sábado, 29 de julho de 2017

a Espiritualidade da DIGNIDADE do ser HUMANO, no Cinema: DUNKIRK

Chegou no final de julho aos cinemas brasileiros o mais novo filme do diretor que fez de BATMAN a melhor série de super heróis desde sempre. E o que Christopher NOLAN nos faz vivenciar é mais do que uma realista e seminal experiência de dramas humanos (o que já seria o bastante). Pois a essência espiritual da história de DUNKIRK (2017) resgata o melhor potencial e uma rara grandeza do caráter da nossa espécie, já que é a dignidade dos seres humanos que se agiganta enquanto valor da alma assim que cidadãos britânicos comuns (mulheres e idosos) assumem a tarefa de resgate mais espetacular da história das guerras dos homens. O enredo de Christopher Nolan deveria ser indicado para melhor roteiro da Academia pois bem condensa e finaliza em 1 hora e 47 minutos a completude de uma verdade histórica única, e NOLAN deveria logo levar pra casa o Oscar de melhor diretor pois brilhantemente nos conduz através do filme direto até as praias da França no início da segunda guerra mundial. E ainda que não seja fácil partilhar da tensão e ansiedade constantes que somente soldados dentro da batalha vivenciam, é exatamente essa a experiência de vida que o (muito bom) diretor vai nos proporcionar, de verdade. A história de DUNKIRK é a da Operação Dínamo que evacuou mais de 300 mil soldados ingleses e franceses assim que estes foram encurralados na praia pelo exército alemão em junho de 1940. E a Espiritualidade da DIGNIDADE da nossa (nem sempre) decente espécie humana acontece de novo na História assim que jovens e idosos, mulheres e adolescentes deixam a Inglaterra em seus barcos e lanchas só pra resgatar a vida de milhares de soldados militares - assumindo sobre sua cidadania de civis uma guerra real e sangrenta, custe o que custar. E o que se entrega em nome do próximo é simplesmente o cotidiano vivencial e até a vida total destas pessoas comuns que se revelam seres humanos excelentes enquanto praticam uma fraternidade sacrificial. Uma dignidade fraterna humana enquanto valor espiritual interior da nossa espécie que surge tanto na intransigente dedicação à missão do piloto Farrier Tom HARDY (Mad Max), como na determinação prudente e destemida do capitão de barco Dawson Mark RYLANCE (Ponte para Espiões). A produtora Emma Thomás esclarece o diferencial narrativo do roteiro: "Eu diria que uma das coisas diferentes desse filme é que é uma obra focada nas experiências pelas quais os personagens passam... É uma enorme operação militar, mas que teve papel fundamental de civis." (Revista Rolling Stone, julho/17) A alma humana se sobressai nesta história única de sacrifício da tranquilidade cotidiana em nome da fraternidade existencial da humanidade, e o diretor NOLAN é o principal responsável, sim, por nós permitir "viver" intensamente os bons sentimentos e as tensas sensações que aos homens de bem (ainda) é possível partilhar nesta vida físico-espiritual que se avizinha diante de nós. Foi o crítico Bruno Carmelo quem bem explicou as qualidades da direção do filme (adoro cinema): "Ao invés de captar as cenas com distância contemplativa, a câmera se posiciona no meio da ação, entre os soldados espremidos na areia ou no fundo do mar, quando um navio explode. A imersão é tão eficiente que relembra a capacidade do cinema em 2D de explorar sensações tão bem quanto qualquer 3D. Paralelamente, a trilha sonora de Hans Zimmer, com seus violinos tensos, consegue compor uma melodia convergente com as explosões e os motores de avião, a ponto de se tornar difícil separar música de ruídos. Cada enquadramento, cada movimento, cada som é muitíssimo bem pensado e executado." Enfim, amigos, se o bom Deus nos criou mesmo à sua imagem e semelhança no necessário propósito de bem governarmos o planeta e melhor cuidarmos uns dos outros; eis que foi em 1940 que os cidadãos britânicos mais simples resgataram e desenvolveram, também, esta célula espiritual que o próprio Criador plantou em nós todos desde o início dos tempos, espirituais: a Dignidade existencial dos homens! Ótimo filme pra você!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

a Espiritualidade dos ANJOS da GUARDA, no Cinema

"Ele ordenou a seus anjos que o guardem para onde quer que você vá." É isso. O salmo 91 da página que quase todo mundo deixa aberta em seus lares e comércio é um poema clamando pela ajuda de Deus diante da ameaça das guerras e pragas. E quem é que virá para socorrer os homens? Sim, eles mesmos, os anjos, de Deus! E já que vamos aproveitar histórias de cinema pra pensar a Espiritualidade dos Anjos (da Guarda) que nos protegem, lembremos aqui de dois bons filmes: "CIDADE DOS ANJOS", com Meg Ryan e Nicolas Cage, de Brad Silberling, 1998; e "UM CONTO DO DESTINO", com Colin Farrell e Russell Crowe, de Akiva Goldsman, 2014. Bruno Carmelo nos oferece boa sinopse e análise de "Um Conto...", no blog adorocinema: "Antes de entrar na sala de cinema, deixe o cinismo do lado de fora”. Essas foram as palavras dos atores Colin Farrell e Jessica Brown Findlay em uma das entrevistas sobre Um Conto do Destino. Os dois provavelmente já previam alguma dificuldade para o público aceitar a história (...) De fato, apesar de o livro original ser popular e respeitado nos Estados Unidos, a versão cinematográfica adota tão cegamente o tom fantástico que só pode ser aceita por um espectador profunda e sinceramente romântico... Os conceitos elaborados pelo diretor Akiva Goldsman e sua equipe não ficam nada claros, mas se existe um verdadeiro mérito nesta história atípica, é nadar contra a norma de Hollywood e acreditar no sucesso de um tipo de magia e ilusionismo que a indústria abandonou há muito tempo." E acerca do bacana e romântico "Cidade dos Anjos", vale lembrar que se trata de uma refilmagem do belo Asas do Desejo, filme alemão de Wim Wenders. O filme inicia e termina com interessantes cenas angelicais, e a primeira delas retrata a verdade espiritual de que nossa alma é acompanhada por anjos daqui para outra dimensão assim que morremos, momento no filme em que o anjo Seth NIcolas CAGE conhece e se apaixona pela médica Maggie Meg RYAN. Eis a história de amor que o Anjo tudo vai oferecer pra viver, até a sua eternidade, se possível. Em meio a tudo isso, acontecem alguns encontros espirituais interessantes entre homens e anjos, quase sempre de forma invisível. Há cenas diversas em que os Anjos de "Cidade..." atuam pra proteger os seres humanos, algo bastante real e verdadeiro conforme ensina a Espiritualidade Judaico-Cristã, pois desde sempre Deus envia seus Anjos dos Céus até a Terra a fim de cuidar das pessoas e também pra promover certas atividades que são do interesse de Deus por aqui. Eis a razão pela qual a crença de que há Anjos da GUARDA agindo por aí é uma boa ideia espiritual, sim, sendo inclusive, algo acessível a todos nós; pois o Profeta Jesus nos ensina na oração do Pai Nosso o que deve-se fazer para espiritualmente se proteger, hoje em dia: simples. Ora, é preciso pedir a Deus para "Não nos deixar cair em tentação", e também para que "Ele nos livre do mal!" Eis o bom pedido. Uma necessidade nossa que Deus vai logo responder através de seus mensageiros celestiais, pois boa parte da nossa proteção cotidiana depende deles mesmos - dos Anjos da Guarda, de Deus, entre os homens. Já a atuação angelical na aventura fantástica "Um Conto do Destino" se desenvolve de uma forma mais mágica, pois os próprios seres humanos é que são enviados para proteger uns aos outros, certas vezes - fazendo às vezes de Anjos da Guarda de Deus sobre a humanidade. Um jeito interessante e perspicaz com que o enredo tenta dramaticamente nos envolver junto da real ação angelical protetora invisível de Deus que ocorre costumeiramente por aqui. Ao mesmo tempo, o filme apresenta alguns anjos do Mal movendo-se pelo nosso mundo; outra boa verdade espiritual da nossa existência por aqui - que no filme é um Anjo mesmo, ou demônio, como bem ensinam as Escrituras. Enfim, eis dois bons e interessantes filmes pra refletir algumas realidades espirituais de quase todo mundo. Pois certamente não estamos sozinhos neste mundo, como se fossemos a única espécie com personalidade consciente e moral por aqui - pois há Anjos entre nós, de verdade. Algo que vale muito a pena entender espiritualmente é que a Pessoa de Deus age de muitos jeitos e diversas maneiras para governar a vida humana e a própria natureza da Terra - eis o modo pelo qual entendemos que os Anjos são divinos mensageiros espirituais nesta criação. Não é nada, não é nada, já se sabe melhor o que um bom "Livra-nos do Mal" pode realizar, por aqui. Por que não? Bons filmes.

