"Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo." (João 6. 51).
Para anunciar ao povo de Israel e todas as nações que Jesus é o perfeito Sacerdote de Deus, o Apóstolo João anotou as exortações de Jesus de Nazaré ditas para a população que o seguia, após a multiplicação dos pães:
"Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem dará a vocês, pois Deus, o Pai, o reconheceu. (...)
Então, Jesus declarou:
- Eu sou o pão da vida...
Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre.
Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo."
(Evangelho de João, cap. 6. 27-51).
Essa revelação bíblica anotada por João compõe um "Sinal do Messias" - conhecimento sobre o Cristo de Deus, que o apóstolo explica colocando dois ensinos lado a lado: primeiro, um milagre feito por Jesus - aqui, a multiplicação dos alimentos; e logo depois, conversas do significado religioso deste milagre - Jesus era Ele mesmo o pão do céu enviado para alimentar os seres humanos com a vida eterna!
Uma declaração surpreendente deste "Sinal" miraculoso-teológico sobre Jesus foi afirmada por Ele da seguinte forma: "este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo." (verso 51).
Observe que Jesus declarou nesta afirmação que Ele era tanto o Sacerdote diante de Deus, como também, o próprio Sacrifício ofertado pelos pecados da Humanidade. Esse conteúdo teológico-religioso foi explicado pelo autor da carta aos hebreus.
"Todo sumo sacerdote é um homem escolhido para representar outras pessoas nas coisas referentes a Deus. Ele apresenta ofertas e sacrifícios pelos pecados (...)
Ele, porém, o fez de uma vez por todas quando ofereceu a si mesmo como sacrifício. (...)
O mais importante é que temos um Sumo Sacerdote sentado no lugar de honra à direita do trono do Deus majestoso no céu. Ele ministra ali no verdadeiro tabernáculo, o santuário construído pelo Senhor, e não por mãos humanas." (Hebreus, cap. 5.1 - 10.20).
Anos mais tarde, ao escrever sua primeira carta na década de 90 do século 1, o mesmo Apóstolo João desenvolveu este princípio religioso sobre Jesus como sendo o Pão da vida descido do céu, que alimenta os seres humanos de uma forma que possam receber a Vida de Deus.
João explicou o modo como os cristãos deveriam crer e se alimentar do sacrifício sacerdotal de Jesus feito na Cruz, de uma forma prática e acessível para os seres humanos, e aqui aproveito da tradução bíblica A Mensagem, para nossa meditação:
"A Palavra da Vida se manifestou bem diante de nós. Somos testemunhas oculares!... E agora estamos contando a vocês, para que, como nós, tenham a experiência da comunhão com o Pai e o Filho, Jesus Cristo (...) Se afirmarmos que andamos com ele e continuamos a tropeçar por falta de luz, obviamente estamos mentindo - não vivemos o que afirmamos. Mas, se andarmos na luz, como o próprio Deus é luz, vamos experimentar também uma vida de comunhão uns com os outros, enquanto o sangue derramado de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo o nosso pecado. (...) Escrevo isto, filhos queridos, para orientá-los a não pecar. Mas, se alguém cometer pecado, temos um Amigo-Sacerdote na presença do Pai: Jesus Cristo, o justo." (1 João, capítulo 1.2 - 2.1).
Tá entendendo?
Jesus é tanto o Sacerdote como é o Sacrificio para a Humanidade ser religada novamente diante de Deus, abrindo a porta religiosa-existencial para os seres humanos entrarem no lugar santíssimo - a própria Presença de Deus em Pessoa.
João explica que para se alimentar de Jesus como Pão Sacerdotal e assim, existir sempre na Presença de Deus para aprender a viver como Deus vive, devemos crer e praticar duas verdades essenciais: primeiro, crer que nós somos pecadores e Jesus é santo e justo; e segundo, crer que Deus perdoa e purifica os pecadores que confessam os seus pecados. Pronto. Os pecados da humanidade que separam os seres humanos da Pessoa de Deus são tratados e purificados pelo perfeito Sacerdote Jesus, o "pão vivo que desceu do céu."
Boa semana!
autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor de ciências da religião.
Esse texto tem objetivo didático na disciplina de Símbolos de Fé no Seminário Presbiteriano do Sul extensão Curitiba. Daí a utilização de resumos e citações mais longas no interesse de oferecer aos alunos o conteúdo apropriado para o entendimento necessário aos debates e explanações em aula. CONTEÚDO de Aula: CONTEXTO HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO DOS SÍMBOLOS DE FÉ DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. TEOLOGIA REFORMADA. "Trata-se da teologia oriunda da Reforma (calvinista) em distinção à luterana. O designativo "reformada" é preferível ao calvinista... considerando o fato de que a teologia reformada não provém estritamente de Calvino." (Maia, p. 11, 2007). OS CREDOS E A REFORMA. "Os credos da Reforma são as confissões de fé e os catecismos produzidos nesse período ou sob sua inspiração teológica. Os séculos 4 e 5 foram para a elaboração dos credos o que os séculos 16 e 17 foram para a feitura das confissões e dos catecismos. A razão parece evidente: na Reforma, as...
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