sábado, 17 de dezembro de 2016

WESTWORLD, Onde Ninguém tem ALMA!

Se a sua TV a cabo oferece a HBO e você ainda não assinou, chegou a hora. Acredite! Caso contrário, irá sofrer de ansiedade espiritual por um bom (mau) tempo. No domingo, 2 de outubro a série WESTWORLD estreou na TV, e se sua origem é exemplar a partir do filme cult de 1973, escrito e dirigido por Michael Crichton - o atual seriado televisivo já começou excepcional. "Westworld" é um parque temático que oferece aos visitantes pagantes a grata experiência de viver o glamour do Velho Oeste norte-americano junto a perfeitos personagens da época - todos eles, robôs. No filme original, a encrenca surgia da violência das "humanas" máquinas atacando humanos homens. Agora, bem, parece que a coisa será bem pior. A melhor resenha ética tecno humanista do seriado que li foi publicada na revista Veja (5/10), por Marcelo Marthe. Enfim, vamos ao nosso tema: a Espiritualidade dos homens; por enquanto. O drama mecânico de "Westworld" aparece quando os robôs utilizam memórias antigas pra reagir a situações inesperadas de suas "vidas" no velho oeste. A surpresa e a inquietação pôr experimentarem "sensações" para as quais não foram criados lhes deixam existencialmente "tontos". Pronto: nasceu-lhes a ansiedade existencial. Pois afinal, os robôs não foram criados pra sentir a vida como os humanos a vivem, certo? Essa sensibilidade toda não vai acabar bem. E agora, José? Ora, Salomão é quem entende (bastante) do tema. O Sábio de Israel do ano 900 a.C escreveu sobre a aparente inutilidade de uma vida cujas experiências, e até conquistas, não trazem satisfação, realização de verdade. Foi o que ele afirmou, enfático, quando disse já na velhice: Tudo é vaidade, nada faz sentido! E o Sábio não falava das derrotas e nem das maldades da vida dele, ao contrário, lembrou das boas e corretas vitórias da vida: como a satisfação do trabalho e amizades. Que quê é isso? Bom, Salomão pensa a vida da gente a partir da visão judaico-cristã que indica que nascemos todos lá no início dos tempos, junto de Deus. E também, originalmente longe das coisas que pertencem somente a Deus. Vêm daí, a confusão. Nesta perspectiva, o grande problema da humanidade não foi o pecado original de comer o fruto da maça e do sexo - até porque um nada tem a ver com o outro. A questão sempre foi... o conhecimento. Do bem e do mal! Pois era esse o tal fruto da árvore. E foi aí que os humanos, todos nós, iniciamos uma história de vida que nos aproxima dos robôs de Westworld assim que eles começam a "sentir" a vida deles. Pois do mesmo jeito que os robôs não foram criados pra sentir, também não fomos criados para "saber" todo conhecimento do bem e do mal. Parece que ao decidir saber o que só Deus até então, sabia, a raça humana esqueceu que não somos Deus pra bem conhecer, e governar; tudo que pode vir a ocorrer com a gente nesse mundo, de Deus. Eis a questão de Salomão: de que adianta, afinal, lutar por uma vida que não é exatamente a minha, história? Pois, quanto mais eu conquisto a vida que hoje vivo, parece que menos realizado com o que sou, me sinto. Daí vêm a desilusão. E um vazio que é primo irmão da depressão, existencial. É sério, isso. Pois tudo que vivi e realizei já não me preenchem bem os vazios da vida, o que só revela em mim mesmo uma inadequação pessoal, a qual não consigo mais ludibriar. Que loucura, hein... Mas, tá entendendo? Pois foi por aí a sensação dos robôs de "Westworld", a qual já tinha sido uma antiga reflexão de Salomão. Bem, com os robôs do seriado vai dar tudo certo, espero. Mas, e quanto a nós? O certo é que o Sábio Salomão de Israel reconheceu nossa dificuldade e por isso logo afirmou pra quem quisesse ouvir: A vida é inútil! Não há sentido na história, da existência da gente. Ele escreveu isso em "Eclesiastes", um livro de sabedoria considerado dos mais depressivos da história. Mas, vale a pena a leitura. De qualquer forma, esta "estranha" e interessante ideia de eu e você termos sido criados pra não saber (e viver) tudo que hoje vivemos, até que ajuda a entender algumas coisas. Por exemplo: quando acontece da gente conquistar algo que muito desejamos, e mesmo assim continuamos vazios. Ou quando experimentamos um prazer e sensação especiais demais, mas que, ao mesmo tempo, não duram muito, certo? Parece que pra alcançar uma real satisfação na vida é preciso ir sempre um pouco mais adiante, ou então, procurar algo lá dentro do interior, de todos nós. Daí que aquilo que se vive mais parece vício - que precisa ser logo repetido, pra