terça-feira, 25 de julho de 2017

a Espiritualidade da INTIMIDADE dos Casais, no Cinema: Á BEIRA MAR

A atriz Angelina Jolie buscou um olhar europeu de contemplação da vida enquanto proposta narrativa de seu último filme como diretora: À BEIRA MAR, 2015, em que atuou, também, seu ex-marido Brad Pitt. O que realizou contando a história de amor interrompido do casal Vanessa e Roland, drama exposto assim que um novo casal aquecido de amores em lua de mel se hospeda junto deles num hotel litorâneo da França. Mas os anseios técnico-cinematográficos de Angelina ficaram pelo meio do caminho, como bem observou Caio Pimenta, da "cineset": "À Beira Mar, entretanto, não deixa espaços para desenvolver o drama de seus personagens. A opção por sempre fazer cenas curtas, quando a sequência pede paciência para trabalhar gestos ou reações, mata o filme. Cada corte representa o fim da possibilidade de tensão, dando uma pretensa fluidez desnecessária, justo em momentos que deveriam causar desconforto semelhante ao vivido pelo casal protagonista. É como se a ideia fosse para soar como Antonioni e a execução tivesse influência de Michael Bay.". Enfim, ainda que o filme apresente algumas dificuldades no seu desenvolvimento narrativo, nem tudo está perdido, afinal. Até porque o nosso interesse aqui é a Espiritualidade, e algumas reflexões relevantes surgem na história deste casal que perdeu três filhos logo no início da gravidez, em razão da esterilidade da protagonista... A partir daí, o tema primordial que o filme desenvolve é a percepção de que certos acontecimentos passados de nossa história tornam-se definidores dos dias futuros. Pois certas ocorrências da vida são como que sentenças condenatórias da maneira como iremos nos portar nas situações porvir da nossa existência. E o primeiro drama que vemos acontecer dentro deste contexto é o que surge a partir da vivência sexual do casal protagonista. Uma intimidade relacional que se tornou vazia e inexistente pra eles, posto que foi tragada pela tragédia dos filhos gerados e não nascidos. Não há dúvida de que a dor de um casal que não alcançou o sonho do filho próprio é uma sequela que vai provocar consequências sérias e duradouras, o que é muito compreensível. O que salta aos olhos é o quanto as experiências de morte relacionadas às relações sexuais do casal, acabam apagando, também, seus afetos íntimos. De alguma forma, estamos diante de mais um revés premeditado da supervalorização da sexualidade humana que observamos ocorrer nas últimas décadas. Pois o trauma conjugal se instala na própria relação sexual do casal, já que a intimidade que deveria gerar filhos - ao não fazê-lo, transformou-se no drama que impede a mulher agora, de ser esposa. A consequência é uma atitude de grave desprezo à relação sexual, pois tal experiência é castrada da vida comum do casal. Do mesmo modo que da alma se deseja retirar os traumas da perda dos filhos sequer nascidos. A ironia da situação é que uma decisão que aparenta originar de uma atitude de desprezo da sexualidade; é, na verdade, um fruto da sua supervalorização. Pois é necessário alguém valorizar demais o sexo, definindo-o como algo superior, para então, negar a si próprio sua experiência, a partir de desgraças e dores relacionadas à sua prática. Daí origina a decisão de negar a si mesmo tal experiência íntima, já que dela não se permite mais participar, pois incapaz de partilha-la no sentimento de doação que considera ideal à sua vivência. Eis um engano que não poderia ser maior. Pois a experiência sexual - conforme ensina a boa e saudável espiritualidade, é tão somente o momento, em ato final, de um encontro relacional afetivo construído através de olhares e toques, abraços e beijos, afetos e carícias, até que se alcance o contato íntimo total. Existe algo mais simples, e natural, do que isso, numa relação de afetividade entre um homem e uma mulher? Mas o contrário também ocorre, pois há aqueles que supervalorizam a sexualidade a ponto de buscar sua prática de mil jeitos, e caras e bocas. Só que o resultado que alcançam de suas variadas e criativas experiências, é que nisso muito se viciam. Ao mesmo tempo, também, que pouca satisfação disso obtém. Ficarão cheios de muita paixão, e com pouco amor, no final. E com uma só consequência para ambas as situações: a perda da intimidade sexual do casal, em razão do desconforto que agora os une. Uma boa indicação de saúde afetiva para ambos os casos é seguir o princípio espiritual da intimidade sexual; que constrói uma melhor relação conjugal através de uma natural progressão das carícias entre o casal. Mas o filme não é feito apenas de experiências traumáticas da humanidade, como se a desgraça fosse uma consequência certa da vida, sempre transformando perdas do passado em dores (eternas) do presente. Pois há um velho homem do vilarejo que não se deixou dominar pelos destinos traumáticos das perdas passadas. O bom coração do proprietário de restaurante quase bonachão sempre recorda de sua falecida esposa, mas isso é algo que experimenta de jeito e maneira saudáveis, demais. Ele nem deixa sua esposa cair no esquecimento, como igualmente não despreza seus relacionamentos atuais. A valorização habitual da antiga vida conjugal, não impede sua alma de permanecer sensível às novas situações e pessoas que a vida continua lhe trazendo pra conhecer, e conviver. A capacidade de seguir adiante com a vida mantendo na alma o que de bom já se viveu. E a condição de olhar com esperança o futuro, cheio de boas expectativas para o que um dia virá, torna-se, então, um bom princípio espiritual existencial da história. Pensamento que o próprio personagem escritor parece reconhecer ao findar do livro, e do filme. Algo que ele anota com certa poesia dramática visual, quando em simplória observação da natureza que rodeia o filme, enxerga nas idas e vindas das marés das águas, a boa continuidade do ciclo da vida. Não enquanto a repetição e mesmice de uma mesma história, mas sim, pra reconhecer a força e vigor de uma realidade que é a própria essência de algo que permanece vivo, pois sempre em relacionamento com tudo que o cerca. Tal condição de superar tragédias pra viver com equilíbrio a vida que segue, tem sua orientação espiritual correspondente na impactante e conhecida frase do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece!" Pois o princípio espiritual definido por São Paulo não se refere ao sucesso, mas trata, sim, da serenidade. Virtude da espiritualidade que mantém a pessoa vivendo continuamente dentro de uma só personalidade, esteja ela na abundância, ou com quase total falta de bens. O que se deseja não é que a pessoa sorria na desgraça, mas sim, que saiba chorar até seu limite saudável. O propósito é impedir que a perda vire desgraça, até que um dia nos arruíne por completo. O que muito fortalecia o Apóstolo era exatamente a presença de um outro espírito, e pessoa na vida dele. O próprio Espírito de Deus! Ser espiritual que se tornou uma presença sábia e serena atuando diretamente na sua alma. Alguém que foi capaz de transferir para a personalidade interior do Apóstolo, os sentimentos necessários para que ele seguisse em frente com sua história. Não é nada, não é nada, é uma boa pessoa pra se ter junto a fim de se manter equilibrado e esperançoso em tempos de aflição e dificuldades. Tempos iguais aos nossos, afinal. Cuide-se melhor, então! E uma boa espiritualidade pra todos nós.

