quinta-feira, 19 de outubro de 2017

a Espiritualidade do CRISTIANISMO, no Cinema: LUTERO.

Há exatos 500 anos atrás um monge da Igreja Católica ficou mais preocupado com o espírito do homem do que com a instituição religiosa dos homens. Assim que suas propostas de renovação foram rejeitadas, um grupo de fiéis "protestou" - evento que deu nome à Reforma Protestante do Cristianismo, no século 16. O filme LUTERO (Luther, 2003: Alemanha/Estados Unidos) condensa de forma objetiva tanto o drama espiritual do homem Lutero, quanto os debates doutrinários e suas consequências sociais, políticas e religiosas ocorridas à época. Pois o Cristianismo se organizou em Três movimentos religiosos espirituais através da História desde a vinda de Jesus Cristo ao mundo: a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Ortodoxa Oriental (1054), e a Igreja Protestante - que surgiu em outubro de 1517, sob a liderança de um monge agostiniano e professor de teologia, o alemão Martinho Lutero. O filme tem uma produção qualificada conforme requer a realização de um bom drama histórico, apoiado em interpretações consistentes e uma eficiente direção junto da marcante presença de Peter Ustinov em seu último filme. Já o protagonista Lutero surge de forma autêntica na atuação de Joseph Fiennes, que representa de forma impactante a personalidade do líder da reforma do Cristianismo. Uma presença personalista que comprova que até mesmo contextos históricos "prontos" para serem transformados, requerem lideranças humanas enquanto agentes de renovação da situação vigente. Afinal, as visões de mundo da Idade Média somente foram sobrepujadas pelo Renascimento assim que alguns homens assumiram o encargo de conduzir as mudanças necessárias que o novo horizonte lhes apontava. E como acontece muitas vezes na história, as transformações culturais da Reforma Protestante iniciaram em razão de um despertamento interior lá no espírito do homem, assim que ele enxerga na própria alma os vazios e angústias que ali residem. Pois foi vivenciando reais incertezas existenciais que Lutero atemorizou-se diante de Deus assim que um raio caiu bem perto dele, na exata época em que iniciava seus estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Situação que o fez meditar na realidade da morte e da condenação ao inferno do juízo de Deus, numa experiência tão grave que resultou num voto religioso pela decisão de tornar-se um monge. Pois cada homem age espiritualmente dentro de seu conhecimento e segundo a cultura de seu tempo. Daí a importância de buscarmos um melhor entendimento das verdades espirituais da humanidade para oferecer respostas benditas à nossa alma em ocasiões oportunas. E pode-se dizer que foi esta busca existencial que transformou a vida de Martinho Lutero dali em diante, pois "viver" como um monge tornou-se a primeira opção para fugir da condenação espiritual, tá entendendo? Isto porque a mais piedosa espiritualidade alemã cristã da época ensinava que somente depois de praticar boas atitudes morais é que o homem receberia um retorno favorável de Deus - sendo este, então, um dos tantos projetos religiosos que prometiam livrar os homens do juízo divino para bem salvar as suas vidas, na eternidade. E foi assim que Lutero se tornou um dos mais disciplinados monges de seu tempo. Só que a alma, essa desgraçada, bem, continuava amargurada; e bastante assustada diante de Deus e da morte que continuava levando consigo a humanidade. Foi em meio a tais aflições e ansiedades espirituais que Lutero decidiu por dedicar-se mais profundamente aos estudos teológicos na Universidade de Wittenberg a partir de 1512. Buscava acalmar e dar direção a seus dilemas espirituais, o que o fez tornar-se primeiro um aprendiz de Agostinho de Hipona - e o resultado foi que a Bíblia se transformou na sua primeira e principal fonte de conhecimento acerca de Deus. E "dentro" da Bíblia, Lutero fez-se discípulo de São Paulo - algo que o levou diretamente para um encontro com a própria Pessoa Espiritual do Deus do Universo, a partir dos ensinos da "justificação pela fé" da Carta aos Romanos 3.21-22: "Agora, porém, conforme prometido na lei de Moisés e nos profetas, Deus nos mostrou como somos declarados justos diante dele sem as exigências da lei: somos declarados justos diante de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, e isso se aplica a todos que creem...". É por aí mesmo, meu amigo! Lutero foi desafiado a parar de procurar um contato com Deus baseado nas suas melhores obediências religiosas, para - bem ao contrário disso, ir logo direto encontrar Deus Pai em Pessoa pela fé através de Jesus Cristo! As boas obras viriam somente depois, como uma consequência dele ter experimentado aquele encontro inicial com Deus - o que lhe permitiria renovar toda a maneira de viver a partir dali. Eis a razão porque este projeto de religião (religação de relacionamento) com o próprio Deus através da Pessoa de Jesus Cristo, chama-se, então: Cristianismo! Veja que no Cristianismo o medo do julgamento de Deus sobre a alma humana por causa dos pecados dos homens é superado pela promessa do amor de Deus que perdoa - e acolhe os homens pecadores, conforme ensinado pelo Evangelho (Boas Novas) de Jesus. Uma das mensagens espirituais mais transformadoras da história da humanidade, pois ao invés de prometer bênçãos divinas como um resultado do esforço humano, oferece uma vida junto de Deus como uma graça a partir da fé do fiel. Bem, a partir daí, o resto é história... Mas a espiritualidade da humanidade e a organização da religiosidade de quase todo mundo seguem adiante através de boas cenas da produção, sim. Martinho Lutero vai praticar o importante princípio espiritual de que se deve adorar a Deus "em espírito e em verdade", pois irá negar-se a afirmar qualquer doutrina que sua espiritualidade racional o oriente a discordar. Também irá promover a tradução dos livros da Bíblia do latim para o alemão no bom objetivo espiritual de que o povo germânico mais comum consiga aprender por si próprio o caminho, a verdade e a vida de Deus conforme os ensinos e as palavras do próprio Jesus Cristo. E um bom número de situações sociais e políticas iniciadas à época da Reforma Protestante de Outubro de 1517 igualmente estão no filme, revelando as boas e más atitudes que movem os homens em tempos de renovação da sociedade a partir dos anseios do espirito. Pois uma espiritualidade saudável requer ser assim mesmo, sempre renovando a realidade de todos nós. E quando vier, que venha com Amor a Deus, e Amor ao próximo - pois destes dois mandamentos depende toda a Lei de Deus. Bom filme.

domingo, 15 de outubro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: dos SONHOS à Realidade: PASSAGEIROS

Como bem definiu minha esposa, PASSAGEIROS (Passengers, 2017) é um filme prazeroso de assistir porque além de ter um início interessante e um enredo envolvente, também tem um final de verdade pra chamar de seu. Algo importante de valorizar já que filmes com ideias criativas comumente acabam sem nunca terminar as suas histórias. Fazer o que, né... Enfim, eis outra boa razão pra assistir o filme. Segue uma breve sinopse (site: adorocinema) deste romance aventuresco com Jennifer Lawrence e Chris Pratt: "O ponto de partida desta ficção científica é interessantíssimo. A bordo de uma espaçonave transportando seres humanos para a vida em outro planeta, um homem e uma mulher acordam no meio do percurso, e ainda têm 90 anos para viverem – e morrerem – durante o trajeto...". Bem, ficamos por aqui na análise até porque o crítico Bruno Carmelo (site) entendeu que o potencial do enredo não foi bem aproveitado pelo diretor. Mas, enfim, isso já é uma outra história, pois o nosso tema é somente a espiritualidade do filme, certo? Neste sentido, o que rápido se remexe lá na alma assim que assistimos "Passageiros" é um denso drama existencial que rápido nos conduz para uma ansiosa reflexão espiritual, mais até do que seria da nossa vontade sentir e pensar. Pois "Passengers" traz de volta o antigo ideal adolescente de que um dia iriamos mudar (e ganhar) o mundo, à nossa maneira, lembra? Uma realidade que se revela bem complicada para a maioria da população, até porque muitas daquelas boas ambições nem sempre acontecem conforme o combinado assim que as conquistamos. E agora, José? O que fazer pra (bem) conviver com este drama interior de uma vida que às vezes parece não estar indo nada bem? O interessante é que o filme responde esta questão de maneira bem satisfatória, pois o mais idealista dos protagonistas abraça com risos e satisfação, uma existência bem diferente daquela que um dia sonhara pra si próprio, de verdade. Por isso mesmo, assistir de boa paz a esta aventura romântica é oferecer uma bela oportunidade pra alma entender que nossa particular história tem valores e (boas) razões de ser exatamente o que se tornou, ainda que seja diferente do que um dia planejamos. Eis o primeiro bom motivo pra acompanhar satisfeito e feliz a este romance surpreendente envolto em um desenrolar bastante (in)comum, que não deixa também, de ser atraente. Mas, ainda tem mais. Pois foi o rei e poeta Davi quem melhor escreveu sobre aqueles que cuidam de suas vidas sem se deixar dominar por vaidades e sonhos (irreais) demais pra ser mentira: "Senhor, meu coração não é orgulhoso, e meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com questões grandiosas ou maravilhosas demais para minha compreensão. Pelo contrário, acalmei e aquietei a alma..." (Salmo 131). É isso! A satisfação interior da alma e a realização existencial do espírito tem mais a ver com a descoberta do valor que há nos projetos mais diários da vida - familiares e profissionais, de amizade e cidadania, do que com as outras grandes conquistas que o mundo sugere. Até porque estas conquistas somente serão verdadeiras em nossa história se acontecerem junto daquelas pessoas, não é mesmo? É por isso que o tema mor de "Passageiros" é uma velha máxima da boa espiritualidade: pense globalmente e viva localmente! Bom filme.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: SOU GENTE! Logo Existo. BLADE RUNNER 2049

BLADE RUNNER 2049 é um maravilhoso filme existencial! Pois saber-se vivo sempre foi uma inquietação filosófica permanente da humanidade. E foi pela importância da reflexão que o filósofo René Descartes afirmou no século 17 a sua mais expressiva declaração: Penso, logo existo! O que pouco se diz nestes dias em que se nega qualquer proximidade entre o conhecimento dos homens e a racional espiritualidade da alma humana é que tal declaração sempre teve (mais) a ver com a transcendência da experiência de estar vivo, do que com a simples percepção de que tudo vai bem se estivermos respirando no ano que vêm. Enfim, eis que a mais famosa defesa da existência humana legitimada pela realidade, acaba de ganhar um novo apelo poético de qualidade, daqueles que somente o melhor da Sétima Arte consegue produzir. Pois se o sensacional Blade Runner original (1982) questionava serem os replicantes apenas robôs em busca de uma alma pra chamar de sua. O filme atual, Blade Runner 2049 (Estados Unidos, 2017), analisa experiências de vida no objetivo de encontrar relacionamentos que realmente preencham os anseios existenciais da humanidade. Eis o enredo da aventura dramática que o diretor Denis VILLENEUVE transformou em paradigma cultural assim que bem relacionou ideias do filme original às reflexões de seu filme anterior, "A Chegada. Se tornar a segunda parte de um clássico em um filme próximo do primeiro já é uma façanha considerável, embora se diga que Francis Ford Coppola isso realizou em O Poderoso Chefão II. Imagine então, superar um filme Cult original em sua própria continuação, sendo que aqui falamos simplesmente de BLADE RUNNER! Dá pra imaginar? Nossos parabéns à Mr Villeneuve, pois BLADE RUNNER 2049 não apenas aprofunda o original, como ainda dá vida e enredo para alguns dos instigantes pensamentos de Ridley Scott, tornando-os situações humanas profundas dentro de um enredo dramático crível demais. E olhe que falamos aqui de um filme de ficção científica. Fala sério! Isto porque o mítico Blade Runner (1982) contou uma história de ficção científica narrada como filme Noir para argumentar de maneira urgente, mas velada, acerca da maior dúvida existencial da humanidade. Afinal, os seres humanos tem mesmo uma alma dentro de si, ou somos apenas o resultado de séculos de evolução celular? Pois se os próprios replicantes já sofriam com a razoável inutilidade de uma existência sem alma; e por isso mesmo, quase sem presente e certamente nenhum futuro, imagine eu e você? A questão é que os anseios do replicante ROY expunham não somente a brevidade da vida humana desde sempre, mas bem mais do que isso, também gritavam a realidade de uma morte "espiritual" constante que já experimentamos hoje, e continuamente, mesmo quando (bem) vivos imaginamos estar. Que horror! Uma depressão existencial dos robôs de Blade Runner assim definida pelo "livro de cinema" (Globo Livros): "Batty e seus colegas replicantes estão fazendo uma revolução ao forçar seus criadores a vê-los como seres dotados de alma em busca de libertação." Agora, relacione estes temas do filme original às questões existenciais do último filme do diretor Denis Villeneuve, e somente a partir daí é que você vai começar a participar da magical mistery tour de Blade Runner 2049, pra valer. Pois no filme A CHEGADA, o diretor moveu seu enredo no objetivo de superar aquelas relações humanas que existem apenas pra realizar uma superficial troca objetiva de informações, burocráticas. Pois as conversas somente "humanas" do filme ocorrem sempre no propósito de rapidamente afirmar cada distinto interesse egoísta dos envolvidos. Em contraponto, os primitivos encontros da Dra Banks junto aos aliens Abott e Costelo tem poucas informações a oferecer, mas se revelam bem mais eficazes a partir da interação conjunta que realizam entre os seres. A visitação alien ao nosso planeta fortalece, então, aquelas idéias que valorizam relacionamentos mais sinceros e integrais entre as pessoas. Blade Runner 2049 vai elevar estas reflexões a um novo patamar artístico representativo das vivências humanas, pois os certeiros esclarecimentos que busca para as dúvidas existenciais da humanidade, atuam sempre no objetivo de que todos alcancemos maior satisfação dos nossos relacionamentos nesta vida. Pois afinal, é para ser "gente" de verdade que todos existimos, tá entendendo? A interessante investigação critica de Isabela Boscov (Revista VEJA), assim fotografa o filme para nós: "Nos filmes de Villeneuve, porém, tudo o que é tópico ou político converge de maneira inexorável para o pessoal. (...) Da mesma forma, as alusões de Blade Runner 2049 à escravização ou sub-humanização rapidamente adquirem outras cores. Os protagonistas de Villeneuve viajam sempre para dentro de si mesmos. E nenhum vai tão longe na jornada quanto K, para quem o mais confiável de todos os pontos de partida - a condição humana - nem sequer existe. Assim, enquanto a paisagem grandiosamente devastada de Blade Runner 2049 serve como metáfora da aridez existencial das relações cada vez mais mediadas pela tecnologia... (os replicantes) voltam-se para dentro de seu íntimo e buscam um senso de si mesmos." Blade Runner 2049 segue adiante na abordagem de valores vivenciais que guardam consigo, sempre, os anseios de vida mais íntimos da alma humana. Pois não basta apenas ser capaz de pensar, é preciso aprender a se relacionar, pra ser (boa) gente! Um projeto existencial que desafia a realidade interior da nossa alma a surgir concretamente e com sinceridade no exterior da personalidade da gente. Pois é necessário que logo nos tornemos a pessoa que realmente somos. Ou então, não dá nem pra começar a querer (aprender) a viver. Mas ainda tem mais, pois uma nova e grave questão espiritual acontece assim que começamos a igualar nosso ser exterior com a pessoa interior que quase ninguém conhece. Pois uma pessoa interior plena de dores e mágoas, iras e maldades, vai acabar nos tornando reféns de nós mesmos. Afinal, uma personalidade interior doente irá rapidamente deletar na vida cotidiana, todos os melhores sonhos que poderíamos almejar para a nossa existência neste mundo. Desgraça pouca é bobagem. Mas, não desanime, jamais! Pois ainda existe uma cura existencial da própria personalidade sempre à disposição, para os espirituais de plantão. "Se alguém quiser vir após mim, então negue-se a si mesmo.", disse Jesus. É isso! O maior Profeta da espiritualidade logo ensinou aos homens como tratar seu próprio interior confuso, desafiando-os continuamente à milenar prática piedosa da... confissão, ela mesma. Por que não? Ou seja, aquele que pretende colher flores de sua alma interior assim que a coloca pra existir na sua personalidade exterior, deverá primeiro arrancar de si próprio as sementes de erva venenosa que guarda (bem) escondidas, lá no coração. Enfim, mudar a visão de si mesmo removendo convicções (quase) solidificadas lá na alma da gente, é uma vivência espiritual incomum e bastante revolucionária, experiência bem próxima de uma situação que reinventa grandemente o enredo do filme, logo apontando ao seu final. Mas, fique atento ao filme todo, sim, pois em Blade Runner 2049 as relações existenciais mais verdadeiras acontecem tanto em razão de convívios virtuais, quanto pela descoberta de histórias conjuntas de vida. Nesta última, uma sensível sensação de pertencimento acaba por dominar o cinema, quando compartilhamos do encontro essencial de duas vidas, assim que apenas um "toque" tudo explica e faz acontecer, apenas num instante. Já um certo distanciamento da vaidade que o próprio ambiente tecnológico consegue gerar, acaba criando a mais pura manifestação de intimidade entre dois seres que no lar, finalmente, agora residem juntos. E eis que se tornam, então, uma só carne, de alma. Pois compartilham conversas plenas de detalhes pessoais e sinceros olhares afetivos como poucas vezes assistimos no cinema, e na vida, também. Mas que são reais, certamente, pois se tornam possíveis demais pra todo mundo, assim que dois seres que imaginavam apenas um espaço no planeta ocupar"; em verdade, agora também são (boa) gente. Logo, eles existem. Bom filme!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