não perder o sabor; ao invés de uma realização, que bem satisfaz até a próxima oportunidade de viver algo bom de verdade, novamente. Os androides de "WESTWORLD - Onde ninguém tem Alma", estão vivenciando esse tipo de preocupação em uma série já considerada das mais existenciais de bom tempo pra cá. Enquanto isso, vamos pensar, pois o que Salomão percebeu foram duas limitações básicas da vida humana na terra: a limitação do tempo - pois não vamos durar mais que algumas décadas por aqui; e a limitação do espaço, pois o mundo até a lua é o nosso limite. Daí que não adianta conquistar "tudo" que por aqui existe se somente neste mundo iremos existir, e também, se desta (curta) vida quase nada iremos levar, de tudo que já vivenciamos. Que dor, hein? O irônico é que Salomão mesmo descobriu uma solução, ou metade dela, em outro livro que escreveu anos antes, já que Eclesiastes ele "pensou" quando já bem velho estava. O tal livro é "Provérbios", observações da vida humana a partir de um olhar espiritual pra tentar definir em frases simples o que vale, ou não vale a pena viver e "ser" nestes dias. Só pra gente se tocar do que Salomão disse que é bom experimentar hoje em dia, trago um resumo de Eugene Peterson acerca dos temas de "Provérbios":"a sabedoria tem relação direta com tornar-se preparado para honrar os pais, criar nossos filhos, lidar com dinheiro, conduzir a sexualidade, trabalhar e exercitar liderança, usar bem as palavras, tratar os amigos com gentileza, comer e beber saudavelmente, cultivar emoções e atitudes em relação aos outros de modo pacífico." Ou seja, ao mesmo tempo em que Salomão descobriu que conseguir alcançar vida completa aqui no planeta Terra é uma grande dificuldade pra humanidade, também deixou orientações pra fazer valer (bastante) a pena estes dias que por aqui vivemos. Seu conselho de sabedoria é bem simples: pare de olhar (a toda hora) para o tempo e o espaço, e observe as pessoas e relacionamentos que acontecem (agora mesmo) diante de você, aqui, lá e em todo lugar. Eles são bem verdadeiros. Viva-os, então, pois esses "Provérbios" de Salomão são conselhos didáticos que buscam fazer eu e você olhar para as muitas coisas boas que temos pra viver hoje por aqui - ao invés de gastar um bom tempo só procurando solucionar a vida que parece nos ter escapado pelas mãos, acolá. Pois a nossa história até parece uma existência pela metade, já que somos limitados pelo espaço físico do planeta, e também pelo (curto) tempo de vida que a morte não nos cansa de anunciar. Mas Salomão deseja atenuar este dilema dando orientações objetivas pra que eu e você aproveitemos esta vida na Terra e todos os anos temporais que por aqui passamos. Afinal, o tempo não para, como bem já dizia Cazuza. Mas nem só de Provérbios viverá o homem, pois o espírito - ansioso, estremece dentro de nós à procura da verdadeira história de quem realmente somos. Ansiedade espiritual é isso. E está sempre por perto, sem jamais nos deixar. Pois trata do nosso vazio pessoal e de tudo que nos falta para sermos o que tanto desejamos "ser" nesta vida que continua nos desafiando, sempre, a melhor viver. Parece que temos uma alma chorosa dentro de nós, então, por motivos às vezes desconhecidos, ou complicados demais pra saber do que trata tudo isso que, sim, nos entristece. Será que seremos uma espécie infeliz, afinal? Quem nos livrará disso tudo? A série "WESTWORLD" também mexe nesse (bom) vespeiro espiritual, existencial. E faz isso logo no fim do primeiro capítulo, quando a androide mais antiga do Velho Oeste é desligada diante do seu... Criador. E quem está lá pra brincar de "Deus" é o maravilhoso ator Anthony Hopkins, o inventor de "Westworld". É possível sentir uma tensão histórico existencial atemporal no ar assim que e o engenheiro cérebro e a robô primeva ficam a poucos metros de distância um do outro. Esse encontro entre criatura e criador é o modo pelo qual a série dá um salto dramático diante de nossos olhos surpresos, e corações já bastante sensíveis pela dor existencial dos robôs que, agora, bem de perto compartilhamos. Pois é dor nossa, também. Enfim, é este o encontro que inicia, então, a história da religião - o momento exato quando a humanidade olha pra cima ou pra dentro de seu espírito atrás de respostas para uma existência que já não sabe bem se é realmente a sua. Ainda que não haja outra à vista pra seguir e abraçar. Será isso mesmo? Ora, para isso existem os Profetas, certo? E a boa religião, também. Bom filme, na TV

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