a Espiritualidade da DEPRESSÃO e do APOCALIPSE, no Cinema: MELANCOLIA

"Em caso de colisão entre o Melancolia e a Terra, é certo que nosso planeta não sobreviverá externamente, mas o que o cineasta dinamarquês busca mostrar é que internamente a situação já está à beira de uma catástrofe."(Lucas Salgado). Se a Nouvelle Vague (1960) de François Truffaut e Jean-Luc Godard arrancou a câmera do interior dos estúdios de cinema e a colocou nas ruas e praças dos exteriores sociais humanos, o Movimento Dogma 95 limpou os cenários cinematográficos das luzes e sons manipulados, pra levar o espectador direto aos sentimentos da alma dos personagens: "Em 1995 os dinamarqueses Lars von Trier e Thomas Vinterberg fazem "um voto de castidade" artístico com o Manifesto Dogma 95." (O Livro do Cinema, Globo) Daí que o definitivo filme apocalíptico de Lars von Trier, MELANCOLIA (2011), com Kirsten Dunst (melhor atriz em Cannes) e Charlotte Gainsboug, aplica nas telas - e projeta direto na veia, uma hecatombe familiar. E já que falamos de um cinema purista em seu propósito autoral de apresentar as sensações humanas mais íntimas, nada melhor que ler, logo de uma vez, a objetiva crítica de Lucas Salgado (AdoroCinema): "A maioria das cenas passadas durante o jantar é realizada com a câmera na mão, passando ao espectador a sensação que ele é mais uma daquelas figuras inquietas presentes no salão... A direção de arte e o figurino também chamam muito a atenção e deve surpreender aqueles que conhecem apenas o lado mais minimalista do cinema de von Trier, como Dogville... Não existem soluções simples em Melancolia ou qualquer tipo de redenção. É um longa único, como costumam ser os de von Trier, que deixa o espectador quase que num transe após a sessão. Você pode até não gostar, mas é difícil não se envolver." A primeira parte do filme expõe a amplitude da depressão existencial da protagonista, pois trata-se de uma sensação que a domina nos projetos mais comuns da vida, particularmente seu casamento e os necessários convívios comunitários que vêm junto da celebração. Uma depressão crescente que irá se transformar em serenidade assim que um desafio existencial maior, e definitivo, aponta no horizonte de todos os personagens - o fim do mundo e morte de toda a humanidade. De repente, eis que tudo muda! Pois enquanto a protagonista se ergue das cinzas pra bem conviver em família cada novo dia que têm, seus familiares e a vizinhança do mundo tentam sobreviver com os olhos gravados na dança de morte dos planetas. Já que estes orbitam agora, sempre próximos da colisão. A condenação do planeta Terra e o Juízo final da população do mundo estão perto demais, pra ser mentira. Eis o modo brilhante como o diretor von Trier torna perceptíveis alguns sentimentos contraditórios da humanidade, o que realiza através de uma metáfora tão grandiosa, que quase nega ao autor seus princípios autorais. Só que não. Fala, então, Thiago Siqueira: "Comumente, a depressão é explicada pelo desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Essa colocação fria e lógica não chega aos pés dos efeitos reais dessa condição em uma pessoa e aqueles que a cercam. Nisso, o diretor Lars von Trier se livrou das amarras da sutileza e colocou brilhantemente neste seu novo trabalho uma metáfora clara da depressão: é um planeta atingindo nosso mundo. (...) Melancolia absorve parte do ar da Terra, tornando difícil a respiração. Seu empuxo gravitacional atrai tudo o que estiver próximo e seu impacto em outros corpos não apenas os destrói, mas como parece também absorvê-los." (Cinema Rapadura) Enquanto a história permanece desenrolando direto do projetor de cinema, a sensação da "depressão" também se torna cada vez mais conhecida dos espectadores. Algo que ocorre através de uma proximidade que perturba não por compartilharmos a opressão do outro, mas sim, pela familiaridade que há com a nossa pessoal dor existencial. Pois a angústia particular da protagonista tornou-se uma ansiedade comunitária da humanidade, assim que certa futilidade da vida se fez aparente por meio da chegada do fim, de todos nós. Chegou o Apocalipse!! Uma expressão outrora preocupante que virou marketing temático do fim do milênio, de tal forma que hoje poucos com ela se surpreendem, ou atemorizam. Isso até que "MELANCOLIA", nos traz de volta para uma realidade, sim, inescapável da humanidade. Nossa data final! Mas, afinal, o que ensina mesmo a boa Espiritualidade sobre o fim dos tempos - da humanidade? Bem, o que já dá pra dizer, sem estragar a surpresa, é que a cena final de MELANCOLIA tem muito a ver com a cena inicial do mais conhecido Apocalipse de todos - o bíblico! Mas, se ambas as cenas são parecidas, algo fundamental pra saber do fim dos tempos judaico-cristão da humanidade é que... o anunciado Reino de Deus vai um dia chegar inteiro por aqui. Bem definitivo e de uma vez por todas! A primeira revelação essencial é que trata-se de um final, sim! Mas apenas daquilo que chamamos, "a presente época". Não é o fim dos tempos ou da vida, não. Pois está mais pra uma transformação do que para extinção. Isto porque o Apocalipse vai promover uma mudança definitiva da autoridade que domina o modo como a vida humana deve acontecer, e ser neste mundo. Pra melhor entender: assim que Jesus andou pela Palestina curando doentes e livrando pessoas de espíritos malignos, foi quando descobrimos pela primeira vez que o Reino dos céus estava atuando no planeta Terra. Ou seja, havia um novo monarca na região. Um soberano poderoso cujo alcance de autoridade era comprovado através das boas ações de Jesus pela humanidade. Portanto, os "céus" que no fim dos tempos vão chegar inteiramente pra cá, são exatamente aqueles do Reino dos "céus" que um dia Jesus já inaugurou por aqui, quando na Terra andou pela primeira vez. O que vai acabar de uma vez por todas no final dos tempos, então, é exatamente esta "presente época" de uma vida meio distante de Deus. Haverá uma renovação existencial da história da humanidade que a esperança cristã visualiza como uma realidade futura ocorrendo através da presença transformadora de Deus. Algo diferente das ideias seculares de esperança e bonança social consignadas por meio do Iluminismo ou Marxismo. Eis porque o ensino do Apocalipse bíblico tem mais a ver com a ideia de um "Céu" que "encontra" o nosso mundo, do que com a visão de que faremos uma viagem até um céu onde Deus nos espera, lá chegar. Eu sei que todos aqueles que morrem na Terra antes disso acontecer, vão aguardar nos "céus" até a hora do Apocalipse chegar, sim. Mas, se trata mais de uma dimensão da existência humana, do que de um lugar pra morar, e nele depois existir. Portanto, a grande mudança existencial que vai ocorrer assim que o Apocalipse acontecer, não é a de que alguns vão para o "céu". Mas sim, que os "Céus de Deus" vão definitivamente chegar em nosso planeta Terra. Aproveite quem puder! Pois o capítulo 21 do Apocalipse afirma que vai acontecer uma restauração total da condição vivencial da humanidade, pra tornar a vida na Terra algo próximo do que um dia já existiu lá no jardim do Éden. Lugar que já foi a morada conjunta de Deus e dos homens neste mundo. "Vi o céu e a terra criados de novo! (...) Ouvi uma voz: "Olhe! Olhe! Deus está de mudança: vai morar entre os homens e mulheres. Eles são seu povo, ele é o Deus deles. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles... A primeira ordem das coisas não existe mais." Não é nada, não é nada, eis que o fim dos tempos do Apocalipse bíblico assume - com vantagem, a condição de melhor solução pra qualquer comunitária depressão que surgir, por aí, buscando em nós se encostar. Dentro deste propósito, MELANCOLIA é um filme necessário, pois a profundidade vivencial de sua cena final aponta, sim, para uma real transformação que irá ocorrer da história humana no planeta. Novidade existencial angustiante que seu enredo dramático descreve de jeito brilhante, ao apresentar nossa constante ansiedade habitual de modo sutil e trágico, eterno e diário, aparente e íntimo, tudo pra explicar melhor o que significa existir como "ser" humano nesta presente época inquieta da humanidade. Que o mágico encontro de Melancolia com a Terra nos sirva de visão pra logo enxergar o anunciado e possível encontro final de Deus com a humanidade. E que a boa espiritualidade nos ajude a estar prontos pra tão definitiva ocasião. Bom filme.

a Espiritualidade da TRINDADE de DEUS, no Cinema: A CABANA

O Perdão é a atitude humana que Deus mais semeia a fim de escrever pra nós o Caminho da Verdade que dá novas oportunidades de Vida pra todos, hoje e daqui pra frente, até a eternidade. A CABANA, The Shack, 2017. C S Lewis criou o mito de Nárnia e J R R Tolkien o mito Senhor dos Anéis - histórias fantásticas acerca de Deus boas demais pra ser verdade. Só que são! Mas a história de A Cabana superou ambas, pois trouxe o Mito até a Vida humana - algo que Deus Pai faz todos os dias ao nos visitar através do Espírito Santo de Jesus Cristo. Eis o que torna o filme um dos melhores que já assisti com o objetivo de transpor ao cinema a transcendental experiência de vida da humanidade junto de Deus. Lewis escreveu "As Crônicas de Nárnia" e Tolkien "O Senhor dos Anéis" no propósito de invocar na alma das crianças da Inglaterra - e do mundo todo, algumas virtudes e valores espirituais eternos. Seus personagens mágicos viveram gloriosos temas cristãos fundamentais por meio de enredos fantásticos: fraternidade e humildade, sacrifício e coragem, além da eterna luta do bem e do mal. Mas, se os maravilhosos escritores britânicos deram boa vida a princípios essenciais, o escritor de A Cabana, William P Young nos oferece literatura espiritual da melhor qualidade ao introduzir não somente mandamentos, mas a própria Pessoa de Deus no coração das crianças e adultos do século 21. Eu até gostaria que Steven Spielberg ou Peter Jackson (Senhor dos Anéis) dirigissem o filme. Mas, então, o sentimentalismo e a mágica seriam de tal forma espetaculares, que quase se perderia o melhor - um encontro pessoal essencial que a obra deseja aprofundar. Neste propósito, Stuart Hazeldine acertou na direção. Embora tenha lá seus problemas: "O principal deles tem a ver com o ritmo da narrativa. Com 2h13 de duração, A Cabana em vários momentos assume um tom contemplativo de forma a construir em torno do personagem principal o conforto emocional tão procurado. Por mais que visualmente seja agradável, pelo uso de cores suaves e uma fotografia paisagística, há momentos em que a história empaca de forma impiedosa, provocando um certo cansaço." (Francisco Russo, AdoroCinema). De acordo, pois faltou criatividade técnica ao diretor para mais artística - e rapidamente apresentar a terça parte inicial do filme, o que faz com que bom número de cenas lembrem as antigas Sessões da Tarde da TV, ou algumas séries pueris de comédias familiares norte-americanas. O que nos obriga a presenciar certas situações de uma sensibilidade tão simplória que parecem tornar-se pieguice, vez ou outra - hora de perceber que o nosso coração é que anda endurecido, ou apressado, também. De qualquer forma, o filme segue adiante no seu objetivo de apresentar detalhadamente os dramas pessoais do protagonista. Só pra que depois consiga bem compartilhar conosco os desafios espirituais vivenciados por Mack junto das Pessoas do Deus único. Este, sim, o relacionamento existencial fundamental da história. Pois o melhor e mais inovador tema do filme é tornar crível um relacionamento sensível e real entre qualquer simples ser humano e o maravilhoso Deus Criador do mundo. Partilhar da atmosfera fílmica de A Cabana parece algo assim como assistir a um filme religioso. Mas, não se deixe enganar, o objetivo é proporcionar uma experiência mística, quase fantástica, só pra descobrir um pouco melhor como é conviver com Deus nos dias atuais da nossa existência. A própria Pessoa de Deus é bastante presente no filme, todas as três. E as conversas com Ele que tratam de questões importantes da humanidade sempre dão bom esclarecimento às dúvidas da alma e da vida da gente. As Pessoas da Trindade do Deus Bíblico, Pai, Filho e Espírito Santo; são bem definidas em suas personalidades sentimentais e na maneira como co-existem entre si, e junto conosco. Destaque para as cenas que nos fazem reconhecer, e surpreender com algumas das melhores revelações da individualidade pessoal e da unidade particular do Deus da Trindade; desde que alguém já resolveu afirmar essa doutrina bíblica na história dos homens. De muito bom gosto e quase a se tornar uma revelação cultural é o modo como o enredo apresenta, primeiro, Jesus - existencialmente próximo de nós, pois um ser humano se fez. Logo depois, o Espírito Santo - extremamente sensível, pois pleno de sensações acerca de quem realmente somos. E finalmente, Deus Pai, o sábio e amoroso Soberano que a tudo e a todos governa, sempre. A importância da Espiritualidade da humanidade salta aos olhos enquanto partilhamos das cenas místicas do filme, pois, afinal, algo místico é simplesmente alguma coisa que não é só física, ou que não pertence apenas a este mundo. Todas as pessoas tem um espírito, além do corpo físico, e desse modo existimos em nosso planeta. Somente quando descobrirmos o espírito que há em nós, iremos enxergar a realidade dos outros seres e dimensões que compõe a estrutura da vida dos seres humanos. Pois assim somos influenciados e nos relacionamos com boa parte do muito que nos cerca. Uma verdade mística essencial que se faz realidade de maneira bastante natural através do filme, tornando-a uma experiência cotidiana habitual para todos nós. Nota máxima para A Cabana, aqui. Pois o aspecto espiritual de nossa existência tem sido negligenciado há séculos, como se os tempos atuais fossem ainda a Idade das trevas, em que o medo do místico nos tornou reféns da ignorância, que, certamente, jamais será uma verdade que liberta. Neste sentido, o valor extra dado à transcendência da vida dos homens na "Cabana" é um grito que procura devolver ao Deus bíblico o que lhe é devido, conforme bem atestam seus profetas. Pois muito do mistério das dimensões espirituais da vida humana junto com Deus - esquecidos ou surrupiados no tempo por outras ideias e filosofias, são recuperados pelo filme como temas básicos do Evangelho bíblico de Jesus Cristo. Segue a indicação do filme do blog AdoroCinema: "A Cabana também ganha pontos consideráveis na comparação com outros filmes também feitos para louvar, no sentido de não ser ofensivo e maniqueísta perante o espectador. Se é nítido o objetivo de apresentar preceitos religiosos, estes são inseridos na narrativa de forma orgânica e sem a obrigação prévia de aceitá-los. Acima de tudo, trata-se de um filme sobre a fé, sem julgar descrentes nem manipular informações de forma a conquistar adeptos. Ou seja, trata-se de um filme honesto, dentro do que se propõe a ser." (Francisco Russo) Uma das mais belas cenas teológicas do filme apresenta em poucos segundos a maneira pela qual a Paixão de Cristo ocorrida na Páscoa - o sofrimento de Jesus pela humanidade, foi uma morte que não apenas separou o Filho do Pai. Mas, juntamente com isso, tornou-se uma enorme dor que foi por ambos compartilhada. E a pequena duração da situação aponta para o que realmente importa no simbolismo artístico - a dor que Pai e Filho juntos carregam em razão do pecado da humanidade. Acredite, não há interesses doutrinários maiores ou estranhos com que se preocupar. Segue do Apóstolo São Paulo uma das boas sensações que deveríamos guardar após participar de um contato pessoal com o Deus do Universo: "Se alguém pensa que sabe tudo sobre algo, ainda não aprendeu como deveria. Mas quem ama a Deus é conhecido por ele." Enquanto meditação extra acerca das tragédias humanas e Deus, indico a leitura neste mesmo blog, dos textos: - Espiritualidade 2017: Deus é mesmo bão, Sebastião?; e, - Espiritualidade no Cinema, SILÊNCIO, de Martin Scorsese. E bom(s) filme(s) pra você.

