Sabedoria para tal situação e diante de tal pessoa...". Pronto. É isso! Pois foi Jesus quem disse que Deus Pai enviaria seu Espírito Santo pra quem isto lhe pedisse. Agora, vamos pra segunda parte: a missão. Então, já que você vai experimentar uma relação espiritual mística com Deus Pai, acreditando tanto na orientação do Apóstolo São Tiago, como nas promessas do Profeta Jesus de Nazaré, é importante saber o que mais eles tem a dizer acerca deste relacionamento de sabedoria. Isto é algo importante até pra manter a coerência e bom andamento da sua convivência espiritual de sabedoria junto com Deus. Pois se Tiago e Jesus iniciaram esta conversa, deixa eles continuarem, certo? Só porque é espiritual não quer dizer que precisa ser também, uma anarquia mental. O espírito também pensa, e bastante. Deixa São Tiago trabalhar, digo, falar: "A verdadeira sabedoria que vem de Deus começa com uma vida digna e é vista no relacionamento com o próximo. É cheia de gentileza, bom senso, misericórdia e é pra lá de abençoada. Não muda com o tempo instável e não tem duas caras. Essa sabedoria se confirma na vida comunitária. Você poderá ter uma comunidade saudável... somente se trabalhar duro para fortalecer os relacionamentos, tratando todos com dignidade e honra." Tá entendendo? Dizem que Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante. Agora, preencha este encontro aí de cima com bom senso e misericórdia, uma personalidade estável e interesse genuíno pelo grupo de que somos parte, seja a família ou qualquer outro grupo da sociedade; todo mundo, né. Pronto. Se você aceitar estes princípios como valores das tuas conversas com a pessoa mais importante da situação, bem, você já estará vivendo ali com Sabedoria, certo? Então, sempre que você fizer a sua Oração do "Pai Nosso que está nos céus....". E assim que você pedir: "eu preciso de sabedoria!". Esse relacionamento místico que você vai praticar com o Espírito Santo de Deus Pai vai levar em conta os princípios que você leu do Apóstolo Tiago sobre a Sabedoria de Deus. Pois tá tudo conectado. O teu espírito vai utilizar o que está na sua mente e o Espírito de Deus vai mover isto na sua personalidade a partir do contato (espiritual) que vocês vão desenvolver e praticar. Você logo será uma pessoa mais sábia. De verdade. Vai agir com mais dignidade em seus relacionamentos com o próximo. Será alguém mais estável e terá bom senso. É desse jeito que você vai trabalhar duro pra fortalecer os relacionamentos do seu grupo, sempre junto da pessoa mais importante da situação. A tua pessoa irá ganhar estes valores de sabedoria e você vai começar a pensar e a sentir diferente do que fazia antes, acredite. Tenha fé! E cuide bem disso, pois São Tiago já alertou: "Tenham toda coragem ao pedir e acreditem de verdade, sem pensar duas vezes. Os que duvidam quando oram são como as ondas do mar, levadas pelo vento." Enfim, acho que já deu pra perceber que Sabedoria é muito mais do que informações que conseguimos acessar, mas sim, trata-se de uma postura ética que nos fará agir de uma determinada maneira diante das pessoas. Pra aprender isso espiritualmente é preciso participar de um relacionamento espiritual de formação, não apenas de um contato místico informativo. Algo sobre o qual iremos pensar melhor na semana que vêm, observando algumas atitudes das experiências místicas do Apóstolo São Paulo. Boa semana!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

a ESPIRITUALIDADE da Sabedoria, MÍSTICA (1)

Dizem que Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante da situação. Daí a questão: será que é possível alcançar essa sabedoria pra vida por meio de uma experiência espiritual mística? Veja que não se trata de uma experiência apenas espiritual ocorrendo em nosso interior, algo somente individual. Não é isso. Trata-se de uma vivência espiritual, sim, mas que vai acontecer por meio de um relacionamento místico. Ora, relacionamento místico é um encontro entre dois espíritos que habitam dimensões diferentes do mundo. E o resultado final deste contato "místico" deve ser que iremos sair dele mais sábios, do que antes. É isso. Lembrando que não vale a ideia de que os dois espíritos que vão se encontrar sejam ambos, de seres humanos "vivos". Até porque esse tipo de relacionamento físico-espiritual já temos todos os dias. Ou seja, um relacionamento espiritual místico só vai acontecer quando um ser humano vivo por aqui se encontrar com um espírito que já não vive mais por aqui, ou nunca viveu, no planeta Terra. Há um bom número de religiões e filosofias espirituais que convocam seus seguidores para praticarem um relacionamento assim, espiritual místico. Algumas religiões orientais indicam um contato místico entre nós e algum parente já falecido, para que nos seja possível obter algum tipo de conhecimento. Algumas filosofias espirituais orientam a invocação de espíritos já mortos, conhecidos da gente ou não, pra buscarmos certas informações. Uma diferença importante pra destacar agora é que tanto as religiões orientais como algumas filosofias espirituais ensinam que assim que este encontro espiritual e místico acontecer conosco, também iremos receber uma informação ou conselho, e pronto. A partir daí vamos viver a vida por nós mesmos, tentando aproveitar a orientação recebida da melhor forma possível. Mas não é bem sobre esse tipo de Espiritualidade da Sabedoria Mística que eu desejo pensar hoje, não. Pois eu pretendo ir um pouco mais além nesta reflexão espiritual, sim. Estou falando de um encontro espiritual e místico que deve durar por algum tempo. O relacionamento precisa ocorrer por alguns dias e assim vamos permanecer em contato com o outro Espírito conforme a nossa necessidade. O objetivo de se manter na experiência mística por mais tempo é para que esse encontro tenha condições de produzir a sabedoria que precisamos. Pois não é sempre que somente uma informação ou bom princípio será suficiente pra nos ajudar a definir o melhor momento e o jeito certo de tratar uma determinada questão, certo? Há situações da vida em que precisamos de algo mais do que apenas informações e provérbios, mandamentos ou conhecimentos misteriosos pra que a gente consiga vivê-las com Sabedoria. Afinal, como já se disse por aqui: Sabedoria é a capacidade de saber o jeito certo e decidir pelo melhor lugar e horário para tratar o tema necessário junto da pessoa mais importante da situação. Daí a questão: será que é possível alcançar essa sabedoria pra vida por meio de uma experiência espiritual mística? Bem, a primeira orientação pra participar desse relacionamento espiritual é de que precisamos comparecer nele com o nosso espírito, integralmente. Pois é preciso ser sincero e também introspectivo na hora de desenvolver esse contato místico. E o outro Ser, a pessoa somente espiritual com quem vamos nos encontrar; bem, ele precisa participar com a sua presença. E também com Sabedoria! Penso que é por aí que esse relacionamento espiritual e místico, vai ser, pra valer, um relacionamento que vai nos trazer alguma Sabedoria pra vida. Então, tá quase tudo pronto, certo? Pra desenvolver um relacionamento espiritual de Sabedoria mística precisamos achar um Ser espiritual que deseje participar da nossa vida. Alguém que deve ser Sábio, e também, que precisa estar a fim de compartilhar sua Sabedoria conosco, mortais finitos. E não se pode esquecer: este relacionamento tem que se manter por alguns dias e até semanas. Não pode ser algo de um momento só, não. Caso contrário, será mais informação. E menos Sabedoria. Se você assistiu o filme A Cabana, vai ficar mais fácil imaginar um tipo de contato espiritual desse tipo. Isso porque o relacionamento que a história desenvolve é exatamente o encontro de um ser humano junto da Pessoa de Deus - o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que tornam-se figuras humanas lá na filme. Então, agora, pense: e se este encontro fosse "somente" espiritual? E se a Pessoa de Deus Pai viesse nos encontrar somente por meio do seu Espírito, sem um corpo físico junto? Você consegue imaginar isso? Então, é disso que estou falando. Um relacionamento espiritual místico vai acontecer mais ou menos desse jeito. Tá entendendo? O Apóstolo São Tiago ensinou o que devemos fazer pra experimentar esse tipo de contato espiritual místico de Sabedoria. Olha o que ele disse: "Se vocês não souberem lidar com a situação por falta de sabedoria, orem ao (Deus) Pai. É com muita alegria que ele os ajudará! Vocês serão atendidos, e não serão ignorados quando pedirem ajuda." Ou seja, é só você iniciar a Oração do Pai Nosso, que diz: "Pai Nosso que está nos céus...". E logo depois, ao dizer: "Venha o teu reino e seja feita a tua vontade - você já pode incluir um outro pedido ali mesmo na oração, dizendo: "Eu preciso de Sabedoria para tal situação e diante de tal pessoa...". Pronto! É isso. Pois Jesus mesmo garantiu que qualquer ser humano que chamasse por Deus Pai pedindo a presença do Espírito Santo sobre si - receberia a visita desse Espírito, sim. Ao fazer esta prece por alguns dias e semanas, penso que você irá desenvolver um relacionamento espiritual e místico mais constante, algo que vai lhe trazer Sabedoria durante algum tempo. Não serão só algumas informações e conselhos. Mas, enfim, semana que vêm, continuamos. Enquanto isso, espero que você tenha uma boa experiência espiritual, e mística de Sabedoria.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

a TEOLOGIA de A CABANA, o filme. A cultura deve ser religiosa?