a Espiritualidade da CRIAÇÃO da Humanidade: MÃE! com Jennifer LAWRENCE

"No princípio, Deus criou o céu e a terra (...) Deus disse: "Luz!". E a luz apareceu." O filme MÃE! (MOTHER! 2017) é a maior alegoria explicativa das origens existenciais espirituais da CRIAÇÃO do mundo e das razões da PAIXÃO de Cristo que já se viu neste planeta, cinematográfico. Pois afinal, se você nunca entendeu porque Jesus de Nazaré foi torturado até morrer na cruz como a maior consequência dos pecados praticados pela humanidade "com" este mundo; bem, agora, já dá pra começar a saber o tamanho do problema. O diretor Darren Aronofsky já está jogando no time dos autores cinematográficos Roman POLANSKI e Stanley KUBRICK, e com mais uns dois filmes deste naipe ele pode vestir a camisa de titular pra sempre. A técnica cinematográfica como um método autoral que desenvolve a história enquanto muito aprofunda seu drama sempre foi uma tensão narrativa em Polanski e uma inovação constante em Kubrick - e Aronofsky realizou um filme digno e de boa qualidade dentro desta perspectiva artística. Acerca da visão espiritual do enredo do filme, trago o título e um pouco do texto da crítica de cinema Isabela Boscov (Revista VEJA): "No Tumulto da Criação - Estranho, atormentado, extenuante e também formidável: em MÃE!, o diretor Darren Aronofsky ancora na estupenda atuação de Jennifer Lawrence uma alegoria de Gênesis (...) do paraíso que Mãe está moldando para Deus à chegada de Adão e Eva, à tentação do fruto proibido... e à queda do homem, avançando pelo nascimento de Cristo e pela literalidade com que seu sangue e sua carne são consumidos." E o filme segue mesmo por aí, gente. Pois antes e além das particulares visões existenciais do diretor, que são totalmente outras - o fato é que até noventa por cento de MÃE! apresenta a real história (inicial) do mundo segundo a verdade judaico-cristã espiritual da humanidade. Algo que o enredo realiza de uma maneira jamais antes contada, pois é com explosiva intensidade que aproxima temas cosmológicos profundos do mais simplório cotidiano habitual da vida de qualquer um de nós: nossos lares. E mesmo que os 10 minutos finais do filme logo adiante ao nascer do sol, pouco ou nada tenham a ver com o que se sabe de saudáveis espiritualidades - não dá para negar que a conclusão do diretor é digna da torrente de ideias e sensações que ele ousou pensar (filmar) neste estupendo drama que merece, sim, ser assistido. Mas só por adultos, e daqueles bem tranquilos. O negócio é que pra bem representar sua peculiar visão da mais universal história cosmológica dos homens, Aronofsky decidiu "encarnar" na vida cotidiana de um casal afastado das metrópoles sua "simplória" narração objetiva do Alfa e Ômega espiritual da eternidade. Pois na história de MÃE!, embora o Deus bíblico pareça surgir aqui e acolá na pessoa e atitudes da própria, tal perspectiva não se faz a única do filme, não. Isto porque o filme A CABANA, que tão bem resgatou a Trindade divina pra humanidade, torna possível (bem) perceber que a pretensa Mãe natureza do filme, em verdade mesmo, é o próprio Jesus. Ele que tão bem anunciado foi, pelo filósofo e evangelista João, logo no primeiro século: "Antes de tudo, havia a Palavra, a Palavra presente em Deus (...) A Luz da vida brilhou nas trevas; e as trevas nada puderam fazer contra a luz." E olhe que em MÃE!, Deus disse "Luz!", já criando vida no planeta, não apenas uma, mas por duas vezes. E em ambas as situações a luz surge, logo iluminando e se encarnando, assim como o Filho único de Deus na terra, Jesus de Nazaré. Mas se o Deus da Trindade está no filme, a humanidade também não poderia faltar, e esta toma vida em todos os seus tipos e caras no restante do elenco, como se fora uma torre de Babel arruaceira que aparece de todos os lados e buracos pra confundir até a alma dos (cada vez mais) atentos espectadores, no cinema. Em meio a tamanha confusão existencial, eis que a corrupção da vida da humanidade logo provoca, claro, uma urgente chegada do Apocalipse ao nosso mundo (lar da Mãe), posto que a Ira divina (bíblica) reage, sim, à toda corrupção (pecado) dos homens. Juízo eternal que fará todo mal recair exatamente sobre o Filho. Eis a Paixão, então, que significa sofrimento. Tudo no objetivo de que os seres humanos tenham, ainda e sempre, um salvador para eles! Pois quando seu próprio redentor morre, logo lhes oferecendo, assim, a sua própria carne e sangue - então eles próprios já não precisam mais morrer por si mesmos, tá entendendo? Eis a razão pela qual Mel GIBSON pode estar muito bravo (ou então, feliz demais) pela chegada ao cinema deste A Paixão de Cristo 2: MÃE!, que apresenta de novo, como nunca se viu antes, o texto espiritual mais famoso da história da eternidade: "Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna." Boa meditação!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: MÃE!, com JENNIFER LAWRENCE

O diretor Darren ARONOFSKY juntou seus dois últimos filmes, NOÉ e CISNE NEGRO pra realizar MÃE! (MOTHER! 2017), que é uma instigante pancada no estômago; por isso, cuidado! Isto porque MÃE! é a maior alegoria comunitária explicativa das origens espirituais da Criação da humanidade e da PAIXÃO de Cristo que já se viu neste planeta, cinematográfico. Pois afinal, se você nunca entendeu porque Jesus de Nazaré foi torturado até morrer na cruz "desgraçada" como consequência dos pecados praticados pela humanidade "com" este mundo; bem, agora, já dá pra começar a saber (sentir) o tamanho do problema. O diretor Aronofsky já está jogando técnica e criativamente no time dos diretores Roman POLANSKI e Stanley KUBRICK, e com mais uns dois filmes deste naipe ele pode vestir a camisa de titular pra sempre. A técnica cinematográfica como método autoral que desenvolve a história enquanto aprofunda sua dramaticidade sempre foi uma tensão narrativa em Polanski e uma inovação constante em Kubrick - e Aronofsky realizou um filme digno e de boa qualidade dentro desta perspectiva artística; e que lhe venha mesmo o Oscar, por isso. E pra você saber um pouco mais do aspecto "cinema" de MÃE!, indico as críticas de "Aline Pereira" e de Rodrigo Torres (www.adorocinema.com), e aproveito pra incluir aqui o título e parte do texto com que Isabela Boscov (Revista VEJA) tão gravemente expõe a visão espiritual do enredo do filme!: "No Tumulto da Criação - Estranho, atormentado, extenuante e também formidável: em MÃE!, o diretor Darren Aronofsky ancora na estupenda atuação de Jennifer Lawrence uma alegoria de Gênesis (...) do paraíso que Mãe está moldando para Deus à chegada de Adão e Eva, à tentação do fruto proibido... e à queda do homem, avançando pelo nascimento de Cristo e pela literalidade com que seu sangue e sua carne são consumidos." E o filme segue mesmo por aí, gente. Pois antes e além das particulares visões existenciais do diretor, que são totalmente outras - o fato é que até noventa por cento de MÃE! apresenta a real história do mundo segundo a verdade judaico-cristã espiritual da humanidade. Algo que o enredo realiza de uma maneira jamais antes contada, pois é com explosiva intensidade que aproxima temas cosmológicos profundos do mais simplório cotidiano habitual da vida de qualquer um de nós: nossos próprios lares. E mesmo que os 10 minutos finais do filme logo adiante ao nascer do sol, pouco ou nada tenham a ver com o que se sabe de saudáveis espiritualidades - não dá para negar que a conclusão do diretor é digna da torrente de ideias e sensações que ele ousou pensar (filmar) neste estupendo drama que merece, sim, ser assistido. Mas só por adultos, e bem tranquilos. O negócio é que pra bem representar sua peculiar visão da mais universal história cosmológica dos homens, Aronofsky decidiu "encarnar" na vida cotidiana de um casal afastado das metrópoles; mas jamais da realidade, sua "simplória" narração objetiva do Alfa e Ômega espiritual da eternidade. Pois na história de MÃE!, embora o Deus bíblico pareça surgir aqui e acolá na pessoa e atitudes da própria, tal perspectiva não se faz a única do filme, não. Isto porque o filme A CABANA, que tão bem resgatou a Trindade divina pra humanidade, torna possível (bem) perceber que a pretensa Mãe natureza do filme, em verdade mesmo, é o próprio Jesus. Enquanto isso a humanidade igualmente toma vida em todos os seus tipos e caras no restante do elenco, como se fora uma torre de Babel arruaceira que aparece de todos os lados e buracos pra confundir até a alma dos (cada vez mais) atentos espectadores, no cinema. Após a chegada do Apocalipse ao nosso mundo (lar da Mãe), que ocorre no filme em meio a uma criatividade cotidiana inteligentíssima, eis que a Ira divina (bíblica) em reação à corrupção (pecado) dos homens, acaba por recair exatamente sobre o Filho. Tudo no objetivo de que os seres humanos tenham, ainda e sempre, um salvador para eles! Pois quando o próprio redentor deles morre, logo lhes oferecendo, assim, a sua carne e sangue - então eles próprios já não precisam mais morrer por si mesmos, tá entendendo? E até uma ideia bem próxima desta acontece no filme, mais instigante e surpreendente do que só imaginativa e blasfema, entendo eu. De qualquer maneira, a visão mais bíblica existe somente até pouco antes dos 10 minutos finais, lembra? Eis a razão pela qual Mel GIBSON pode estar muito bravo (ou então, feliz demais) pela chegada ao cinema deste A Paixão de Cristo 2: MÃE!, que apresenta de novo, como nunca se viu antes, o texto espiritual mais famoso da história da eternidade: "Porque Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna." Bom filme! Mas, tenha cuidado, hein.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