a Espiritualidade da INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, no Cinema: A CHEGADA

O diretor Denis Villeneuve inicia o filme A CHEGADA sensibilizando a platéia com algumas lembranças maravilhosas da sétima arte: ele recria a cena favorita de Steven Spielberg em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, nos faz retornar ao ambiente do planeta Alien o 8 passageiro de Ridley Scott, e ainda nos dá insights de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick. Sensacional! Tudo isso pra nos deixar ainda mais inquietos e esperançosos à espera de seu "Blade Runner 2049". Já comprou seu ingresso? O blog AdoroCinema, pra variar, oferece uma análise objetiva e inteligente através do crítico Renato Hermsdorff: "A história se passa nos dias atuais, quando seres alienígenas descem à Terra em naves espalhadas por diversos pontos do planeta... E, para ajudar na comunicação com os ET´s, a Dra Louise Banks (Amy Adams), uma especialista em linguística, é convocada (...). Até o terço final do filme, a relação que Louise estabelece com os aliens soa confusa e carece de sentido - pelo menos, um sentido crível. A partir desse ponto, no entanto... ele começa a ser interligado (...). Apoiado na bela fotografia do experiente Bradford Young, Villeneuve se mostra também um esteta da imagem, alternando com maestria planos e enquadramentos variados, de forma a evocar o trabalho mais recente do cultuado Terrence Malick." É isso mesmo, gente. A CHEGADA é belíssimo no enredo e nas imagens, e sua história apresenta algumas das muitas dificuldades humanas que impedem um bom relacionamento entre as pessoas; tanto entre as que vivem no planeta Terra e também entre nós com seres de outro mundo. O desafio é apresentar os ganhos de uma comunicação entre seres vivos que possa ir além de uma conversa que somente realiza certa troca de informações entre eles. O convite é para superar o comum domínio relacional individualista que determina nossos encontros e desencontros sociais nestes dias de pós-modernidade. Pois o que os humanos mais praticam no filme é um convívio em constante conflito, oriundo de conversas que acontecem no objetivo de logo afirmar cada distinto interesse egoísta das partes. Em contraponto, os contatos primitivos entre a humana Dra Banks e os aliens Abott e Costelo informam pouco, mas estabelecem um relacionamento bem mais verdadeiro. Algo assim como ouvir uma música estrangeira que da letra pouco entendemos, mas que juntos muito partilhamos da melodia e movimento. Foi C S Lewis quem disse que encontrar Deus em espírito é como ser convidado para uma dança, afinal. Enfim, eis alguns pensamentos que o filme vai nos dando e que são mui importantes à Espiritualidade de quase todo mundo, já que relacionamentos espirituais requerem exatamente contatos movidos mais pelo desejo de ali estar, do que das informações e conclusões que dali se podem retirar. Afinal, os ansiosos em definir as questões pra só informar seus pontos de vista na situação, rapidamente transformam encontros relacionais em relações de poder e conquista. E haja afirmações cortantes e declarações finais pra rapidamente definir quem manda na relação. Enquanto a linguista norte-americana compartilha alguns sinais pessoais que revelam pouco a pouco, e cada vez mais algo real da sua personalidade, russos e chineses decidem fazer contato através de jogos - uma dinâmica em que o relacionamento entre os participantes está definido desde o início: é uma competição. Algo parecido com participar de uma reunião em Brasília, em que o tema são os 150 milhões de analfabetos funcionais brasileiros, e ao mesmo tempo em que você pensa "educação", o outro pensa só em marketing político pra ganhar a eleição. É desse jeito, enfim, que a história da comunicação entre humanos e aliens vai chegando ao seu climax - de um confronto sem solução, claro. Mas, a proximidade da briga também faz surgir uma espécie de contato físico que até cria um interesse de compaixão pelo outro. E agora, José: vamos partir para o abraço, ou vamos sair no braço? As dúvidas da visitação alien ao nosso planeta se tornam, então, uma sala de avaliação do nosso constante desafio vivencial da comunicação. Há alguma novidade pra melhor discutir a relação? Ou a competição irá prevalecer, bastante, pra variar? O enredo do filme constrói ideias que seguem na contramão dessas nossas alianças de ocasião, pois valoriza uma atitude relacional que busca construir uma imersão nossa pra dentro da cultura do outro, o alien, a fim de que seja possível uma reprogramação cerebral das percepções humanas, quase sempre egoístas demais. E são os extraterrestres que nos oferecem a boa resposta: somente uma sacrificial doação da personalidade de cada uma das partes irá transformar este confuso contato em um encontro do bem pra todo mundo. Integração é a palavra que explica o bom objetivo de qualquer comunicação. E a Dra Banks isso experimenta tanto ao revelar honestamente seus sentimentos aos aliens, como também quando humildemente reconhece pra onde vai seu coração assim que junto deles partilha algo novo de sua vivência, existencial. A sinceridade diante do outro e de nós mesmos é essencial ao bom aprendizado acerca de como viver os relacionamentos da vida em comunidade, e até na particularidade. Por ora, é isso. Eis algumas das ideias que o filme A CHEGADA nos permite visualizar para melhor vivenciarmos alguns dos encontros humanos que dia a dia partilhamos. Valores importantes pra nossa vida social, desde sempre. Agora, importa perceber como são essenciais para nossa vida espiritual, também. Seja tanto para um auto-conhecimento que começa a levar em conta o espírito que vive dentro de mim, ou ainda, para as relações místicas que irei desenvolver através de minha religiosidade espiritual. Pois o que muito dificulta o bom encontro de nós mesmos com nosso ser interior, e também, impede que aproveitemos a possibilidade de estar junto de Deus, que é exterior. É sim, o nosso constante egoísmo existencial. Algo que nos faz conviver, sempre, em habitual competição. Atitude que impede a vivência de qualquer boa comunicação relacional, especialmente, a espiritual. Foi o Apóstolo Tiago que definiu a imaturidade de nossas conversas, humanoides ou diante de Deus, expondo o propósito peculiar que temos de somente falar pra definir posições, sempre cheios de desejos e paixões. Quase sempre, particulares e interesseiras demais, pra ser verdade. E como são. Fala Tiago: "De onde vêm as guerras e conflitos que assolam o mundo? Vocês acham que acontecem sem razão? Raciocinem. As guerras acontecem porque vocês exigem: "é do meu jeito, ou nada feito". E para terem o que querem lutam com unhas e dentes (...) Sei que vocês nem têm coragem de pedir a Deus. É claro que não! Vocês sabem que estariam pedindo o que não devem. Vocês são crianças mimadas, cada um querendo as coisas do seu jeito... Se tudo que querem é benefício próprio e enganar os outros, acabarão inimigos de Deus." É isso. Egocentrismo demais transforma qualquer encontro diário em um confronto de informações que nos fazem passar longe de sequer, iniciar a boa prática das mais primitivas formas de comunicação. E sem comunhão, não há convívio e satisfação, gente. Nem entre uns e outros, e nem junto do nosso próprio eu interior. Imagine, então, com Deus, o Pai dos espíritos. Cuide-se!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

a Espiritualidade LUZ e TREVAS, no Cinema: Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles

A cegueira básica da humanidade acerca da espiritualidade é a própria negação da existência do espírito no homem. O cidadão nega sua espiritualidade tanto ao afirmar que não acredita na alma humana, ou então, quando decide deixar pra lá qualquer análise pessoal sobre o que ocorre em seu interior enquanto vai vivendo a vida. Um resultado possível da negação é a preferência por fazer desta vida uma grande experimentação de tudo que existe e acontece, como se não houvesse amanhã. Ou então, a escolha por viver só naturalmente sem parar pra pensar que tudo que existe influencia bastante nosso ser interior, o próprio espírito que pulsa no homem. O ótimo e pesadíssimo filme do melhor cineasta brasileiro deste século, Fernando Meirelles - brilhante ao sempre unir a sutileza e profundidade técnica européia com a eficaz dinâmica hollywoodiana, apresenta através de cores fortes até onde pode chegar o ser humano quando decide viver somente para o aqui e o agora. BLINDNESS, "Ensaio sobre a cegueira", 2008, com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Alice Braga, é cinema da melhor qualidade, em filme assim descrito por Marcos Guterman, no Estadão, seção cultura: "A cegueira pode funcionar como uma forma de enxergar a natureza humana muito além das aparências civilizadas... Bastante fiel ao livro homônimo de José Saramago, Ensaio se passa em nenhum lugar, com pessoas sem nome. Não se trata, portanto, de uma história, mas de uma reflexão a respeito do que realmente somos, em essência, e não do que pensamos que somos - e isso inclui um nome e um endereço, espécie de rótulos com os quais nos reconhecemos e somos reconhecidos. No mundo da cegueira coletiva, esses rótulos são irrelevantes. No entanto, não são apenas as referências mínimas que estão ausentes. O desmoronamento moral, de um dia para o outro e em ritmo irresistível, traduz a confusão dos conceitos em um tempo no qual todas as informações têm o mesmo peso. A cegueira de Ensaio é branca - é o brilho da luz que cega, é o excesso de informações desordenadas que confunde, em vez de esclarecer, e não deixa ver como o mundo, de fato, é. O resultado disso é o caos." A ilusão do progresso moral da humanidade que o modernismo visualizou cai por terra quando diante das necessidades mais primárias, e protegido pela obscuridade, o homem escolhe o arrojo do completo egoísmo como princípio de vida a fim de satisfazer as paixões mais primitivas da raça. A escuridão torna-se, de repente, a orientação básica de vida para os que se percebem cegos num instante, o que lhes dá o direito de praticar, enfim, tudo que desejam e sonham ser sua necessidade. E quando já não enxergam mais quem são, pois dominados pela paixão; acreditam que mais ninguém poderá vê-los assim, também, vivendo em plena devassidão. A palavra do profeta que afirma estar o coração do homem em grandes trevas, assim que seus olhos enxergam tão somente a escuridão; poucas vezes foi tão eficaz pra descrever como a humanidade distante da verdade (realidade), entrega-se rapidamente ao que se torna, então, sua única existência; a ruína do sentimento. A liberação total para a prática das paixões humanas que a escuridão de si mesmo oferece, é sempre um convite em conflito com a boa prática da espiritualidade. É muitas vezes por aí que os olhos humanos se fazem grandes vilões de atitudes de respeito e pura sensibilidade, pois quando o terror das necessidades se avizinha junto de nós, é cada um por si, mesmo - e salve-se quem puder. Eis como a crueza das lutas da vida pode, grandemente, apagar qualquer traço de uma personalidade bendita que nossa consciência (espírito) almeja trazer pra realidade física, de todo mundo. É preciso vigiar, e orar, já dizia o profeta. Pois quando o espírito está pronto, a carne se revela fraca, quase sempre. Pois o espírito do homem anseia, de verdade, alguma experiência existencial de maior profundidade. Uma busca por certa amplitude de valores e mais dignas sensações pra vida. Foi o Apóstolo São João quem melhor escreveu sobre situações da vida e ensinos de sabedoria do Profeta Jesus, acerca da escuridão da espiritualidade da humanidade. João relata que um cego de nascença fora curado por Jesus - em uma demonstração milagrosa que somente um "homem de Deus" poderia realizar. Mas os "donos" de Deus não aceitavam que um Mestre distinto deles mesmos, viesse lhes revelar ensinos do próprio Deus que diziam tanto conhecer. Não importava que milagres infinitos se realizassem diante de seus próprios olhos. O orgulho humano que nos torna amantes de nós mesmos, os impedia de serem humildes pra receber um novo ensino a fim de que sua caminhada pra conhecer Deus na terra, pudesse, ainda e sempre, amadurecer. Jamais seria assim com eles. Pois, afinal, já nasceram sabendo tudo, mesmo. Foi quando Jesus ensinou aos homens que aquele que antes fora um cego de nascença - agora enxergava, sim, os reais caminhos da espiritualidade. Não só porque bem visualizava o mundo, mas porque acreditava no Profeta. Quanto aos outros, ainda enxergavam o mundo, mas não mais a vida - e cada vez menos, o espírito. Pois face a face com o Profeta, nada viam além de si mesmos. Bem-aventurados os humildes, pois deles é o Reino dos céus - já que podem ser conduzidos pelos caminhos do espírito, de Deus! E bem-aventurados são também, os que não viram, mas creram. Porque mesmo sem ter olhos físicos na ocasião, tem olhos espirituais pra reconhecer hoje, a voz daquele que, sim, conhece muito bem a espiritualidade de quase todo mundo. Bom filme!

