terça-feira, 20 de setembro de 2016

a ESPIRITUALIDADE de Gente como a GENTE

Nenhum homem é uma ilha, e nem jamais pode ser. Só se for pra ver os outros dele se afastando e logo chegando, como as marés que retornam à praia em um convívio constante com a terra. Eis a realidade existencial que é essencial pra uma boa Espiritualidade. Pois não há espiritualidade saudável sem o outro. Sem gente como a gente, e que seja por perto. Não que seja fácil. Mas é necessário. Assim como sair da atividade para o descanso, e igual ao escapar do sofá até a natureza, também a decisão de afastar a solidão pra encontrar o próximo é princípio espiritual dos bons. Não há ânimo e satisfação – a tal realização que nos faz continuar, se não for possível manter as (boas) relações com outros humanos como nós. É simples: nossa humana espiritualidade não pode sobreviver sem... a humanidade. Pois não há vida na constante ausência, mas só na perseverança da aproximação. E não apenas para se esquentar ou amar, mas acima de tudo, pra conviver; nosso real existir. Existir com a família e parentes, com os colegas trabalhistas e até os vizinhos – e importante também, os desconhecidos sociais das ruas da cidade. Não há ninguém que não nos interesse – espiritualmente falando. Difícil, mas fundamental, ao nosso aprendizado espiritual. O esforço para não ver o outro e o desinteresse pra dele se aproximar são graves enganos espirituais de nossa vivência atual, pois semeiam o vazio relacional e definem pra nós uma caminhada existencial sempre superficial. O cuidado exagerado com nós mesmos irá se revelar fatal escolha egoísta que é sempre o exato contrário das boas perspectivas do espírito. Por isso, lembre-se: a Espiritualidade da gente só amadurece junto de gente, como a gente.

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