Assim que assisti ao filme A CABANA no cinema, fiquei sensibilizado pela representação que demonstra como é fácil aos seres humanos desenvolverem um relacionamento direto e real junto da Pessoa de Deus. Ao ver o filme pela segunda vez, me emocionei ao descobrir como as Pessoas do Deus Pai, Filho e Espírito Santo se importam conosco. Um sentimento que demonstram ao cuidar de nós sempre levando em conta quem somos, e também, o que sentimos. Foi a partir destas saudáveis experiências que decidi meditar acerca de certos questionamentos que A Cabana tem gerado, tanto para os bons, quanto para maus debates. Por isso, escrevi este texto: "a Teologia de A Cabana, o filme." Então, se você já leu o livro ou viu o filme - sigamos em frente! O tema que me parece o principal ao analisar as virtudes e defeitos do filme, enquanto uma produção da cultura popular que utiliza conteúdos religiosos em seu enredo dramático, trata exatamente da pergunta que se tornou, também, sub-título deste texto: "A cultura deve ser religiosa?" Proponho tal questão, porque: afinal de contas, será que nossa cultura deve (ou conseguirá) um dia, ser laica? Ou será que nós, os espirituais, sempre iremos correr atrás de uma cultura religiosa pra oferecer à sociedade? De certa forma, ao entender que "cultura" é tudo que o homem cria e organiza a partir do que Deus lhe destinou pra ser e fazer neste mundo. Então, dá pra concluir que tanto o Estado e a educação, como igualmente todas as artes e tudo mais que forma a sociedade, devem ser incluídos como pertencentes a este termo designado, "cultura humana", certo? Daí, eis a questão: será que nossa cultura deve ser somente religiosa? Ou, ao contrário, devemos atuar para que toda a cultura seja um dia, humanista e social, ainda que espiritual? Laica, portanto. Veja bem, caso nos seja possível organizar uma (boa) cultura religiosa, certamente iremos razoavelmente controlar o aumento progressivo (aparente) do que se considera "pecado" na sociedade. Uma realização confessional interessante, sem dúvida. Mas, seria esta, então, a melhor e mais saudável missão espiritual que as religiões tem pra edificar na sociedade dos homens? E até mais do que isto: será que a decisão por controlar a sociedade à luz da gerência da religião que domina o momento, não irá diretamente esvaziar todo bom traço saudável de espiritualidade que estas religiões pretendiam em nosso mundo propagar? Que é a própria missão essencial das religiões na história da humanidade. Até acredito que o desejo de organizar religiosamente a sociedade surja a partir de um bonito sentimento confessional, oriundo das mais puras e boas intenções dos grupos institucionais. Ao mesmo tempo, entendo que tal objetivo se desenvolve a partir de orientações recolhidas de seus textos e mandamentos... doutrinários. Mais do que a partir de seus princípios missionários... que são sua mensagem Profética, afinal. Por exemplo, pensando no contexto religioso cristão: será que o fiel deve organizar a sociedade conforme as definições doutrinárias das cartas do Apóstolo Paulo? Ou, então, ele deve oferecer sim, um bom testemunho de sua fé a partir dos mandamentos morais de Jesus? Pois a doutrina sempre existiu no objetivo de ensinar a igreja a testemunhar com fidelidade, e não para que a instituição pudesse controlar a sociedade. Uma postura confessional que propõe o governo religioso da sociedade quase sempre gera um esquecimento e desapego aos valores missionais da fé. Exatamente aqueles que um dia se pretendia anunciar e propagar através do estilo de vida. Pois somente seremos Sal e Luz - conforme se ensina no Sermão do Monte, a partir de testemunhos morais e caridosos. Jamais, a partir dos religiosos doutrinais. E desenvolvendo a reflexão, entendo que parte da dificuldade religiosa em bem conviver com produtos culturais que expõe publicamente outras visões acerca de Deus e das doutrinas. Pode originar de uma fé religiosa que, mal resolvida em seu propósito essencial de estabelecer pra si uma práxis eficaz de si mesma, busca alívio deste desconforto a partir de uma forte proteção institucional extra-muros. Ou seja, ao perceber sua fraqueza espiritual, já que não consegue dar bom testemunho do que acredita ao mundo; decide então, se reorganizar, através de um fortalecimento que ocorre pela gerência de suas regras institucionais, no mundo. Que é exatamente o projeto que decide controlar a sociedade através da religião, ao invés de nela atuar como um bálsamo espiritual, ofertando-lhe as novidades existenciais oriundas de sua fé essencial. Quando algo assim ocorre, amigos, é hora de começar de novo. De verdade. Neste aspecto, valorizo muito o filme A Cabana. Pois desenvolve quase que somente uma espiritualidade relacional - o que, no caso do Cristianismo, é o supra sumo da comunhão com Deus oferecida ao homem pela fé cristã. Enfim, dentro deste outro objetivo do texto, que é o de analisar o filme segundo o contexto da Fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, gostaria de começar pela CENA QUE TRATA do desafio que Deus Pai faz a Mack para que perdoe o assassino de sua filha. A orientação dada a Mack é no sentido de que haja o perdão para que dois objetivos sejam alcançados: ele irá tanto afrouxar a corda que aperta o pescoço do assassino, libertando-o para que siga em frente com sua jornada existencial. Como também, o perdão precisa ser dado a fim de que ele próprio, Mack, consiga livrar-se deste relacionamento enlaçado que ora o mantém preso ao assassino. E somente a atitude de perdão é que vai transformar a situação de vida em que hoje ambos se encontram. Então, além de nada perceber de anormal nesta situação dramática, é possível até algo essencial recordar com ela. Afinal, a conversa espiritual mais didática que podemos travar com Deus, oriunda dos ensinos do "Pai Nosso", efetivamente nos desafia a duas petições, que são praticamente uma só: "Perdoa-nos... Assim como nós também perdoamos." UMA segunda QUESTÃO acerca do filme trata das escolhas das raças e personalidades através das quais o autor decidiu artisticamente apresentar as três Pessoas da Trindade de Deus. Neste aspecto, parece-me que algumas escolhas são bem interessantes e viáveis, até biblicamente, como nos casos daqueles que representam Jesus e o Espírito Santo. Já a escolha para que a Pessoa de Deus Pai se fizesse representar por uma figura materna, acredito que há bom entendimento de que esta decisão do autor foi essencialmente dramática, a partir da visão de como iria desenvolver melhor o seu enredo. Não encontro qualquer relação desta escolha autoral de A Cabana, com alguns pensamentos contemporâneos que desejam modificar os sexos da Trindade no objetivo de que Deus melhor represente a diversidade sexual da humanidade. Eu até manteria o homem pai da parte final da história como a Pessoa de Deus Pai por todo o filme. Porém, reconheço que tanto o contexto dramático da história narrada, e, principalmente, a liberdade autoral que se deve dar a um contador de histórias que organiza suas próprias ilustrações e metáforas como lhe apraz. Bem, são princípios válidos de respeito aos artistas, reconhecendo até, que não há corrupções doutrinárias razoáveis no que decidiu-se realizar. Uma OUTRA CENA que merece nossa atenção é a que desenvolve o encontro do protagonista adulto, Mack (Mackenzie) com seu pai já falecido. As críticas à esta situação do filme surgem das seguintes ideias: do fato de ocorrer um encontro bi-dimensional entre o filho adulto ainda vivo em nosso mundo, junto de seu pai já falecido em nossa dimensão histórica. Algo que, ou não poderia acontecer desta forma, ou é apresentado de modo errôneo. Embora, importante lembrar, trata-se de uma situação que somente existiu a partir da presença e poder de Deus junto deles. Neste caso, sendo Deus quem é - o próprio Todo Poderoso. E respeitando, ainda, o objetivo dramático que o diretor deseja apresentar, penso que não há nada grave ou negativo neste encontro, não. Trata-se de uma reunião transcendental de seres humanos que agora existem em épocas distintas do tempo, sim, a fim de que Deus cumpra um propósito divino para com eles. Algo que já ocorreu até na bíblia, quando Deus uniu as pessoas de Moisés, Elias e Jesus. Uma outra dificuldade deste encontro entre o filho vivo e o pai morto seria uma certa afirmação, ainda que abstrata, de que a humanidade inteira vai viver junto com Deus na eternidade. Sem que se leve em conta a história de vida das pessoas, ou, eis o ponto essencial - a Fé delas em Deus. Porém, o contexto da situação é tão somente o encontro entre Mack e seu pai, nada mais do que isso. Não há nada na cena que proponha algum ensino ou doutrina que vá além disto. E acerca do fato de vermos reunidos diante de Deus todos os tipos de pessoas da humanidade, e isso em um tempo diverso que se prolonga desde a morte deles até a data do retorno de Jesus à Terra. Bem, parece-me ser esta uma realidade igualmente bíblica. A própria condição da humanidade que já morreu, de existir atualmente junto da Pessoa de Deus: ora, trata-se de uma possibilidade real a partir do anúncio dado ao criminoso na cruz, de que naquela mesma tarde de sexta-feira estaria ele com Jesus lá no paraíso. Neste sentido, penso ser possível afirmar que se trata de uma cena que pouco modifica ou acrescenta de novo ao que a própria bíblia diz, vez ou outra, acerca de situações de encontros humanos atemporais e bi-dimensionais, diante de Deus. A única novidade da cena está no ponto de vista com o qual tanto o escritor, como o diretor buscaram desenvolver o enredo da história a fim de atingir seus objetivos dramáticos. Parece-me uma questão somente cultural. UMA quarta SITUAÇÃO problemática poderia surgir do encontro entre Mack e a personagem "Sabedoria", cena em que ele aprende um pouco (bastante) a respeito do modo como Deus governa o problema do mal no mundo. Penso que tudo que ali se ensina está de acordo ao exposto nos livros sapienciais das Escrituras. Sem esquecer que a Sabedoria já foi personificada na própria bíblia, no bom propósito de oferecer uma melhor compreensão de sua Verdade enquanto a melhor orientação ao bom destino da humanidade. Até o posicionamento (ilustrativo) de Mack ao propor seu auto sacrifício a fim de que nenhum de seus filhos seja condenado ao inferno, ora, creio ser esta uma excelente metáfora acerca do que efetivamente Jesus realizou na cruz pelos homens de fé. Um ensino que praticamente vale o filme. Se quiser saber algo mais acerca das questões que envolvem cultura e espiritualidade, indico o texto deste blog: Uma boa espiritualidade para a nossa religiosidade. É isso,amigos. Bom filme!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