a Espiritualidade do SACRIFÍCIO, no Cinema: SILÊNCIO, de Martin Scorsese

"Toda a minha vida foi cinema e religião", disse Martin Scorsese. O religioso e realista diretor ítalo americano M Scorsese não esconde suas angústias interiores e novamente surpreende os fãs de cinema com seu pragmatismo autoral. Aspectos de sua personalidade que o mantém vivo como um artista instigante e provocador de boas reflexões. E seu mais inquietante pensamento acerca da alma humana já está em cartaz nos cinemas brasileiros - SILÊNCIO, 2016, com Andrew Garfield e Liam Neeson. A primeira meia hora de filme nos faz viver uma interessante experiência de temor, pois partilhamos um pouco da fé religiosa humana mais pura assim que conduzidos ao interior da alma dos padres jesuítas. Tudo através de uma sutil atmosfera cultural que, vez ou outra, a boa sétima arte nos dá a chance de compartilhar. Enquanto nos acomodamos existencialmente no ambiente espiritual arquitetado pelo filme, logo iniciamos também uma jornada particular de silêncio interior. Uma experiência partilhada através da sonoridade sensível do filme, que nos fará perceber melhor tanto a majestade da natureza, quanto os sentimentos mais profundos dos seres humanos. Eis uma sessão de cinema que nos faz viver uma experiência essencial relacionada aos maiores dilemas da fé e espiritualidade humanas: a que trata do Silêncio de Deus diante das tragédias e injustiças que assolam a humanidade. Apenas para constar, ao menos quatro boas críticas e resenhas do filme merecem a leitura dos amigos: Hamilton Rosa Júnior escreve na Rolling Stone, e apresenta o filme de forma exemplar: "Martin Scorsese nunca trabalhou o efeito da ausência de sons de forma tão radical como fez aqui, neste que é talvez seu trabalho mais complexo. Sequer há uma trilha sonora em cena. Padre Rodriguez (Andrew Garfield), o protagonista, testemunha tantas atrocidades que passa o tempo inteiro perguntando a Deus por que Ele não cria algum tipo de intervenção para cessá-las." Gustavo Henrique, do site ovicio.com.br, que aborda cinema e literatura, artes e HQs, assim descreve a obra: "Silêncio é um filme que oferece uma experiência cinematográfica transcendental e reflexiva, que questiona percepções de vida, crenças e os limites da consciência humana. Uma das melhores obras de 2016, tendo sido completamente injustiçado no Oscar mas que deve perpetuar no futuro como um dos mais importantes filmes de um dos mais importantes cineastas da história." Outro texto diferenciado é o de João Lopes: Scorsese - o Silêncio e o Medo, que aprofunda o entendimento da fé no divino enquanto esclarece as virtudes cinematográficas do filme: "Da construção do espaço, primorosamente tratado pela fotografia de Rodrigo Prieto, até aos ritmos sensuais da narrativa, muito graças à montagem de Thelma Schoonmaker, "Silêncio" é um filme que se distingue por algo de primitivo — como se estivéssemos a descobrir a origem dos próprios poderes cinematográficos." Por fim, a sempre sagaz e comunicativa Isabela Boscov, da Revista Veja, supera-se em uma resenha quase espiritual de profundidade argumentativa eficaz, tanto existencial quanto técnica do filme: "Silêncio tem algum diálogo; quase não tem música. Sua eloquência está depositada nas imagens, compostas com imensa riqueza narrativa. Em parceria com o diretor de fotografia mexicano Rodrigo Prieto, o cineasta faz uma homenagem aos diretores que formaram o imaginário do Japão de sua geração. Sobretudo a Akira Kurosawa, de quem ele toma emprestadas algumas regras cardeais, como a da composição pictórica das cenas ou a movimentação de elementos da paisagem - o capim, a chuva, a neblina - contra o desenho dos personagens da tela (...) Por meio dessas pinturas em mutação, evocam-se a ligação estreita entre natureza e espiritualidade na cultura japonesa...". O filme é baseado na obra original do escritor japonês Shusaku Endo, publicada em 1966, e reflete acerca dos graves conflitos religiosos ocorridos entre os padres portugueses e as autoridades japonesas, no início do século 17. Trata da espiritualidade humana desenvolvida a partir de uma religião específica, e dos confrontos que seus princípios geram diante das orientações de uma outra religiosidade. Uma disputa doutrinária que vai além da teologia ou filosofia, pois o conflito que ocorre é existencialmente cultural. Para as autoridades japonesas trata-se de um projeto que pretende subjugar a vivência budista do povo japonês e toda sua história como nação aos ideais do cristianismo português. A resposta institucional do Japão são perseguições constantes aos líderes da evangelização cristã, seguidas de torturas que buscam a negação da fé pelos fiéis, para que sobrevivam, ou suas mortes, caso continuem cristãos - o martírio. Eis o drama em que se acumulam situações trágicas de tortura e assassinatos cruéis de inocentes a partir do confronto religioso que vira uma batalha espiritual entre cristãos e budistas na terra do sol nascente. Uma guerra dolorosa e aflitiva cuja decisão de seu término, e o consequente retorno da paz social, está depositada nas mãos e coração do Padre português Rodriguez. Cabe a ele decidir se a sua pretensão de cristianizar o Japão pra assim submeter sua cultura milenar aos valores religiosos europeus vale a pena. Pois será sempre uma missão levada adiante à custa da dor e sangue do mais humilde povo japonês convertido. Enquanto o Padre briga interiormente entre a decisão de manter seu ardor evangelístico, ou então, pela escolha de logo abandonar sua missão diante do terror aos fiéis japoneses, que já não aguenta enxergar; eis que surge, afinal, o "Silêncio". Que se torna, no filme, o próprio Silêncio de Deus! Já que o Ser divino parece não se manifestar mesmo diante de tão graves injustiças pessoais e sociais. E agora, Padre Rodriguez? Até quando o povo pobre japonês irá sofrer por seus projetos, que se tornam, cada vez mais, só particulares e egoístas? Eis, aí, a nossa questão! Que se torna, então, o dilema ético espiritual do filme. Situação ética que parece próxima da experiência do militar Lloyd Bucher, comandante norte-americano do navio USS Pueblo, que em 23 de janeiro de 1968 foi capturado pela marinha da Coreia do Norte, tendo sido acusado e toda sua tripulação de espionagem. Diante da ameaça do assassinato de todos os seus tripulantes, Bucher foi desafiado a assinar confissões falsas de espionagem, a fim de salvar seus comandados. O dilema de Bucher era básico: deveria afirmar sua honra e missão mantendo a verdade de que apenas navegava dignamente em águas internacionais? Ou, então, deveria abandonar sua autoridade e desprezar a integridade de sua liderança, mentindo e abandonando a realidade de que ele e seus marinheiros apenas navegavam nas águas livres da região? O fato é que Bucher assinou as confissões e assim salvou sua tripulação da morte, abandonando o USS Pueblo em mares norte-coreanos, onde se encontra o navio até hoje. E assim voltaram todos pra casa, sãos e salvos. Só que não! O dilema ético do comandante Bucher nada tem a ver com o conflito existencial espiritual do Padre Rodriguez. E olha que eu assinaria as confissões mentindo pra livrar os soldados junto com Lloyd Bucher, antes até que os norte-coreanos pudessem dizer "Tchau mesmo!", com apenas uma das mãos. E a razão da diferença está na descrição acima, já que Bucher enfrenta, sim, um dilema ético filosófico, humano. Enquanto Padre Rodriguez, diferentemente, vivencia um conflito espiritual existencial, eterno. É isso! Certamente que o filme parece afirmar, definindo simploriamente aqui, que o dilema do Padre Rodriguez é somente uma questão ética. Uma das mais dolorosas da história, sem dúvida. Porém, dentro do contexto cristão de fé e missão, se reconhece o conflito do Padre Rodriguez não como um dilema ético; mas sim, enquanto um confronto espiritual. Daí, a grave diferença situacional pela qual transitam o comandante e o Padre. E agora, José? Bem, o princípio teológico cristão que explica a diferença entre um dilema ético humanista e um desafio espiritual existencial surge, em nossa questão, a partir de uma determinação essencial do Profeta mor da fé cristã; Jesus, o Cristo. Pois foi Jesus que afirmou, pra eternidade ouvir, que aquele que viesse a confessar seu nome diante dos homens, seria assim reconhecido diante dos anjos de Deus. Igualmente, aquele que negasse a Jesus diante dos homens, teria seu nome negado também, diante de Deus. O contexto histórico da afirmação de Jesus trata da descrença e hipocrisia dos líderes de Roma e Israel, que desprezavam os desafios existenciais propostos pelo Profeta. Pois neles, Jesus reclamava uma fidelidade a Deus além dos limites terrenos, no propósito de religar os homens diretamente ao trono divino nos céus. De maneira que nada terreno, cultural e social, e somente temporal, pois limitado ao tempo de vida dado a cada geração, deve superar a convocação de Jesus para que a humanidade experimente um relacionamento místico a partir do espírito, junto da Pessoa de Deus. Uma convocação existencial para uma relação atemporal além da vida, pois adiante do espaço e tempo do planeta Terra. O cristianismo é isso, afinal. Daí que a confissão do Padre Rodriguez e dos fiéis japoneses gravita conceitualmente dentro deste contexto transcendente, e não, orientada por uma filosofia caridosa pragmática de proteção da vida, só para o tempo presente. Jesus ainda argumenta em favor de sua determinação, ao dizer que os homens não devem temer aqueles que matam o corpo, e depois, nada mais conseguirão fazer. Pois são incapazes de atacar a alma humana, e de atuar na eternidade. Enfim, o conhecimento da vida e da história humana que o cristianismo ensina, colocam o Padre Rodriguez e os cristãos japoneses diante de um dilema ainda maior do que aquele de apenas subverterem a cultura de uma nação. Ou até, de virem a perder suas vidas na presente época. Pois o conflito é eterno, não temporal. E se estabelece diante de Deus, não dos homens. Nesta situação, era imprescindível aos cristãos japoneses confessar sua Fé em Cristo, pois tal declaração nesta vida significava a afirmação da própria existência soberana de Deus. Uma confissão que afirmava a existência de Deus não somente aqui, em nosso mundo, mas também, na outra vida - algo que vai fazer toda a diferença quando os homens um dia lá estiverem, no Céu. Pois a descrença em Deus revela uma atitude de desprezo ao seu cuidado e presença, tanto para os dias atuais, quanto para a vida após a morte. A vida eterna. Eis o princípio doutrinário que dá significado à uma "comum" aceitação dos fiéis cristãos de que se percam os anéis (a vida hoje), para se manter os dedos (a vida eterna). Junto de Deus. Tá entendendo? Enfim, eis o contexto humanista cristão que dá consistência à tese de que o conflito do Padre Rodriguez não era ético filosófico, mas sim, existencial espiritual, de verdade. Uma experiência humana transcendente de sofrimento que encontra na vivência do homem mítico Jó, do Antigo Testamento bíblico, sua mais profunda e conceitual materialização. Pois ali, encontramos um homem que sofre em razão de manter-se fiel a Deus, e não o contrário. E para corroborar a ideia de que há um grave conflito espiritual acontecendo, mais do que ético, eis que vemos em momentos distintos do filme, tanto o Padre professor Ferreira, quanto o Padre aluno Rodriguez, balbuciando palavras ao vento como deprimidos existenciais. Pois, afinal, abandonaram sua fé transcendente de outrora. E assim, nada eterno reside ainda em suas almas. Tornaram-se zumbis do cotidiano cultural a que pertencem, e não vivem mais a partir daquela esperança inaudita que anima a humanidade. Projetos de vida que são espiritualmente verdadeiros e satisfatórios, pois falam, sim, ao interior eterno do homem. Bom filme!