a Espiritualidade das DOENÇAS da ALMA

"As pessoas saudáveis não precisam de médico, mas sim os doentes.", disse o Profeta Jesus. "Enquanto recusei a confessar o meu pecado, meu corpo definhou, e eu gemia o dia inteiro.", logo explicou o Rei Davi. É isso! Veja que a espiritualidade judaico-cristã entende que alguns dos maiores dramas da nossa alma são, na verdade, enfermidades que nascem assim que entramos em confronto com a própria Pessoa de Deus. Afinal, Jesus deu esta famosa declaração exatamente ao ser questionado da razão de andar perto e ao lado de seres humanos tão... pecadores; ou seja, gente que vivia brigando com Deus. Pessoas que Ele descreveu como sendo aquelas que permanecem em conflito com Deus pelo fato de guardarem consigo algumas enfermidades que surgem primeiro lá no coração (alma) do homem: "... Mas as palavras vêm do coração, e é isso que contamina o homem. Pois do coração vêm maus pensamentos, homicídio, adultério, imoralidade sexual, roubo, mentiras e calúnias. São essas coisas que os contaminam. Comer sem lavar as mãos não os contaminará." Esta declaração surgiu durante uma discussão com alguns líderes religiosos da época que ensinavam que as "mãos sujas" é que eram a principal causa das doenças dos homens e de brigas com Deus; mas Jesus não pensava desse jeito, não. Para ele, a maior das enfermidades espirituais era aquela que vêm direto da alma da gente, e que depois avança pela nossa vida de tal forma que até os nossos ossos faz gemer. Interessante demais é o complemento de Davi pra tudo isso: "Dia e noite, tua mão pesava sobre mim; minha força evaporou como água no calor do verão." Ora, o que o poeta bíblico está explicando é que a própria culpa que está na consciência dos homens e se torna um cansaço existencial no coração das pessoas não é nada mais, nada menos, que a própria voz de Deus avisando que estamos, de verdade mesmo, morrendo espiritualmente enquanto a vida escapa de nós a cada novo dia. Fique atento, então, aos avisos de Deus de que as doenças da alma estão crescendo dentro de você. Não menospreze a voz da sua consciência e jamais fuja de suas culpas, pois elas são como que remédios (divinos) que iniciam a cura das mais graves doenças físicas e espirituais de que se tem notícia: as suas! Pois as doenças da alma que só conseguimos enxergar quando se tornam visíveis pela nossa prática dos pecados do coração, também revelam um estado de vida desgraçado do homem. Isto porque o mesmo Jesus que disse:"procuro misericórdia, não religião"; ainda afirmou: "conhecereis a verdade, e a verdade libertará vocês": pois todo aquele que leva sua vida mantendo em seu corpo as enfermidades do coração, torna-se um escravo do espírito maligno. Logo ele, que é o maior inimigo das nossas almas. Cuidado!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

a Espiritualidade que faz TUDO dar CERTO!

A Espiritualidade que faz tudo dar certo pois não tenho tempo a perder, também é aquela que faz o Universo inteiro conspirar pra que tudo de bom aconteça comigo, certo? E até o Apóstolo São Paulo parece participar dessa conspiração de bons propósitos, pois ensinou que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus", tá entendendo? Bem, mais ou menos. O negócio é que a proposta essencial desta ideia espiritual indica que devemos deixar a vida nos levar pelo movimento "energetico" de um mundo inconsciente, entende? Algo que é praticamente uma negação da nossa natureza humana mais básica, gente. É vero perceber isso, sim. Afinal, o Universo não é consciente, como a gente é. O mundo não é um ser praticante de sensibilidades, como nós somos. E os ventos e tempestades não tem capacidades orientadas e controláveis, como nós temos, aqui, lá e em todo lugar. Pense nisso! Eis a razão pela qual assumir que movimentos irracionais do Universo e atos inconscientes da natureza ocorrem somente pra fazer algo de bom pra você e pra mim; bem, acaba por se tornar um projeto de vida que despreza o que de melhor você e eu temos neste mundo, uai. Que é exatamente a (bela) condição e a (linda) capacidade de gerenciar intelectualmente os passos da nossa alma neste corpo vivente que hoje respira no planeta Terra, sim. A situação é séria demais pra não ser motivo de uma boa reflexão, pois é a tua vida real que está em jogo, por aqui, de verdade. Será que você vai entregar assim de bandeja para o ocaso do acaso teus sentimentos e projeções - lutando para acreditar, por alguns minutos que sejam, que "tudo" vai dar mesmo certo, lá no final? E não esqueça que ainda tem o "durante"? Cuidado! Lembre que a promessa do Apóstolo Paulo é bem diferente do que confiar que o Universo vai se mover ao teu bel prazer, cara. Vamos refletir um pouco no que ele disse: "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" é uma convocação e desafio pra confiar no Deus Pai onisciente (sabe tudo), onipresente (de tudo participa) e onipotente (tudo pode). Isto significa, só pra começar, que Deus é uma Pessoa; bastante racional e consciente. Mas que vai muito além disso, pois Ele tem uma personalidade coerente e determinada por suas razões e planos, sentimentos e ações, todos inteligentes demais pra serem, irracionais. Eis um bom motivo pra você não negar desse jeito tua própria natureza humana racional, só pra deixar pra lá tua consciência espiritual inteligente, bem na hora (fundamental) de escolher os projetos e pessoas que irão construir tua história, meu rapaz... Melhor mesmo é logo encarar essa vida diária que urge bem diante de nós, buscando princípios e exemplos que revelam que até as longas decisões surpreendentes sempre realizam mais que rápidos abandonos inconscientes. Pois, afinal, o objetivo por aqui é fazer tua vida andar realmente pra frente, certo? Cuide bem da tua (humana) Espiritualidade, então!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

a Espiritualidade da CULPA e da Consciência

"As pessoas saudáveis não precisam de médico, mas sim os doentes.", disse o Profeta Jesus. "Enquanto me recusei a confessar meu pecado, meu corpo definhou, e eu gemia o dia inteiro.", explicou o Rei Davi. É isso! Veja que a espiritualidade judaico-cristã entende que alguns dos maiores dramas da nossa consciência e alma são, na verdade, enfermidades originárias da nossa essencial relação com Deus - assim que ela se quebra. Afinal, Jesus deu essa sua famosa declaração exatamente ao ser questionado da razão de andar pra lá e pra cá junto de seres humanos... pecadores! Os mesmos que Ele descreveu como sendo as pessoas que tem enfermidades que aparecem primeiro lá no coração do homem: "... Mas as palavras vêm do coração, e é isso que contamina o homem. Pois do coração vêm maus pensamentos, homicídio, adultério, imoralidade sexual, roubo, mentiras e calúnias. São essas coisas que os contaminam. Comer sem lavar as mãos não os contaminará." E o maior dos salmistas, Davi, segue adiante na descrição das razões e dos sintomas das doenças, tanto as da alma quanto as do corpo: "Dia e noite, tua mão pesava sobre mim; minha força evaporou como água no calor do verão." Eta ferro! Quer dizer que não apenas os nossos pecados são, então, enfermidades da alma, já que iniciam lá no coração da gente. Mas, bem mais do que isso, até a consciência (pesada) que deles temos é a própria mão de Deus (re)pousada sobre nós? Ô louco... Mas, sabe o que é (muito) interessante em tudo isso, hein? Já lhe digo. É quando Jesus chama de "cegos guiando outros cegos" aos religiosos da época que consideravam que ter "mãos sujas" é que era a principal doença espiritual da sociedade. Pois não era essa, não, gente. A maior das enfermidades era aquela que vêm direto do coração e da alma, sim - tudo aquilo, enfim, que torna o homem impuro em seu viver, tentando no mundo acontecer. Daí que o Espírito de Deus inicia direto lá na nossa alma (consciência) o aviso (tratamento) de que estamos doentes (de coração), por que não? Tá entendendo... Sim, é por aí mesmo. A culpa que aparece na consciência e se instala como insatisfação existencial no coração dos seres humanos é a própria voz de Deus nos ouvidos da humanidade, avisando que estamos, então... morrendo espiritualmente, vivendo quase como zumbis. Deus não é um cego a nos guiar e também não vai deixar isso acontecer conosco, assim, de qualquer jeito, sem avisos e afetos. Pois não é um "Pai" irresponsável da humanidade, muito pelo contrário. Portanto, não menospreze a sua consciência e jamais fuja das suas culpas, pois elas são os remédios (divinos) que iniciam a cura das mais graves doenças espirituais e físicas que se tem notícia, as nossas! "Procuro misericórdia, não religião", disse Jesus.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

a Espiritualidade no Cinema: TERRA das SOMBRAS, a vida de C S LEWIS

Dizem que Deus chama as pessoas para viverem suas vidas com um propósito bem definido. E quando elas decidem amar a Deus através da obediência a este chamado, Ele também faz todas as coisas cooperarem para o bem delas durante essa caminhada existencial única pra si mesmas. Estas pessoas passam a ter um objetivo tão importante na vida que até o Espírito de Deus intercede por elas para que permaneçam firmes e dentro da vontade de Deus enquanto vão vivendo suas histórias neste mundo. Agora, imagine que o propósito de Deus para uma certa situação da sua vida não é bem aquele que você pensa ser o seu objetivo mais importante naquele momento? Pois é, eis a razão pela qual assistir ao filme TERRA DAS SOMBRAS é quase uma obrigação para os "espirituais" de plantão, pois a mais profunda experiência espiritual existencial do renomado autor das "Crônicas de NARNIA" é a essência da história do filme. Nas próprias palavras de Clive Staples Lewis, o que ele descobriu durante o período em que sua vida virou do avesso foi que as suas "orações não mudam a Deus", mas sim, mudam ele mesmo, isso sim. O que não quer dizer que boas orações não façam Deus mover suas mãos pra lá e pra cá, pois, sem dúvida, isto realizam. Mas, aqui, o princípio espiritual é outro. E vale muito a pena prestar uma boa atenção nele, acredite. A situação de vida de C S Lewis narrada pelo filme não poderia ser mais dolorosa e complexa, pois desenvolve o drama que acometeu a própria esposa do escritor britânico, conforme bem explica a sinopse: "O escritor inglês C.S. Lewis é um solteiro convicto até se apaixonar pela poeta americana Joy Gresham. O romance é intenso e surpreendente. Quando Joy descobre que tem câncer, o casal se une ainda mais para criar sua própria versão do paraíso." O filme foi lançado no natal de 1993, e teve a direção de Richard Attenborough (Ghandi). Trata-se de um drama existencial espiritual maravilhoso, abrilhantado pela atuação de um dos maiores atores do século passado, Sir Anthony Hopkins. A cena espiritual crucial do filme que direciona a compreensão deste momento da vida de C S Lewis ocorre assim que sua esposa Joy Gresham retorna pra casa após uma etapa do tratamento médico. A saúde dela melhorou e com satisfação um sacerdote que acompanha C S Lewis comenta que ele deve estar muito feliz naquele momento, pois afinal, Deus finalmente "ouviu suas orações" e sua esposa sente-se bem. Eis o momento, amigos, em que a porca chamada história (espiritual) torce o rabo, sim. Pois só mesmo alguém como C S Lewis pra saber e responder com tal clareza e profundidade espirituais à fundamental questão que o comentário do amigo sacerdote faz surgir na alma dos espirituais. Afinal, estamos acostumados a buscar renovo espiritual e bênçãos divinas no objetivo de logo resolver as situações difíceis que vivenciamos. Muitas vezes nos é difícil aceitar que receber "somente" um consolo interior e boa paz mental sejam, igualmente, bênçãos grandiosas e mui importantes pra restaurar nossa alma cansada, e nos fazer continuar. No entanto, a afirmação do marido Lewis ao sacerdote expõe e valoriza exatamente este precioso valor espiritual à nossa geração: "Eu oro porque não posso ajudar a mim mesmo... Isso não muda a Deus, muda a mim." E acrescentou que jamais viveria ainda consciente e equilibrado toda aquela situação de tão grave doença familiar, se o próprio Deus não o mantivesse assim, forte e renovado para cada novo dia de vida, e lutas. Segue a afirmação completa de C S Lewis sobre esta experiência de resiliência e esperança em tempos de tribulação: "Eu oro porque não posso ajudar a mim mesmo. Eu oro porque sou indefeso. Eu oro porque a necessidade flui de mim o tempo todo, andando e dormindo. Isso não muda a Deus, muda a mim...". É isso! O que o autor das Crônicas de Narnia experimentou e entendeu é que a vida não existe apenas para conseguirmos dela o que imaginamos que ela deve ser. Da mesma forma que o próprio Deus não anda por aí somente pra deixar eu e você à deriva pela vida cercados de bênçãos só protetoras. Pois desse jeito seriamos apenas alunos espirituais que pouco aprendem e nada amadurecem durante esta importante jornada existencial de quase todo mundo. Pois, afinal, todos sabemos que a vida não é realmente fácil pra ninguém e que todos - todo mundo mesmo, passa por experiências profundas de perdas e dores que tanto entristecem sobremaneira alguns, como até derrubam pra valer tantos outros, que quase ficam pelo caminho. Em meio a essa realidade de uma vida de aflições que repete-se na história de todos nós, o que C S Lewis experimentou foi uma "bênção" espiritual um pouco diferente daquela que estamos acostumados a buscar, e crer. O que aconteceu foi que Lewis foi visitado por uma presença espiritual motivadora em si mesmo, a fim de não apenas crescer como o homem que sempre quis ser, como bem mais do que isso até, ele foi capacitado (empoderado) para virar o marido que sequer tinha noção de que poderia um dia se tornar. Ocorre que C S Lewis entendeu que o propósito maior que Deus tinha para sua vida naquele momento acabou se revelando bem diferente do objetivo inicial que o fez casar-se e jurar compromisso com a sua esposa. Tá entendendo? A sobriedade e rotina amistosas de uma vida de casal organizada a partir de uma ética digna conjugal não seriam suficientes para que Lewis experimentasse em seu relacionamento com Joy tudo o que Deus tinha determinado para a história deles nesta vida. A dor que faz parte da vida de todos nós acabou transformando um homem instruído doutrinalmente em um ser humano sensível espiritualmente - pois dependente de seus relacionamentos com Deus até pra conseguir levantar da cama a cada novo dia. Que baita aprendizado existencial, não é mesmo? Dizem que todas as coisas cooperam para o bem das pessoas que amam a Deus, pois respondem afirmativamente ao chamado de Deus para viverem suas vidas com um propósito maior do que elas mesmas. Os novos objetivos de vida destas pessoas são tão importantes que até o Espírito de Deus intercede por elas para que continuem firmes dentro destes planos de Deus enquanto vão vivendo suas histórias. Enfim, para que tais bênçãos espirituais ocorram também conosco, é necessário duas coisas: é preciso logo se aproximar de Deus e da sua vontade. E principalmente, é necessário criar o costume de fazer conhecidas de Deus (através de orações e súplicas) todas as nossas angústias e ansiedades. Pois este é um dos bons "meios" através dos quais Deus faz seu próprio Espírito Santo agir "dentro" de nossos sentimentos e ideias a fim de nos manter firmes na (boa) vontade existencial dele para nós! Bom filme.