PÁSCOA no Cinema: A PAIXÃO de CRISTO, de Mel Gibson

Uma pergunta crucial da humanidade que o filme SILÊNCIO não consegue responder, a PAIXÃO DE CRISTO explica de maneira decisiva e surpreendente a todos que celebram a Páscoa. Se o belo e profundo filme do diretor Martin Scorsese (2016) gera angústia ao meditar porque Deus permanece calado enquanto as pessoas sofrem demais - especialmente quando nossas dores sobrevém pela mão de outros homens. O admirável filme do diretor Mel Gibson (2004) responde através de fortes experiências de condenação e morte, o quanto Deus detesta - e condena com rigor, as maldades praticadas pelos homens na história. Pois as detalhadas cenas de tortura e o cruel assassinato de Jesus de Nazaré - conforme revelados são no filme A PAIXÃO DE CRISTO, ensinam qual o tamanho do juízo com que Deus Pai processa a humanidade por termos trazido ao mundo a existencial corrupção do pecado. Afinal, a paixão é sempre um sofrimento por substituição no contexto da Páscoa - pois um cordeiro morre em lugar dos filhos escravos no Egito. E Jesus de Nazaré também morre, só que no lugar dos homens de Fé em Deus Pai. Uma realização pontual de alcance permanente na história da humanidade. Eis a razão da possível demora pra entender o quanto Deus abomina e deseja detonar a maldade dos homens deste mundo, de uma vez pra sempre. Pois fica difícil enxergar o bom juízo do Juiz quando a condenação recai sobre... um inocente, Jesus. A Páscoa é uma festa organizada no antigo Israel pelos descendentes de sangue dos escravos do Egito. Sempre foi uma celebração fundamental para eles, tanto como experiência interior, e também como uma sensação física importante aos homens de fé. Pois o povo de Israel festeja a Páscoa deixando de lado certos prazeres da vida, inclusive o recheio do pão do lanche diário, sempre no objetivo de que a pessoa que a celebra possa melhor apreender as imerecidas bondades recebidas de Deus. Pois não há quem consiga bem desenvolver sua espiritualidade, se não o fizer unindo tanto seu interior e espírito, quanto seu corpo e consciência junto da celebração que deseja partilhar. Ainda que o símbolo do ovo (com filhote de galinha dentro) aponte pra continuidade da vida, e que até mesmo o chocolate prolongue bom prazer ao corpo, quase chegando a tocar a alma. Vale a pena, sim, e nem custa tanto, praticar uma vivência mais humilde quando a celebração isto indica. E a Páscoa sempre foi um tempo oportuno pra reconhecer como Deus nos livra de alguns merecidos juízos e seus sofrimentos. Daí que um pouco de frugalidade - espiritual e corporal, não faz mal a ninguém; de verdade. A direção de Mel Gibson é excelente, digna de um filme sobre o Filho de Deus - mesmo. Algumas de suas decisões autorais e fílmicas impressionam bastante. Os idiomas originais falados por Jesus de Nazaré e os soldados romanos na Palestina do primeiro século, o aramaico e o latim, são as línguas que ouvimos sair dos lábios e corações dos atores - que atuam com grave intensidade. Algumas cenas cruciais, ou que assim se tornaram, são sensacionais em seu esplendor espiritual. A tentação de Jesus conduzida pelo demoníaco ser espiritual Satanás, simbolizado na pessoa de uma mulher pálida como se fora um zumbi, que tudo que toca suga pra si, atemoriza. A recordação de Maria que lembra Jesus em queda, ainda menino, assim que vê o Messias dos homens cair com o peso da cruz sobre si, toca e aquece até o mais frio coração e alma de qualquer dos homens. Finalmente, eis que a lágrima do próprio Deus Pai se derrama como gota cortante e amplificada dos céus junto ao corpo morto de seu único filho, Jesus. Situações reais e históricas que a obra nos permite comungar em uma sinceridade espiritual e vibrante por meio de cenas sabiamente filmadas. Jim Caviezel representa Jesus Cristo no filme e traz para esse complexo homem da história uma humanidade existencial iluminada. Pois enche de sinceridade as cenas mais triviais e comuns, e preenche de realidade algumas situações transcendentes e místicas que o Filho de Deus vivenciou junto aos homens na Terra. O doloroso olhar de Jesus, que se qualifica como um encontro com todos nós, alcança o Apóstolo Pedro em sua terceira negação do Cristo - e mais ensina do que define. Pois é um olhar carregado de dores devido ao desprezo do amigo, mas que se mantém pleno de compaixão a partir da eterna amizade entre os dois. Jesus permanece solidário, sim, até quando é atraiçoado. Coisas de Deus, afinal. A cena final que revela a maneira pela qual a morte foi outrora vencida por um homem aqui na Terra - nossa possível Ressurreição, é bonita demais. Entramos pela caverna mortuária e junto com a luz do dia observamos que os panos que envolviam o morto encontram-se, agora, largados e vazios na pedra fria do cemitério. Eis a descoberta que emociona, então, pois o mesmo homem que na sexta-feira morreu - agora no domingo, já respirando e vivo de novo está. Enfim, se há muitas coisas boas e interessantes pra se fazer nesta Páscoa - que uma delas seja, também, assistir ao filme A Paixão de Cristo. Bom cinema em casa e uma Feliz Páscoa, bastante espiritual, pra todo mundo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

a ESPIRITUALIDADE de "A CABANA", o filme

O Perdão é uma das atitudes humanas que Deus muito semeia a fim de escrever o Caminho da Verdade que traz novas oportunidades de Vida pra todos nós, hoje e daqui pra frente, até a eternidade. A CABANA, The Shack, 2017. C S Lewis criou o mito de Nárnia e J R R Tolkien o mito Senhor dos Anéis - histórias fantásticas acerca de Deus boas demais pra ser verdade. Só que são! Mas a história de A Cabana superou ambas, pois trouxe o Mito até a Vida humana - algo que Deus Pai faz todos os dias ao nos visitar através do Espírito Santo de Jesus Cristo. Eis o que torna o filme um dos melhores que já assisti com o objetivo de transpor ao cinema a transcendental experiência de vida da humanidade junto de Deus. Lewis escreveu "As Crônicas de Nárnia" e Tolkien "O Senhor dos Anéis" no propósito de invocar na alma das crianças da Inglaterra - e do mundo todo, algumas virtudes e valores espirituais eternos. Seus personagens mágicos viveram gloriosos temas cristãos fundamentais por meio de enredos fantásticos: fraternidade e humildade, sacrifício e coragem, além da eterna luta do bem e do mal. Mas, se os maravilhosos escritores britânicos deram boa vida a princípios essenciais, o escritor de A Cabana, William P Young nos oferece literatura espiritual da melhor qualidade ao introduzir não somente mandamentos, mas a própria Pessoa de Deus no coração das crianças e adultos do século 21. Eu até gostaria que Steven Spielberg ou Peter Jackson (Senhor dos Anéis) dirigissem o filme. Mas, então, o sentimentalismo e a mágica seriam de tal forma espetaculares, que quase se perderia o melhor - um encontro pessoal essencial que a obra deseja aprofundar. Neste propósito, Stuart Hazeldine acertou na direção. Embora tenha lá seus problemas: "O principal deles tem a ver com o ritmo da narrativa. Com 2h13 de duração, A Cabana em vários momentos assume um tom contemplativo de forma a construir em torno do personagem principal o conforto emocional tão procurado. Por mais que visualmente seja agradável, pelo uso de cores suaves e uma fotografia paisagística, há momentos em que a história empaca de forma impiedosa, provocando um certo cansaço." (Francisco Russo, AdoroCinema). De acordo, pois faltou criatividade técnica ao diretor para mais artística - e rapidamente apresentar a terça parte inicial do filme, o que faz com que bom número de cenas lembrem as antigas Sessões da Tarde da TV, ou algumas séries pueris de comédias familiares norte-americanas. O que nos obriga a presenciar certas situações de uma sensibilidade tão simplória que parecem tornar-se pieguice, vez ou outra - hora de perceber que o nosso coração é que anda endurecido, ou apressado, também. De qualquer forma, o filme segue adiante no seu objetivo de apresentar detalhadamente os dramas pessoais do protagonista. Só pra que depois consiga bem compartilhar conosco os desafios espirituais vivenciados por Mack junto das Pessoas do Deus único. Este, sim, o relacionamento existencial fundamental da história. Pois o melhor e mais inovador tema do filme é tornar crível um relacionamento sensível e real entre qualquer simples ser humano e o maravilhoso Deus Criador do mundo. Partilhar da atmosfera fílmica de A Cabana parece algo assim como assistir a um filme religioso. Mas, não se deixe enganar, o objetivo é proporcionar uma experiência mística, quase fantástica, só pra descobrir um pouco melhor como é conviver com Deus nos dias atuais da nossa existência. A própria Pessoa de Deus é bastante presente no filme, todas as três. E as conversas com Ele que tratam de questões importantes da humanidade sempre dão bom esclarecimento às dúvidas da alma e da vida da gente. As Pessoas da Trindade do Deus Bíblico, Pai, Filho e Espírito Santo; são bem definidas em suas personalidades sentimentais e na maneira como co-existem entre si, e junto conosco. Destaque para as cenas que nos fazem reconhecer, e surpreender com algumas das melhores revelações da individualidade pessoal e da unidade particular do Deus da Trindade; desde que alguém já resolveu afirmar essa doutrina bíblica na história dos homens. De muito bom gosto e quase a se tornar uma revelação cultural é o modo como o enredo apresenta, primeiro, Jesus - existencialmente próximo de nós, pois um ser humano se fez. Logo depois, o Espírito Santo - extremamente sensível, pois pleno de sensações acerca de quem realmente somos. E finalmente, Deus Pai, o sábio e amoroso Soberano que a tudo e a todos governa, sempre. A importância da Espiritualidade da humanidade salta aos olhos enquanto partilhamos das cenas místicas do filme, pois, afinal, algo místico é simplesmente alguma coisa que não é só física, ou que não pertence apenas a este mundo. Todas as pessoas tem um espírito, além do corpo físico, e desse modo existimos em nosso planeta. Somente quando descobrirmos o espírito que há em nós, iremos enxergar a realidade dos outros seres e dimensões que compõe a estrutura da vida dos seres humanos. Pois assim somos influenciados e nos relacionamos com boa parte do muito que nos cerca. Uma verdade mística essencial que se faz realidade de maneira bastante natural através do filme, tornando-a uma experiência cotidiana habitual para todos nós. Nota máxima para A Cabana, aqui. Pois o aspecto espiritual de nossa existência tem sido negligenciado há séculos, como se os tempos atuais fossem ainda a Idade das trevas, em que o medo do místico nos tornou reféns da ignorância, que, certamente, jamais será uma verdade que liberta. Neste sentido, o valor extra dado à transcendência da vida dos homens na "Cabana" é um grito que procura devolver ao Deus bíblico o que lhe é devido, conforme bem atestam seus profetas. Pois muito do mistério das dimensões espirituais da vida humana junto com Deus - esquecidos ou surrupiados no tempo por outras ideias e filosofias, são recuperados pelo filme como temas básicos do Evangelho bíblico de Jesus Cristo. Segue a indicação do filme do blog AdoroCinema: "A Cabana também ganha pontos consideráveis na comparação com outros filmes também feitos para louvar, no sentido de não ser ofensivo e maniqueísta perante o espectador. Se é nítido o objetivo de apresentar preceitos religiosos, estes são inseridos na narrativa de forma orgânica e sem a obrigação prévia de aceitá-los. Acima de tudo, trata-se de um filme sobre a fé, sem julgar descrentes nem manipular informações de forma a conquistar adeptos. Ou seja, trata-se de um filme honesto, dentro do que se propõe a ser." (Francisco Russo) Uma das mais belas cenas teológicas do filme apresenta em poucos segundos a maneira pela qual a Paixão de Cristo ocorrida na Páscoa - o sofrimento de Jesus pela humanidade, foi uma morte que não apenas separou o Filho do Pai. Mas, juntamente com isso, tornou-se uma enorme dor que foi por ambos compartilhada. E a pequena duração da situação aponta para o que realmente importa no simbolismo artístico - a dor que Pai e Filho juntos carregam em razão do pecado da humanidade. Acredite, não há interesses doutrinários maiores ou estranhos com que se preocupar. Segue do Apóstolo São Paulo uma das boas sensações que deveríamos guardar após participar de um contato pessoal com o Deus do Universo: "Se alguém pensa que sabe tudo sobre algo, ainda não aprendeu como deveria. Mas quem ama a Deus é conhecido por ele." Enquanto meditação extra acerca das tragédias humanas e Deus, indico a leitura neste mesmo blog, dos textos: - Espiritualidade 2017: Deus é mesmo bão, Sebastião?; e, - Espiritualidade no Cinema, SILÊNCIO, de Martin Scorsese. E bom(s) filme(s) pra você.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: MELANCOLIA, de Lars Von Trier