a Espiritualidade SOCIAL da HUMANIDADE, no Cinema: LOGAN

A Espiritualidade de "LOGAN" está na excelência e valor de sua... humanidade. Eis uma das razões que fazem de LOGAN o melhor filme do Mutante Wolverine, com Hugh Jackman! E para superar os filmes anteriores da série, o prodigioso roteirista e diretor James Mangold deve ter se inspirado em "Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller, 2015; e tomara, consiga iluminar "Blade Runner 2049", de Denis Villeneuve, que chega aos cinemas este ano. O importante é assistir LOGAN como o drama sério de gente grande que é, pra não perder nada de sua instigante narrativa relacional. Ao mesmo tempo em que deve-se estar preparado para presenciar uma aventura excepcional e vibrante, como a muito não se vê em filmes de heróis de ficção. Hugh JACKMAN sempre foi Wolverine, mas agora, dá um passo adiante em sua composição artística e consegue existir plenamente em seu personagem. Pois a jornada de LOGAN confunde-se com a história do ator na série, ao unir os sentimentos do mutante e do artista de maneira surpreendente. Se "XMEN" não fosse uma série marcada pela ação e aventura, poderia ter vencido o preconceito da Academia e teria seus atores e diretor indicados ao "Oscar", com reais chances na competição. LOGAN é um filme maduro em sua narrativa dramática e criativo tecnicamente nas cenas de ação. Vale a pena, mesmo, assistir! E voltando ao tema principal, o que a história final de Logan e seus companheiros Mutantes descreve é uma jornada existencial das mais relevantes para todos que almejam viver uma Espiritualidade saudável: a busca de tornar-se uma pessoa humana na amplitude e grandeza do nosso potencial como espécie. Os Mutantes de LOGAN perseguem, e conseguem tornar-se o avô e a filha, o amigo e o cidadão, e, finalmente, o filho e o pai, uns dos outros; e também, de (quase) toda a humanidade em geral. Uma proposta vivencial que, vindo de quem vêm: Mutantes quase só inimigos e menosprezados diante de nós outros, humanos "puros"; nos atinge sensivelmente no espírito, como se fora uma tesoura afiada ali plantada. Certamente que tal reflexão demora pra acontecer. Isso se vier a ocorrer. Mas a boa e primitiva satisfação de adrenalina adquirida ao assistir bons filmes de aventura é aqui substituída por uma sensação inquietante de que algo novo nos foi dito, sim, em alto e bom som. Mesmo que não saibamos precisar bem o que. A realidade é que o desafio aos Mutantes para que assumam sua humanidade tornando-se pessoas sociais em nosso mundo, revela-se um projeto Espiritual de inegável valor interior pra qualquer um. Daí a nossa inquietação, bem mais que só hormonal, com o filme. E mesmo que não dure muito, estou aqui para aproveitar a ideia e remexer tal sensação. Pois os Mutantes de LOGAN desenvolvem sua maturidade existencial espiritual ao mesmo tempo em que nos emocionam e motivam assim que os vemos correr atrás de suas personas humanas sociais. Sejam elas, as familiares e comunitárias, ou ainda, cidadãs e até as humanitárias. Em meio às lutas e dores que vivenciam nesta excelente aventura, os personagens buscam assumir novos sentimentos para suas antigas personalidades. Enquanto vão deixando de lado a força e a vaidade, abraçam por valor a bravura e a dignidade como um princípio de suas novas atitudes pessoais. O que observamos nos Mutantes de LOGAN são experiências de sacrifício e compaixão, generosidade e humildade; todas, sensações e valores normalmente relacionados a uma jornada heroica mais humana do que a de super heróis. A doação pessoal dos XMEN tanto para cuidar de vidas, quanto para com elas se relacionar; torna-se assim, o grande tema vivencial espiritual do filme. E quem muito escreveu sobre o valor e a necessidade de assumirmos, logo e de uma vez, nossas funções sociais mais próximas. Como a de sermos filhos e depois um pai, ser mãe e também vizinhos, colegas de trabalho e cidadãos, e assim por diante; foi o bom e sábio Apóstolo São Paulo. Ele mesmo. Pois o que acontece muitas vezes é que no objetivo de vivermos algo relevante e especial, enquanto experiência espiritual, o que se busca é algo que ocorra além da vida e das pessoas do nosso cotidiano. Ledo engano. Daí a simples e direta afirmação do Apóstolo para que sejamos, sempre, as melhores pessoas que pudermos - dentro do grupo social a que pertencemos. Ou, do que desejamos participar. Somente experimentando pra valer as nossas cotidianas relações sociais, iremos descobrir o real (e melhor) potencial da nossa personalidade, da espiritualidade. Pois o bom desafio espiritual é conseguir amadurecer nossa personalidade interior junto do outro e da sociedade, de quem e do que, somos parte, afinal. E só pra terminar bem, aproveito pra citar a crítica do maravilhoso filme de Frank Darabont, "Um Sonho de Liberdade", 1994, incluída em "O livro do Cinema", Globo Livros, que descreve o que eu gostaria de registrar acerca de LOGAN: "Um filme que trata da vitória do espírito humano sobre a adversidade lida com algo delicado... Frank Darabont consegue o perfeito equilíbrio na direção do filme. Ele enfatiza a humanidade acima da brutalidade...". E assim, igualmente ocorre com James Mangold na direção de LOGAN, 2017.

a Espiritualidade da ALMA, no Cinema: BLADE RUNNER

Se a esperança da nossa fé vale apenas para esta vida, coitados de nós - já dizia o Apóstolo São Paulo. Eis a dúvida existencial que o policial Deckard do ator Harrison FORD sequer consegue imaginar de tão íntima e profunda que ela é, enquanto caça robôs replicantes (cópias fiéis de seres humanos com no máximo 4 anos de duração), e que são proibidos de viver no planeta Terra (Blade Runner, o caçador de androides, de Ridley Scott, 1982). Enfim, eis a questão: os seres humanos tem mesmo uma alma dentro de si pra chamar de sua? Ou somos apenas células (bem) crescidas geradas em meio à longa história do progresso da personalidade? Pois os diálogos primevos que o replicante "androide" Roy do ator Rutger HAUER fazem soar nos ouvidos de Deckard FORD logo lhe vão queimar os neurônios com essa que é a grande (maior) preocupação da humanidade, desde sempre. Como bem esclareceu o crítico de "o Livro do cinema" (Globo livros), "Se Roy Batty é capaz de sofrer e ter vontades, em que ele é diferente de seus criadores?"... Mas sua análise vai além ao replicar uma constatação fundamental do robô essencial - "É uma experiência e tanto viver com medo, não? Isso é que é ser escravo.". Escravo do que, afinal? Da morte total, pois sim. É isso! Se os próprios replicantes já estão percebendo (e sofrendo) com a razoável inutilidade de uma existência "humana" sem alma - e por isso mesmo, quase sem presente e certamente nenhum futuro; ora, por que caçá-los como se "somente" robôs racionais eles fossem? Tem algo a mais nesta história que merece nossa atenção, certo? Eis o que (quase) também começa a entender o policial Deckard FORD. E nada melhor que analisar tudo isso e mais um pouco acerca da espiritualidade assistindo a um dos melhores filmes de ficção científica noir policial que se conhece da história do cinema. Pois a expressão "cult" assumiu aqui sua realidade mítica fundamental, acredite. Se o brilhante CHINATOW de Roman Polanski subverteu as regras clássicas NOIR, foi Blade Runner quem as trouxe ao século 21 (ainda nos anos 80) aprofundando as complexidades dramáticas de seus protagonistas até o espírito. Pois as palavras do replicante ROY anunciam não apenas seu medo cotidiano da morte humanoide que dele se aproxima, mas também sua agonia ao perceber que o esquecimento de tudo que ele já viveu é (quase) igual à negação existencial de si mesmo. Que loucura. O que ROY observa não é somente a possibilidade do fim de sua vida presente, mas bem mais que isso, a realidade constante de uma morte eterna que experimentamos desde agora, e sempre. Que horror! Estas afirmações absolutas e inegáveis acerca da vivência mortal da humanidade explicam a frase mais grave com que o crítico de "o Livro do cinema" resume a depressão existencial dos robôs de Blade Runner, ao concluir: "Batty e seus colegas replicantes estão fazendo uma revolução ao forçar seus criadores a vê-los como seres dotados de alma em busca de libertação." Pronto. Chegamos ao ponto essencial, que aliás, já foi esclarecido no início do texto: afinal, os seres humanos tem mesmo uma alma dentro de si pra chamar de sua? Ou somos apenas células (bem) crescidas geradas em meio à longa história do progresso da personalidade? Se até os replicantes de Blade Runner estão atentos a essa questão, quanto mais o policial Deckard FORD e igualmente, eu, você e a espiritualidade de quase todo mundo, não é mesmo? E essa não é uma constatação que vêm de fora, mas nasce lá de dentro da gente, entende? Bom, ao menos é assim que pensa o Apóstolo São Paulo quando afirma que existe uma consciência moral nos homens, sim. Ele se refere ao conhecimento interior de todos nós que, de um lado nos capacita a visualizar a própria existência do Criador a partir da constatação da exuberância da criação, do mundo. E de um outro lado age pra fazer o coração dos homens reconhecer, e até mesmo contrariar, que há um jeito certo e um outro errado acerca de como se deve viver a vida. Pois todos os homens seguem como que por instinto a lei interior que tanto os move para o que é correto, como os deixa preocupados com aquilo que fazem de ruim. O entendimento consciente que transforma nossa vida em um constante desafio moral, que é a tal da consciência humana, afinal. Uma compreensão ética existencial que surge lá do interior do homem, segundo o Apóstolo. E que portanto, não vêm de fora, mas ao contrário, faz parte da própria constituição (natureza) da humanidade. Uma sensação que não origina das nossas células, não; mas é então, a nossa própria alma e personalidade espiritual essencial, sim senhor. Tá entendendo? É isso mesmo, o replicante Rob HAUER estava certo! Algo com o qual nem o diretor Ridley Scott ou o autor Philip K Dick sonhavam refletir, a história de Blade Runner bem vislumbrou acerca da incerteza da existência humana. Mas o futuro é melhor que o passado, de verdade. Pois quem esclareceu os pensamentos do Apóstolo Paulo, confirmando assim a existência da alma hoje e uma vida humana espiritual pra sempre, foi o Profeta Jesus. A situação é bastante conhecida e a conversa de Jesus Cristo com o ladrão na cruz é memorável. "Lembre-se de mim quando vier no seu reino", pediu o ladrão. E Jesus simplesmente lhe garantiu tudo, ao logo responder: "Ainda hoje estarás comigo no paraíso." Tá aí uma boa pedida, então, tanto para o humano replicante Harrison FORD, quanto pra você e pra mim. E bom filme!