sábado, 2 de setembro de 2017

a Espiritualidade dos GREGOS e ROMANOS

Não é de hoje que a humanidade aproxima o racional do espiritual pra tentar resolver a confusão em que se encontra desde sempre a vida de todo mundo neste planeta. Até os clássicos gregos sempre incluíam a alma humana e o "além" como personagens importantes na tentativa de resolver as dificeis questões que percebiam ao parar pra imaginar a vida da gente. Quase todos que sonharam uma solução pra nossa existência, também decidiram pensar tudo junto; corpo, alma e cultura. Vamos imaginar, então, que há três grupos de cidadãos pensando a existência da gente, espiritualmente. Nem que seja, também, em busca da energia. Os gregos são "aqueles" que sempre desejam acertar as diferenças da humanidade e as angústias de alguns pela descoberta de uma ideia e sentimento que seriam universais, só pra unificar quase todo mundo e assim aquietar o povo, todo. Os romanos olhavam os céus e além do horizonte em que existe um lugar, esperando (quase) sempre por alguns milagres pra garantir a continuidade de si mesmos e a prosperidade da vida, sem esquecer de suas propriedades e lazeres, que ninguém é de ferro. Os gregos da sabedoria especulativa e os romanos dos milagres religiosos continuam atuantes entre nós, desde sempre. Pois somos todos uma mesma humanidade, ou quase todo mundo é um pouco desse jeito, pelo menos. Os "romanos" são aquela (boa) gente da humanidade que acredita na religião, e por isso mesmo sempre sabem algo acerca desse negócio da alma e do além, milagres e bênçãos. Eles vivem (quase) sempre com um olho no peixe (céu) e outro no gato (terra). Lutando dia a dia pra manter o que se tem, enquanto esperam que a ajuda que lhes falta, nos socorra rápido lá do além. Pois afinal, Deus ajuda (sim) quem cedo madruga, ou bem tarde vai dormir pra trabalhar. O povo brasileiro é profundamente "romano", pois quase todo mundo tem uma interessante religião ocidental por aqui pra chamar de sua. Seja ela evangélica ou espírita, católica ou pentecostal. Algo que não é ruim, não. Os "gregos" também são boa gente, e não desprezam facilmente a metafísica. Pois todo mundo vive um pouco a partir do sobrenatural neste mundo latino ocidental recheado da clássica sabedoria transcendental. Só que suas mentes e corações mais analisam e desenvolvem - sem parar, aquelas reflexões e argumentos que tem um objetivo mais definido: a busca de uma boa (qualquer) unidade que seja, pra humanidade. Só pra oferecer pra quase todo mundo um projeto promissor e de esperança nestes dias de pouca bonança. Isso é bondade, também. Às vezes os romanos e gregos até se tornam um só, como quando unem organizadas doutrinas com especulações filosóficas sobrenaturais, sempre num projeto unificador de bondade universal, como faz a maçonaria. Mas, será que existe algum outro projeto espiritual pra conhecer aqui pela nossa região? Algo diferente e distinto dos desafios mentais sobrenaturais organizados pelos gregos e romanos? Bem, foi o Apóstolo São Paulo que afirmou ser um conhecedor entre nós da tal mensagem da "pregação", algo espiritual que só, dizia ele. Alias, Paulo era um cidadão grego-romano, veja só, que chique. Segundo São Paulo, a "pregação" é um convite relacional existencial espiritual que promove... mudança da personalidade! O cidadão é convocado a rever suas atitudes a partir de leituras e encontros místicos imediatos do terceiro grau. O símbolo visível e terráqueo dessa "justiça espiritual" é a água (batismal) que tanto limpa o corpo físico da gente, ao mesmo tempo que penetra até o interior dos ossos (espírito) de quase todo mundo que por aqui se lava. Coisas do Profeta Jesus, como sempre esclareceu o Apóstolo. Algo bom de se conhecer, claro, desde que o sujeito esteja disposto a comparecer consigo mesmo na mística "conversação", espiritual. O que não é algo simples de se viver, não. Mas, fica a dica, então, pois conforme (bem) explica Eugene Peterson, assim que o Espírito Santo aparece, então, algo novo acontece, e "tudo que temos - cabeça no lugar, vida correta, pecados perdoados e novo início - vem de Deus, por meio de Jesus Cristo." É isso! E uma boa espiritualidade pra quase todo mundo.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

a Espiritualidade da AUTORIDADE, no Cinema: PLANETA DOS MACACOS, A GUERRA

Se "cada um é eternamente responsável por aquilo que cativa", imagina, então, a responsabilidade que temos com aqueles que criamos? Eis o desafio espiritual que surge no cotidiano assim que lideramos alguém, que já chega aguardando aprender conosco o que fazer nesta vida pra nela dar certo. É isso! Falamos aqui da Espiritualidade da Autoridade - uma responsabilidade existencial daquelas pra nós que somos os seres racionais mais amadurecidos da região. Nem que seja da região lá de casa, afinal. Eis o tema maior pelo que o instigante filme PLANETA DOS MACACOS, A GUERRA mobiliza sentimentos e reflexões acerca da nossa real capacidade e pretensa condição de sermos boas autoridades "de vida" neste planeta. Pois, como já dizia meu professor de docência, "é preciso dar conta!"; pois agir com responsabilidade é a essência da personalidade daquele que assume ser autoridade de alguma coisa perante o outro. Enfim, eis que o terceiro (e melhor) filme da série Planeta dos MACACOS bem nos apresenta como a GUERRA e a opressão se tornam - de novo e quase sempre, a mais rápida escolha e decisão daquele que "precisa" governar o próximo. Pois é por aí que se move a superioridade humana na hora de decidir dar conta da "igual" presença existencial em nosso planeta de macacos inteligentes, que agora são. Uma análise crítica que indico é a de Mario Bastos: "Um épico de nosso tempo. Um trabalho que discute a natureza humana, temas políticos e profundas relações entre os seres, e desses seres com o mundo" (pocilga). E destaco alguns bons pensamentos da análise de Natalia Bridi: "Ironicamente, Planeta dos Macacos é uma das franquias mais humanas da cultura pop. Sua discussão sensível sobre evolução, intelecto e dominação toca fundo nas falhas da humanidade. A ascensão dos símios e a decadência dos homens leva à reflexão sobre esses erros e a uma torcida sincera contra a própria espécie.(...) A influência de filmes como Apocalipse Now, A Ponte do Rio Kwai e Os Dez Mandamentos é explícita. Nessa amálgama de gêneros, Reeves, que assina o roteiro com Mark Bomback, conta uma história épica sem cair em maniqueísmos e vai muito além da promessa de guerra do título. O Coronel não é mero vilão na sua oposição a César, assim como o herói não é perfeito ou infalível. O encontro dos dois expõe a natureza complexa que determina a “humanidade” na busca pela sobrevivência.(...) Planeta dos Macacos: A Guerra é uma experiência cinematográfica de qualidade técnica e alcance dramático. É o retorno do cinema clássico em embalagem tecnológica, feito para entreter, mas sem menosprezar seu público. A história de César não vai embora com o rolar dos créditos."(omelete) Mas afinal, e finalmente, de que maneira nossa racional espiritualidade coerente e nossa espiritual racionalidade razoável irão nos dar a condição de, enquanto autoridades sapiens, praticar uma responsabilidade bendita sobre aqueles que dominamos por aí? Tá entendendo? Pois a humana raça racional permanece sendo a única espécie "cabeça" deste mundo e criação - pelo menos aqui embaixo, na terra. O que faz da nossa convivência social uma relação cheia de autoridades, aqui, lá e em todo lugar; seja como pais e professores, chefes e policiais, juizes e governantes. Pois são eles (nós) que carregam o bastão de "autoridade" uns dos outros planeta adentro, só pra conduzir a humanidade até a maioridade. Que coisa, hein! Bem melhor que a anarquia, penso eu. Mas, será que o espírito nosso de cada dia tá pronto, pra tanto? Ou as vaidades da ira física e emocional seguirão, ainda e adiante da humanidade, esmagando os espíritos de nossos "filhos"? Tanto os naturais como os relacionais, não importa quais. Bem, é a partir daqui que os Espirituais se movem pra frente com uma melhor amplitude existencial, se é que me entende. Pois o reconhecimento de que somos todos, pessoas espirituais, é o que possibilita saber que nossa razão não é um mero "instinto" animal desenvolvido, mas sim, a essência da nossa personalidade físico-espiritual, humanoide. Portanto, sempre dá pra melhorar - de autoridade. Buscando princípios e experiências que nos tornem maiores que o "meio" em que vivemos, e melhores que os ídolos que temos. E na história dos aprendizados da Espiritualidade destaca-se o Profeta Jesus, que ensinou que a boa Autoridade tambem se constrói como se fora um serviço disponibilizado ao outro. Em um relacionamento de maior presença e sinceridade que se contrapõe ao governo das ordens sempre dadas à distância, tanto a física, quanto também a da pior das distâncias, que é a relacional. Pois responsavelmente escuta e absorve pra então orientar e exemplificar, "servindo" assim aos outros enquanto junto se vive. Eis como se cria uma relação de autoridade através de conselhos e abraços, afirmações e atitudes, fazendo às vezes de um garçom, sim, só que de alimentos existenciais, pra vida. Tudo construído com bastante afinidade e interesse, que é o que torna real entre nós a tal da boa Autoridade. Uma postura ética de ensino existencial prático que Jesus abraçava com tal honestidade que o tornou reconhecido entre os homens como um homem de autoridade, enquanto ensinava vida! Não é fácil, nem simples; mas já existe, de verdade, no meio da humanidade. Cuide-se, melhor, então, pois é possível dar conta. Sim!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

a Espiritualidade da ETERNIDADE na Humanidade

Será que a angústia do ser humano com a morte tem a ver somente com a questão do dia em que iremos falecer na Terra? Eis uma boa e interessante pergunta, até porque quando o Sábio Salomão analisou o vai e volta da natureza e da história humana, entendeu que o motivo de quase tudo ser praticamente "sem sentido" pra nós, era porque nada de novo parecia acontecer debaixo do céu por aqui. Mas não foi apenas isso que ele viu e anotou, não. Salomao percebeu que também havia tempo pra tudo debaixo do sol aqui na terra, como hora de viver e de morrer, hora de abraçar e afastar, e que Deus até colocou no homem um "senso de eternidade." É isso! Veja que esse tal "senso" de eternidade é, de verdade mesmo, uma sensação real que o nosso espírito carrega bem lá dentro de (todos) nós acerca da nossa existência que vai adiante do espaço e do tempo que vemos por aqui. Eis, então, uma verdade espiritual de quase todo mundo que expõe a razão de certa ansiedade constante e preocupação permanente que temos a respeito da morte humana (nossa) de cada dia. E agora, José? Bem, ponto para os Espirituais, pois quando acreditam que há um espírito no homem, também visualizam vida além do que se enxerga, ora bolas. E pra não ficar só na (interessante) idéia de que somos mais que um (bom) pedaço de carne entre ossos, importa logo descobrir a existência desse "senso" de eternidade enquanto ainda estamos por aqui. Nem que seja só pra aumentar nossa tranquilidade assim que pensamos (e vemos) a morte diária da humanidade. Penso nisso como algo fundamental, pois só descobrindo sinais da vida eterna hoje é que iremos bem nos preparar pra eternidade que será nossa um dia. Neste sentido, o que o Sábio Salomão chama de "senso de eternidade" é a mesma coisa que teólogos definem como "senso de religiosidade", sendo também, algo que o Apóstolo São Paulo declarou ser a "consciência moral" no homem. O que significa que tudo "isso" junto, e mais algumas coisas, são sensaçoes nossas que, sim, tem a ver com o espírito que respira no ser humano. Agora e sempre, até a eternidade. Portanto, alguns (razoáveis) bons primeiros passos pra você tratar essa sua ansiedade quase depressiva existencial, enquanto, ao mesmo tempo, desenvolve sua espiritualidade eterna natural, passa exatamente por dar uma boa olhada em si mesmo no que se refere à sua religiosidade e consciência moral. Ao investigar propostas e praticar experiências relacionadas a estas suas sensações e pensamentos, você irá se envolver de maneira coerente com seu "senso de eternidade". Inicie por aí, e boa viagem na sua espiritualidade.