"Em caso de colisão entre o Melancolia e a Terra, é certo que nosso planeta não sobreviverá externamente, mas o que o cineasta dinamarquês busca mostrar é que internamente a situação já está à beira de uma catástrofe."(Lucas Salgado). Se a Nouvelle Vague (1960) de François Truffaut e Jean-Luc Godard arrancou a câmera do interior dos estúdios de cinema e a colocou nas ruas e praças dos exteriores sociais humanos, o Movimento Dogma 95 limpou os cenários cinematográficos das luzes e sons manipulados, pra levar o espectador direto aos sentimentos da alma dos personagens: "Em 1995 os dinamarqueses Lars von Trier e Thomas Vinterberg fazem "um voto de castidade" artístico com o Manifesto Dogma 95." (O Livro do Cinema, Globo) Daí que o definitivo filme apocalíptico de Lars von Trier, MELANCOLIA (2011), com Kirsten Dunst (melhor atriz em Cannes) e Charlotte Gainsboug, aplica nas telas - e projeta direto na veia, uma hecatombe familiar. E já que falamos de um cinema purista em seu propósito autoral de apresentar as sensações humanas mais íntimas, nada melhor que ler, logo de uma vez, a objetiva crítica de Lucas Salgado (AdoroCinema): "A maioria das cenas passadas durante o jantar é realizada com a câmera na mão, passando ao espectador a sensação que ele é mais uma daquelas figuras inquietas presentes no salão... A direção de arte e o figurino também chamam muito a atenção e deve surpreender aqueles que conhecem apenas o lado mais minimalista do cinema de von Trier, como Dogville... Não existem soluções simples em Melancolia ou qualquer tipo de redenção. É um longa único, como costumam ser os de von Trier, que deixa o espectador quase que num transe após a sessão. Você pode até não gostar, mas é difícil não se envolver." A primeira parte do filme expõe a amplitude da depressão existencial da protagonista, pois trata-se de uma sensação que a domina nos projetos mais comuns da vida, particularmente seu casamento e os necessários convívios comunitários que vêm junto da celebração. Uma depressão crescente que irá se transformar em serenidade assim que um desafio existencial maior, e definitivo, aponta no horizonte de todos os personagens - o fim do mundo e morte de toda a humanidade. De repente, eis que tudo muda! Pois enquanto a protagonista se ergue das cinzas pra bem conviver em família cada novo dia que têm, seus familiares e a vizinhança do mundo tentam sobreviver com os olhos gravados na dança de morte dos planetas. Já que estes orbitam agora, sempre próximos da colisão. A condenação do planeta Terra e o Juízo final da população do mundo estão perto demais, pra ser mentira. Eis o modo brilhante como o diretor von Trier torna perceptíveis alguns sentimentos contraditórios da humanidade, o que realiza através de uma metáfora tão grandiosa, que quase nega ao autor seus princípios autorais. Só que não. Fala, então, Thiago Siqueira: "Comumente, a depressão é explicada pelo desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Essa colocação fria e lógica não chega aos pés dos efeitos reais dessa condição em uma pessoa e aqueles que a cercam. Nisso, o diretor Lars von Trier se livrou das amarras da sutileza e colocou brilhantemente neste seu novo trabalho uma metáfora clara da depressão: é um planeta atingindo nosso mundo. (...) Melancolia absorve parte do ar da Terra, tornando difícil a respiração. Seu empuxo gravitacional atrai tudo o que estiver próximo e seu impacto em outros corpos não apenas os destrói, mas como parece também absorvê-los." (Cinema Rapadura) Enquanto a história permanece desenrolando direto do projetor de cinema, a sensação da "depressão" também se torna cada vez mais conhecida dos espectadores. Algo que ocorre através de uma proximidade que perturba não por compartilharmos a opressão do outro, mas sim, pela familiaridade que há com a nossa pessoal dor existencial. Pois a angústia particular da protagonista tornou-se uma ansiedade comunitária da humanidade, assim que certa futilidade da vida se fez aparente por meio da chegada do fim, de todos nós. Chegou o Apocalipse!! Uma expressão outrora preocupante que virou marketing temático do fim do milênio, de tal forma que hoje poucos com ela se surpreendem, ou atemorizam. Isso até que "MELANCOLIA", nos traz de volta para uma realidade, sim, inescapável da humanidade. Nossa data final! Mas, afinal, o que ensina mesmo a boa Espiritualidade sobre o fim dos tempos - da humanidade? Bem, o que já dá pra dizer, sem estragar a surpresa, é que a cena final de MELANCOLIA tem muito a ver com a cena inicial do mais conhecido Apocalipse de todos - o bíblico! Mas, se ambas as cenas são parecidas, algo fundamental pra saber do fim dos tempos judaico-cristão da humanidade é que... o anunciado Reino de Deus vai um dia chegar inteiro por aqui. Bem definitivo e de uma vez por todas! A primeira revelação essencial é que trata-se de um final, sim! Mas apenas daquilo que chamamos, "a presente época". Não é o fim dos tempos ou da vida, não. Pois está mais pra uma transformação do que para extinção. Isto porque o Apocalipse vai promover uma mudança definitiva da autoridade que domina o modo como a vida humana deve acontecer, e ser neste mundo. Pra melhor entender: assim que Jesus andou pela Palestina curando doentes e livrando pessoas de espíritos malignos, foi quando descobrimos pela primeira vez que o Reino dos céus estava atuando no planeta Terra. Ou seja, havia um novo monarca na região. Um soberano poderoso cujo alcance de autoridade era comprovado através das boas ações de Jesus pela humanidade. Portanto, os "céus" que no fim dos tempos vão chegar inteiramente pra cá, são exatamente aqueles do Reino dos "céus" que um dia Jesus já inaugurou por aqui, quando na Terra andou pela primeira vez. O que vai acabar de uma vez por todas no final dos tempos, então, é exatamente esta "presente época" de uma vida meio distante de Deus. Haverá uma renovação existencial da história da humanidade que a esperança cristã visualiza como uma realidade futura ocorrendo através da presença transformadora de Deus. Algo diferente das ideias seculares de esperança e bonança social consignadas por meio do Iluminismo ou Marxismo. Eis porque o ensino do Apocalipse bíblico tem mais a ver com a ideia de um "Céu" que "encontra" o nosso mundo, do que com a visão de que faremos uma viagem até um céu onde Deus nos espera, lá chegar. Eu sei que todos aqueles que morrem na Terra antes disso acontecer, vão aguardar nos "céus" até a hora do Apocalipse chegar, sim. Mas, se trata mais de uma dimensão da existência humana, do que de um lugar pra morar, e nele depois existir. Portanto, a grande mudança existencial que vai ocorrer assim que o Apocalipse acontecer, não é a de que alguns vão para o "céu". Mas sim, que os "Céus de Deus" vão definitivamente chegar em nosso planeta Terra. Aproveite quem puder! Pois o capítulo 21 do Apocalipse afirma que vai acontecer uma restauração total da condição vivencial da humanidade, pra tornar a vida na Terra algo próximo do que um dia já existiu lá no jardim do Éden. Lugar que já foi a morada conjunta de Deus e dos homens neste mundo. "Vi o céu e a terra criados de novo! (...) Ouvi uma voz: "Olhe! Olhe! Deus está de mudança: vai morar entre os homens e mulheres. Eles são seu povo, ele é o Deus deles. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles... A primeira ordem das coisas não existe mais." Não é nada, não é nada, eis que o fim dos tempos do Apocalipse bíblico assume - com vantagem, a condição de melhor solução pra qualquer comunitária depressão que surgir, por aí, buscando em nós se encostar. Dentro deste propósito, MELANCOLIA é um filme necessário, pois a profundidade vivencial de sua cena final aponta, sim, para uma real transformação que irá ocorrer da história humana no planeta. Novidade existencial angustiante que seu enredo dramático descreve de jeito brilhante, ao apresentar nossa constante ansiedade habitual de modo sutil e trágico, eterno e diário, aparente e íntimo, tudo pra explicar melhor o que significa existir como "ser" humano nesta presente época inquieta da humanidade. Que o mágico encontro de Melancolia com a Terra nos sirva de visão pra logo enxergar o anunciado e possível encontro final de Deus com a humanidade. E que a boa espiritualidade nos ajude a estar prontos pra tão definitiva ocasião. Bom filme.

sexta-feira, 31 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: À BEIRA MAR, de Angelina Jolie

