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CULPADO POR SUSPEITA: a espiritualidade da Ideologia, no CINEMA.

O talentoso ator Robert De Niro entregou grandes atuações em filmes de temas bem diversos nas décadas de 1980/90. Assumiu como protagonista papéis variados, com atuações minimalistas em que a sua presença mais natural nos filmes daquele período, destacou o drama essencial das histórias. Um dos filmes pouco conhecidos dessa época é o valioso 'Culpado por Suspeita' (1990, com Annette Bening), que narra um drama histórico escrito e dirigido por Irwin Winckler. A temática de "Culpado por Suspeita" foi baseada em fatos reais da década de 1950 nos EUA, em que sob a liderança do Senador Joseph McCarthy Jr, o Congresso liderou uma grave perseguição político-cultural na América do Norte. O projeto visava denunciar e oprimir cidadãos norte-americanos "declarados" como comunistas. Talvez o aspecto mais vergonhoso dessa perseguição é a utilização de pensamentos e participações oriundos de reuniões em que os cidadãos denunciados haviam estado presentes – quando EUA e URSS eram ainda aliados na II Guerra contra o Nazismo, sendo que os temas genéricos dos encontros eram as liberdades e outros valores solidários. Dessa forma, o oportunismo político rasteiro conduz as calúnias e a opressão de autoridades que se servem do aparato do Estado para perseguir os artistas de cinema, dentre outros cidadãos. "Culpado por Suspeita" utiliza a experiência dolorosa de um fictício diretor de cinema protagonizado por De Niro, para apresentar com eficiência narrativa e veracidade histórica o drama real de perseguição que ocasionou desemprego, injustiças e mortes na América, por quase duas décadas. Outros filmes valiosos que se destacam na apresentação deste fato histórico cruel norte-americano são o maravilhoso "Boa noite e Boa sorte" (2005, de George Clooney, com David Strathairn, Robert Downey Jr e grande elenco) e o importante "Trumbo: Lista Negra” (2015, de Jay Roach, com Bryan Cranston e Diane Lane). Observe que o contexto político-cultural opressor que tem crescido nas sociedades e no cotidiano de todos nós neste século 21, se relaciona com a época de perseguições retratada no filme. Nesse contexto existencial, importa observar que esta atitude maligna poderá ser freada por alguns padrões éticos antigos; sendo que há uma virtude bíblica cristã pouco conhecida, que traria certamente um fôlego de dignidade relacional para o convívio social deste conturbado século. O evangelista Mateus anotou assim a declaração de Jesus de Nazaré no Sermão do Monte, sobre a importância dos ‘juramentos’ dos homens, em um valor que traduz a verdade divina para que os seres humanos se aperfeiçoem como gente convivendo em sociedade: "Quando disserem ‘sim’, seja de fato sim. Quando disserem ‘não’, seja de fato não. Qualquer coisa além disso vêm do maligno.” (capítulo 5, verso 37). Este princípio ético existencial analisa profundamente a consciência e a dignidade mais íntima dos seres humanos, segundo o modo como revelam quem realmente são a partir das declarações ditas sobre algo e alguém; especialmente ao revelar a incoerência e prepotência do ser. Nessa perspectiva, estes filmes que tratam da perseguição política ocorrida nos EUA no século passado, evidenciam tanto a boa atitude de artistas que se negaram a confirmar o que sabiam ser falso, a fim de manter o princípio - Sim, sim; Não, não como um valor humanitário essencial; como, ainda, vemos o modo em que as autoridades da época assumiam gravemente a ideologia do Sim, não; Não, sim, no interesse de alcançar fins ditos importantes por meios absurdos de absolutismo. Tempos difíceis, aqueles e estes. Bom filme! Autor: Ivan S Rüppell Jr é professor de ciências da religião, tendo publicado o livro ‘Resenhas espirituais de meditações cinematográficas’, 2020, editora dialética.

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