sábado, 29 de julho de 2017

a Espiritualidade da DIGNIDADE do ser HUMANO, no Cinema: DUNKIRK

Chegou no final de julho aos cinemas brasileiros o mais novo filme do diretor que fez de BATMAN a melhor série de super heróis desde sempre. E o que Christopher NOLAN nos faz vivenciar é mais do que uma realista e seminal experiência de dramas humanos (o que já seria o bastante). Pois a essência espiritual da história de DUNKIRK (2017) resgata o melhor potencial e uma rara grandeza do caráter da nossa espécie, já que é a dignidade dos seres humanos que se agiganta enquanto valor da alma assim que cidadãos britânicos comuns (mulheres e idosos) assumem a tarefa de resgate mais espetacular da história das guerras dos homens. O enredo de Christopher Nolan deveria ser indicado para melhor roteiro da Academia pois bem condensa e finaliza em 1 hora e 47 minutos a completude de uma verdade histórica única, e NOLAN deveria logo levar pra casa o Oscar de melhor diretor pois brilhantemente nos conduz através do filme direto até as praias da França no início da segunda guerra mundial. E ainda que não seja fácil partilhar da tensão e ansiedade constantes que somente soldados dentro da batalha vivenciam, é exatamente essa a experiência de vida que o (muito bom) diretor vai nos proporcionar, de verdade. A história de DUNKIRK é a da Operação Dínamo que evacuou mais de 300 mil soldados ingleses e franceses assim que estes foram encurralados na praia pelo exército alemão em junho de 1940. E a Espiritualidade da DIGNIDADE da nossa (nem sempre) decente espécie humana acontece de novo na História assim que jovens e idosos, mulheres e adolescentes deixam a Inglaterra em seus barcos e lanchas só pra resgatar a vida de milhares de soldados militares - assumindo sobre sua cidadania de civis uma guerra real e sangrenta, custe o que custar. E o que se entrega em nome do próximo é simplesmente o cotidiano vivencial e até a vida total destas pessoas comuns que se revelam seres humanos excelentes enquanto praticam uma fraternidade sacrificial. Uma dignidade fraterna humana enquanto valor espiritual interior da nossa espécie que surge tanto na intransigente dedicação à missão do piloto Farrier Tom HARDY (Mad Max), como na determinação prudente e destemida do capitão de barco Dawson Mark RYLANCE (Ponte para Espiões). A produtora Emma Thomás esclarece o diferencial narrativo do roteiro: "Eu diria que uma das coisas diferentes desse filme é que é uma obra focada nas experiências pelas quais os personagens passam... É uma enorme operação militar, mas que teve papel fundamental de civis." (Revista Rolling Stone, julho/17) A alma humana se sobressai nesta história única de sacrifício da tranquilidade cotidiana em nome da fraternidade existencial da humanidade, e o diretor NOLAN é o principal responsável, sim, por nós permitir "viver" intensamente os bons sentimentos e as tensas sensações que aos homens de bem (ainda) é possível partilhar nesta vida físico-espiritual que se avizinha diante de nós. Foi o crítico Bruno Carmelo quem bem explicou as qualidades da direção do filme (adoro cinema): "Ao invés de captar as cenas com distância contemplativa, a câmera se posiciona no meio da ação, entre os soldados espremidos na areia ou no fundo do mar, quando um navio explode. A imersão é tão eficiente que relembra a capacidade do cinema em 2D de explorar sensações tão bem quanto qualquer 3D. Paralelamente, a trilha sonora de Hans Zimmer, com seus violinos tensos, consegue compor uma melodia convergente com as explosões e os motores de avião, a ponto de se tornar difícil separar música de ruídos. Cada enquadramento, cada movimento, cada som é muitíssimo bem pensado e executado." Enfim, amigos, se o bom Deus nos criou mesmo à sua imagem e semelhança no necessário propósito de bem governarmos o planeta e melhor cuidarmos uns dos outros; eis que foi em 1940 que os cidadãos britânicos mais simples resgataram e desenvolveram, também, esta célula espiritual que o próprio Criador plantou em nós todos desde o início dos tempos, espirituais: a Dignidade existencial dos homens! Ótimo filme pra você!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

a Espiritualidade dos ANJOS da GUARDA, no Cinema

"Ele ordenou a seus anjos que o guardem para onde quer que você vá." É isso. O salmo 91 da página que quase todo mundo deixa aberta em seus lares e comércio é um poema clamando pela ajuda de Deus diante da ameaça das guerras e pragas. E quem é que virá para socorrer os homens? Sim, eles mesmos, os anjos, de Deus! E já que vamos aproveitar histórias de cinema pra pensar a Espiritualidade dos Anjos (da Guarda) que nos protegem, lembremos aqui de dois bons filmes: "CIDADE DOS ANJOS", com Meg Ryan e Nicolas Cage, de Brad Silberling, 1998; e "UM CONTO DO DESTINO", com Colin Farrell e Russell Crowe, de Akiva Goldsman, 2014. Bruno Carmelo nos oferece boa sinopse e análise de "Um Conto...", no blog adorocinema: "Antes de entrar na sala de cinema, deixe o cinismo do lado de fora”. Essas foram as palavras dos atores Colin Farrell e Jessica Brown Findlay em uma das entrevistas sobre Um Conto do Destino. Os dois provavelmente já previam alguma dificuldade para o público aceitar a história (...) De fato, apesar de o livro original ser popular e respeitado nos Estados Unidos, a versão cinematográfica adota tão cegamente o tom fantástico que só pode ser aceita por um espectador profunda e sinceramente romântico... Os conceitos elaborados pelo diretor Akiva Goldsman e sua equipe não ficam nada claros, mas se existe um verdadeiro mérito nesta história atípica, é nadar contra a norma de Hollywood e acreditar no sucesso de um tipo de magia e ilusionismo que a indústria abandonou há muito tempo." E acerca do bacana e romântico "Cidade dos Anjos", vale lembrar que se trata de uma refilmagem do belo Asas do Desejo, filme alemão de Wim Wenders. O filme inicia e termina com interessantes cenas angelicais, e a primeira delas retrata a verdade espiritual de que nossa alma é acompanhada por anjos daqui para outra dimensão assim que morremos, momento no filme em que o anjo Seth NIcolas CAGE conhece e se apaixona pela médica Maggie Meg RYAN. Eis a história de amor que o Anjo tudo vai oferecer pra viver, até a sua eternidade, se possível. Em meio a tudo isso, acontecem alguns encontros espirituais interessantes entre homens e anjos, quase sempre de forma invisível. Há cenas diversas em que os Anjos de "Cidade..." atuam pra proteger os seres humanos, algo bastante real e verdadeiro conforme ensina a Espiritualidade Judaico-Cristã, pois desde sempre Deus envia seus Anjos dos Céus até a Terra a fim de cuidar das pessoas e também pra promover certas atividades que são do interesse de Deus por aqui. Eis a razão pela qual a crença de que há Anjos da GUARDA agindo por aí é uma boa ideia espiritual, sim, sendo inclusive, algo acessível a todos nós; pois o Profeta Jesus nos ensina na oração do Pai Nosso o que deve-se fazer para espiritualmente se proteger, hoje em dia: simples. Ora, é preciso pedir a Deus para "Não nos deixar cair em tentação", e também para que "Ele nos livre do mal!" Eis o bom pedido. Uma necessidade nossa que Deus vai logo responder através de seus mensageiros celestiais, pois boa parte da nossa proteção cotidiana depende deles mesmos - dos Anjos da Guarda, de Deus, entre os homens. Já a atuação angelical na aventura fantástica "Um Conto do Destino" se desenvolve de uma forma mais mágica, pois os próprios seres humanos é que são enviados para proteger uns aos outros, certas vezes - fazendo às vezes de Anjos da Guarda de Deus sobre a humanidade. Um jeito interessante e perspicaz com que o enredo tenta dramaticamente nos envolver junto da real ação angelical protetora invisível de Deus que ocorre costumeiramente por aqui. Ao mesmo tempo, o filme apresenta alguns anjos do Mal movendo-se pelo nosso mundo; outra boa verdade espiritual da nossa existência por aqui - que no filme é um Anjo mesmo, ou demônio, como bem ensinam as Escrituras. Enfim, eis dois bons e interessantes filmes pra refletir algumas realidades espirituais de quase todo mundo. Pois certamente não estamos sozinhos neste mundo, como se fossemos a única espécie com personalidade consciente e moral por aqui - pois há Anjos entre nós, de verdade. Algo que vale muito a pena entender espiritualmente é que a Pessoa de Deus age de muitos jeitos e diversas maneiras para governar a vida humana e a própria natureza da Terra - eis o modo pelo qual entendemos que os Anjos são divinos mensageiros espirituais nesta criação. Não é nada, não é nada, já se sabe melhor o que um bom "Livra-nos do Mal" pode realizar, por aqui. Por que não? Bons filmes.

terça-feira, 25 de julho de 2017

a Espiritualidade da INTIMIDADE dos Casais, no Cinema: Á BEIRA MAR

A atriz Angelina Jolie buscou um olhar europeu de contemplação da vida enquanto proposta narrativa de seu último filme como diretora: À BEIRA MAR, 2015, em que atuou, também, seu ex-marido Brad Pitt. O que realizou contando a história de amor interrompido do casal Vanessa e Roland, drama exposto assim que um novo casal aquecido de amores em lua de mel se hospeda junto deles num hotel litorâneo da França. Mas os anseios técnico-cinematográficos de Angelina ficaram pelo meio do caminho, como bem observou Caio Pimenta, da "cineset": "À Beira Mar, entretanto, não deixa espaços para desenvolver o drama de seus personagens. A opção por sempre fazer cenas curtas, quando a sequência pede paciência para trabalhar gestos ou reações, mata o filme. Cada corte representa o fim da possibilidade de tensão, dando uma pretensa fluidez desnecessária, justo em momentos que deveriam causar desconforto semelhante ao vivido pelo casal protagonista. É como se a ideia fosse para soar como Antonioni e a execução tivesse influência de Michael Bay.". Enfim, ainda que o filme apresente algumas dificuldades no seu desenvolvimento narrativo, nem tudo está perdido, afinal. Até porque o nosso interesse aqui é a Espiritualidade, e algumas reflexões relevantes surgem na história deste casal que perdeu três filhos logo no início da gravidez, em razão da esterilidade da protagonista... A partir daí, o tema primordial que o filme desenvolve é a percepção de que certos acontecimentos passados de nossa história tornam-se definidores dos dias futuros. Pois certas ocorrências da vida são como que sentenças condenatórias da maneira como iremos nos portar nas situações porvir da nossa existência. E o primeiro drama que vemos acontecer dentro deste contexto é o que surge a partir da vivência sexual do casal protagonista. Uma intimidade relacional que se tornou vazia e inexistente pra eles, posto que foi tragada pela tragédia dos filhos gerados e não nascidos. Não há dúvida de que a dor de um casal que não alcançou o sonho do filho próprio é uma sequela que vai provocar consequências sérias e duradouras, o que é muito compreensível. O que salta aos olhos é o quanto as experiências de morte relacionadas às relações sexuais do casal, acabam apagando, também, seus afetos íntimos. De alguma forma, estamos diante de mais um revés premeditado da supervalorização da sexualidade humana que observamos ocorrer nas últimas décadas. Pois o trauma conjugal se instala na própria relação sexual do casal, já que a intimidade que deveria gerar filhos - ao não fazê-lo, transformou-se no drama que impede a mulher agora, de ser esposa. A consequência é uma atitude de grave desprezo à relação sexual, pois tal experiência é castrada da vida comum do casal. Do mesmo modo que da alma se deseja retirar os traumas da perda dos filhos sequer nascidos. A ironia da situação é que uma decisão que aparenta originar de uma atitude de desprezo da sexualidade; é, na verdade, um fruto da sua supervalorização. Pois é necessário alguém valorizar demais o sexo, definindo-o como algo superior, para então, negar a si próprio sua experiência, a partir de desgraças e dores relacionadas à sua prática. Daí origina a decisão de negar a si mesmo tal experiência íntima, já que dela não se permite mais participar, pois incapaz de partilha-la no sentimento de doação que considera ideal à sua vivência. Eis um engano que não poderia ser maior. Pois a experiência sexual - conforme ensina a boa e saudável espiritualidade, é tão somente o momento, em ato final, de um encontro relacional afetivo construído através de olhares e toques, abraços e beijos, afetos e carícias, até que se alcance o contato íntimo total. Existe algo mais simples, e natural, do que isso, numa relação de afetividade entre um homem e uma mulher? Mas o contrário também ocorre, pois há aqueles que supervalorizam a sexualidade a ponto de buscar sua prática de mil jeitos, e caras e bocas. Só que o resultado que alcançam de suas variadas e criativas experiências, é que nisso muito se viciam. Ao mesmo tempo, também, que pouca satisfação disso obtém. Ficarão cheios de muita paixão, e com pouco amor, no final. E com uma só consequência para ambas as situações: a perda da intimidade sexual do casal, em razão do desconforto que agora os une. Uma boa indicação de saúde afetiva para ambos os casos é seguir o princípio espiritual da intimidade sexual; que constrói uma melhor relação conjugal através de uma natural progressão das carícias entre o casal. Mas o filme não é feito apenas de experiências traumáticas da humanidade, como se a desgraça fosse uma consequência certa da vida, sempre transformando perdas do passado em dores (eternas) do presente. Pois há um velho homem do vilarejo que não se deixou dominar pelos destinos traumáticos das perdas passadas. O bom coração do proprietário de restaurante quase bonachão sempre recorda de sua falecida esposa, mas isso é algo que experimenta de jeito e maneira saudáveis, demais. Ele nem deixa sua esposa cair no esquecimento, como igualmente não despreza seus relacionamentos atuais. A valorização habitual da antiga vida conjugal, não impede sua alma de permanecer sensível às novas situações e pessoas que a vida continua lhe trazendo pra conhecer, e conviver. A capacidade de seguir adiante com a vida mantendo na alma o que de bom já se viveu. E a condição de olhar com esperança o futuro, cheio de boas expectativas para o que um dia virá, torna-se, então, um bom princípio espiritual existencial da história. Pensamento que o próprio personagem escritor parece reconhecer ao findar do livro, e do filme. Algo que ele anota com certa poesia dramática visual, quando em simplória observação da natureza que rodeia o filme, enxerga nas idas e vindas das marés das águas, a boa continuidade do ciclo da vida. Não enquanto a repetição e mesmice de uma mesma história, mas sim, pra reconhecer a força e vigor de uma realidade que é a própria essência de algo que permanece vivo, pois sempre em relacionamento com tudo que o cerca. Tal condição de superar tragédias pra viver com equilíbrio a vida que segue, tem sua orientação espiritual correspondente na impactante e conhecida frase do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece!" Pois o princípio espiritual definido por São Paulo não se refere ao sucesso, mas trata, sim, da serenidade. Virtude da espiritualidade que mantém a pessoa vivendo continuamente dentro de uma só personalidade, esteja ela na abundância, ou com quase total falta de bens. O que se deseja não é que a pessoa sorria na desgraça, mas sim, que saiba chorar até seu limite saudável. O propósito é impedir que a perda vire desgraça, até que um dia nos arruíne por completo. O que muito fortalecia o Apóstolo era exatamente a presença de um outro espírito, e pessoa na vida dele. O próprio Espírito de Deus! Ser espiritual que se tornou uma presença sábia e serena atuando diretamente na sua alma. Alguém que foi capaz de transferir para a personalidade interior do Apóstolo, os sentimentos necessários para que ele seguisse em frente com sua história. Não é nada, não é nada, é uma boa pessoa pra se ter junto a fim de se manter equilibrado e esperançoso em tempos de aflição e dificuldades. Tempos iguais aos nossos, afinal. Cuide-se melhor, então! E uma boa espiritualidade pra todos nós.