A atriz Angelina Jolie buscou um olhar europeu de contemplação da vida enquanto proposta narrativa de seu último filme como diretora: À BEIRA MAR, 2015, em que atuou, também, seu ex-marido Brad Pitt. O que realizou contando a história de amor interrompido do casal Vanessa e Roland, drama exposto assim que um novo casal aquecido de amores em lua de mel se hospeda junto deles num hotel litorâneo da França. Mas os anseios técnico-cinematográficos de Angelina ficaram pelo meio do caminho, como bem observou Caio Pimenta, da "cineset": "À Beira Mar, entretanto, não deixa espaços para desenvolver o drama de seus personagens. A opção por sempre fazer cenas curtas, quando a sequência pede paciência para trabalhar gestos ou reações, mata o filme. Cada corte representa o fim da possibilidade de tensão, dando uma pretensa fluidez desnecessária, justo em momentos que deveriam causar desconforto semelhante ao vivido pelo casal protagonista. É como se a ideia fosse para soar como Antonioni e a execução tivesse influência de Michael Bay.". Enfim, ainda que o filme apresente algumas dificuldades no seu desenvolvimento narrativo, nem tudo está perdido, afinal. Até porque o nosso interesse aqui é a Espiritualidade, e algumas reflexões relevantes surgem na história deste casal que perdeu três filhos logo no início da gravidez, em razão da esterilidade da protagonista... A partir daí, o tema primordial que o filme desenvolve é a percepção de que certos acontecimentos passados de nossa história tornam-se definidores dos dias futuros. Pois certas ocorrências da vida são como que sentenças condenatórias da maneira como iremos nos portar nas situações porvir da nossa existência. E o primeiro drama que vemos acontecer dentro deste contexto é o que surge a partir da vivência sexual do casal protagonista. Uma intimidade relacional que se tornou vazia e inexistente pra eles, posto que foi tragada pela tragédia dos filhos gerados e não nascidos. Não há dúvida de que a dor de um casal que não alcançou o sonho do filho próprio é uma sequela que vai provocar consequências sérias e duradouras, o que é muito compreensível. O que salta aos olhos é o quanto as experiências de morte relacionadas às relações sexuais do casal, acabam apagando, também, seus afetos íntimos. De alguma forma, estamos diante de mais um revés premeditado da supervalorização da sexualidade humana que observamos ocorrer nas últimas décadas. Pois o trauma conjugal se instala na própria relação sexual do casal, já que a intimidade que deveria gerar filhos - ao não fazê-lo, transformou-se no drama que impede a mulher agora, de ser esposa. A consequência é uma atitude de grave desprezo à relação sexual, pois tal experiência é castrada da vida comum do casal. Do mesmo modo que da alma se deseja retirar os traumas da perda dos filhos sequer nascidos. A ironia da situação é que uma decisão que aparenta originar de uma atitude de desprezo da sexualidade; é, na verdade, um fruto da sua supervalorização. Pois é necessário alguém valorizar demais o sexo, definindo-o como algo superior, para então, negar a si próprio sua experiência, a partir de desgraças e dores relacionadas à sua prática. Daí origina a decisão de negar a si mesmo tal experiência íntima, já que dela não se permite mais participar, pois incapaz de partilha-la no sentimento de doação que considera ideal à sua vivência. Eis um engano que não poderia ser maior. Pois a experiência sexual - conforme ensina a boa e saudável espiritualidade, é tão somente o momento, em ato final, de um encontro relacional afetivo construído através de olhares e toques, abraços e beijos, afetos e carícias, até que se alcance o contato íntimo total. Existe algo mais simples, e natural, do que isso, numa relação de afetividade entre um homem e uma mulher? Mas o contrário também ocorre, pois há aqueles que supervalorizam a sexualidade a ponto de buscar sua prática de mil jeitos, e caras e bocas. Só que o resultado que alcançam de suas variadas e criativas experiências, é que nisso muito se viciam. Ao mesmo tempo, também, que pouca satisfação disso obtém. Ficarão cheios de muita paixão, e com pouco amor, no final. E com uma só consequência para ambas as situações: a perda da intimidade sexual do casal, em razão do desconforto que agora os une. Uma boa indicação de saúde afetiva para ambos os casos é seguir o princípio espiritual da intimidade sexual; que constrói uma melhor relação conjugal através de uma natural progressão das carícias entre o casal. Mas o filme não é feito apenas de experiências traumáticas da humanidade, como se a desgraça fosse uma consequência certa da vida, sempre transformando perdas do passado em dores (eternas) do presente. Pois há um velho homem do vilarejo que não se deixou dominar pelos destinos traumáticos das perdas passadas. O bom coração do proprietário de restaurante quase bonachão sempre recorda de sua falecida esposa, mas isso é algo que experimenta de jeito e maneira saudáveis, demais. Ele nem deixa sua esposa cair no esquecimento, como igualmente não despreza seus relacionamentos atuais. A valorização habitual da antiga vida conjugal, não impede sua alma de permanecer sensível às novas situações e pessoas que a vida continua lhe trazendo pra conhecer, e conviver. A capacidade de seguir adiante com a vida mantendo na alma o que de bom já se viveu. E a condição de olhar com esperança o futuro, cheio de boas expectativas para o que um dia virá, torna-se, então, um bom princípio espiritual existencial da história. Pensamento que o próprio personagem escritor parece reconhecer ao findar do livro, e do filme. Algo que ele anota com certa poesia dramática visual, quando em simplória observação da natureza que rodeia o filme, enxerga nas idas e vindas das marés das águas, a boa continuidade do ciclo da vida. Não enquanto a repetição e mesmice de uma mesma história, mas sim, pra reconhecer a força e vigor de uma realidade que é a própria essência de algo que permanece vivo, pois sempre em relacionamento com tudo que o cerca. Tal condição de superar tragédias pra viver com equilíbrio a vida que segue, tem sua orientação espiritual correspondente na impactante e conhecida frase do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece!" Pois o princípio espiritual definido por São Paulo não se refere ao sucesso, mas trata, sim, da serenidade. Virtude da espiritualidade que mantém a pessoa vivendo continuamente dentro de uma só personalidade, esteja ela na abundância, ou com quase total falta de bens. O que se deseja não é que a pessoa sorria na desgraça, mas sim, que saiba chorar até seu limite saudável. O propósito é impedir que a perda vire desgraça, até que um dia nos arruíne por completo. O que muito fortalecia o Apóstolo era exatamente a presença de um outro espírito, e pessoa na vida dele. O próprio Espírito de Deus! Ser espiritual que se tornou uma presença sábia e serena atuando diretamente na sua alma. Alguém que foi capaz de transferir para a personalidade interior do Apóstolo, os sentimentos necessários para que ele seguisse em frente com sua história. Não é nada, não é nada, é uma boa pessoa pra se ter junto a fim de se manter equilibrado e esperançoso em tempos de aflição e dificuldades. Tempos iguais aos nossos, afinal. Cuide-se melhor, então! E uma boa espiritualidade pra todos nós.

sábado, 25 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: LOGAN.

A Espiritualidade de "LOGAN" está na excelência e valor de sua... humanidade. Eis uma das razões que fazem de LOGAN o melhor filme do Mutante Wolverine, com Hugh Jackman! E para superar os filmes anteriores da série, o prodigioso roteirista e diretor James Mangold deve ter se inspirado em "Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller, 2015; e tomara, consiga iluminar "Blade Runner 2049", de Denis Villeneuve, que chega aos cinemas este ano. O importante é assistir LOGAN como o drama sério de gente grande que é, pra não perder nada de sua instigante narrativa relacional. Ao mesmo tempo em que deve-se estar preparado para presenciar uma aventura excepcional e vibrante, como a muito não se vê em filmes de heróis de ficção. Hugh JACKMAN sempre foi Wolverine, mas agora, dá um passo adiante em sua composição artística e consegue existir plenamente em seu personagem. Pois a jornada de LOGAN confunde-se com a história do ator na série, ao unir os sentimentos do mutante e do artista de maneira surpreendente. Se "XMEN" não fosse uma série marcada pela ação e aventura, poderia ter vencido o preconceito da Academia e teria seus atores e diretor indicados ao "Oscar", com reais chances na competição. LOGAN é um filme maduro em sua narrativa dramática e criativo tecnicamente nas cenas de ação. Vale a pena, mesmo, assistir! E voltando ao tema principal, o que a história final de Logan e seus companheiros Mutantes descreve é uma jornada existencial das mais relevantes para todos que almejam viver uma Espiritualidade saudável: a busca de tornar-se uma pessoa humana na amplitude e grandeza do nosso potencial como espécie. Os Mutantes de LOGAN perseguem, e conseguem tornar-se o avô e a filha, o amigo e o cidadão, e, finalmente, o filho e o pai, uns dos outros; e também, de (quase) toda a humanidade em geral. Uma proposta vivencial que, vindo de quem vêm: Mutantes quase só inimigos e menosprezados diante de nós outros, humanos "puros"; nos atinge sensivelmente no espírito, como se fora uma tesoura afiada ali plantada. Certamente que tal reflexão demora pra acontecer. Isso se vier a ocorrer. Mas a boa e primitiva satisfação de adrenalina adquirida ao assistir bons filmes de aventura é aqui substituída por uma sensação inquietante de que algo novo nos foi dito, sim, em alto e bom som. Mesmo que não saibamos precisar bem o que. A realidade é que o desafio aos Mutantes para que assumam sua humanidade tornando-se pessoas sociais em nosso mundo, revela-se um projeto Espiritual de inegável valor interior pra qualquer um. Daí a nossa inquietação, bem mais que só hormonal, com o filme. E mesmo que não dure muito, estou aqui para aproveitar a ideia e remexer tal sensação. Pois os Mutantes de LOGAN desenvolvem sua maturidade existencial espiritual ao mesmo tempo em que nos emocionam e motivam assim que os vemos correr atrás de suas personas humanas sociais. Sejam elas, as familiares e comunitárias, ou ainda, cidadãs e até as humanitárias. Em meio às lutas e dores que vivenciam nesta excelente aventura, os personagens buscam assumir novos sentimentos para suas antigas personalidades. Enquanto vão deixando de lado a força e a vaidade, abraçam por valor a bravura e a dignidade como um princípio de suas novas atitudes pessoais. O que observamos nos Mutantes de LOGAN são experiências de sacrifício e compaixão, generosidade e humildade; todas, sensações e valores normalmente relacionados a uma jornada heroica mais humana do que a de super heróis. A doação pessoal dos XMEN tanto para cuidar de vidas, quanto para com elas se relacionar; torna-se assim, o grande tema vivencial espiritual do filme. E quem muito escreveu sobre o valor e a necessidade de assumirmos, logo e de uma vez, nossas funções sociais mais próximas. Como a de sermos filhos e depois um pai, ser mãe e também vizinhos, colegas de trabalho e cidadãos, e assim por diante; foi o bom e sábio Apóstolo São Paulo. Ele mesmo. Pois o que acontece muitas vezes é que no objetivo de vivermos algo relevante e especial, enquanto experiência espiritual, o que se busca é algo que ocorra além da vida e das pessoas do nosso cotidiano. Ledo engano. Daí a simples e direta afirmação do Apóstolo para que sejamos, sempre, as melhores pessoas que pudermos - dentro do grupo social a que pertencemos. Ou, do que desejamos participar. Somente experimentando pra valer as nossas cotidianas relações sociais, iremos descobrir o real (e melhor) potencial da nossa personalidade, da espiritualidade. Pois o bom desafio espiritual é conseguir amadurecer nossa personalidade interior junto do outro e da sociedade, de quem e do que, somos parte, afinal. E só pra terminar bem, aproveito pra citar a crítica do maravilhoso filme de Frank Darabont, "Um Sonho de Liberdade", 1994, incluída em "O livro do Cinema", Globo Livros, que descreve o que eu gostaria de registrar acerca de LOGAN: "Um filme que trata da vitória do espírito humano sobre a adversidade lida com algo delicado... Frank Darabont consegue o perfeito equilíbrio na direção do filme. Ele enfatiza a humanidade acima da brutalidade...". E assim, igualmente ocorre com James Mangold na direção de LOGAN, 2017.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Uma boa ESPIRITUALIDADE para a nossa RELIGIOSIDADE

