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A Espiritualidade Cristã do SENHOR DOS ANÉIS, no Cinema!

O filme A SOCIEDADE DO ANEL do diretor Peter Jackson, da série O Senhor dos Anéis do escritor J.R.R Tolkien chegou ao Brasil no dia 1° de janeiro de 2002. E desde então, o mundo do cinema dos homens nunca mais foi o mesmo. Quatro hobbits, um elfo, um anão, um mago e dois homens formaram o melhor esquadrão de combate mítico apocalíptico que já se soube, quando entraram na Terra-Média para partilhar da mais fantástica alegoria da história cristã do mundo que se conhece. E agora em janeiro de 2026, a trilogia volta aos cinemas em sessões especiais. Pensando sobre a espiritualidade cristã da série, algo chama a atenção assim que o enredo revela um pouco da complexidade espiritual de nosso mundo, representada no filme por seres de espécies diversas que vivem juntos numa só dimensão. Uma proposição que pode ser criticada pelo pensamento cristão comum, sendo algo pra refletir quando se trata de propor ideias cristãs através da cultura. Outro ponto interessante do primeiro capítulo, "Sociedade do Anel" é que a história espiritual da humanidade se aprofunda continuamente nas cenas diversas de todo o filme. Porém, vamos observar a terça parte final da primeira aventura da trilogia, só pra melhor combinar as idéias. Iniciamos pela reunião de quase todo mundo que interessa lá na terra dos Elfos, visando a formação final da Sociedade do Anel. O grupo se organiza em meio ao comum egoísmo e habitual soberba dos diversos "seres" de etnias e raças diversas, até que o mais pequeno e frágil deles assume a tarefa principal - o desafio seminal de levar o anel até a toca do diabo, literalmente. Pois só o mais humilde dos seres será capaz de suportar as atrações ruins e tentações desgraçadas que a energia do anel oferece pra todos que dele se aproximam. A valentia ousada do ingénuo hobbit Frodo Bolseiro faz calar as individualidades. E assim, todos começam a se unir, tendo por fiel escudeiro o herdeiro do reino Aragorn e por cabeça da jornada o mago Gandalf. Eis como se organiza pra valer a Sociedade do Anel, com seus Nove membros representando as etnias e raças de toda a humanidade, além dos anjos que nos cercam. Sauron é o rei maligno de Mordor que tudo vê e controla a partir dos que tocam o anel, existindo como um "Olho" capaz de enxergar as sensações íntimas dos homens. Pois o anel carrega em si todo o esplendor de poder e riqueza, aspirações e desejos que os homens almejam conquistar nesta vida. Sendo que as mais perversas paixões dos homens se revelam numa simples aproximação ao metal 'precioso', instrumento que Saurom utiliza pra submeter a todos. Pois a vaidade é o pecado predileto de Satanás, já bem disse ele no filme Advogado do diabo. A partir dessa habitual realidade humana, vemos surgir certas paixões cruéis num hobbit idoso, num príncipe adulto e numa rainha inconstante. E tudo acontece em meio aos comuns desejos cotidianos de todos nós: o orgulho vaidoso, as necessidades do corpo sensível, e a conquista de tudo que os olhos enxergam. E como nossos olhos perto do anel só veem as trevas, quão densa escuridão logo toma o nosso coração consumido pelo metal precioso, o que direciona os nossos olhares para o que de pior na vida podemos desejar. Uma retroalimentação infeliz que se torna o retrato fiel da tragédia existencial da humanidade. O interessante é como o anel faz surgir também o aparente melhor dos homens - como a nossa paixão pela existência, embora o anel sempre corrompa o valor e o objetivo já no início da jornada. De forma que uma gota límpida de água da nossa personalidade logo se transforma em um riacho mal cheiroso de intenções, o que nos faz vagar por uma correnteza arruinada que espirra dores relacionais pra todo mundo. Somente a bravura de um humilde hobbit desprovido de vaidades faz surgir alguém capaz de carregar o anel, sem ser por ele governado. Organizados a partir daí, os nove membros da Sociedade do Anel avançam na missão. O mago Gandalf recorda a ocasião em que decidiu ir contra o governo de Saurom sobre a Terra-Média, escolhendo lutar pela destruição do anel pra acabar com seu poder. Foi o momento da escolha de seu próprio destino, que ele soube ao tomar sua decisão! Pois algum sacrifício é a base de qualquer verdadeira vivência espiritual, também. Uma realidade que o humilde hobbit Frodo logo percebe, e a partir disto, afirma seu desejo de jamais ter sabido do anel; numa vã e comum tentativa de escapar de sua própria história. Eis o modo como a Sociedade do Anel em batalha constante junto de seres desgraçados e desejos desenfreados - segue rumo aos quintos da Terra-Média, anunciando a nossa própria jornada humana neste mundo desregrado de paixões, mas repleto de oportunidades. Até que o Mago Gandalf surge para lembrar o pequeno hobbit que lutar por uma existência digna é nosso melhor destino, afinal. Pois o outro é morrer, o que já pode ter ocorrido conosco, embora ainda continuemos respirando - a pior das maldições. E assim caminham os nobres cavaleiros da Sociedade, na claridade do dia e segurança das montanhas, até que são espremidos pelas forças da natureza - que movidas por anjos ruins, atacam sem cessar, sob as ordens do mago Sarumam, fiel servo do "Olho". Gandalf reage e convoca os anjos bons pra que venham mudar os ventos e segurar as tempestades, e por aí observamos facetas intrigantes do nosso mundo espiritual tomar forma e realidade. Mas, não há tempo pra guardar tão valiosa informação, pois a Sociedade precisa seguir o caminho sombrio das Minas de Moria, residência de Orcs demônios que ferozmente atacam o grupo. Assim como acontece conosco, em meio às necessidades e lutas que fazem surgir as graves tentações da vida diária. E chegamos na batalha final do primeiro capítulo. Até os demônios menores fogem dela, enquanto nossos heróis a enfrentam em disparada. Pois o Mago Gandalf é quem fica para lutar e segurar o mais repugnante dos seres das sombras: um demônio do mundo antigo, que acordou das profundezas e está na região pra acabar de vez com essa história de anel. O desgraçado só não vai mais longe porque na melhor cena de exorcismo fantástico da história do cinema, o Mago Gandalf expulsa do caminho - na fé e na raça, o demônio mor das Minas de Moria. "Você não passará! Você não passará!", afirma o bravo e iluminado Gandalf... e o demônio não passou mesmo! Porém, nem tudo são flores, e os sacrifícios chegam rápido pra cobrar o valor das vitórias espirituais e do amadurecimento da dignidade do ser. No entanto, assim como na vida cristã, a virtuosa Sociedade do Anel continua seguindo em frente. Bom filme! autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor de ciências da religião, e publicou o livro, Resenhas espirituais de meditações cinematográficas, edit. dialética, 2020.

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