a Espiritualidade da DEPRESSÃO e do APOCALIPSE, no Cinema: MELANCOLIA

"Em caso de colisão entre o Melancolia e a Terra, é certo que nosso planeta não sobreviverá externamente, mas o que o cineasta dinamarquês busca mostrar é que internamente a situação já está à beira de uma catástrofe."(Lucas Salgado). Se a Nouvelle Vague (1960) de François Truffaut e Jean-Luc Godard arrancou a câmera do interior dos estúdios de cinema e a colocou nas ruas e praças dos exteriores sociais humanos, o Movimento Dogma 95 limpou os cenários cinematográficos das luzes e sons manipulados, pra levar o espectador direto aos sentimentos da alma dos personagens: "Em 1995 os dinamarqueses Lars von Trier e Thomas Vinterberg fazem "um voto de castidade" artístico com o Manifesto Dogma 95." (O Livro do Cinema, Globo) Daí que o definitivo filme apocalíptico de Lars von Trier, MELANCOLIA (2011), com Kirsten Dunst (melhor atriz em Cannes) e Charlotte Gainsboug, aplica nas telas - e projeta direto na veia, uma hecatombe familiar. E já que falamos de um cinema purista em seu propósito autoral de apresentar as sensações humanas mais íntimas, nada melhor que ler, logo de uma vez, a objetiva crítica de Lucas Salgado (AdoroCinema): "A maioria das cenas passadas durante o jantar é realizada com a câmera na mão, passando ao espectador a sensação que ele é mais uma daquelas figuras inquietas presentes no salão... A direção de arte e o figurino também chamam muito a atenção e deve surpreender aqueles que conhecem apenas o lado mais minimalista do cinema de von Trier, como Dogville... Não existem soluções simples em Melancolia ou qualquer tipo de redenção. É um longa único, como costumam ser os de von Trier, que deixa o espectador quase que num transe após a sessão. Você pode até não gostar, mas é difícil não se envolver." A primeira parte do filme expõe a amplitude da depressão existencial da protagonista, pois trata-se de uma sensação que a domina nos projetos mais comuns da vida, particularmente seu casamento e os necessários convívios comunitários que vêm junto da celebração. Uma depressão crescente que irá se transformar em serenidade assim que um desafio existencial maior, e definitivo, aponta no horizonte de todos os personagens - o fim do mundo e morte de toda a humanidade. De repente, eis que tudo muda! Pois enquanto a protagonista se ergue das cinzas pra bem conviver em família cada novo dia que têm, seus familiares e a vizinhança do mundo tentam sobreviver com os olhos gravados na dança de morte dos planetas. Já que estes orbitam agora, sempre próximos da colisão. A condenação do planeta Terra e o Juízo final da população do mundo estão perto demais, pra ser mentira. Eis o modo brilhante como o diretor von Trier torna perceptíveis alguns sentimentos contraditórios da humanidade, o que realiza através de uma metáfora tão grandiosa, que quase nega ao autor seus princípios autorais. Só que não. Fala, então, Thiago Siqueira: "Comumente, a depressão é explicada pelo desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Essa colocação fria e lógica não chega aos pés dos efeitos reais dessa condição em uma pessoa e aqueles que a cercam. Nisso, o diretor Lars von Trier se livrou das amarras da sutileza e colocou brilhantemente neste seu novo trabalho uma metáfora clara da depressão: é um planeta atingindo nosso mundo. (...) Melancolia absorve parte do ar da Terra, tornando difícil a respiração. Seu empuxo gravitacional atrai tudo o que estiver próximo e seu impacto em outros corpos não apenas os destrói, mas como parece também absorvê-los." (Cinema Rapadura) Enquanto a história permanece desenrolando direto do projetor de cinema, a sensação da "depressão" também se torna cada vez mais conhecida dos espectadores. Algo que ocorre através de uma proximidade que perturba não por compartilharmos a opressão do outro, mas sim, pela familiaridade que há com a nossa pessoal dor existencial. Pois a angústia particular da protagonista tornou-se uma ansiedade comunitária da humanidade, assim que certa futilidade da vida se fez aparente por meio da chegada do fim, de todos nós. Chegou o Apocalipse!! Uma expressão outrora preocupante que virou marketing temático do fim do milênio, de tal forma que hoje poucos com ela se surpreendem, ou atemorizam. Isso até que "MELANCOLIA", nos traz de volta para uma realidade, sim, inescapável da humanidade. Nossa data final! Mas, afinal, o que ensina mesmo a boa Espiritualidade sobre o fim dos tempos - da humanidade? Bem, o que já dá pra dizer, sem estragar a surpresa, é que a cena final de MELANCOLIA tem muito a ver com a cena inicial do mais conhecido Apocalipse de todos - o bíblico! Mas, se ambas as cenas são parecidas, algo fundamental pra saber do fim dos tempos judaico-cristão da humanidade é que... o anunciado Reino de Deus vai um dia chegar inteiro por aqui. Bem definitivo e de uma vez por todas! A primeira revelação essencial é que trata-se de um final, sim! Mas apenas daquilo que chamamos, "a presente época". Não é o fim dos tempos ou da vida, não. Pois está mais pra uma transformação do que para extinção. Isto porque o Apocalipse vai promover uma mudança definitiva da autoridade que domina o modo como a vida humana deve acontecer, e ser neste mundo. Pra melhor entender: assim que Jesus andou pela Palestina curando doentes e livrando pessoas de espíritos malignos, foi quando descobrimos pela primeira vez que o Reino dos céus estava atuando no planeta Terra. Ou seja, havia um novo monarca na região. Um soberano poderoso cujo alcance de autoridade era comprovado através das boas ações de Jesus pela humanidade. Portanto, os "céus" que no fim dos tempos vão chegar inteiramente pra cá, são exatamente aqueles do Reino dos "céus" que um dia Jesus já inaugurou por aqui, quando na Terra andou pela primeira vez. O que vai acabar de uma vez por todas no final dos tempos, então, é exatamente esta "presente época" de uma vida meio distante de Deus. Haverá uma renovação existencial da história da humanidade que a esperança cristã visualiza como uma realidade futura ocorrendo através da presença transformadora de Deus. Algo diferente das ideias seculares de esperança e bonança social consignadas por meio do Iluminismo ou Marxismo. Eis porque o ensino do Apocalipse bíblico tem mais a ver com a ideia de um "Céu" que "encontra" o nosso mundo, do que com a visão de que faremos uma viagem até um céu onde Deus nos espera, lá chegar. Eu sei que todos aqueles que morrem na Terra antes disso acontecer, vão aguardar nos "céus" até a hora do Apocalipse chegar, sim. Mas, se trata mais de uma dimensão da existência humana, do que de um lugar pra morar, e nele depois existir. Portanto, a grande mudança existencial que vai ocorrer assim que o Apocalipse acontecer, não é a de que alguns vão para o "céu". Mas sim, que os "Céus de Deus" vão definitivamente chegar em nosso planeta Terra. Aproveite quem puder! Pois o capítulo 21 do Apocalipse afirma que vai acontecer uma restauração total da condição vivencial da humanidade, pra tornar a vida na Terra algo próximo do que um dia já existiu lá no jardim do Éden. Lugar que já foi a morada conjunta de Deus e dos homens neste mundo. "Vi o céu e a terra criados de novo! (...) Ouvi uma voz: "Olhe! Olhe! Deus está de mudança: vai morar entre os homens e mulheres. Eles são seu povo, ele é o Deus deles. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles... A primeira ordem das coisas não existe mais." Não é nada, não é nada, eis que o fim dos tempos do Apocalipse bíblico assume - com vantagem, a condição de melhor solução pra qualquer comunitária depressão que surgir, por aí, buscando em nós se encostar. Dentro deste propósito, MELANCOLIA é um filme necessário, pois a profundidade vivencial de sua cena final aponta, sim, para uma real transformação que irá ocorrer da história humana no planeta. Novidade existencial angustiante que seu enredo dramático descreve de jeito brilhante, ao apresentar nossa constante ansiedade habitual de modo sutil e trágico, eterno e diário, aparente e íntimo, tudo pra explicar melhor o que significa existir como "ser" humano nesta presente época inquieta da humanidade. Que o mágico encontro de Melancolia com a Terra nos sirva de visão pra logo enxergar o anunciado e possível encontro final de Deus com a humanidade. E que a boa espiritualidade nos ajude a estar prontos pra tão definitiva ocasião. Bom filme.

a Espiritualidade da TRINDADE de DEUS, no Cinema: A CABANA

O Perdão é a atitude humana que Deus mais semeia a fim de escrever pra nós o Caminho da Verdade que dá novas oportunidades de Vida pra todos, hoje e daqui pra frente, até a eternidade. A CABANA, The Shack, 2017. C S Lewis criou o mito de Nárnia e J R R Tolkien o mito Senhor dos Anéis - histórias fantásticas acerca de Deus boas demais pra ser verdade. Só que são! Mas a história de A Cabana superou ambas, pois trouxe o Mito até a Vida humana - algo que Deus Pai faz todos os dias ao nos visitar através do Espírito Santo de Jesus Cristo. Eis o que torna o filme um dos melhores que já assisti com o objetivo de transpor ao cinema a transcendental experiência de vida da humanidade junto de Deus. Lewis escreveu "As Crônicas de Nárnia" e Tolkien "O Senhor dos Anéis" no propósito de invocar na alma das crianças da Inglaterra - e do mundo todo, algumas virtudes e valores espirituais eternos. Seus personagens mágicos viveram gloriosos temas cristãos fundamentais por meio de enredos fantásticos: fraternidade e humildade, sacrifício e coragem, além da eterna luta do bem e do mal. Mas, se os maravilhosos escritores britânicos deram boa vida a princípios essenciais, o escritor de A Cabana, William P Young nos oferece literatura espiritual da melhor qualidade ao introduzir não somente mandamentos, mas a própria Pessoa de Deus no coração das crianças e adultos do século 21. Eu até gostaria que Steven Spielberg ou Peter Jackson (Senhor dos Anéis) dirigissem o filme. Mas, então, o sentimentalismo e a mágica seriam de tal forma espetaculares, que quase se perderia o melhor - um encontro pessoal essencial que a obra deseja aprofundar. Neste propósito, Stuart Hazeldine acertou na direção. Embora tenha lá seus problemas: "O principal deles tem a ver com o ritmo da narrativa. Com 2h13 de duração, A Cabana em vários momentos assume um tom contemplativo de forma a construir em torno do personagem principal o conforto emocional tão procurado. Por mais que visualmente seja agradável, pelo uso de cores suaves e uma fotografia paisagística, há momentos em que a história empaca de forma impiedosa, provocando um certo cansaço." (Francisco Russo, AdoroCinema). De acordo, pois faltou criatividade técnica ao diretor para mais artística - e rapidamente apresentar a terça parte inicial do filme, o que faz com que bom número de cenas lembrem as antigas Sessões da Tarde da TV, ou algumas séries pueris de comédias familiares norte-americanas. O que nos obriga a presenciar certas situações de uma sensibilidade tão simplória que parecem tornar-se pieguice, vez ou outra - hora de perceber que o nosso coração é que anda endurecido, ou apressado, também. De qualquer forma, o filme segue adiante no seu objetivo de apresentar detalhadamente os dramas pessoais do protagonista. Só pra que depois consiga bem compartilhar conosco os desafios espirituais vivenciados por Mack junto das Pessoas do Deus único. Este, sim, o relacionamento existencial fundamental da história. Pois o melhor e mais inovador tema do filme é tornar crível um relacionamento sensível e real entre qualquer simples ser humano e o maravilhoso Deus Criador do mundo. Partilhar da atmosfera fílmica de A Cabana parece algo assim como assistir a um filme religioso. Mas, não se deixe enganar, o objetivo é proporcionar uma experiência mística, quase fantástica, só pra descobrir um pouco melhor como é conviver com Deus nos dias atuais da nossa existência. A própria Pessoa de Deus é bastante presente no filme, todas as três. E as conversas com Ele que tratam de questões importantes da humanidade sempre dão bom esclarecimento às dúvidas da alma e da vida da gente. As Pessoas da Trindade do Deus Bíblico, Pai, Filho e Espírito Santo; são bem definidas em suas personalidades sentimentais e na maneira como co-existem entre si, e junto conosco. Destaque para as cenas que nos fazem reconhecer, e surpreender com algumas das melhores revelações da individualidade pessoal e da unidade particular do Deus da Trindade; desde que alguém já resolveu afirmar essa doutrina bíblica na história dos homens. De muito bom gosto e quase a se tornar uma revelação cultural é o modo como o enredo apresenta, primeiro, Jesus - existencialmente próximo de nós, pois um ser humano se fez. Logo depois, o Espírito Santo - extremamente sensível, pois pleno de sensações acerca de quem realmente somos. E finalmente, Deus Pai, o sábio e amoroso Soberano que a tudo e a todos governa, sempre. A importância da Espiritualidade da humanidade salta aos olhos enquanto partilhamos das cenas místicas do filme, pois, afinal, algo místico é simplesmente alguma coisa que não é só física, ou que não pertence apenas a este mundo. Todas as pessoas tem um espírito, além do corpo físico, e desse modo existimos em nosso planeta. Somente quando descobrirmos o espírito que há em nós, iremos enxergar a realidade dos outros seres e dimensões que compõe a estrutura da vida dos seres humanos. Pois assim somos influenciados e nos relacionamos com boa parte do muito que nos cerca. Uma verdade mística essencial que se faz realidade de maneira bastante natural através do filme, tornando-a uma experiência cotidiana habitual para todos nós. Nota máxima para A Cabana, aqui. Pois o aspecto espiritual de nossa existência tem sido negligenciado há séculos, como se os tempos atuais fossem ainda a Idade das trevas, em que o medo do místico nos tornou reféns da ignorância, que, certamente, jamais será uma verdade que liberta. Neste sentido, o valor extra dado à transcendência da vida dos homens na "Cabana" é um grito que procura devolver ao Deus bíblico o que lhe é devido, conforme bem atestam seus profetas. Pois muito do mistério das dimensões espirituais da vida humana junto com Deus - esquecidos ou surrupiados no tempo por outras ideias e filosofias, são recuperados pelo filme como temas básicos do Evangelho bíblico de Jesus Cristo. Segue a indicação do filme do blog AdoroCinema: "A Cabana também ganha pontos consideráveis na comparação com outros filmes também feitos para louvar, no sentido de não ser ofensivo e maniqueísta perante o espectador. Se é nítido o objetivo de apresentar preceitos religiosos, estes são inseridos na narrativa de forma orgânica e sem a obrigação prévia de aceitá-los. Acima de tudo, trata-se de um filme sobre a fé, sem julgar descrentes nem manipular informações de forma a conquistar adeptos. Ou seja, trata-se de um filme honesto, dentro do que se propõe a ser." (Francisco Russo) Uma das mais belas cenas teológicas do filme apresenta em poucos segundos a maneira pela qual a Paixão de Cristo ocorrida na Páscoa - o sofrimento de Jesus pela humanidade, foi uma morte que não apenas separou o Filho do Pai. Mas, juntamente com isso, tornou-se uma enorme dor que foi por ambos compartilhada. E a pequena duração da situação aponta para o que realmente importa no simbolismo artístico - a dor que Pai e Filho juntos carregam em razão do pecado da humanidade. Acredite, não há interesses doutrinários maiores ou estranhos com que se preocupar. Segue do Apóstolo São Paulo uma das boas sensações que deveríamos guardar após participar de um contato pessoal com o Deus do Universo: "Se alguém pensa que sabe tudo sobre algo, ainda não aprendeu como deveria. Mas quem ama a Deus é conhecido por ele." Enquanto meditação extra acerca das tragédias humanas e Deus, indico a leitura neste mesmo blog, dos textos: - Espiritualidade 2017: Deus é mesmo bão, Sebastião?; e, - Espiritualidade no Cinema, SILÊNCIO, de Martin Scorsese. E bom(s) filme(s) pra você.