O "Sábado" foi inventado por Deus no início da história dos homens no objetivo de que a humanidade tivesse um almoço de domingo junto com Ele. E que fosse daqueles bem bons, pra gente ficar com água na boca a semana inteira, e com o espírito bem alimentado. "Sábado" origina da palavra "Shabbat", que tem a ver tanto com o verbo "cessar", quanto com o dia "sétimo". Palavras que bem indicam o propósito do dia que é tornar-se um tempo de descanso para os homens junto da Pessoa de Deus, assim que a semana termina. O "Sábado" original da criação tornou-se também um dia para celebrar a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, quando saíram de lá com Moisés pra se organizar como nação no Monte Sinai. E assim passou o tempo... Até que esse almoço da humanidade com Deus foi se organizando cada vez mais, o que fez crescer o número de regras e rituais que deve-se praticar pra bem participar de uma religião. O negócio ficou tão sofisticado que às vezes nem Deus aparece no almoço. Eis uma das razões pelas quais poucas novas pessoas se interessam em partilhar com Deus do seu almoço dominical original. E mesmo que complicar a Espiritualidade humana seja algo constante na história humana, as instituições religiosas conseguiram estreitar ainda mais sua visão desde a Modernidade até quase o fim do século 20. Pois o que mais ofereceram pra humanidade nos últimos séculos foi um almoço sempre aberto para os "certos", mas que mantinha suas portas fechadas para os "errados". Isto parecia não fazer diferença para as religiões, já que mesmo com o interesse de só metade da turma dos humanos, o forte crescimento populacional ocorrido gerou bom número de seguidores pra quase todo mundo. Mas esse convite fechado que vinha dando conta do recado entre os homens já não está alcançando bom resultado, não. Principalmente hoje, nestes tempos Pós Modernos. Isso ocorre porque na Pós Modernidade não existem mais só os "certos" e os "errados", conforme os mandamentos de sempre. O que acontece agora é que cada um está bem certo, sim, daquilo que deseja. Não mais do que deve ser. E ponto, final. A maneira de pensar sobre como se deve viver a vida mudou bastante no coração da moçada. E quem faz as perguntas de antes com os argumentos de sempre, só recebe por resposta... o silêncio!(e não se fala aqui do excepcional novo filme de Martin Scorsese). Eis aí um grande (e bom) desafio aos espirituais de plantão. O que não é algo novo na história, não. Pois sempre que alguém tentou incluir todo mundo no convite dominical pra almoçar com Deus, ou ao menos, buscou entregar o convite para pessoas fora do padrão dos certos e errados. Bem, foi necessário anunciar uma mensagem espiritual que fosse não somente nova, mas, também, que soasse verdadeira - pra alma da gente. O Profeta Jesus foi desafiado dessa forma no início de sua missão pública, pois enquanto Ele curava enfermos e livrava pessoas de espíritos maus, seus seguidores aumentavam dia a dia. E a alegria ao redor de Jesus crescia igualmente. Foi aí que apareceu a turma do Sábado de "certos e errados", pra reclamar que os discípulos de Jesus não estavam jejuando - ao contrário dos seguidores de João Batista e dos Fariseus que jejuavam por hábito. Jesus respondeu que havia tempo para tudo debaixo do céu, pois há tempo de abraçar e de se afastar, e aqueles eram dias de festejar, não de viver de luto. Pois o que Jesus experimentava junto do povo era como que uma grande festa dos céus - um almoço dominical do Sábado que se estendia por semanas. Em outra ocasião os discípulos de Jesus colheram alguns alimentos direto na plantação em um dia de "Sábado", enquanto viajavam de uma aldeia até outra, pois estavam com fome e já passava da hora do almoço. Pra que, hein! Lá vieram os líderes do Sábado dos "certos e errados" questionar Jesus, querendo saber qual a boa razão dele pra que seus discípulos desrespeitassem daquele jeito o "Sábado" - pois, afinal, eles trabalhavam ao invés de cessar suas atividades pra passar um tempo com Deus. Jesus respondeu que seus seguidores só estavam com fome, e por isso se alimentavam da comida que o próprio Deus oferecia na criação. Foi quando Jesus lembrou que o próprio Rei Davi também alimentou seus companheiros servindo-se dos pães dedicados somente aos Sacerdotes, que eles foram buscar lá dentro da casa de Deus. Eles só estavam com fome, esclareceu Jesus. Como os líderes religiosos disseram que Ele não tinha autoridade pra decidir essas coisas, Jesus respondeu que Ele era o verdadeiro Governador do Sábado. O Homem que tinha autoridade entre os humanos pra definir qual tinha sido a verdadeira vontade de Deus ao criar o "Sábado". Pois se o Sábado era o almoço dominical de Deus com a humanidade, então, nada melhor do que oferecer alimentos aos homens no dia de Sábado, certo? Provavelmente inspirado pelo Rei Davi, Jesus foi a uma Sinagoga no Sábado pra tentar entender o que passava na cabeça dos homens ali reunidos diante de Deus. Jesus entrou normalmente na casa de estudos religiosos de Israel, até que observou no meio deles um homem doente, pois estava com a mão atrofiada. Então Jesus questionou a todos: afinal, o que deveria acontecer com aquele homem, bem no dia criado por Deus para que a humanidade estivesse perto d´Ele? Esse homem deveria ser curado? Ou, não? O Sábado com Deus era um dia para se fazer o bem ao próximo, ou nada deveria ser feito nesse dia? O resultado foi que Jesus não recebeu resposta alguma dos homens que ali estavam. Nem uma palavra. O Messias então chamou o homem doente à frente da reunião, e lhe disse para apresentar sua mão diante de todos - e foi assim que a mão do homem ficou curada. Parece que os ensinos de Jesus na ocasião não lhe ajudaram muito, pois a turma religiosa do "certo e errado" decidiu que era hora de matar Jesus. Afinal, Ele estava decidindo por si mesmo como a religião dos homens deveria ser governada. Jesus só queria recuperar a religiosidade como uma experiência espiritual saudável pra humanidade. Mas os líderes só humanos lutavam com Ele para mante-la como a relação de poder entre eles que sempre foi. Enfim, fica pra nós a lição. Nestes dias Pós Modernos em que já não há somente o "certo e o errado" pra definir nossos lados e posições, eis que surge - direto do coração de Jesus, uma boa ideia Espiritual pra nos fazer crescer interiormente. O que importa mesmo é ser atencioso com as pessoas pra melhor conseguir perceber e cuidar das suas necessidades físico - espirituais mais essenciais. Pois isso é - e sempre foi, uma boa atitude religiosa espiritual pra quase todo mundo. Melhor ainda se a gente aproveitar o "Sábado" pra fazer isso. E bom domingo!

segunda-feira, 20 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: SILÊNCIO, de Martin Scorsese.

"Toda a minha vida foi cinema e religião", disse Martin Scorsese. O religioso e realista diretor ítalo americano M Scorsese não esconde suas angústias interiores e novamente surpreende os fãs de cinema com seu pragmatismo autoral. Aspectos de sua personalidade que o mantém vivo como um artista instigante e provocador de boas reflexões. E seu mais inquietante pensamento acerca da alma humana já está em cartaz nos cinemas brasileiros - SILÊNCIO, 2016, com Andrew Garfield e Liam Neeson. A primeira meia hora de filme nos faz viver uma interessante experiência de temor, pois partilhamos um pouco da fé religiosa humana mais pura assim que conduzidos ao interior da alma dos padres jesuítas. Tudo através de uma sutil atmosfera cultural que, vez ou outra, a boa sétima arte nos dá a chance de compartilhar. Enquanto nos acomodamos existencialmente no ambiente espiritual arquitetado pelo filme, logo iniciamos também uma jornada particular de silêncio interior. Uma experiência partilhada através da sonoridade sensível do filme, que nos fará perceber melhor tanto a majestade da natureza, quanto os sentimentos mais profundos dos seres humanos. Eis uma sessão de cinema que nos faz viver uma experiência essencial relacionada aos maiores dilemas da fé e espiritualidade humanas: a que trata do Silêncio de Deus diante das tragédias e injustiças que assolam a humanidade. Apenas para constar, ao menos quatro boas críticas e resenhas do filme merecem a leitura dos amigos: Hamilton Rosa Júnior escreve na Rolling Stone, e apresenta o filme de forma exemplar: "Martin Scorsese nunca trabalhou o efeito da ausência de sons de forma tão radical como fez aqui, neste que é talvez seu trabalho mais complexo. Sequer há uma trilha sonora em cena. Padre Rodriguez (Andrew Garfield), o protagonista, testemunha tantas atrocidades que passa o tempo inteiro perguntando a Deus por que Ele não cria algum tipo de intervenção para cessá-las." Gustavo Henrique, do site ovicio.com.br, que aborda cinema e literatura, artes e HQs, assim descreve a obra: "Silêncio é um filme que oferece uma experiência cinematográfica transcendental e reflexiva, que questiona percepções de vida, crenças e os limites da consciência humana. Uma das melhores obras de 2016, tendo sido completamente injustiçado no Oscar mas que deve perpetuar no futuro como um dos mais importantes filmes de um dos mais importantes cineastas da história." Outro texto diferenciado é o de João Lopes: Scorsese - o Silêncio e o Medo, que aprofunda o entendimento da fé no divino enquanto esclarece as virtudes cinematográficas do filme: "Da construção do espaço, primorosamente tratado pela fotografia de Rodrigo Prieto, até aos ritmos sensuais da narrativa, muito graças à montagem de Thelma Schoonmaker, "Silêncio" é um filme que se distingue por algo de primitivo — como se estivéssemos a descobrir a origem dos próprios poderes cinematográficos." Por fim, a sempre sagaz e comunicativa Isabela Boscov, da Revista Veja, supera-se em uma resenha quase espiritual de profundidade argumentativa eficaz, tanto existencial quanto técnica do filme: "Silêncio tem algum diálogo; quase não tem música. Sua eloquência está depositada nas imagens, compostas com imensa riqueza narrativa. Em parceria com o diretor de fotografia mexicano Rodrigo Prieto, o cineasta faz uma homenagem aos diretores que formaram o imaginário do Japão de sua geração. Sobretudo a Akira Kurosawa, de quem ele toma emprestadas algumas regras cardeais, como a da composição pictórica das cenas ou a movimentação de elementos da paisagem - o capim, a chuva, a neblina - contra o desenho dos personagens da tela (...) Por meio dessas pinturas em mutação, evocam-se a ligação estreita entre natureza e espiritualidade na cultura japonesa...". O filme é baseado na obra original do escritor japonês Shusaku Endo, publicada em 1966, e reflete acerca dos graves conflitos religiosos ocorridos entre os padres portugueses e as autoridades japonesas, no início do século 17. Trata da espiritualidade humana desenvolvida a partir de uma religião específica, e dos confrontos que seus princípios geram diante das orientações de uma outra religiosidade. Uma disputa doutrinária que vai além da teologia ou filosofia, pois o conflito que ocorre é existencialmente cultural. Para as autoridades japonesas trata-se de um projeto que pretende subjugar a vivência budista do povo japonês e toda sua história como nação aos ideais do cristianismo português. A resposta institucional do Japão são perseguições constantes aos líderes da evangelização cristã, seguidas de torturas que buscam a negação da fé pelos fiéis, para que sobrevivam, ou suas mortes, caso continuem cristãos - o martírio. Eis o drama em que se acumulam situações trágicas de tortura e assassinatos cruéis de inocentes a partir do confronto religioso que vira uma batalha espiritual entre cristãos e budistas na terra do sol nascente. Uma guerra dolorosa e aflitiva cuja decisão de seu término, e o consequente retorno da paz social, está depositada nas mãos e coração do Padre português Rodriguez. Cabe a ele decidir se a sua pretensão de cristianizar o Japão pra assim submeter sua cultura milenar aos valores religiosos europeus vale a pena. Pois será sempre uma missão levada adiante à custa da dor e sangue do mais humilde povo japonês convertido. Enquanto o Padre briga interiormente entre a decisão de manter seu ardor evangelístico, ou então, pela escolha de logo abandonar sua missão diante do terror aos fiéis japoneses, que já não aguenta enxergar; eis que surge, afinal, o "Silêncio". Que se torna, no filme, o próprio Silêncio de Deus! Já que o Ser divino parece não se manifestar mesmo diante de tão graves injustiças pessoais e sociais. E agora, Padre Rodriguez? Até quando o povo pobre japonês irá sofrer por seus projetos, que se tornam, cada vez mais, só particulares e egoístas? Eis, aí, a nossa questão! Que se torna, então, o dilema ético espiritual do filme. Situação ética que parece próxima da experiência do militar Lloyd Bucher, comandante norte-americano do navio USS Pueblo, que em 23 de janeiro de 1968 foi capturado pela marinha da Coreia do Norte, tendo sido acusado e toda sua tripulação de espionagem. Diante da ameaça do assassinato de todos os seus tripulantes, Bucher foi desafiado a assinar confissões falsas de espionagem, a fim de salvar seus comandados. O dilema de Bucher era básico: deveria afirmar sua honra e missão mantendo a verdade de que apenas navegava dignamente em águas internacionais? Ou, então, deveria abandonar sua autoridade e desprezar a integridade de sua liderança, mentindo e abandonando a realidade de que ele e seus marinheiros apenas navegavam nas águas livres da região? O fato é que Bucher assinou as confissões e assim salvou sua tripulação da morte, abandonando o USS Pueblo em mares norte-coreanos, onde se encontra o navio até hoje. E assim voltaram todos pra casa, sãos e salvos. Só que não! O dilema ético do comandante Bucher nada tem a ver com o conflito existencial espiritual do Padre Rodriguez. E olha que eu assinaria as confissões mentindo pra livrar os soldados junto com Lloyd Bucher, antes até que os norte-coreanos pudessem dizer "Tchau mesmo!", com apenas uma das mãos. E a razão da diferença está na descrição acima, já que Bucher enfrenta, sim, um dilema ético filosófico, humano. Enquanto Padre Rodriguez, diferentemente, vivencia um conflito espiritual existencial, eterno. É isso! Certamente que o filme parece afirmar, definindo simploriamente aqui, que o dilema do Padre Rodriguez é somente uma questão ética. Uma das mais dolorosas da história, sem dúvida. Porém, dentro do contexto cristão de fé e missão, se reconhece o conflito do Padre Rodriguez não como um dilema ético; mas sim, enquanto um confronto espiritual. Daí, a grave diferença situacional pela qual transitam o comandante e o Padre. E agora, José? Bem, o princípio teológico cristão que explica a diferença entre um dilema ético humanista e um desafio espiritual existencial surge, em nossa questão, a partir de uma determinação essencial do Profeta mor da fé cristã; Jesus, o Cristo. Pois foi Jesus que afirmou, pra eternidade ouvir, que aquele que viesse a confessar seu nome diante dos homens, seria assim reconhecido diante dos anjos de Deus. Igualmente, aquele que negasse a Jesus diante dos homens, teria seu nome negado também, diante de Deus. O contexto histórico da afirmação de Jesus trata da descrença e hipocrisia dos líderes de Roma e Israel, que desprezavam os desafios existenciais propostos pelo Profeta. Pois neles, Jesus reclamava uma fidelidade a Deus além dos limites terrenos, no propósito de religar os homens diretamente ao trono divino nos céus. De maneira que nada terreno, cultural e social, e somente temporal, pois limitado ao tempo de vida dado a cada geração, deve superar a convocação de Jesus para que a humanidade experimente um relacionamento místico a partir do espírito, junto da Pessoa de Deus. Uma convocação existencial para uma relação atemporal além da vida, pois adiante do espaço e tempo do planeta Terra. O cristianismo é isso, afinal. Daí que a confissão do Padre Rodriguez e dos fiéis japoneses gravita conceitualmente dentro deste contexto transcendente, e não, orientada por uma filosofia caridosa pragmática de proteção da vida, só para o tempo presente. Jesus ainda argumenta em favor de sua determinação, ao dizer que os homens não devem temer aqueles que matam o corpo, e depois, nada mais conseguirão fazer. Pois são incapazes de atacar a alma humana, e de atuar na eternidade. Enfim, o conhecimento da vida e da história humana que o cristianismo ensina, colocam o Padre Rodriguez e os cristãos japoneses diante de um dilema ainda maior do que aquele de apenas subverterem a cultura de uma nação. Ou até, de virem a perder suas vidas na presente época. Pois o conflito é eterno, não temporal. E se estabelece diante de Deus, não dos homens. Nesta situação, era imprescindível aos cristãos japoneses confessar sua Fé em Cristo, pois tal declaração nesta vida significava a afirmação da própria existência soberana de Deus. Uma confissão que afirmava a existência de Deus não somente aqui, em nosso mundo, mas também, na outra vida - algo que vai fazer toda a diferença quando os homens um dia lá estiverem, no Céu. Pois a descrença em Deus revela uma atitude de desprezo ao seu cuidado e presença, tanto para os dias atuais, quanto para a vida após a morte. A vida eterna. Eis o princípio doutrinário que dá significado à uma "comum" aceitação dos fiéis cristãos de que se percam os anéis (a vida hoje), para se manter os dedos (a vida eterna). Junto de Deus. Tá entendendo? Enfim, eis o contexto humanista cristão que dá consistência à tese de que o conflito do Padre Rodriguez não era ético filosófico, mas sim, existencial espiritual, de verdade. Uma experiência humana transcendente de sofrimento que encontra na vivência do homem mítico Jó, do Antigo Testamento bíblico, sua mais profunda e conceitual materialização. Pois ali encontramos um homem que sofre em razão de manter-se fiel a Deus, e não o contrário. E para corroborar a ideia de que há um grave conflito espiritual acontecendo, mais do que ético, eis que vemos em momentos distintos do filme, tanto o Padre professor Ferreira, quanto o Padre aluno Rodriguez, balbuciando palavras ao vento como deprimidos existenciais. Pois, afinal, abandonaram sua fé transcendente de outrora. E assim, nada eterno reside ainda em suas almas. Tornaram-se zumbis do cotidiano cultural a que pertencem, e não vivem mais a partir da esperança que anima a humanidade, em sua busca pôr dias melhores. Projetos de vida que são espiritualmente verdadeiros e satisfatórios, pois falam, sim, ao interior eterno do homem. Bom filme!