a Espiritualidade da SEXUALIDADE, no Cinema: Terapia do Sexo

Depois do AA (Alcoólicos Anônimos) e AE (Amor Exigente), ainda aguardamos a chegada do mais necessário grupo de apoio do século 21: o VV - Viciados Virtuais, pra libertar o povo do "face" e whats. Mas, enquanto isso, já temos os 12 passos de ajuda ao sexo do filme "Thanks for Sharing" - TERAPIA do SEXO, 2012, de Stuart Blumberg. Contando com os atores Mark Ruffalo, Tim Robbins e Gwyneth Paltrow em excelentes atuações, este drama - comédia, sensível e bom demais, trata de mostrar as paixões desenfreadas que costumam assassinar a alma humana que já não consegue mais controlar os olhos, e tampouco as mãos. Rodrigo Gomes no blog AdoroCinema, assim definiu a obra: "Sensacional. Um dos filmes mais coerentes sobre esse tema, sem pudor ou sensacionalismos, apenas a realidade do que as pessoas passam. Cenas inteligentes e magnificamente desenvolvidas, com certeza foi realizado um grande trabalho de estudo para desenvolver brilhantemente esse roteiro que retrata um tema delicado sem se tornar vulgar. Apenas vi algo semelhante em “Shame”. Verdade. Vale (muito) a pena assistir o filme. Pois as fragilidades humanas que aparecem a partir das múltiplas experiências sensuais de nossos dias são reveladas em tom cuidadoso e eficaz pelos olhares e suspiros dos corajosos atores. Algo que vai nos ajudar a perceber um pouco mais de nós mesmos - e do perigo que já passamos, ou perto estamos de viver. Pois qualquer necessidade ou oportunidade pode virar só paixão - que sem satisfação, se torna vício e opressão. Ao invés de tratamento, da carência. Atenção. Algo importante demais pra não dizer é o quanto este filme apresenta situações possíveis a quase todo mundo, e quão dolorosas são elas - pois descrevem tanto a fome de amar, quanto a força de destruir que o coração humano carrega consigo. Uma experiência de paixão que muitas vezes consome, é a própria fome de amar - abandonada (de)pois, e que assim deixamos ir, pois cremos que jamais será satisfeita. Como também, a experiência vivenciada que arruína, sim, pois celebrada em grau e números além da conta, sem sequer nos darmos conta; que é o coração que então se foi, poi este ficou lá atrás, quase morreu. Sobrou apenas, o vício e a dependência. Não mais a busca do amor, e nem sequer a esperança da prazerosa convivência. Ficamos só, animais. Difícil, isso. Mas é assim, enfim, que chega pra ficar, o vício do sexo. Cuidado. Já houve tempo em que a espiritualidade acreditou que iria livrar a alma pela liberação da paixão humana. Toda ela. Já houve época em que a espiritualidade decidiu cuidar da alma pela negação do coração, sensual. Todo ele. Já se falou, bastante na filosofia, do equilíbrio, a raiz de todos os acertos. Mas, qual é o equilíbrio da emoção, hein? Penso, enfim, que este filme "Terapia do Sexo" nos faz enxergar, quase, uma caminhada espiritual de tratamento das carências humanas, sim. Pois os doze passos do grupo, praticados (pra valer) em comunidade; conseguem apresentar um pouco da obediência e sensibilidade, da disciplina e solidariedade - tão necessárias que são, pra nos fazer melhor viver os interiores dramas do coração. Daí que revelam tanto a fraqueza individual humana, quanto a carência social de todos nós - que são, então, somente bem tratadas, em conjunto. Até para mostrar que as nossas necessidades do coração, são de gente, principalmente. A caminhada espiritual do homem aprende do grupo de apoio o grande valor da boa interação entre dedicação individual e coleguismo fraternal. E o homem aprende da espiritualidade que, sim, vamos precisar de mais "alguém" pra nos conduzir com sabedoria emocional nesta vida tão cheia de sensações; pois, que maravilha é sentir, e se querer (bem), não é mesmo? A humanidade vai ter que descobrir - e levar em conta, que é muito mais do que um pedaço de carne pensante. Pra, finalmente, quem sabe um dia, viver bem suas sensações. Somos espirituais, sim! Não aguentamos, e nem controlamos, viver da vida tudo que se vê, e que se pode pegar. Você vai ter que orar um Pai Nosso, por isso. Pense nisso! Pra saber um pouco mais do assunto, leia neste mesmo blog, os textos: a Espiritualidade da Sabedoria, Mística (1), e a Espiritualidade no Cinema: À Beira Mar, de Angelina Jolie. E abençoadas emoções pra você.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

a Espiritualidade das PAIXÕES da ALMA, no Cinema: PAIS e FILHAS

Os olhos são a lâmpada da alma! E por isso mesmo, se os teus olhos só enxergam experiências vazias de viver, em quão densas trevas tua alma vai estar depois de você vivenciar cada uma delas buscando ser! Eis o famoso conselho espiritual do Profeta Jesus, um pouco aumentado pra virar subtítulo do filme PAIS e FILHAS, com Russell Crowe, Amanda Syfried e Kylie Rogers, do diretor italiano Gabriele Muccino, 2016. Uma boa sinopse de Aysson Oliveira está na cineweb: "Crowe interpreta Jake Davis, um romancista ganhador do Pulitzer (...) Sozinho, ele tem de criar a filha pequena, Katie (Kylie Rogers), a quem trata carinhosamente como Batatinha. Anos mais tarde, já crescida, Katie é uma pós-graduanda em psicologia –interpretada por Seyfried– levemente ninfomaníca." Já Roberto Bueno, de observatoriodocinema, pontua algo a mais da direção e enredo do filme: "O diretor italiano (...) faz um tipo de trabalho que conjuga uma boa história com as novas tecnologias existentes que possibilitam conta-la de forma que prende mais ainda a atenção das pessoas... A história (...) mostra como o amor de um pai por sua filha não impede que ela tenha problemas na fase adulta. Por mais atenções, preocupações e lutas que ele tivesse por ela, os obstáculos que surgem ao longo da vida (...) alterarão como a jovem se relacionará com as outras pessoas." É isso. De forma interessante e envolvente, o filme PAIS e FILHAS apresenta como a história da nossa vida (alma) se constrói (destrói) devagar, e sempre, muitas vezes. Uma espécie de realidade pessoal da qual jamais se consegue fugir. O melhor, então, é encara-la logo de uma vez, espiritualmente também. E a primeira reflexão espiritual ao filme nos faz perceber como os dramas da vida (e infância) podem esvaziar nossa alma até nos fazer correr atrás do primeiro prazer passional que a vista enxerga. Eis aqui uma (grave) questão do espírito! Pois o maior drama interior que sempre temos não é tentar descobrir, logo, o que está certo ou errado conosco, seja lá por qual padrão e valor nos analisemos. A boa espiritualidade deseja perceber, sim, o quanto a vida que tivemos (e temos) nos torna alguém que não desejamos ser, hoje! Ou seja, será que há uma espécie de "vício" da alma e dependência do "espírito" que nos faz viver o que não queremos, em razão de tudo que já nos aconteceu? Uma (boa) cena pra exemplificar tal realidade abre o terço final do filme e sua conclusão, momento chave em que a protagonista jovem vivencia aos prantos seu hábito existencial sentimental que, ainda e sempre, enxerga somente a breve satisfação da paixão dos olhos enquanto único contato afetivo relacional possível pra si mesma. Uma experiência de vida e costume passional doloroso demais que sempre nos transforma em traíras de nós mesmos. Foi Cazuza quem maravilhosamente cantou acerca dessa experiência habitual que aniquila a alma e que faz brilhar os olhos dos apaixonados visuais ainda "cegos", enquanto rapidamente se tornam zumbis de si mesmos: "Mais uma dose? É claro que eu tô a fim. A noite nunca tem fim; Por que, a gente é assim? (...) Canibais de nós mesmos; Antes que a terra nos coma; Cem gramas, sem dramas; Por que a gente é assim? Yeahh." Yeah mesmo!, e difícil pra caramba, meu caro amigo espiritual. Mas, o que fazer, afinal, quando os olhos só alimentam a alma com "luzes" da escuridão, gerando um círculo (vicioso) desgraçado pra quem apenas vive a vida do único jeito que a própria sempre o fez existir? Bom, antes de conseguir olhar pra vida em busca de algo que realmente seja luz na nossa alma pra melhores experiências praticar; importa espiritualmente mover nossa personalidade rumo a um tratamento interior das nossas paixões, ainda canibais de nós mesmos. Por isso, vamos às soluções. Foi Jesus quem disse que antes de ser Profeta, era também mediador entre Deus e os homens. No caso, tanto pra oferecer alguns sentimentos de Deus pra nós, como também, pra levar algumas sensações nossas até Deus Pai, só pra ver o que com elas se pode fazer. O convite sacerdotal de Jesus pra promover o encontro do nosso espírito junto do Espírito de Deus está descrito numa frase singela, mas bastante forte: "Vinde a mim os cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei." O alivio prometido por Jesus tem pouco a ver com tratamentos psicológicos e doutrinais que apenas nos dizem o que fazer, ou até que tudo podemos fazer - pois Jesus deseja mesmo é nos dar a condição de, sim, escolher um sentimento ou desejo pra chamar de seu. O objetivo é que experimentemos uma relação (espiritual) que nos aceite como somos, a fim de que dela saíamos com a serenidade e a paz necessárias pra de alguma maneira sermos capazes de nos livrar do hábito de só fazer coisas que mais mal nos fazem, do que bem. Uma experiência relacional espiritual que ocorre mais ou menos assim: pense um pouco no profeta Jesus, e logo diga a oração (relação) espiritual ensinada por Ele; que é o "Pai Nosso". E já no primeiro pedido as coisas irão acontecer, pois ao dizer "Venha o teu reino e seja feita a tua vontade", também medite cuidadosamente nos sentimentos e paixões que considera complicados pra você viver, sozinho. Eis o jeito como você pede pra Deus vir governar esse negócio chamado tua alma, certo? Trata-se de um relacionamento místico teu junto do Espírito divino que fará Deus agir no seu coração pra começar a curar um pouco da sua história de vida. Ele vai livrar você de certos hábitos emocionais e desejos sentimentais, ruins demais. E siga assim, até que um dia, e logo, logo; você vai perceber seus olhos enxergando algo novo diante da sua vista pra você pegar. Acredite nisso! E boa espiritualidade pra você, também.