a Espiritualidade da INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, no Cinema: A CHEGADA

O diretor Denis Villeneuve inicia o filme A CHEGADA sensibilizando a platéia com algumas lembranças maravilhosas da sétima arte: ele recria a cena favorita de Steven Spielberg em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, nos faz retornar ao ambiente do planeta Alien o 8 passageiro de Ridley Scott, e ainda nos dá insights de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick. Sensacional! Tudo isso pra nos deixar ainda mais inquietos e esperançosos à espera de seu "Blade Runner 2049". Já comprou seu ingresso? O blog AdoroCinema, pra variar, oferece uma análise objetiva e inteligente através do crítico Renato Hermsdorff: "A história se passa nos dias atuais, quando seres alienígenas descem à Terra em naves espalhadas por diversos pontos do planeta... E, para ajudar na comunicação com os ET´s, a Dra Louise Banks (Amy Adams), uma especialista em linguística, é convocada (...). Até o terço final do filme, a relação que Louise estabelece com os aliens soa confusa e carece de sentido - pelo menos, um sentido crível. A partir desse ponto, no entanto... ele começa a ser interligado (...). Apoiado na bela fotografia do experiente Bradford Young, Villeneuve se mostra também um esteta da imagem, alternando com maestria planos e enquadramentos variados, de forma a evocar o trabalho mais recente do cultuado Terrence Malick." É isso mesmo, gente. A CHEGADA é belíssimo no enredo e nas imagens, e sua história apresenta algumas das muitas dificuldades humanas que impedem um bom relacionamento entre as pessoas; tanto entre as que vivem no planeta Terra e também entre nós com seres de outro mundo. O desafio é apresentar os ganhos de uma comunicação entre seres vivos que possa ir além de uma conversa que somente realiza certa troca de informações entre eles. O convite é para superar o comum domínio relacional individualista que determina nossos encontros e desencontros sociais nestes dias de pós-modernidade. Pois o que os humanos mais praticam no filme é um convívio em constante conflito, oriundo de conversas que acontecem no objetivo de logo afirmar cada distinto interesse egoísta das partes. Em contraponto, os contatos primitivos entre a humana Dra Banks e os aliens Abott e Costelo informam pouco, mas estabelecem um relacionamento bem mais verdadeiro. Algo assim como ouvir uma música estrangeira que da letra pouco entendemos, mas que juntos muito partilhamos da melodia e movimento. Foi C S Lewis quem disse que encontrar Deus em espírito é como ser convidado para uma dança, afinal. Enfim, eis alguns pensamentos que o filme vai nos dando e que são mui importantes à Espiritualidade de quase todo mundo, já que relacionamentos espirituais requerem exatamente contatos movidos mais pelo desejo de ali estar, do que das informações e conclusões que dali se podem retirar. Afinal, os ansiosos em definir as questões pra só informar seus pontos de vista na situação, rapidamente transformam encontros relacionais em relações de poder e conquista. E haja afirmações cortantes e declarações finais pra rapidamente definir quem manda na relação. Enquanto a linguista norte-americana compartilha alguns sinais pessoais que revelam pouco a pouco, e cada vez mais algo real da sua personalidade, russos e chineses decidem fazer contato através de jogos - uma dinâmica em que o relacionamento entre os participantes está definido desde o início: é uma competição. Algo parecido com participar de uma reunião em Brasília, em que o tema são os 150 milhões de analfabetos funcionais brasileiros, e ao mesmo tempo em que você pensa "educação", o outro pensa só em marketing político pra ganhar a eleição. É desse jeito, enfim, que a história da comunicação entre humanos e aliens vai chegando ao seu climax - de um confronto sem solução, claro. Mas, a proximidade da briga também faz surgir uma espécie de contato físico que até cria um interesse de compaixão pelo outro. E agora, José: vamos partir para o abraço, ou vamos sair no braço? As dúvidas da visitação alien ao nosso planeta se tornam, então, uma sala de avaliação do nosso constante desafio vivencial da comunicação. Há alguma novidade pra melhor discutir a relação? Ou a competição irá prevalecer, bastante, pra variar? O enredo do filme constrói ideias que seguem na contramão dessas nossas alianças de ocasião, pois valoriza uma atitude relacional que busca construir uma imersão nossa pra dentro da cultura do outro, o alien, a fim de que seja possível uma reprogramação cerebral das percepções humanas, quase sempre egoístas demais. E são os extraterrestres que nos oferecem a boa resposta: somente uma sacrificial doação da personalidade de cada uma das partes irá transformar este confuso contato em um encontro do bem pra todo mundo. Integração é a palavra que explica o bom objetivo de qualquer comunicação. E a Dra Banks isso experimenta tanto ao revelar honestamente seus sentimentos aos aliens, como também quando humildemente reconhece pra onde vai seu coração assim que junto deles partilha algo novo de sua vivência, existencial. A sinceridade diante do outro e de nós mesmos é essencial ao bom aprendizado acerca de como viver os relacionamentos da vida em comunidade, e até na particularidade. Por ora, é isso. Eis algumas das ideias que o filme A CHEGADA nos permite visualizar para melhor vivenciarmos alguns dos encontros humanos que dia a dia partilhamos. Valores importantes pra nossa vida social, desde sempre. Agora, importa perceber como são essenciais para nossa vida espiritual, também. Seja tanto para um auto-conhecimento que começa a levar em conta o espírito que vive dentro de mim, ou ainda, para as relações místicas que irei desenvolver através de minha religiosidade espiritual. Pois o que muito dificulta o bom encontro de nós mesmos com nosso ser interior, e também, impede que aproveitemos a possibilidade de estar junto de Deus, que é exterior. É sim, o nosso constante egoísmo existencial. Algo que nos faz conviver, sempre, em habitual competição. Atitude que impede a vivência de qualquer boa comunicação relacional, especialmente, a espiritual. Foi o Apóstolo Tiago que definiu a imaturidade de nossas conversas, humanoides ou diante de Deus, expondo o propósito peculiar que temos de somente falar pra definir posições, sempre cheios de desejos e paixões. Quase sempre, particulares e interesseiras demais, pra ser verdade. E como são. Fala Tiago: "De onde vêm as guerras e conflitos que assolam o mundo? Vocês acham que acontecem sem razão? Raciocinem. As guerras acontecem porque vocês exigem: "é do meu jeito, ou nada feito". E para terem o que querem lutam com unhas e dentes (...) Sei que vocês nem têm coragem de pedir a Deus. É claro que não! Vocês sabem que estariam pedindo o que não devem. Vocês são crianças mimadas, cada um querendo as coisas do seu jeito... Se tudo que querem é benefício próprio e enganar os outros, acabarão inimigos de Deus." É isso. Egocentrismo demais transforma qualquer encontro diário em um confronto de informações que nos fazem passar longe de sequer, iniciar a boa prática das mais primitivas formas de comunicação. E sem comunhão, não há convívio e satisfação, gente. Nem entre uns e outros, e nem junto do nosso próprio eu interior. Imagine, então, com Deus, o Pai dos espíritos. Cuide-se!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

a Espiritualidade LUZ e TREVAS, no Cinema: Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles

A cegueira básica da humanidade acerca da espiritualidade é a própria negação da existência do espírito no homem. O cidadão nega sua espiritualidade tanto ao afirmar que não acredita na alma humana, ou então, quando decide deixar pra lá qualquer análise pessoal sobre o que ocorre em seu interior enquanto vai vivendo a vida. Um resultado possível da negação é a preferência por fazer desta vida uma grande experimentação de tudo que existe e acontece, como se não houvesse amanhã. Ou então, a escolha por viver só naturalmente sem parar pra pensar que tudo que existe influencia bastante nosso ser interior, o próprio espírito que pulsa no homem. O ótimo e pesadíssimo filme do melhor cineasta brasileiro deste século, Fernando Meirelles - brilhante ao sempre unir a sutileza e profundidade técnica européia com a eficaz dinâmica hollywoodiana, apresenta através de cores fortes até onde pode chegar o ser humano quando decide viver somente para o aqui e o agora. BLINDNESS, "Ensaio sobre a cegueira", 2008, com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Alice Braga, é cinema da melhor qualidade, em filme assim descrito por Marcos Guterman, no Estadão, seção cultura: "A cegueira pode funcionar como uma forma de enxergar a natureza humana muito além das aparências civilizadas... Bastante fiel ao livro homônimo de José Saramago, Ensaio se passa em nenhum lugar, com pessoas sem nome. Não se trata, portanto, de uma história, mas de uma reflexão a respeito do que realmente somos, em essência, e não do que pensamos que somos - e isso inclui um nome e um endereço, espécie de rótulos com os quais nos reconhecemos e somos reconhecidos. No mundo da cegueira coletiva, esses rótulos são irrelevantes. No entanto, não são apenas as referências mínimas que estão ausentes. O desmoronamento moral, de um dia para o outro e em ritmo irresistível, traduz a confusão dos conceitos em um tempo no qual todas as informações têm o mesmo peso. A cegueira de Ensaio é branca - é o brilho da luz que cega, é o excesso de informações desordenadas que confunde, em vez de esclarecer, e não deixa ver como o mundo, de fato, é. O resultado disso é o caos." A ilusão do progresso moral da humanidade que o modernismo visualizou cai por terra quando diante das necessidades mais primárias, e protegido pela obscuridade, o homem escolhe o arrojo do completo egoísmo como princípio de vida a fim de satisfazer as paixões mais primitivas da raça. A escuridão torna-se, de repente, a orientação básica de vida para os que se percebem cegos num instante, o que lhes dá o direito de praticar, enfim, tudo que desejam e sonham ser sua necessidade. E quando já não enxergam mais quem são, pois dominados pela paixão; acreditam que mais ninguém poderá vê-los assim, também, vivendo em plena devassidão. A palavra do profeta que afirma estar o coração do homem em grandes trevas, assim que seus olhos enxergam tão somente a escuridão; poucas vezes foi tão eficaz pra descrever como a humanidade distante da verdade (realidade), entrega-se rapidamente ao que se torna, então, sua única existência; a ruína do sentimento. A liberação total para a prática das paixões humanas que a escuridão de si mesmo oferece, é sempre um convite em conflito com a boa prática da espiritualidade. É muitas vezes por aí que os olhos humanos se fazem grandes vilões de atitudes de respeito e pura sensibilidade, pois quando o terror das necessidades se avizinha junto de nós, é cada um por si, mesmo - e salve-se quem puder. Eis como a crueza das lutas da vida pode, grandemente, apagar qualquer traço de uma personalidade bendita que nossa consciência (espírito) almeja trazer pra realidade física, de todo mundo. É preciso vigiar, e orar, já dizia o profeta. Pois quando o espírito está pronto, a carne se revela fraca, quase sempre. Pois o espírito do homem anseia, de verdade, alguma experiência existencial de maior profundidade. Uma busca por certa amplitude de valores e mais dignas sensações pra vida. Foi o Apóstolo São João quem melhor escreveu sobre situações da vida e ensinos de sabedoria do Profeta Jesus, acerca da escuridão da espiritualidade da humanidade. João relata que um cego de nascença fora curado por Jesus - em uma demonstração milagrosa que somente um "homem de Deus" poderia realizar. Mas os "donos" de Deus não aceitavam que um Mestre distinto deles mesmos, viesse lhes revelar ensinos do próprio Deus que diziam tanto conhecer. Não importava que milagres infinitos se realizassem diante de seus próprios olhos. O orgulho humano que nos torna amantes de nós mesmos, os impedia de serem humildes pra receber um novo ensino a fim de que sua caminhada pra conhecer Deus na terra, pudesse, ainda e sempre, amadurecer. Jamais seria assim com eles. Pois, afinal, já nasceram sabendo tudo, mesmo. Foi quando Jesus ensinou aos homens que aquele que antes fora um cego de nascença - agora enxergava, sim, os reais caminhos da espiritualidade. Não só porque bem visualizava o mundo, mas porque acreditava no Profeta. Quanto aos outros, ainda enxergavam o mundo, mas não mais a vida - e cada vez menos, o espírito. Pois face a face com o Profeta, nada viam além de si mesmos. Bem-aventurados os humildes, pois deles é o Reino dos céus - já que podem ser conduzidos pelos caminhos do espírito, de Deus! E bem-aventurados são também, os que não viram, mas creram. Porque mesmo sem ter olhos físicos na ocasião, tem olhos espirituais pra reconhecer hoje, a voz daquele que, sim, conhece muito bem a espiritualidade de quase todo mundo. Bom filme!