quinta-feira, 16 de março de 2017

a ESPIRITUALIDADE do MESSIAS!

As Três maiores religiões da história - Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, anunciam que o destino da humanidade será transformado pela vinda do Messias. Até agora, o único Messias que já veio, foi o cristão: Jesus, o Cristo. O Messias dos cristãos nasceu igual a qualquer homem da história, mas, não foi gerado em sua mãe humana por um homem, não. O Messias foi gerado no ventre de Maria de Nazaré por um Espírito, o Espírito do Deus de Israel, seu Pai. O Messias cresceu e se tornou adulto, cem por cento humano como qualquer um de nós. O Messias foi declarado realizador das promessas dos Profetas de Israel, quando João Batista o batizou nas águas do rio Jordão, momento em que ouviu-se a voz de Deus, vinda dos céus, dizendo: Você é o meu Filho, a alegria da minha vida. Assim que o Messias dos cristãos foi batizado, o Espírito Santo de Deus desceu sobre ele como que em forma de uma pomba, e o levou ao deserto. Lá no deserto o príncipe dos Anjos malignos, Satanás, provocou o Messias pra que ele fizesse escolhas contrárias a vontade de Deus. O Messias foi acompanhado em sua tentação no deserto por alguns animais não domésticos e por anjos dignos e bons. O Messias vivia na Galileia da Palestina e lá encontrou uma pessoa confusa e bastante doente. Um espírito maligno vivia dentro dela e disse para Jesus: Você é o Santo de Deus, e veio aqui para nos destruir. O Messias o mandou calar a boca e o expulsou do corpo do homem. Certa vez o Messias estava em uma casa e lhe trouxeram um homem bastante doente para ser curado. O homem era paralítico. Mas o Messias decidiu fazer algo ainda maior na vida daquele homem, pois disse pra ele: Filho, eu perdoo os seus pecados. Assim que o Messias ouviu os homens reclamarem que só Deus podia perdoar pecados, ele avisou que logo eles iriam saber quem ele era. Foi esse o momento em que Ele curou o paralítico, que saiu andando da casa. Foi assim que o Messias demonstrou que tanto podia curar, como igualmente perdoar os pecados da humanidade. Como há tempo para tudo debaixo dos céus, o Messias dos cristãos decidiu que seus discípulos não deveriam jejuar enquanto Ele estava com eles - só fariam isso quando ele fosse embora. Quando alguns religiosos reclamaram que Ele não podia decidir isso sozinho, Ele respondeu que O Filho do Homem era o Senhor da religião. E ensinou que os seres humanos não foram feitos para a religião, mas a religião é que foi feita para o bem dos homens. E quem dizia isso era o Messias, um ser humano de origem espiritual diferenciada, que eles deveriam respeitar. Alguns dias depois o Messias e seus discípulos entraram num barco para atravessar o mar da Galileia, e ali mesmo Jesus dormiu. Até que uma grande tempestade levantou as ondas que quase viraram o barco, o que fez os discípulos correrem para acordar o Messias, que disse: Quieto - para o mar. E também falou, calma - para os ventos. Todos ficaram apavorados e confusos, e diziam entre eles: Quem é este homem? Pois até o vento e o mar ficam quietos quando Ele ordena. Houve uma vez em que o Messias cristão decidiu levar três discípulos pra conhecer a Pessoa de Deus - como bem ensinou o meu amigo, Padre Aleixo. Eles caminharam até o Monte Tabor e ali subiram juntos. Chegando ao alto, Jesus transfigurou-se diante deles, e sua Pessoa tornou-se um Ser glorioso e iluminado. Dois profetas do passado surgiram ao seu lado, Moisés e Elias, e Deus avisou dos céus: Prestem atenção nas palavras do meu Filho! E foi assim que Pedro, Tiago e João viram Deus. Multidões de homens, mulheres e crianças viajavam de todos os lugares pra ouvir Jesus falar, e Ele dizia: Bem aventurados são os humildes de espírito, já que são como pobres prontos pra serem enriquecidos, pois reconhecem que ainda não tem todas as coisas que precisam pra viver. É isso!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

a ESPIRITUALIDADE no Cinema: a SOCIEDADE do ANEL, O Senhor dos Anéis!