a Espiritualidade do SACRIFÍCIO, no Cinema: SILÊNCIO, de Martin Scorsese

"Toda a minha vida foi cinema e religião", disse Martin Scorsese. O religioso e realista diretor ítalo americano M Scorsese não esconde suas angústias interiores e novamente surpreende os fãs de cinema com seu pragmatismo autoral. Aspectos de sua personalidade que o mantém vivo como um artista instigante e provocador de boas reflexões. E seu mais inquietante pensamento acerca da alma humana já está em cartaz nos cinemas brasileiros - SILÊNCIO, 2016, com Andrew Garfield e Liam Neeson. A primeira meia hora de filme nos faz viver uma interessante experiência de temor, pois partilhamos um pouco da fé religiosa humana mais pura assim que conduzidos ao interior da alma dos padres jesuítas. Tudo através de uma sutil atmosfera cultural que, vez ou outra, a boa sétima arte nos dá a chance de compartilhar. Enquanto nos acomodamos existencialmente no ambiente espiritual arquitetado pelo filme, logo iniciamos também uma jornada particular de silêncio interior. Uma experiência partilhada através da sonoridade sensível do filme, que nos fará perceber melhor tanto a majestade da natureza, quanto os sentimentos mais profundos dos seres humanos. Eis uma sessão de cinema que nos faz viver uma experiência essencial relacionada aos maiores dilemas da fé e espiritualidade humanas: a que trata do Silêncio de Deus diante das tragédias e injustiças que assolam a humanidade. Apenas para constar, ao menos quatro boas críticas e resenhas do filme merecem a leitura dos amigos: Hamilton Rosa Júnior escreve na Rolling Stone, e apresenta o filme de forma exemplar: "Martin Scorsese nunca trabalhou o efeito da ausência de sons de forma tão radical como fez aqui, neste que é talvez seu trabalho mais complexo. Sequer há uma trilha sonora em cena. Padre Rodriguez (Andrew Garfield), o protagonista, testemunha tantas atrocidades que passa o tempo inteiro perguntando a Deus por que Ele não cria algum tipo de intervenção para cessá-las." Gustavo Henrique, do site ovicio.com.br, que aborda cinema e literatura, artes e HQs, assim descreve a obra: "Silêncio é um filme que oferece uma experiência cinematográfica transcendental e reflexiva, que questiona percepções de vida, crenças e os limites da consciência humana. Uma das melhores obras de 2016, tendo sido completamente injustiçado no Oscar mas que deve perpetuar no futuro como um dos mais importantes filmes de um dos mais importantes cineastas da história." Outro texto diferenciado é o de João Lopes: Scorsese - o Silêncio e o Medo, que aprofunda o entendimento da fé no divino enquanto esclarece as virtudes cinematográficas do filme: "Da construção do espaço, primorosamente tratado pela fotografia de Rodrigo Prieto, até aos ritmos sensuais da narrativa, muito graças à montagem de Thelma Schoonmaker, "Silêncio" é um filme que se distingue por algo de primitivo — como se estivéssemos a descobrir a origem dos próprios poderes cinematográficos." Por fim, a sempre sagaz e comunicativa Isabela Boscov, da Revista Veja, supera-se em uma resenha quase espiritual de profundidade argumentativa eficaz, tanto existencial quanto técnica do filme: "Silêncio tem algum diálogo; quase não tem música. Sua eloquência está depositada nas imagens, compostas com imensa riqueza narrativa. Em parceria com o diretor de fotografia mexicano Rodrigo Prieto, o cineasta faz uma homenagem aos diretores que formaram o imaginário do Japão de sua geração. Sobretudo a Akira Kurosawa, de quem ele toma emprestadas algumas regras cardeais, como a da composição pictórica das cenas ou a movimentação de elementos da paisagem - o capim, a chuva, a neblina - contra o desenho dos personagens da tela (...) Por meio dessas pinturas em mutação, evocam-se a ligação estreita entre natureza e espiritualidade na cultura japonesa...". O filme é baseado na obra original do escritor japonês Shusaku Endo, publicada em 1966, e reflete acerca dos graves conflitos religiosos ocorridos entre os padres portugueses e as autoridades japonesas, no início do século 17. Trata da espiritualidade humana desenvolvida a partir de uma religião específica, e dos confrontos que seus princípios geram diante das orientações de uma outra religiosidade. Uma disputa doutrinária que vai além da teologia ou filosofia, pois o conflito que ocorre é existencialmente cultural. Para as autoridades japonesas trata-se de um projeto que pretende subjugar a vivência budista do povo japonês e toda sua história como nação aos ideais do cristianismo português. A resposta institucional do Japão são perseguições constantes aos líderes da evangelização cristã, seguidas de torturas que buscam a negação da fé pelos fiéis, para que sobrevivam, ou suas mortes, caso continuem cristãos - o martírio. Eis o drama em que se acumulam situações trágicas de tortura e assassinatos cruéis de inocentes a partir do confronto religioso que vira uma batalha espiritual entre cristãos e budistas na terra do sol nascente. Uma guerra dolorosa e aflitiva cuja decisão de seu término, e o consequente retorno da paz social, está depositada nas mãos e coração do Padre português Rodriguez. Cabe a ele decidir se a sua pretensão de cristianizar o Japão pra assim submeter sua cultura milenar aos valores religiosos europeus vale a pena. Pois será sempre uma missão levada adiante à custa da dor e sangue do mais humilde povo japonês convertido. Enquanto o Padre briga interiormente entre a decisão de manter seu ardor evangelístico, ou então, pela escolha de logo abandonar sua missão diante do terror aos fiéis japoneses, que já não aguenta enxergar; eis que surge, afinal, o "Silêncio". Que se torna, no filme, o próprio Silêncio de Deus! Já que o Ser divino parece não se manifestar mesmo diante de tão graves injustiças pessoais e sociais. E agora, Padre Rodriguez? Até quando o povo pobre japonês irá sofrer por seus projetos, que se tornam, cada vez mais, só particulares e egoístas? Eis, aí, a nossa questão! Que se torna, então, o dilema ético espiritual do filme. Situação ética que parece próxima da experiência do militar Lloyd Bucher, comandante norte-americano do navio USS Pueblo, que em 23 de janeiro de 1968 foi capturado pela marinha da Coreia do Norte, tendo sido acusado e toda sua tripulação de espionagem. Diante da ameaça do assassinato de todos os seus tripulantes, Bucher foi desafiado a assinar confissões falsas de espionagem, a fim de salvar seus comandados. O dilema de Bucher era básico: deveria afirmar sua honra e missão mantendo a verdade de que apenas navegava dignamente em águas internacionais? Ou, então, deveria abandonar sua autoridade e desprezar a integridade de sua liderança, mentindo e abandonando a realidade de que ele e seus marinheiros apenas navegavam nas águas livres da região? O fato é que Bucher assinou as confissões e assim salvou sua tripulação da morte, abandonando o USS Pueblo em mares norte-coreanos, onde se encontra o navio até hoje. E assim voltaram todos pra casa, sãos e salvos. Só que não! O dilema ético do comandante Bucher nada tem a ver com o conflito existencial espiritual do Padre Rodriguez. E olha que eu assinaria as confissões mentindo pra livrar os soldados junto com Lloyd Bucher, antes até que os norte-coreanos pudessem dizer "Tchau mesmo!", com apenas uma das mãos. E a razão da diferença está na descrição acima, já que Bucher enfrenta, sim, um dilema ético filosófico, humano. Enquanto Padre Rodriguez, diferentemente, vivencia um conflito espiritual existencial, eterno. É isso! Certamente que o filme parece afirmar, definindo simploriamente aqui, que o dilema do Padre Rodriguez é somente uma questão ética. Uma das mais dolorosas da história, sem dúvida. Porém, dentro do contexto cristão de fé e missão, se reconhece o conflito do Padre Rodriguez não como um dilema ético; mas sim, enquanto um confronto espiritual. Daí, a grave diferença situacional pela qual transitam o comandante e o Padre. E agora, José? Bem, o princípio teológico cristão que explica a diferença entre um dilema ético humanista e um desafio espiritual existencial surge, em nossa questão, a partir de uma determinação essencial do Profeta mor da fé cristã; Jesus, o Cristo. Pois foi Jesus que afirmou, pra eternidade ouvir, que aquele que viesse a confessar seu nome diante dos homens, seria assim reconhecido diante dos anjos de Deus. Igualmente, aquele que negasse a Jesus diante dos homens, teria seu nome negado também, diante de Deus. O contexto histórico da afirmação de Jesus trata da descrença e hipocrisia dos líderes de Roma e Israel, que desprezavam os desafios existenciais propostos pelo Profeta. Pois neles, Jesus reclamava uma fidelidade a Deus além dos limites terrenos, no propósito de religar os homens diretamente ao trono divino nos céus. De maneira que nada terreno, cultural e social, e somente temporal, pois limitado ao tempo de vida dado a cada geração, deve superar a convocação de Jesus para que a humanidade experimente um relacionamento místico a partir do espírito, junto da Pessoa de Deus. Uma convocação existencial para uma relação atemporal além da vida, pois adiante do espaço e tempo do planeta Terra. O cristianismo é isso, afinal. Daí que a confissão do Padre Rodriguez e dos fiéis japoneses gravita conceitualmente dentro deste contexto transcendente, e não, orientada por uma filosofia caridosa pragmática de proteção da vida, só para o tempo presente. Jesus ainda argumenta em favor de sua determinação, ao dizer que os homens não devem temer aqueles que matam o corpo, e depois, nada mais conseguirão fazer. Pois são incapazes de atacar a alma humana, e de atuar na eternidade. Enfim, o conhecimento da vida e da história humana que o cristianismo ensina, colocam o Padre Rodriguez e os cristãos japoneses diante de um dilema ainda maior do que aquele de apenas subverterem a cultura de uma nação. Ou até, de virem a perder suas vidas na presente época. Pois o conflito é eterno, não temporal. E se estabelece diante de Deus, não dos homens. Nesta situação, era imprescindível aos cristãos japoneses confessar sua Fé em Cristo, pois tal declaração nesta vida significava a afirmação da própria existência soberana de Deus. Uma confissão que afirmava a existência de Deus não somente aqui, em nosso mundo, mas também, na outra vida - algo que vai fazer toda a diferença quando os homens um dia lá estiverem, no Céu. Pois a descrença em Deus revela uma atitude de desprezo ao seu cuidado e presença, tanto para os dias atuais, quanto para a vida após a morte. A vida eterna. Eis o princípio doutrinário que dá significado à uma "comum" aceitação dos fiéis cristãos de que se percam os anéis (a vida hoje), para se manter os dedos (a vida eterna). Junto de Deus. Tá entendendo? Enfim, eis o contexto humanista cristão que dá consistência à tese de que o conflito do Padre Rodriguez não era ético filosófico, mas sim, existencial espiritual, de verdade. Uma experiência humana transcendente de sofrimento que encontra na vivência do homem mítico Jó, do Antigo Testamento bíblico, sua mais profunda e conceitual materialização. Pois ali, encontramos um homem que sofre em razão de manter-se fiel a Deus, e não o contrário. E para corroborar a ideia de que há um grave conflito espiritual acontecendo, mais do que ético, eis que vemos em momentos distintos do filme, tanto o Padre professor Ferreira, quanto o Padre aluno Rodriguez, balbuciando palavras ao vento como deprimidos existenciais. Pois, afinal, abandonaram sua fé transcendente de outrora. E assim, nada eterno reside ainda em suas almas. Tornaram-se zumbis do cotidiano cultural a que pertencem, e não vivem mais a partir daquela esperança inaudita que anima a humanidade. Projetos de vida que são espiritualmente verdadeiros e satisfatórios, pois falam, sim, ao interior eterno do homem. Bom filme!