O filme A SOCIEDADE DO ANEL do diretor Peter Jackson, da série O Senhor dos Anéis do escritor J.R.R Tolkien chegou ao Brasil no dia 01 de janeiro de 2002. E desde então o mundo do cinema dos homens nunca mais foi o mesmo. Quatro hobbits, um elfo, um anão, um mago e dois homens formaram o melhor esquadrão de combate místico atemporal apocalíptico que já se soube, adentrando a Terra-Média pra partilhar da mais fantástica alegoria da história cristã do mundo que já se viu. Uma sutil ironia acontece quando o enredo dramático revela um pouco da complexidade espiritual do nosso mundo, representada no filme por seres de espécies diversas vivendo situações místicas variadas, às quais, porém, seriam logo definidas como "blasfêmia", pelo mais comum pensamento cristão. O que levaria todos os personagens à fogueira da Inquisição, do mais belo elfo ao mais simples cidadão. Algo interessante da "Sociedade do Anel" é que a história espiritual da humanidade se aprofunda continuamente nas cenas diversas do filme, mas busquemos a terça parte final desta primeira aventura da trilogia, só pra melhor combinar as idéias. Iniciamos, pois, pela reunião de quase todo mundo que interessa lá na terra dos Elfos, visando a formação final da Sociedade do Anel. Grupo que se organiza em meio ao comum egoísmo e habitual soberba dos diversos "seres" de etnias e raças diversas, até que o mais pequeno e frágil deles toma sobre a si a tarefa original - o desafio seminal de levar o anel até a toca do diabo, literalmente. Pois só o mais humilde dos seres será capaz de suportar as incríveis atrações ruins e tentações desgraçadas que a energia do anel oferece pra todos que dele se aproximam. A ousada valentia ingênua do pequeno hobbit Frodo Bolseiro faz calar as individualidades, e assim todos conseguem se unir em honra, tendo por fiel escudeiro o herdeiro do reino Aragorn e por cabeça da jornada o mago Gandalf. Eis como se organiza pra valer a Sociedade do Anel, representando com seus Nove membros as diversas etnias e raças de toda a humanidade, além de alguns dos anjos que nos cercam, também. Sauron é o rei maligno de Mordor que tudo vê e controla a partir dos que tocam o anel, existindo como um "Olho" sempre capaz de enxergar as sensações dos homens. Pois o anel carrega em si todo o esplendor de poder e riqueza, intenções e desejos que os homens nesta vida almejam conquistar. E as mais perversas paixões dos homens e seres do mundo se revelam numa simples aproximação ao metal precioso, instrumento a partir do qual Saurom pretende a tudo e a todos submeter. Pois a vaidade é o pecado predileto do diabo, já bem dizia seu Advogado, no filme correlato. A partir dessa habitual faceta humana vemos surgir certas paixões cruéis num hobbit idoso, num príncipe adulto e numa rainha inconstante, tudo acontecendo em meio aos mais comuns desejos cotidianos de todos nós: o orgulho de si mesmo, as necessidade do corpo sensível, e a conquista de tudo que os olhos enxergam. E como nossos olhos perto do anel só enxergam as trevas, com que densa escuridão o metal precioso logo alimenta nosso coração, o qual logo direciona em retorno os nossos olhares para o que de pior podemos em vida desejar. Uma retroalimentação infeliz que muitas das vezes é o retrato fiel da tragédia existencial da humanidade. O interessante é como o anel faz surgir e aflorar o aparente melhor dos homens - nossa paixão pela vida, mas sempre nos corrompendo o valor e o objetivo logo ao início da jornada. De forma que uma gota límpida de água da nossa personalidade logo se transforma em um riacho mal cheiroso de intenções, a nos fazer vagar por uma correnteza de ruínas que espirra dores relacionais pra todo mundo. Só mesmo a bravura de um humilde e quase desprovido de vaidades hobbit, faz surgir alguém capaz de carregar o anel, sem ser por ele governado e destruído. E diante desta peculiar perspectiva de vitória saem em procissão os nove camaradas em missão. O mago Gandalf recorda a ocasião em que decidiu ir contra o governo de Saurom sobre a Terra-Média, escolhendo lutar pela destruição do anel. Foi o momento, igualmente, da escolha de seu próprio destino, o qual ele conheceu assim que tomou sua decisão: ele iria morrer. Ponto. Pois algum sacrifício é a base de qualquer verdadeira vivência espiritual, sim. Realidade que o humilde hobbit Frodo logo percebe, e a partir disso afirma seu desejo de jamais ter sabido do anel, em uma vã tentativa de escapar do próprio destino. Eis a maneira como a Sociedade do Anel em sua batalha constante junto de seres desgraçados e desejos desenfreados - rumo aos quintos da Terra-Média, anuncia a nossa própria jornada humana neste mundo desregrado de paixões e repleto de possibilidades, sem garantias. Mas o Mago Gandalf surge pra lembrar o pequeno hobbit, e também a humanidade em geral, que lutar por uma existência digna é nosso único destino, afinal. Pois o outro é morrer, o que pode ocorrer enquanto ainda se respira - a pior das maldições. Seguem adiante os nobres cavaleiros da Sociedade na claridade do dia e segurança das montanhas, até que são espremidos pelas forças da natureza - que movidas por anjos ruins, atacam-nos sem cessar, sob as ordens do mago Sarumam, fiel servo do "Olho". Gandalf reage e convoca os anjos bons pra que venham mudar os ventos e segurar tempestades, e por aí observamos faceta intrigante do nosso mundo místico tomar forma e realidade. Mas não há tempo pra bem guardar tão valiosa informação, pois a Sociedade precisa seguir o caminho sombrio das Minas de Moria, residência de Orcs demônios que ferozmente atacam nosso grupo, assim como acontece conosco em meio às necessidades que fazem surgir as maiores tentações da vida diária. E chegamos a batalha final, do primeiro capítulo, ao menos. Até os demônios menores dela fogem, enquanto nossos heróis a enfrentam em disparada, pois o Mago Gandalf é quem fica pra segurar, e lutar com o mais repugnante dos seres das sombras: um Demônio do mundo antigo, que acordou das profundezas e está na região pra acabar de vez com essa história de anel. O desgraçado só não vai mais longe porque na maior cena de exorcismo fantástico da história do cinema, o Mago Gandalf expulsa do caminho - na fé e na raça, o demônio mor das Minas de Moria. "Você não passará! Você não passará!", afirma o bravo e iluminado Gandalf... e o demônio não passou mesmo. Aleluia! Mas nem tudo são flores e os sacrifícios chegam rápido pra cobrar o valor das vitórias espirituais e do amadurecimento da dignidade. Mas assim como na vida, tomara seja, a Sociedade do Anel continua - sempre seguindo em frente. E que venha o segundo capítulo. Bom filme!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

a ESPIRITUALIDADE do Pecado - HOMENS e Deus!

A palavra "pecado" comunica pra humanidade quase a mesma ideia que a cruz para o diabo, pois "assim como o diabo foge da cruz", os seres humanos não convivem nada bem com essa milenar expressão, não. E há uma boa razão pra isso, pois o "pecado" existencial da humanidade é uma atitude que arruinou o relacionamento dos seres humanos junto da Pessoa de Deus. O que não é pouca coisa, afinal. O resultado é que nem Deus continuou morando aqui na Terra, como igualmente nós não ficamos mais habitando lugares protegidos e só abençoados neste mundo. Enfim, o trauma da palavra explica-se mais ou menos por aí, tornando nossa relação com o pecado uma das mais importantes da história, saiba disso. Só que trauma, a gente enfrenta, acredite! Principalmente os espirituais físicos, pois não há osso restaurado sozinho que resolva as angústias da alma, jamais. Portanto, aproveitemos nosso tempo juntos para no "pecado" meditar, bem direitinho. Ainda que só um pouquinho. E pensando a partir da Espiritualidade judaico-cristã, descobrimos que já nascemos, todos, "pecadores", pois o salmista faz boa poesia reconhecendo que era um ser humano "em pecado" desde o dia em que foi gerado. Pois já estava distante e em briga com Deus desde a primeira célula. Pouco depois, só pra confirmar a seriedade da questão, esclareceu que o "pecado" é um negócio nosso com Deus - em primeiro lugar. Pois as inquietações que o pecado traz para nossa psique e as confusões que leva para nosso cotidiano junto das pessoas, bem, é algo que sempre chega depois - depois de Deus. Eis a razão que faz nosso corpo gemer e o espírito em nós se angustiar à espera de uma solução - pois viver distante do Deus do Universo e ainda brigando com Ele; bem, desgraça pouca não é bobagem não, certo? O Apóstolo São Paulo leu um salmo e depois bem resumiu a nossa humana situação, dizendo que não existe ninguém que busque a Deus, e que não há homem algum que possa se considerar bom se comparado com Deus. Pois todo mundo se extraviou moralmente e tá perdido demais, concluiu ele. Eta mundo velho sem porteira... Mas, calma, então, pois ainda existe uma cura espiritual para os humanos tratarem tão grave trauma, e suas consequências, também. Especialmente, a pior delas, a nossa morte. O negócio é que o Cristianismo Oriental, mais que o Ocidental, anuncia por aí que o início da cura do pecado é algo tão simples como andar pra frente, de verdade. Sabe aquelas situações em que o problema é tão grande que ninguém aceita uma solução razoável? Pois é, e a questão aqui é que nosso drama psiquiátrico dramático espiritual atemporal eterno com o "pecado" acontece bem nessa área confusa da nossa mente e coração - já que dificilmente conseguimos entender o assunto na forma devida. Mas, não vamos desistir. Algumas ideias sobre a história da gente com Deus irão nos ajudar a pensar um pouco melhor sobre isso. Pra começar, é preciso aceitar que o princípio da Sabedoria pra qualquer um é acreditar mais em Deus, do que em si próprio. Afinal, o jeito como Deus vê nossa vida e a maneira como pensa em nossos pecados é, bem; bem diferente do nosso jeito de ver o "pecado" e nossa própria história. Pois os pensamentos d´Ele são tão diferentes dos nossos quanto o chão fica longe dos céus. Por isso vale a pena repensar nosso aprendizado existencial espiritual, que trata exatamente da maneira como aprendemos a viver a partir das palavras de Deus. Pois quando Deus aparece falando certos mandamentos, e vivendo a vida de um jeito melhor de como nós a vivemos, então; Ele só faz isso pra ensinar, sempre ajudando. Não é pra se mostrar, não. Tá entendendo? Eu sei que o primeiro pecado que a gente nunca esquece é o orgulho. E que a vaidade - correr atrás de saber algo que ao final não faz sentido, é o grande prazer da nossa existência; mas, por que não dar ouvidos pra Deus, ao menos uma vez, por dia? É importante descobrir que este nosso hábito de só querer e fazer, sentir e ser, pensar e agir, quase sempre diferente do jeito como Deus sabe a vida; bem, é o "pecado" nosso com o qual Deus consegue conviver, sabe. Não que seja fácil, mas, Ele se mantém por perto, entende... Ele só veio para os doentes, afinal. Daí que diante da descoberta de um novo ou antigo pecado acontecendo "na gente", o que nos resta são as duas opções da história: a nossa, que é desculpar-se pra (tentar) esquecer; ou, então, a de Deus, que nos diz pra logo confessar, para que o Espírito de Deus possa na nossa história (e alma), aparecer. Pois se o nosso "problema" de pecado é principalmente com Deus, o que interessa é tratar esse negócio com Ele, certo? Portanto, fale com Deus assim como se faz uma prece ou oração espiritual, mais ou menos como se diz no "Pai Nosso": "Perdoa-nos!!". Vai ser algo como uma injeção de antibiótico na veia do espírito, o seu, acredite. Cura certa, remédio apropriado, tratamento engatilhado, Deus na obra. Mas, eis a questão: ser, ou não ser... um pecador? Será que você aguenta assumir mais essa? Pois bem, se você tiver a coragem necessária pra aceitar a doença, então, cada pecado visualizado não será uma nova desgraça em si mesmo, não... Mas será, sim, um encontro relacional com a Pessoa de Deus pela graça; pois, afinal, Ele promete sempre perdoar você. É isso, a Espiritualidade do pecado é mais ou menos por aí...